Da Magia dos Campos e da Feitiçaria dos Pastores
Na solidão, no meio do trabalho da vegetação, as forças instintivas e magnéticas do homem aumentam e se exaltam; as fortes exalações da seiva, o cheiro dos fenos, os aromas de certas flores enchem o ar de embriaguez e de vertigens; então, as pessoas impressionáveis caem facilmente numa espécie de êxtase que as faz sonhar acordadas. É então que aparecem as lavandeiras noturnas, os lobisomens, os duendes que desmontam os cavaleiros e sobem nos cavalos, batendo-os com a sua longa cauda. Estas visões de homens acordados são reais e terríveis, e não devemos rir dos nossos velhos camponeses bretões, quando contam o que viram.
Estas visões passageiras, quando se multiplicam e se prolongam, comunicam ao aparelho nervoso uma impressionabilidade e uma sensibilidade particular; a pessoa torna-se sonâmbula acordada, os sentidos adquirem uma fineza de tacto às vezes maravilhosa e até incrível; ouve, a prodigiosas distâncias, ruídos reveladores, vê o pensamento dos homens nas suas frontes, fica repentinamente comovida pelo pressentimento das desgraças que os ameaçam.
As crianças nervosas, os idiotas, as mulheres idosas e geralmente todos os celibatários instintivos ou forçados, são as pessoas mais próprias para este gênero de magnetismo; assim, se produzem e se complicam estes fenômenos doentios que são considerados como os mistérios do poder dos médiuns. Ao redor desses ímãs desregrados, turbilhões magnéticos se formam e, muitas vezes, prodígios se operam, prodígios análogos aos da eletricidade, atração e repulsão dos objetos inertes, correntes atmosféricas, influências simpáticas ou antipáticas muito pronunciadas. O ímã humano age a grandes distâncias e através de todos os corpos, à exceção do carvão de madeira, que absorve e neutraliza a luz astral terrestre em todas as suas transformações. Se a estes acidentes naturais se acrescenta uma vontade perversa, o doente pode tornar-se muito perigoso para os vizinhos, principalmente se o seu organismo tem as propriedades exclusivamente absorventes*. Assim se explicam os enfeitiça mentos e as sortes; assim se torna admissível e submissa ao diagnóstico médico esta afecção estranha que os romanos chamavam o mau olhado e que é ainda temido, em Nápoles, sob o nome de jettatura.
(*) Aqui se inclui algumas propriedades do vampirismo psíquico.
Na nossa Chave dos Grandes Mistérios, dissemos porque os pastores estão mais sujeitos do que os outros a desregramentos magnéticos; condutores de rebanhos que imantam com a sua vontade boa ou má, sofrem a influência das almas animais reunidas sob a sua direção e que se tornam como que apêndices das deles; as suas enfermidades morais produzem, nos seus carneiros, doenças físicas e eles sofrem, por sua vez, a reação das petulâncias dos seus bodes e dos caprichos das suas cabras; se o pastor é de uma natureza absorvente, o rebanho se torna absorvente e atrai, às vezes, fatalmente, a si todo o vigor e toda a saúde de um rebanho vizinho. É assim que a mortalidade se estabelece nos currais, sem que se possa saber por que e que todas as precauções e todos os remédios nada valem para isso. Esta doença contagiosa dos rebanhos é, às vezes, determina da pela inimizade de um pastor rival que veio furtivamente, de noite, enterrar um pacto à entrada do curral. Isto vai fazer rir aos incrédulos, mas não se trata mais, agora, de credulidade. O que a superstição acreditava cegamente outrora, a ciência constata e explica agora.
Ora, é certo e está demonstrado, por numerosas experiências:
l.° — Que a influência magnética do homem, dirigida pela sua vontade, se prende a quaisquer objetos escolhidos e influenciados por esta vontade;
2.° — Que o magnetismo humano age à distância e se centraliza com força nos objetos magnetizados;
3.° — Que a vontade do magnetizador adquire tanto mais força, quanto mais tenha multiplicado os atos expressivos da sua vontade;
4.° — Que se os atos são de natureza a impressionar vivamente a imaginação, se para os realizar foi preciso vencer grandes obstáculos exteriores e grandes resistências interiores, a vontade torna-se fixa, encarniçada e invencível como a dos loucos;
5.° — Que só os homens, por causa do seu livre arbítrio, podem resistir à vontade humana, mas que os animais não resistem por muito tempo a ela.
