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Hadnu.org

As obras de Aleister Crowley estão sob © Copyright da Ordo Templi Orientis. Hadnu.org não é um site oficial da O.T.O., nem é patrocinado ou controlado pela mesma. Estes textos foram traduzidos e disponibilizados aqui apenas para uso pessoal e não-comercial.

Liber DCLXVI - Artemis Iota vel De Coitu Scholia Triviæ

Dianae sumus in fide
Puellae et pueri integri
Dianam pueri integri
Pulllaeque canamus
— Catullus

A palavra do Pecado é Restrição. Ó homem! não recuses tua esposa, se ela quer; Ó amante, se tu queres, parte! Não existe laço que possa unir o dividido senão o amor; tudo mais é maldição. Maldito! Maldito seja para os éons! (AL, I: 41)

Consentimento ou recusa devem ser determinados pelo impulso em si, sem referência a quaisquer outros motivos tais como habitualmente influenciam nossa conduta.

Assim com tudo teu, tu não tens direito senão fazer a tua vontade. (AL, I: 42)

Todo pensamento, palavra, ou ato, sem exceção, está sujeito a esta lei.  “Faze o que tu queres” não nos dá licença de fazer qualquer outra coisa; para evitar que isso não seja compreendido, aqui a doutrina está explícita: “Tu não tens direito a não ser fazer a tua vontade.”

Toda partícula de energia deve ser encravada nessa máquina de via única da vontade; direta ou indiretamente, deve servir ao propósito único.  Um buraco muito pequeno no casco pode afundar um navio muito grande.  Todo ato, portanto, com os pensamentos e as palavras que determinam a sua performance, é um sacramento.

Assim sendo, de todos os atos o mais intrinsecamente importante é o ato do amor.  Primeiro, porque o êxtase que acompanha a sua devida execução é uma imagem física, ou indício, do estado de Samadhi, já que a consciência do Ego é temporariamente anulada; segundo, porque seu efeito normal sobre o plano físico é, ou pode ser, incalculavelmente vasto.  (A ênfase na palavra “devida” é absoluta).  Precisamente porque é uma arma tão poderosa, seu uso está cercado de diversas precauções, e seu abuso é desaprovado em injunções fortemente carregadas de ameaças. . . . “Também, tomai vossa fartura e vontade de amor como vós quiserdes, quando, onde e com quem vós quiserdes! Mas sempre para mim.”

Se isto não estiver corretamente, se vós confundirdes as demarcações dizendo: Elas são uma; ou dizendo, Elas são muitas; se o ritual não for sempre a mim:então aguardai os terríveis julgamentos de Ra Hoor Khuit! (AL I:53)

Isto regenerará o mundo, o mundozinho minha irmã, meu coração & minha língua, a quem eu mando este beijo. . . Mas êxtase seja teu e a alegria da terra: sempre A mim! A mim! (AL I:53)

. . . Vós reunireis mercadorias e quantidades de mulheres e especiarias; vós usareis ricas jóias; vós excedereis as nações da terra em esplendor & orgulho; mas sempre no meu amor, e então vós vireis à minha alegria. (AL I:53)

Há um véu: esse véu é negro. É o véu da mulher modesta; é o véu da tristeza, & a mortalha da morte: nada disto é de mim. Arrancai aquele espectro mentiroso dos séculos: não veleis vossos vícios com palavras virtuosas: estes vícios são meu serviço; fazei vós bem, & eu vos recompensarei aqui e no além. (AL, II:52)

Há ajuda e esperança em outros encantamentos. Sabedoria diz: sê forte! Então tu podes suportar mais prazer. Não sejas animal; refina teu êxtase! Se tu bebes, bebe pelas oito e noventa regras de arte: se tu amas, excede pela delicadeza; e se tu fazes qualquer coisa de prazeroso, que haja fineza nisto!
Mas excede! Excede!
Luta sempre por mais! e se tu és verdadeiramente meu - e não duvides disso, e se tu és sempre contente! - morte é a coroa de tudo. (AL, II:70-72)

Aqui está a confirmação em detalhes de AL 1:41. Este ato é um fenômeno elétrico ou magnético definido. Nenhuma outra consideração se aplica. (Portanto ocasionalmente parecerá, aos que estão de fora, não-razoável.) A única exceção - e só aparentemente — é quando a satisfação do impulso manifestamente contraria a Verdadeira Vontade mais do que ajudaria a cumpri-la; quaisquer tais casos devem ser julgados por seus méritos.

