De Natura Deorum - Da Natureza dos Deuses
Baphomet Xº O.T.O. Rex Summus Sanctissimus, do Trono de Iona, Irlanda, e todos os Bretões que estão no Santuário da Gnose, para todos os Membros do Supremo Grão Conselho dos Mui Ilustres Grãos Inspetores Gerais VIIº, Saudações e Paz.
Sob o selo da Obrigação do VIIº.
I - De Solo Deo
Desde a Origem dos Anos, os Iniciados de todos os povos têm mantido um segredo central como seguro Laço de Irmandade, como uma unidade cuja verdade é capaz de harmonizar todos os homens sobre a Terra.
Nem a fabricação de padres charlatões, nem sonhos fúteis de místicos podem ocultar do sensato esse único fato:
Não apenas é a Terra somente uma fria centelha do Sol, uma pétala solta da Rosa do Céu, mas a fonte de toda Luz e Vida sobre o planeta é este mesmo Sol. Não apenas é ele criador, mas sustentáculo, e também é Ele quem, no devido tempo, destrói e redime, quando é chegada a hora.
Portanto, no Macrocosmo há um só Deus, o Sol.
Agora, no Microcosmos, que vem a ser o Homem, o vice-regente do Sol, único doador de vida, é o Phallus. Ele é também o único doa-dor de Luz, em um certo sentido secreto não totalmente declarado no VIIº. Podemos insinuar o seguinte: o Phallus é a base fisiológica da Essência-Maior (vide também Liber 333, O Livro das Mentiras, Caps. A, H, IA, IE, IF, AB). E, igualmente, em sua própria natureza, é ele Liberdade e Amor.
Agora, desde tempos antigos, nossos Irmãos esconderam essa doutrina em tradição, em fábula, em grandes edifícios e nos ritos da Maçonaria. Com essa Chave, todos esses rituais se tornam inteligíveis, luminosos, radiantes; sem ela, eles ficam sombrios, o justo desdém dos ignorantes. Procure e veja.
II - De Deis Subalternis
Neste livro nós não precisamos falar de Deuses tribais e locais, de personificações animistas de fenômenos parciais, e coisas semelhantes.
Mas dos Deuses universais, como estes:
O Fogo; uma imagem de Sol e uma fábula do Phallus.
A Lua; uma imagem de Kteis, cultuada apenas com o Sol em seu aspecto como extensão do Phallus.
A Montanha; reverenciada como o lar dos Deuses, o lugar visível do nascimento do Sol, e pela sua forma simbólica do Phallus. Algumas montanhas são femininas, por forma ou tradição.
O Ancestral; reverenciado como encarnação do Phallus.
A Yôni ou Kteis; reverenciada como a Casa do Phallus, e seu complemento.
A Serpente; reverenciada como doadora da Morte, e como símbolo do Espermatozóide. Ela tem, muitas vezes, a cabeça do
O Leão; para indicar o forte poder do Espermatozóide.
O Ovo; reverenciado como Solar, e por si mesmo como o veículo da energia Fálica.
A Águia; e muitas outras criaturas aladas; também, asas unidas aos símbolos.
A Árvore; é somente o Phallus florescente.
As Estrelas; estas, sendo a confluência dos Irmãos do Sol, são, para o Sábio, veneráveis como Ele. E a estrela-universo é como se fosse sua Mãe, das quais Nuit é a mais elevada e sagrada de todas as existentes. E o companheiro dela é Hadit, a secreta e essencial energia de Vida cuja vestimenta é o Phallus, sendo Hadit, portanto, igual a Ela, a mais elevada e sagrada de todas as existentes. E o Filho De-les, Ra-Hoor-Khuit, é o visível Sol-Phallus sobre a terra. Mas este é um mistério dos Adeptos de Thelema, e o vulgar não consegue atingi-lo.
Todos os demais Deuses devem ser referenciados a essa síntese no Sol Microcósmico.
Assim, Deusas-do-Milho encobrem os Mistérios da Germinação, Deuses-do-Vinho são Fálicos e Solares no Êxtase da Vida transbordante, da qual até mesmo as pessoas comuns ficam conscientes com a utilização apropriada do vinho.
Há também deuses inventados para representar coisas úteis para o homem; mas estes são, por natureza, subservientes ao Deus principal, cuja utilidade e beleza são fundamentais.