Vejamos, agora, como os feiticeiros do campo compõem os seus malefícios, verdadeiros pactos com o espírito de perversidade, que servem de consagração fatal à sua vontade má. Formam um composto de substâncias que ninguém pode obter sem crime e reunir sem sacrilégio, pronunciam sobre estas horríveis misturas, umedecidas, às vezes, com seu próprio sangue, fórmulas de execração e enterram no campo do seu inimigo ou em lugar próximo à entrada de seu curral estes sinais de um ódio infernal, irrevogavelmente magnetizados. O seu efeito é infalível; a partir deste momento, os rebanhos começam a perecer, logo todo o curral será arrasado, a menos que o dono do rebanho oponha uma resistência enérgica e vitoriosa, ao magnetismo do inimigo.
Esta resistência é fácil, quando é feita por círculos e correntes, isto é, por associação de vontades e de esforços. O contágio não atinge os cultivadores que sabem fazer-se amar pelos seus vizinhos. Os seus bens são protegidos, então, pelos interesses de todos e as boas vontades associadas triunfam logo de uma isolada malevolência.
Quando o malefício é assim repelido, volta-se contra seu autor: o magnetizador malévolo sofre tormentos intoleráveis, que logo o forçam a destruir a sua má obra e a vir, em pessoa, desenterrar o seu pacto.
Na Idade Média, recorriam-se também a conjurações e preces, faziam benzer os currais e animais, faziam dizer missas, afim de repelir, pela associação das vontades cristãs na fé e na oração, a impiedade do enfeitiçador.
Arejavam os currais, faziam fumigações e nele misturavam aos alimentos dos animais sal magnetizado por exorcismos especiais. No fim da nossa Chave dos Grandes Mistérios, reproduzi mos alguns destes exorcismos, cujo texto primitivo restabelece mos com curiosa atenção.
Com efeito, estas fórmulas, copiadas e recopiadas por mãos ignorantes, impressas depois, a despeito do bom senso, por exploradores da credulidade popular, não chegaram até nós sem estranhas alterações.
Eis aqui algumas delas, tais como as achamos ainda nos últimos engrimanços:
"Antes de tudo, pronunciai sobre o sal: Panem coelestem accipiat si nomen Domini invocabis. Depois, recorrei ao castelo de Belle, jogai-o e esfregai-o, pronunciando o que segue: Eunte ergo docentes omnes gentes baptizantes eos. In nomine Patris, etc."
"GUARDA CONTRA A SARNA. — "Quando Nosso Senhor subiu ao céu, deixou na terra a sua santa virtude:
"Pasle, Colet e Hervê; tudo o que Deus disse foi bendito. Animal russo, branco ou preto, de qualquer cor que sejas, se houver alguma sarna em ti, que tenha sido posta e feita a nove pés na terra, é também verdade que ela ir-se-á embora e sairá, como S. João está na sua pele e foi nascido na sua casa; como José Nicodemos de Arimatéia desceu o corpo do meu doce Salvador e Redentor Jesus Cristo, da árvore da cruz, no dia da sexta-feira santa."
"Vós vos servireis, para o lançamento e as fricções das palavras seguintes, e recorrei para o que dissemos ao castelo de Belle:
"Sal, lanço-te com a mão que Deus me deu. Voto et vono Baptista Sancta Aca latum est."
"GUARDA PARA IMPEDIR AOS LOBOS DE ENTRAREM NO TERRENO EM QUE ESTÃO AS OVELHAS. — Colocai-vos em frente do sol nascente e pronunciai cinco vezes, o que segue. Se quereis pronunciá-lo uma só vez, fazei-o durante cinco dias seguidos:
"Vem, animal lanígero, é o Cordeiro de humildade, eu te guardo Ave Maria. É o cordeiro do Redentor que jejuou quarenta dias sem rebelião, sem ter tomado qualquer refeição do inimigo, foi tentado em verdade. Segue direito, animal pardo, traiçoeiro carnívoro; ide procurar a vossa presa, lobos e lobas e lobinhos; não tendes que vir a esta carne daqui. Em nome do Padre, do Filho e do Espírito Santo, e do bem-aventurado Santo Cervo. Também, vade retro, Satan!"
"OUTRA GUARDA. — "Animal lanígero, pego-te em nome de Deus e da Santíssima Virgem Maria. Peço a Deus que a ordenação que vou fazer dê proveito para a minha vontade. Eu te conjuro que rompas todas as sortes e encantamentos que pode riam ser passados em cima do corpo do meu vivo rebanho de animais lanígeros, que está presente diante de mim; que estão a meu cargo, sob minha guarda. Em nome do Padre, do Filho e do Espírito Santo e do senhor S. João Batista e do senhor Santo Abraão."