“Mas sempre para mim.” A palavra “sempre” não admite nenhuma exceção; “a mim” pode ser parafraseado como “o cumprimento de uma possibilidade necessária para a realização da Grande Obra.” Todo ato é um sacramento, mas isso de forma preeminente. O texto continua com uma sincera ameaça: “se o ritual não for sempre para mim: então esperai os terríveis julgamentos de Ra Hoor Khuit.” Profanar este sacramento dos sacramentos é o mais fatal dos erros e crimes; pois é a alta traição à própria Grande Obra.

O versículo seguinte repete: “Se o ritual não for sempre a mim”; e é enfatizado e fortalecido com uma ameaça. O criminoso não está mais no livre gozo das carícias da Deusa do Amor; ele é expulso para dentro da constrição penal do Deus terrível e sem misericórdia do Capítulo III.

“. . . Sede vistosos portanto:vesti vós todos em fino vestuário; comei comidas caras e bebei doces vinhos e vinhos que espumam! Também, tomai vossa fartura e vontade de amor como vós quiserdes . . .” Isto refere-se a técnica da arte; ela será explicada mais adiante neste ensaio.

“...com quem quiserdes.” Isso repete o que já foi dito acima nas observações de AL I:41.

O versículo 53 afirma a importância deste dogma.  A negligência destas recomendações tem sido responsável pelas infindáveis e intoleráveis agonias, pelos horríveis e imitigáveis desastres do passado.

O cabalista pode notar que “A mim!” no fim deste verso não apenas repete a adjuração como também é um Selo Mágico atacando o dogma.  (O versículo 54 é uma pista para buscar o segredo.  Em letras gregas TO MH soma 418; é idêntico a Abrahadabra, a cifra da Grande Obra. A meditação deve levar o estudante a considerações ainda mais profundas e frutíferas.

Invoque-me sob minhas estrelas! Amor é a lei, amor sob vontade. Que nem os tolos confundam o amor; porque há amor e amor. Há a pomba, e há a serpente. Escolhei bem! Ele, meu profeta escolheu, conhecendo a lei da fortaleza, e o grande mistério da Casa de Deus. (AL I:53)

Beleza e vigor, riso exaltado e delicioso langor, força e fogo, são dos nossos. (AL, II:20)

Eu sou a Cobra que dá Conhecimento & Deleite e glória brilhante, e incito os corações dos homens com embriaguez. Para adorar-me tomai vinho e estranhas drogas a respeito das quais Eu direi a meu profeta, & ficai bêbados deles! De forma alguma eles vos causarão mal. É uma mentira, esta insensatez contra si. A exposição da inocência é uma mentira. Seja forte, ó homem! Luxúria, aproveite todas as coisas do sentido e arrebatamento: não temais que algum Deus o negará por isso. (AL, II:22)

Vê! estes são graves mistérios; pois também há dos meus amigos que são eremitas. Agora não penseis em encontrá-los na floresta ou na montanha; mas em camas púrpuras, acariciados por magníficas mulheres bestiais com grandes membros, e fogo e luz em seus olhos, e cabelos volumosos e flamejantes em torno delas; lá vós os encontrareis. (AL, II:24)

Mas vós, ó meu povo, levantai & despertai!
Que os rituais sejam corretamente executados com alegria & beleza!
Há rituais dos elementos e festas das eras.
Uma festa para a primeira noite do Profeta e sua Noiva!
Uma festa pelos três dias de escritura do Livro da Lei.
Uma festa para Tahuti e a criança do Profeta— secreta, oh Profeta!
Uma festa para o Supremo Ritual, e uma festa para o Equinócio dos Deuses.
Uma festa para o fogo e uma festa para a água; uma festa para a vida e uma festa maior para a morte!
Uma festa todo dia em seus corações na alegria de meu arrebatamento!
Uma festa toda noite para Nu, e o prazer do deleite extremo!
Sim! festejai! regozijai! não há pavor no além. Há a dissolução, e êxtase eterno nos beijos de Nu.
(AL, II:34-44)

Estes versículos se referem mais uma vez aos concomitantes do ato; eles indicam os auxiliares da técnica; e eles indicam o espírito em que deve ser abordada. A atitude imparcial científica da pesquisa e preparação é preliminar; o objetivo é prever os obstáculos, facilitar e direcionar a corrente: mas o impulso em si é o Entusiasmo.