III - De Natura Dei Soli
No Santuário da Gnose em que, Mui Ilustres Senhores Cavaleiros, seus valores e castidade talvez um dia lhes obtenham admissão, há certa interpretação mais profunda. Tampouco sois vós inteira-mente ignorantes de como, na Figura chamada Baphomet e Babalon, há uma Porção do Céu e Terra.
Novamente, aqueles, Iniciados realmente, que em verdade penetraram no Santuário de seu próprio Eu, e encontraram Aquele Deus Onipotente, Onisciente, Onipresente que é Luz, Amor e Liberdade, além do Tempo e do Espaço, sem quantidade ou qualidade, Eterno Uno, a própria essência tanto do Sol quanto do Phallus, possuirão, em sua própria consciência iluminada por Isto, certa compreensão da Verdade que não deve, de modo algum, ser compartilhada por aqueles que não atingiram esse Tesouro. Estes, se forem sábios, não farão nenhuma tentativa de desvendar esta Verdade Interior para o profano, mas se satisfarão com a idéia de que descansam à sombra daquela Verdade externa que lhe declaramos, de que Deusé Uno, e que no Macrocosmos Seu nome é o Sol, e no Microcosmos o Phallus.
Pois todas as tentativas de iniciar até mesmo os que merecem antes que eles se iniciem a si mesmos são tolice e fatalidade. Os Segredos do Sábio, embora do conhecimento deles, não devem ser expressos na língua dos homens comuns. Vejam vocês, Senhores Cavaleiros, essa mesma Doutrina que Nós lhes revelamos neste Supremo Grão Conselho, a qual vocês tão duramente atingiram, como parecerá, pensem, até mesmo em uma Assembléia de Príncipes do Segredo Real, preparados como estão para algumas revelações como estas? Como seria então para meros Cavaleiros Kadosh, para Soberanos Príncipes da Rosa Cruz? E para Mestres Maçons? É por esta razão que nosso Conselho é assim guardado por dentro e por fora, e que nosso Ritual inteiro, do Minerval para cima, é apenas uma série constante de insinuações a essa Verdade Única.
O que é a tenda do Saladino, senão o Phallus? E a Primeira Palavra, assim como a última, é ON, O Sol. Mas se o Minerval suspeitasse desta verdade, não iria ele voltar às costas e fugir aterrorizado do Acampamento, e ser abatido pelo Guarda Negro que cuida até mesmo os limites mais afastados do Reinado do Mais Sagrado e Mais Elevado Senhor Deus Onipotente?
Portanto, reflitam, ajam com sabedoria e prudência, Senhores Cavaleiros, não declarando abertamente o Arcano àqueles que ainda não o compreendem por sua própria perspicácia. E quando o O.H.O. considerar adequado, reunindo suas forças ele declarará esta Verdade privadamente aos Reis e Príncipes da Terra, a fim de que eles possam entrar em conselho e reger todos os homens em amor e paz, através deste Segredo, sob a Sombras das Asas do inefável Único Senhor.
Pois este segredo não é apenas uma forma conveniente de fazer isto, um Pilar de Chamas para dispersar as Sombras da Terra, mas é também um conveniente véu – e o único véu digno – daquela Luz ainda mais distante, a qual ainda não podemos revelar nem mesmo a este Supremo Grande Conselho da O.T.O.
IV - De Deis Phantasticis
De todos os nossos inimigos, os que mais devem ser temidos são aqueles que fazem falsos deuses de sua própria imaginação.
Pois o pagão facilmente abandona os deuses de barro; pois a verdade cai como um raio em sua mente escura. É fácil provar que o Sol é efetivamente a Fonte de Vida e Luz, que o Phallus é realmente PANGENETOR. Mas, para aqueles que se imbecilizaram a si mesmos, que cegaram os próprios olhos, que traíram sua própria razão indo atrás de deuses fantásticos, teias aranhas imundas e emaranhadas de metafísica, tecidas por castrados professores-aranhas em claustros sombrios, bolhas assopradas por idiotas e loucos, mitos mal interpretados, fábulas tomadas como história, mentiras postas em cena por toda a falsificação, fraude, traição e assassinato, a estes a Verdade parece falsa, e as Luzes parecem escuridão.