"Vede acima o que dissemos para operar no castelo de Belle, e servi-vos, para o lançamento e as fricções, das palavras que seguem:
"Páscoa florida, Jesus ressuscitou."
"GUARDA CONTRA A SARNA E A PESTE. — "Foi uma segunda-feira pela manhã que o Salvador do mundo passou, com a Virgem Santíssima; após si, o senhor S. João seu pastorinho, seu amigo, que procura seu divino rebanho, que está preso por este maligno cravo, que não tem mais poder, por causa dos três pastores que foram adorar o meu Salvador e Redentor Jesus Cristo, em Belém, e que adoravam a voz da criança."
"Dizei cinco vezes o Pater e a Ave-Maria.
"O meu rebanho que me está sujeito, ficará são e belo. Rogo à senhora Santa Genoveva que me possa servir de amiga neste maligno cravo. Cravo banido por Deus, renegado por Jesus. Cristo, eu te ordeno, da parte do grande Deus, que saias daqui, e que te vás derreter e te dissolver diante de Deus e de mim, como o orvalho se derrete diante do Sol. Gloriosíssima Virgem Maria e o Espírito Santo, cravo sai daqui, porque Deus t'o manda, tão verdadeiramente como José Nicodemos de Arimatéia desceu o precioso corpo do meu Salvador e Redentor Jesus Cristo, no dia da sexta-feira santa, da árvore da Cruz: pelo Padre, pelo Filho, pelo Espírito Santo, digno rebanho de animais lanígeros, aproximai-vos daqui, de Deus e de mim. Eis aqui a divina oferenda de sal que te apresento hoje; como sem o sal nada foi feito e pelo sal tudo foi feito, como o creio, pelo Padre, etc.
"Ó sal! Eu te conjuro, da parte do grande Deus vivo, que me possas servir para o que pretendo, que possas preservar e guardar o meu rebanho de sarnas, ronhas, quebrantos e más águas. Eu te mando, como Jesus Cristo, meu Salvador, mandou na barca aos seus discípulos, quando lhe disseram: Senhor, acordai-vos, porque o mar nos espanta. Logo, o Senhor se acordou, ordenou ao mar que parasse; por isso o mar ficou calmo, mandado pelo Pai, etc."
É evidente que é preciso ler:
Para a oração sobre o sal: Panem coelestem accipiam et nomen Domini invocabo.
Depois, mais abaixo:
Euntes ergo omnes gentes baptizantes eos, etc.
Os nomes de Pasle, Colet e Hervê são os dos pastores associados na obra magnética. Em lugar de morrerá, lede: sairá; e, na linha seguinte, lede: casa, em vez de camelo, que faz aqui um contra-senso tão absurdo e grotesco.
Numa das fórmulas seguintes, em lugar de passe flori, é preciso ler: páscoa florida (pâque fleurie) (*).
A que vem depois, era, primitivamente, em versos e pode mos ver, restabelecendo-a, como foi desfigurada:
Foi uma segunda-feira de manhã,
Jesus passou pelo caminho,
A Santa Virgem junto a ele
E o senhor S. João seu amigo,
O senhor S. João seu pastorinho
Que procura seu divino rebanho.
Preso pelo maligno cravo,
Maligno cravo que curará
E do meu rebanho sairá,
Pelos três reis e os pastores,
De Jesus Cristo adoradores
Que foram a Belém,
Passando por Jerusalém,
E por sua vez se prosternando,
Adorar a cruz do menino.
(*) Observação — Estas correções já foram feitas na tradução. O leitor não deve estranhar a desconexidade destas fórmulas assaz vulgares e ignorantes.
Este exemplo bastará para fazer entender até que ponto estão alterados e se tornaram ridículos os pequenos livros vulgares de feitiçaria e pretensa magia, que ainda ousam vender na roça.
Pode-se ver, assim, que, no seu princípio, estas fórmulas pertenciam a uma fé ardente e ingênua. Era em nome do menino nascido na mangedoura, dos pastores que vieram visitá-lo, de S. João Bastista, o homem do deserto, sempre acompanhado de um cordeiro sem mancha, que os antigos pastores cristãos conjuravam os malefícios dos seus inimigos. Estas orações, ou antes estes atos de fé eram pronunciados sobre o sal, tão salutar por si mesmo e tão indispensável à boa saúde dos rebanhos. Os nossos falsos sábios poder rir agora destes rústicos encantadores; mas eles sabiam bem o que faziam, e o seu instinto, dirigido pela experiência, os guiava mais seguramente do que podia fazê-lo toda a pobre ciência daquele tempo.