Há um véu: esse véu é negro. É o véu da mulher modesta; é o véu da tristeza, & a mortalha da morte: nada disto é de mim. Arrancai aquele espectro mentiroso dos séculos: não veleis vossos vícios com palavras virtuosas: estes vícios são meu serviço; fazei vós bem, e eu vos recompensarei aqui e no além. (AL, II:52)

Que Maria inviolada seja despedaçada sobre rodas: por causa dela que todas as mulheres castas sejam completamente desprezadas entre vós!
Também por causa da beleza e do amor! (AL, III:55-56)

O estudante deve assimilar a doutrina dos “Irmãos Negros”. Recusar-se a cumprir qualquer uma de suas possibilidades é a negação direta da Grande Obra.

Há ajuda e esperança em outros encantamentos.  Sabedoria diz: sê forte! Então tu podes suportar mais prazer. Não sejas animal; refina teu êxtase.  Se tu bebes, bebe pelas oito e noventa regras de arte: se tu amas, excede pela delicadeza; e se tu fazes qualquer coisa de prazeroso, que haja fineza nisto!
Mas excede! excede!
Luta sempre por mais! e se tu és verdadeiramente meu— e não duvides disso, e se tu és sempre contente!— morte é a coroa de tudo. (AL II:70-72)

Aqui, em poucas frases simples, está um guia completo - em esboço - para a Arte do Amor.

O gênio sem técnica é frequentemente desajeitado e sem inteligência; mas a técnica sem gênio são ossos secos.  O gênio está presente, ou não; nem inteligência e nem trabalho servirão se estiver ausente.   No entanto, pode-se afirmar que ele está sempre lá, uma vez que “Todo homem e toda mulher é uma estrela.” Em qualquer caso, a técnica só responde ao estudo e exercício; foi escrito que “exige tanto estudo quanto a teologia, e tanta prática quanto a sinuca.”  Tudo o que podemos fazer é (a) libertar e (b) dirigir, o gênio latente.  Em países hostis à civilização (horribilesque ultimosque Brittanos) e suas colônias, passados e presentes, a técnica é quase inexistente; indivíduos que a possuem em qualquer grau de perfeição devem sua preeminência, em quase todos os casos, à instrução e treino sob a direção de nativos de partes menos bárbaras e mais felizes do mundo. Cada tipo de raça ou cultura tem suas próprias virtudes especiais.

A. Estudo: O estudante deve estudar, levar em consideração, e levar a sério, clássicos como o Ananga-Ranga, o Bagh-i-Muattar de Abdullah el Haji, o Kama Shastra, o Kama Sutra, o Scented Garden of the Sheikh Nefzawi, e certos tratados científicos ou pseudocientíficos (geralmente sobre as deformidades da natureza, ou os abusos da ignorância) por inúmeros autores, principalmente franceses, alemães, austríacos e italianos.  O Entusiasmo Energizado (O Equinócio, Vol. 1, Nº 9) é da melhor virtude.  Liber CCCLXX, Liber DCCCXXXI, Liber CLXXV, Liber CLVI e outros, também no Equinócio, são publicações oficiais da A∴A∴). Também existem vários clássicos do assunto, úteis para assimilar a atmosfera romântica e entusiástica adequada para a prática da Arte; poder-se-ia exemplificar Catullus, Juvenal (especialmente Sixth Satire) Martial, Petronius Arbiter, Apuleius, Boccaccio, Masucci, François Rabelais, de Balzac (Contes Drolatiques), de Sade (Justine, Juliette, e outros), Andre de Nerciat, Alfred de Musset et Georges Sand (Gamiani: ou Deux nuits d'exces), Sacher-Masoch (Venus in Furs), com ingleses e americanos demais para listar, mas especialmente os poetas em Ordens Sagradas: Swift, Sterne, Herrick, Donne e Herbert.

Há também uma literatura completa de misticismo que se abordam ou implicam neste assunto; mas este tipo de obra é, para o jovem estudante, tão perigosa quanto é superficialmente atraente. Ela estimula o sentimento de culpa, ensina a arte venenosa da autodesculpa, e exalta essa própria hipocrisia que a Liberdade notavelmente condena. “Arrancai aquele espectro mentiroso dos séculos.” (AL, II:52).

B. Prática: Não há professor, não importa quão talentoso, capaz de abordar uma centésima parte da base desta Arte. A melhor instrução é a de especialistas treinados e consagrados; em seguida, a de homens e mulheres de gênio natural.

C. Pesquisa Original: Essa deve estar baseada sobre o mais amplo conhecimento possível, e na mais profunda compreensão deste; e sobre os resultados do alcance e intensidade da prática de sua prática.

Mas excede! excede!
(AL, II:72)

Mas sempre a mim.
(AL, I:51)


Origem da tradução:

Revisado por Frater S.R. com base em uma tradução de um autor desconhecido.