Tais Deuses como Parabrahman meramente confundem o povo, e os transforma em presas dos sacerdotes, enquanto os Cristos tanto das Igrejas Latinas, Luteranas quanto Anglicanas não passam dos deuses-máquinas de toda fraude e opressão, roubados e prostituídos daquele Cristo no quais nossos Pais na Gnose se esforçaram para sintetizar os deuses guerreiros da Síria, Grécia, Caldéia, Roma e Egito na época em que o crescimento do Império Romano começou a tornar possível as viagens e a intercomunicação dos sacerdotes de Mitras, Adonis, Attis, Osíris, Dionísio, Isis, Astarte, Vênus e possívelmente muitos outros.
Indícios dessa recensão ainda permanecem visíveis na Missa e no Calendário dos Santos, todos os deuses e deusas de importância universal recebendo, pelos mesmos rituais, as mesmas honrarias de outrora, enquanto que os deuses locais foram substituídos por santos, virgens, mártires ou anjos, muitas vezes com os mesmos nomes, sempre com as mesmas características.
Desta forma, no altar, o Crucifixo fálico-Solar está circundado por seis luzes significando os planetas, para usar apenas um único exemplo de centenas à Nossa disposição; e o Natal está no Solstício de inverno, o nascimento de Cristo substituindo o nascimento do Sol. Todos estes pontos podem ser estudados em:
La Messe et ses Mystères
Rome, Pagan and Papal
The Two Babylons
Rivers of Life
Two Essays on the Worship of Priapus
e muitos outros livros que podem ser estudados na biblioteca da O.T.O. e em outros lugares.
Mas, na pura Franco-Maçonaria, e especialmente na O.T.O., esta síntese foi feita com maior precisão e habilidade, e com maior com-centração, com maior lucidez, com um gênio dramático e poético, então é mais fácil para nós distinguir entre a jóia e sua montagem, e possivelmente no caso do Ritual e sua Tradição se terem perdido em algum Cataclismo universal para dignos sucessores inspirados por Nosso Senhor ‘para reaver nossas perdas e recuperar a Palavra’.
Uma vez mais, Mui Ilustres Senhores Cavaleiros da Ordem do Templo do Oriente, vamos, recordar-lhes a história de nossos Monges e Cavaleiros Religiosos e Militares, de como, surgindo do Oriente como cruzados, eles se encontraram com iniciados dos exércitos de Salah’ud Din, e deles obteram o segredo chamado Baphomet, sendo ele o Mistério da Porção do Céu e da Terra que está sob este segredo do VIIº, e que diz respeito à Unidade de Deus. E tendes, em verdade, toda razão de, desde o topo de vossas cabeças ao solado de vossos pés, lembrar-vos de que esta é a origem de toda a nossa tragédia. Assim, portanto, valorosos e nobres Senhores Cavaleiros, estejamos em guerra constante contra toda tirania e superstição, e principal-mente contra fanatismos tais como a Cristandade ‘ortodoxa’, tal como é interpretada em seu sentido material, lendas e fábulas de imbecis, doutrinas imorais de um pecado original e uma vicária expiação, e a escatologia mais horrenda da história da falsa religião. Nem se pode afirmar menos do que isto contra todas as outras ortodoxias, com suas fábulas igualmente absurdas, seus postulados igualmente imorais.
Mas, da mesma forma, que haja guerra sobre aqueles que buscam refinar estes fanatismos de qualquer outra forma além das harmonizações ecléticas e sincréticas.Além disto, tome cuidado com aqueles que tentam ‘espiritualizar’ seus falsos deuses, pois a cabeça deles é como uma bexiga de suíno vaidoso, cheia de venenoso miasma.
Mas, em sua guerra, honrem os bravos antagonistas; poupe-os e traga-os à iniciação; quanto à bruxa e o eunuco – e estes são todos os que apóiam ortodoxias – deve-se mostrar a eles a única miseri-córdia possível, ou seja, a de uma rápida destruição.
Para aqueles que se intitulam ortodoxos mas ainda são homens, e mulheres, na verdade não tenham nenhuma fé em suas tolices, mas apenas considerem-nos como um meio conveniente de dominar o vul-gar. Estes já são nossos, embora não saibam disto; estes, ainda que inconscientemente, compreendem e vivem de acordo com a nossa Lei THELEMA – FAZE O QUE TU QUERES. Eles estão maduros para a com-versão; eles são do Sangue, e podem ser trazidos facilmente para lutar em nossas fileiras. Então que assim seja.