Agora que a fé se enfraqueceu, na roça como em toda parte, estas ingênuas orações não têm poder nem prestígio. Pode-se, quando muito, procurá-las como monumentos curiosos da crença dos nossos avós. Encontramo-las nos engrimanços manuscritos e no Enchiridion de Leão III, pequeno livro muito célebre na Idade Média e cujas edições mais ou menos errôneas se multiplicaram até nossos dias. Extraímos e damos aqui as suas conjurações que passavam pelas mais eficazes.
Aqui começam as misteriosas orações do papa Leão III:
Orações contra toda sorte de encantos, sortilégios, caracteres, visões, ilusões, possessões, obsessões, impedimento maléfico de casamento, e tudo o que pode chegar pelo malefício dos feiticeiros, ou pelo concurso dos diabos; e também muito proveitosas contra toda espécie de males que possam ser dados nos cavalos, jumentos, bois, vacas, carneiros, ovelhas e outras espécies de animais.
Oração: Qui Verbum caro factum, est, etc.
"O Verbo que se fez carne, foi pregado na cruz, é quem está assentado à direita do Pai, para atender às orações dos que crêem nele, aquele que, pelo seu santo nome, todo joelho se dobra; é pelos méritos da bem-aventurada Virgem Maria, sua mãe, e também pelas orações de todos os santos e santas de Deus. Dignai-vos preservar esta criatura, F., de todos os que poderiam prejudicá-la, e dos ataques dos demônios, vós que viveis e reinais na unidade perfeita; porque eis ✠ a cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, na qual está nossa salvação, nossa vida e nossa ressurreição, e a confusão de todos os que querem prejudicar-nos e dos espíritos malignos; fugi, pois, partes adversárias, porque vos conjuro, demônios do inferno, e vós, espíritos malignos de qualquer espécie que sejais, tanto presentes como ausentes, de
qualquer modo que seja, e sob qualquer pretexto, quer sejais chamados ou invocados, quer venhais de boa vontade; ou sejais enviados; quer por encantamento, quer por arte dos homens malignos ou das mulheres; vos incitando para ficar ou para molestar. Até que abandoneis vossos enganos diabólicos, ide-vos incontinenti ✠ pelo Deus vivo ✠ verdadeiro ✠ santo ✠ Pai ✠ Filho ✠ e Espírito Santo. Especialmente por aquele ✠ que foi crucificado como homem, no sangue do qual vencemos, quando S. Miguel combateu conosco, e fez preceder a vitória, e vos fez recuar à medida que vos aproximáveis, e que não possais, sob qualquer pretexto que seja, molestar ou incomodar esta criatura, nem no seu corpo, por visão, nem espanto, nem de dia, nem de noite, nem dormindo, nem acordado, nem comendo, nem orando, nem fazendo outra coisa, quer natural, quer espiritual: de outro modo, faço cair sobre vós ✠ todas as maldições, excomunhões ✠, graus de penas e tormentos, como ser lançado no tanque de fogo e enxofre, pelas mãos dos vossos inimigos, pelo mando da Santíssima Trindade. S. Miguel Arcanjo pondo-o em execução. Porque se tomastes anteriormente algum laço de adoração, algum perfume, alguma determinação e afecção maligna, seja qual for, quer em ervas, quer em palavras, quer em pedras, quer em elementos, quer sejam naturais, simples ou mistas, temporais, espirituais, ou nos nomes do grande Deus e dos anjos, quer sejam em caracteres de horas, de minutos, de dias, de ano e de mês, observados supersticiosamente com pacto expresso, ou tácito, até fortificado por juramento. Quebro ✠ todas estas coisas, anulo-as e as destruo pelo poder do Pai que criou todo o mundo ✠, pela sabedoria do Filho redentor ✠, pela
bondade do Espírito Santo ✠, por aquele que cumpriu toda a lei ✠, que é ✠, que deve vir ✠, onipotente ✠, santo ✠, imortal ✠. salvador ✠, que é composto de quatro letras ✠, Jeová ✠, Alfa e Ômega ✠, o começo e o fim. Que toda virtude diabólica seja, pois, destruída nesta criatura, e seja expulsa pela virtude da santíssima cruz, pela invocação dos anjos, arcanjos, patriarcas, profetas, apóstolos, mártires, confessores, virgens, e também da bem-aventurada Virgem e de todos os que vivem bem na santa Igreja de Deus. Retirai-vos, pois; e do mesmo modo que a fumaça do peixe miúdo, peixe queimado conforme o conselho de Rafael, pôs em fuga o espírito de que Sara estava atormentada, do mesmo modo estas bênçãos vos expulsam, a fim de que não ouseis vos aproximar desta criatura. Marcada pelo sinal da santa cruz, no espaço de cem mil passos, porque o meu mandamento não é o meu, mas daquele que foi enviado do seio do Pai, a fim de destruir as vossas obras, como as destruiu na árvore da cruz, nos deu um tal poder, para a glória e utilidade dos fiéis, para vos mandar, como vos mandamos e ordenamos, que não ouseis vos aproximar, por nosso Senhor Jesus Cristo ✠; eis aqui a cruz do Senhor; fugi, partes adversárias; o leão da tribo de Judá venceu. Raiz de Davi, aleluia,
amen, amen, fiat, fiat."
