Liber A’ash vel Capricorni Pneumatici
sub figurâ CCCLXX

A∴A∴
Publicação em Classe A
- Nodoso Carvalho de Deus! Nos teus ramos está aninhado o relâmpago! Acima de ti ronda o Falcão Cego.
- Tu és maldito e negro! Supremamente solitário naquela charneca de arbustos.
- Acima! As nuvens Avermelhadas pendem sobre ti! É a tempestade.
- Há um corte flamejante no céu.
- Acima.
- Tu és agitado nas garras da tempestade por um æon e um æon e um æon. Mas tu não entregaste a tua seiva; tu não falhaste.
- Apenas no final tu entregarás a tua seiva quando o grande Deus F.I.A.T. for entronado no dia de Ser-Conosco.
- Pois duas coisas estão feitas e uma terceira coisa está no começo. Ísis e Osíris foram lançados ao incesto e adultério. Hórus salta três vezes armado do útero de sua mãe. Harpócrates, seu gêmeo está oculto dentro dele. Set é a sua santa aliança, que ele revelará no grande dia de M.A.A.T., que está sendo interpretado pelo Mestre do Templo da A∴ A∴, cujo nome é Verdade.
- Nisto agora está o poder mágico conhecido.
- É como o carvalho que se endurece e se sustenta contra a tempestade. Ele foi castigado pelas condições do tempo e está cicatrizado e confiante como um capitão do mar.
- Também ele se debate como um cão na coleira.
- Ele tem orgulho e grande sutileza. Sim, e alegria também!
- Que o Magus atue dessa forma em sua conjuração.
- Que ele se sente e conjure; que ele mova a si mesmo junto com aquela energia; que ele se eleve seguindo á expansão e ao esforço; que ele lance para trás o capuz da sua cabeça e fixe seu olhar de basilisco sobre o sigilo do demônio. Então que ele se agite com força para lá e para cá como um sátiro em silêncio, até que a Palavra exploda da sua garganta.
- Então que ele não tombe exausto, embora a força tenha sido dez mil vezes maior que a humana; porém aquilo que o inunda é a infinita misericórdia do Genitor-Genitora do Universo, de quem ele é o Receptáculo.
- Nem tu te decepcionaste. É fácil diferenciar a força viva da matéria morta. Não é fácil diferenciar a serpente viva da serpente morta.
- Também com relação aos juramentos. Sede obstinado, e não sede obstinado. Compreendei que a flexibilidade da Yoni se une à extensão do Lingam. Tu és ambos; e o teu juramento é nada mais que o farfalhar do vento sobre o Monte Meru.
- Agora tu adorarás a mim que sou o Olho e o Dente, o Bode do Espírito, o Senhor da Criação. Eu sou o Olho no Triângulo, a Estrela de Prata que vós adorais.
- Eu sou Baphomet, que é a Palavra Óctupla que será equilibrada com a Árvore.
- Não há ato ou paixão que não será um hino em minha honra.
- Todas as coisas sagradas e todas as coisas simbólicas serão meus sacramentos.
- Estes animais são sagrados para mim; o bode, e o pato, e o asno, e a gazela, o homem, a mulher e a criança.
- Todos os cadáveres são sagrados para mim; eles não serão tocados salvo em minha eucaristia. Todos os locais solitários são sagrados para mim; onde um homem se encontra consigo mesmo em meu nome, lá eu saltarei para o centro dele.
- Eu sou o deus terrível, e quem me governa é mais feio que eu.
- Ainda assim eu concedo mais do que Baco e Apolo; minhas dádivas excedem a oliva e o cavalo.
- Aquele que me adora deve me adorar com muitos ritos.
- Eu estou oculto com todos os disfarces; quando o Antigo Mais Sagrado é despojado e conduzido através do mercado, eu ainda sou secreto e distante.
- Aquele a quem amo eu castigo com muitos bastões.
- Todas as coisas são sagradas para mim; nada é sagrado fora de mim.
- Pois não há santidade onde eu não estou.
- Não temais quando sou atingido pela fúria da tempestade; pois meus frutos de carvalho são soprados para longe pelo vento; e na verdade eu me erguerei novamente, e meus filhos à minha volta, de modo que nós ergueremos a nossa floresta na Eternidade.
- A Eternidade é a tempestade que me cobre.
- Eu sou Existência, a Existência que não existe exceto por meio da sua própria Existência, que está além da Existência das Existências, e enraizada mais profundamente do que a Árvore-do-Nada na Terra-do-Nada.
- Agora, portanto tu sabes quando eu estou dentro de ti, quando o meu capuz está estendido sobre o teu crânio, quando o meu poder é maior do que o Hindus encurralados, e irresistível como a Geleira Gigante.
- Pois como tu estás diante de uma mulher lasciva em Tua nudez no bazar, sugado pela astúcia e sorrisos dela, assim tu estás completamente e não mais em parte perante o símbolo da bem amada, embora este seja nada mais que uma Pisacha ou um Yantra ou um Deva.
- E em tudo tu criarás o Êxtase Infinito e o próximo elo da Cadeia Infinita.
- Esta cadeia alcança de Eternidade a Eternidade, sempre em triângulos—não é o meu símbolo um triângulo?—sempre em círculos—não é o símbolo da Bem Amada um círculo? Ali está toda a base da ilusão do progresso, pois todo círculo é semelhante e todo triângulo é semelhante!
- Mas o progresso é progresso, e progresso é arrebatamento, constante, deslumbrante, chuvas de luz, ondas de orvalho, chamas do cabelo da Grade Deusa, flores das rosas que estão ao redor do seu pescoço, Amém!
- Portanto ergue-te assim como eu estou erguido. Segura-te assim como eu que sou mestre em fazer. Ao final, que o fim esteja tão distante quanto as estrelas que repousam no umbigo de Nuit, mata-te a ti mesmo assim como eu sou morto ao final, na morte que é vida, na paz que é a mãe da guerra, na escuridão que detém a luz em sua mão como uma meretriz que arranca uma joia das suas narinas.
- Assim, portanto, o começo é deleite, e o Fim é deleite, e o deleite está no meio, tal como os Hindus, é a água na caverna da geleira, e a água entre as colinas maiores e as colinas menores e através dos aterros das colinas e através das planícies, e água na foz de onde ele se lança para dentro do mar poderoso, sim, para dentro do mar poderoso.
Origem da tradução:
Traduzido por Arnaldo Lucchesi Cardoso. Revisado e editado por Jonatas Lacerda.