V - De Aliuno Dei Sultu
Eis que declaramos uma certa fórmula secreta de veneração ao Único Deus Verdadeiro, se por acaso vós o encontrais.
Que cada Cavaleiro designe em seu castelo uma Capela privada, e tanto quanto possível, que se assemelhe a esta ordem e disposição de Nosso Supremo Grão Conselho, tendo uma lâmpada sempre acesa como imagem do Sol, para dar luz a um Phallus esculpido ou moldado em ouro, prata, platina ou bronze pela fina arte do escultor. E que o Cavaleiro seguidamente mantenha vigília perante ele, de todo seu coração devotadamente proferindo hinos e invocações, da forma apropriada, e exaltando-se a si mesmo na devida comemoração deste Senhor da Vida, de tal maneira que a Imagem fique consagrada pela sua vontade. Assim, será ela um depósito de força, e um foco ou ímã, atraindo para si todas as forças sutis, e irradiando bênçãos.
Que o Cavaleiro mantenha então esta devoção em segredo, e desfrute quietamente de
seus frutos.
VI - De Dei Cultu: alter modus
Eis aqui também uma profunda veneração e um interior, que se encontra ainda mais próximo ao coração de Deus.
Que o bom Cavaleiro devoto destine um secreto altar em seu próprio corpo, no cérebro, ou na garganta, ou no coração, ou no plexo solar, ou naquele lugar chamado virilha, ou em algum outro centro de força, e lá, que ele estabeleça firmemente uma imagem mental do Phallus ou do Sol; e, fechando todos os caminhos dos sentidos, como se estivesse cobrindo a Loja, que ele adore e valorize essa imagem com incansável cuidado. Que ele pratique perante o Senhor assim exaltado sua própria ação de devoção cavaleiresca a tal Senhor, de modo que Memória e Imaginação dancem ao seu redor, como donzelas ao redor do Maypole (Nota de revisão: estaca com fitas coloridas que são trançadas por meninas dançando ao seu redor, nas festas de Maio). E a isto, que ele adicione Vontade, consagrando-se a si mesmo com juramentos a serviço do Senhor, jurando fazer de si um sacer-dote digno Dele. Assim, então, tendo sido todo o pensamento envolto e concentrado ao redor da Imagem, como soldados que se reúnem à volta do Estandarte, que ele volte sua mente devotada e intensa-mente apenas para a contemplação daquela Imagem, dizendo a si mesmo que todos os demais pensamentos não passam de intrusos e espias. Agora então, durante algum tempo será difícil cobrir direito aquela Loja, e a mente vai estar sempre se afastando da Imagem. Sendo assim, que o bom Cavaleiro, com coragem, redobre seu empenho, até que, repentinamente, toda aquela agitação cesse, e os pensamentos fluam naturalmente em direção à imagem. Então apare-cerá o Deus em toda a Sua glória, recebendo os adoradores em Seu Céu.
VII - De urgentio ultimo O.H.O.
Que seja de seu conhecimento, Mui Ilustres Senhores Cavaleiros Conselheiros, que há, além de tudo isto, um modo supremo pelo qual Deus não apenas manifesta-se a Si mesmo ao homem, mas com ele se une, nas mais doces núpcias. Mas esse segredo não é para ser conhecido por aqueles que não são iniciados do Santuário da Gnose IXº. Mas fiquem certos também de que, através destas práticas prelimi-nares, vocês serão guiados à Santidade, eà recompensa e Favor do Todo-em-Um; e vocês, se preparando para este outro progresso, tornam- se merecedores candidatos ao Secreto Aeropagus dos Illuminati, no qual tanta luz é produzida, que ainda lhe é escuridão.
VIII - Valedictio
Que as Bênçãos de nosso Senhor e Pai o Sol, e o Favor e Fervor do Senhor ΙΘΦΑΛΛΟΣ estejam convosco, e o preparem em cérebro, coração, e corpo (que a sabedoria, beleza e poder da criação estejam dentro de você) por cuja Glória este Conselho é apenas um véu figurado.
Saudações,Senhores Cavaleiros Conselheiros, e adeus. Em nome de BABALON e da BESTA unidos, do Secreto Redentor e de IAO.
Origem da tradução:
Traduzido por Soror Nanay