Eis aqui as sete orações misteriosas que se devem dizer durante a semana:
Para o domingo — Libera-me, Domine, etc. Padre Nosso, etc.
"Livrai-me, eu vos peço, Senhor, vosso servo. F., de todos os males passados, presentes e futuros, tanto da alma como do corpo, e pela intercessão da bem-aventurada Virgem Maria, mãe de Deus, e dos vossos bem-aventurados apóstolos S. Pedro, S. Paulo e Santo André, com todos os vossos santos, dai-me favoravelmente a paz e vosso servo F., e a santidade em todos os dias da minha vida, a fim de que, sendo ajudado pelo auxílio da vossa misericórdia, esteja sempre livre da escravidão do pecado e de qualquer temor de perturbação. Pelo mesmo Jesus Cristo vosso Filho, Nosso Senhor, que, sendo Deus, vive e reina convosco na unidade do Espírito Santo, em todos os séculos dos séculos. Amém. Que a paz do Senhor esteja sempre comigo.
Amém. Que a vossa paz celeste, Senhor, que deixastes aos vos sos discípulos, fique sempre firme no meu coração, e esteja sempre entre mim e meus inimigos, tanto visíveis como invisíveis. Amém. Que a paz de Nosso Senhor Jesus Cristo, a sua face, o seu corpo e o seu sangue, venham em meu auxílio, F., pecador que sou, e me sirvam de uma favorável proteção e defesa, e de consolação para a minha alma e para o meu corpo, Amém. Cordeiro de Deus, que vos dignastes nascer da Virgem Maria, e carregar na árvore da cruz os pecados do mundo, tende piedade do meu corpo e da minha alma. Cordeiro de Deus, por quem todos os fiéis são salvos, dai-me, neste século e nos séculos futuros, uma paz eterna. Amém."
Para a segunda-feira — Ó Adonai per quem, etc.
"Ó Adonai! ó Salvador por quem todas as coisas foram postas em liberdade, livrai-me de todo mal. Ó Adonai! ó Salva dor por quem todas as coisas foram socorridas, auxiliai-me em todas as minhas necessidades e angústias, negócios e perigos, e de todos os enganos dos meus inimigos visíveis e invisíveis, livrai-me ✠, em nome do Pai que criou tudo ✠, em nome do Filho que resgatou tudo ✠, em nome do Espírito Santo que realizou toda a lei, eu me recomendo inteiramente. Amém ✠. Que a bênção de Deus Pai Onipotente, que fêz todas as coisas por uma só palavra, esteja sempre comigo. Amém. ✠. Que a bênção do Espírito Santo, com seus sete dons, esteja sempre comigo. Amém. Que a bênção da bem-aventurada Virgem Maria com seu Filho esteja sempre comigo. Amém."
Para a terça-feira — Accipite et comedite, etc.
"Que a bênção e a consagração do pão e do vinho que Nosso Senhor Jesus Cristo fez quando deu aos seus discípulos dizendo-lhes:
"Tomai e comei isto, porque é o meu corpo que será entregue por vós, em memória de mim. Amém. Que a bênção dos anjos e arcanjos, das virtudes, das principalidades, dos tronos, das dominações, dos querubins e serafins esteja sempre comigo. Amém. Que a bênção dos patriarcas, dos profetas, dos apóstolos, dos mártires, dos confessores, das virgens e de todos os santos e santas de Deus, esteja sempre comigo. Amém. Que a bênção de todos os céus de Deus estejam sempre comigo. Amém. ✠. Que a majestade adorável me proteja; que a sua eterna bondade me governe; que a sua inextinguível Caridade me inflame; que a sua imensa bondade me dirija; que o poder do Pai me conserve; que a sabedoria do Filho me vivifique; que a virtude do Espírito Santo esteja sempre entre mim e meus inimigos visíveis e invisíveis. Amém. Poder do Pai, fortificai-me; sabedoria do Filho, livrai-me; consolação do Espírito Santo, consolai-me. O Pai é a Paz, o Filho é a vida, o Espírito Santo é o remédio da consolação e da salvação. Amém. Que a divindade de Deus me abençoe; que a sua humanidade me fortifique. Amém. Que a sua piedade me acalente; que o seu amor me conserve: ó Jesus Cristo, filho de Deus vivo, tende piedade de mim."
Para a quarta-feira – Ó Emmanuel, ab hoste, etc.
"Ó Emmanuel! defendei-me do espírito maligno e de todos os meus inimigos visíveis e invisíveis, de todo o mal; o Cristo rei veio em paz; Deus se fez homem, e sofreu com clemência por nós; que Jesus Cristo, rei pacífico, sempre esteja entre mim e meus inimigos. Amém. ✠. O Cristo é vencedor ✠; o Cristo reina ✠; o Cristo impera ✠. Que o Cristo me defenda sempre de todo mal. Amém. Que Jesus Cristo ordene que eu seja vitorioso sobre os meus adversários. O leão da tribo de Judá venceu; ramo de Davi, aleluia, aleluia, aleluia. Salvador do mundo, salvai-me e socorrei-me, vós, que por vossa cruz e vosso preciosíssimo sangue, me resgatastes; ajudai-me, eu vô-lo peço, ó Deus, ó Agin, ó Theos ✠, agios ischyros ✠. agios athanatos ✠, eleison himas; Deus santo, Deus forte, Deus misericordioso e imortal, tende piedade de mim, F., vosso servo. Senhor, sede meu auxilio; não me abandoneis; não me considereis com desprezo. Deus meu salutar; mas vinde sempre em meu auxílio, Senhor Deus, meu Salvador."
Para a quinta-feira – Ilumina oculos meos, etc.
"Alumiai os meus olhos, Senhor, a fim de que não me adormeça nunca na morte, e que o meu inimigo não diga que foi mais forte que eu. Que o Senhor seja o meu auxílio, e não temerei o que o homem poderá fazer contra mim; meu benigníssimo Jesus Cristo, guardai-me, socorrei-me e salvai-me: que ao nome de Jesus todo joelho se dobre nos céus, na terra e nos infernos, e que toda língua confesse que Nosso Senhor Jesus Cristo está na glória de Deus Pai. Amém. Sei verdadeiramente, ó Jesus, que em qualquer hora e dia que vos invoque, serei salvo. Ó clementíssimo Senhor Jesus Cristo, Filho do Deus vivo, que, pela virtude de vosso nome preciosíssimo, fizestes e operastes tantos milagres, e que nos destes um remédio tão abundante para nós que tínhamos uma grande necessidade dele, porque, pela virtude do vosso nome, os demônios fugiam, os cegos viam, os surdos ouviam, os coxos andavam, os mudos falavam, os leprosos eram curados, os doentes obtinham saúde e os mortos ressuscitavam; porque, quando se pronuncia o nome do vosso dulcíssimo filho Jesus, ouve-se uma doce melodia no ouvido, o mel se faz sentir na boca, o demônio foge, todo joelho se dobra, os espíritos celestes se alegram, as más tentações são vencidas, todas as enfermidades são curadas; ganham-se várias indulgências; os debates que se dão entre o mundo, a carne o diabo, são destruídos, e muitos outros bens provêm daí, porque quem quer que invoque o nome de Deus será salvo, este nome que foi chamado pelo anjo antes que fosse concebido no ventre."
Para a sexta-feira — Ó nomen dulce, etc.
"Ó doce nome, nome que fortifica o coração do homem, no me da vida, da salvação e da alegria; nome precioso, alegre, glorioso e gracioso; nome que dá força aos pecadores, nome que nos salva e que conduz e governa toda a máquina do universo. Praza, pois, a vós, ó piedoso Jesus! que, pela mesma virtude preciosíssima do vosso nome, vos digneis fazer fugir os demônios diante de mim; iluminai-me, que sou cego; fazei que ouça, que sou surdo; guiai os meus passos, que sou coxo; fazei que possa falar, a mim que sou mudo; curai a minha lepra, dai-me a saúde, a mim que sou enfermo; despertai-me da morte, e rodeai-me inteiramente por dentro e por fora, a fim de que, estando munido com o vosso nome sacratíssimo, possa viver sempre em vós, louvando-os e honrando-vos, a vós que sois digno de louvores, porque sois o gloriosíssimo Senhor, e o Senhor eterno, e o eterno Filho de Deus, no qual e pelo qual todas as coisas se alegram, e são governadas; a vós o louvor, a honra e a glória em todos os séculos. Amém. Que Jesus esteja sempre no meu coração, que Jesus esteja sempre na minha boca, que Jesus esteja sempre em todas as minhas entranhas. Amém. Que Deus meu Senhor Jesus Cristo esteja dentro de mim para me dar saúde; que esteja ao redor de mim para me guiar; que esteja atrás de mim para me conservar, diante de mim para me guardar, sobre mim para me abençoar; que esteja dentro de mim para me vivificar, junto a mim para me fortificar; que esteja sempre comigo para me tirar toda a pena de u'a morte eterna, ele que, com o Pai e o Espírito Santo, vive e reina em todos os séculos. Amém."
Para o sábado — Jesus Maria et filius, etc.
"Que Jesus filho de Maria, Senhor e Salvador do mundo, me seja clemente e propício, que nos dê um espírito são e submisso, honre a Deus, e que nos conceda a libertação dos nossos males no lugar em que estamos: e ninguém pôs a mão nele, porque a sua hora ainda não tinha chegado, aquele que é, que era, e que será sempre Alfa e Ômega, Deus e homem, o começo e o fim; que esta invocação me seja uma eterna proteção. Jesus de Nazareth, rei dos Judeus, sinal de triunfo, filho da Virgem Maria, tende piedade de mim, conforme a vossa clemência, no caminho da salvação eterna. Amém. Mas Jesus, sabendo tudo o que lhe devia vir, adiantou-se e lhes disse: "A quem bus cais?" Eles lhe responderam: "A Jesus de Nazaré." Jesus lhes disse: "Eu sou". Ora, Judas, que o traía, estava também presente com eles. Quando, pois, Jesus lhes disse: "Eu sou", eles recuaram e caíram por terra. Ele lhes perguntou ainda uma vez: "A quem buscais?" Eles disseram: "A Jesus de Nazaré." Jesus lhes respondeu: "Já vos disse que sou eu; se é, pois, a mim que procurais, deixai que estes se vão" ✠, Que Jesus, por mim feito vítima, me faça agradável a seus olhos, e que, enfim, minha alma purificada, estando separada do meu corpo, reine com ele nos céus. Amém. Jesus é o caminho ✠. Jesus é a vida ✠, Jesus é a verdade ✠, Jesus sofreu ✠, Jesus foi crucificado ✠, Jesus Cristo, filho do Deus vivo, tende piedade de mim. Mas Jesus, passando ✠, no meio deles, estava de pé, e ninguém pôs a sua mão violenta sobre Jesus, porque a sua hora ainda não tinha chegado."
Oremus. Dulcissime Domine, etc.
''Dulcíssimo Senhor Jesus Cristo, Filho do Deus vivo, que respondestes aos judeus que vos queriam prender: "Eu sou; se é, pois, a mim que buscais, deixai que estes se vão"; então os judeus recuaram e caíram por terra. Assim, nesta hora não vos puderam fazer mal, como é verdade, e que creio também verdade e o confesso. Assim, meu benigníssimo Salvador Jesus Cristo, dignai-vos guardar-me agora e sempre de todos os inimigos que me procuram fazer mal, e fazei-os cair para trás, a fim de que me não possam fazer mal, de qualquer modo que seja, e que eu me retire em segurança das suas mãos, no caminho da paz e do repouso, para louvor e glória do vosso nome, que é bendito nos séculos dos séculos. Amém."
Estas orações, como se vê, são simplesmente muito piedosas e cristãs na sua simplicidade, e podem ainda ser a expressão da confiança e da vontade reta de um filho submisso da Igreja.
A oração feita em comum e conforme a fé ardente do maior número, constitui verdadeiramente uma corrente magnética*, sendo o que entendemos pelo magnetismo exercido em círculos.
(*) Egrégora.
Os malefícios são perigosos só para os indivíduos isolados; importa, pois, principalmente às pessoas do mato, viver em família, ter a paz no seu lar e adquirir numerosos amigos.
É preciso também, para a saúde dos rebanhos, arejar e expor bem os currais, fazer bater bem o sol neles, podendo cobri-los com uma espécie de macadame de carvão de lenha, purificar as águas doentias com um filtro de carvão, dar aos animais sal, não mais exorcizado, porém magnetizado conforme as intenções do dono, evitar, tanto quanto possível, a vizinhança dos rebanhos que pertençam a um inimigo ou rival, esfregar as ovelhas doentes com uma mistura de carvão de lenha pulveriza do e enxofre, depois renovar muitas vezes a sua cama de palha e dar-lhes ervas boas. Deve evitar-se também, com cuidado, a companhia de pessoas que sofrem doenças negras ou crônicas, nunca dirigir-se aos adivinhos de aldeia e enfeitiçadores, porque, consultando esta espécie de pessoas, o indivíduo se põe, de algum modo, debaixo do seu poder; enfim, é preciso ter confiança só em Deus c deixar a natureza operar.
Os padres passam, muitas vezes, por feiticeiros, na roça, e geralmente se crê que são capazes de exercer uma influência má, o que é verdade, infelizmente, para os maus padres; mas o bom padre, longe de levar a desgraça a alguém, é a bênção das famílias e dos lugares.
Existem também loucos perigosos que crêem na influência do espírito das trevas, e não temem evocá-lo para fazer dele um servo de seus maus desejos; é preciso aplicar, a esses, o que dissemos das evocações diabólicas, e guardar-se bem, principal mente, de lhes dar crédito e de os imitar.
Para mandar nas forças elementares é preciso uma grande moralidade e uma grande justiça. O homem que faz um digno e nobre emprego da sua inteligência e da sua liberdade, é verdadeiramente o rei da natureza, mas os seres de figura humana que se deixam dominar pelos instintos do bruto, nem mesmo são dignos de mandar nos animais. Os sacerdotes do deserto eram servidos pelos leões e ursos.
Daniel, na cova dos leões, não foi tocado por nenhum destes animais esfomeados, e, com efeito, dizem os mestres na grande arte da Cabala, os animais ferozes respeitam naturalmente os homens, e somente se lançam sobre eles quando os tomam por outros animais hostis ou inferiores a eles. Com efeito, os animais comunicam-se pela sua alma física com a luz astral universal, e são dotados de uma intuição particular para ver o mediador plástico dos homens sob a forma que lhe deu o exercício habitual do livre arbítrio.
Só o verdadeiro justo lhes aparece, no esplendor da forma humana, e são forçados a obedecer ao seu olhar e à sua voz; os outros os atraem como uma presa ou os espantam e irritam como um perigo. É por isso que, conforme o profeta Isaías, quando a justiça reinar na terra, e quando os homens criarem os seus filhos na verdadeira inocência, uma criança guiará os tigres e leões, e se divertirá impunemente no meio deles.
A prosperidade e a alegria devem ser o apanágio dos justos; para eles, até a desgraça se muda em bênção, e a dor que os experimenta é como que o aguilhão do divino pastor que os força a andar sempre e a progredir nos caminhos da perfeição. O sol os saúda de manhã e a lua lhes sorri à tarde. Para eles, o sono é sem angústia, e os sonhos sem espanto; a sua presença abençoa a terra e traz felicidade aos vivos. Feliz de quem se lhes assemelha! Feliz de quem os escolhe por amigos!
O mal físico é, muitas vezes, uma conseqüência do mal moral; a desordem segue, necessariamente, o erro. Ora, o erro em ação é a injustiça. A vida laboriosa dos habitantes do mato os faz, geralmente, duros e sensuais. Daí, uma multidão de erros no julgamento, e, como conseqüência, um desregramento de ação, que força a natureza a protestar e reagir. É este o segredo destes maus destinos que, às vezes, parecem prender-se a uma família ou casa. Os antigos diziam, então: — É preciso apaziguar os deuses ofendidos. — E dizemos ainda: — O bem mal adquirido não dá proveito; é preciso restituir-se, é preciso reparar o mal cometido, é preciso satisfazer a justiça ou a justiça se vingará de modo fatal.
Uma força, invencível se quisermos, nos foi dada para vencer a fatalidade: é a nossa liberdade moral. Com o auxílio desta força, podemos corrigir o destino e refazer o futuro. É por isso que a religião não quer que consultemos os adivinhos para saber o que acontecerá: quer somente que aprendamos dos nossos pastores o que devemos fazer. Que nos importam os obstáculos? Um bravo não deve contar seus inimigos, antes da batalha. Prever o mal é fazê-lo, de algum modo, necessário. Advirá o resultado do que tivermos querido: eis a profecia universal.
Observar a natureza, seguir as suas leis no nosso trabalho, obedecer em tudo à razão, sacrificar, se for preciso, o seu próprio interesse à justiça. Eis a verdadeira magia que traz felicidade, e os que agem assim, não temem nem a malícia dos enfeitiçadores, nem a feitiçaria dos pastores.




