Liber LXI vel Causæ
A Lição Preliminar Incluindo a Lição de História

A∴A∴ Publicação em Classe D
| 93 | 10○=1□ | } | Pro Coll. Summ. |
| 666 | 9○=2□ | ||
| 777 | 8○=3□ | ||
| D. D. S. | 7○=4□ | } | Pro Coll. Int. |
| O. M. | 7○=4□ | ||
| O. S. V. | 6○=5□ | ||
| Parzival | 5○=6□ | ||
| V. N. | Præmonstrator | } | Pro Coll. Ext. |
| P. | Imperator | ||
| Achad | Cancellarius |
A Lição Preliminar
Em Nome do Iniciador, Amém.
- No começo era a Iniciação. A carne para nada se aproveita; a mente para nada se aproveita; aquilo que é desconhecido para ti e acima destas, embora firmemente baseado sobre seu equilíbrio, dá vida.
- Em todos os sistemas de religião, encontra-se um sistema de Iniciação, que pode ser definido como o processo pelo qual um homem chega a aprender sobre aquela Coroa desconhecida.
- Embora nenhum possa comunicar nem o conhecimento nem o poder para alcançar isto, que nós podemos chamar de a Grande Obra, é, todavia, possível que os iniciados guiem a outros.
- Todo homem deve superar seus próprios obstáculos, expor suas próprias ilusões. No entanto, outros podem ajudá-lo a fazer ambos, e eles podem torná-lo completamente apto a evitar muitos dos falsos caminhos que não levam a lugar algum, os quais tentam os pés cansados do peregrino não iniciado. Eles podem, além disso, assegurar que ele seja devidamente provado e testado, pois há muitos que pensam que são Mestres, os quais sequer começaram a trilhar o Caminho do Serviço, que para lá conduz.
- Agora, a Grande Obra é uma, a Iniciação é uma, e a Recompensa é uma, embora diversos sejam os símbolos com os quais o Inexprimível é revestido.
- Escuta, portanto, a história do sistema que nesta lição te dá a oportunidade de investigar.
Ouça, nós te rogamos, com atenção: pois apenas uma vez a Grande Ordem bate à porta.
Qualquer um que conheça algum membro dessa Ordem como tal, jamais poderá conhecer outro, até que também tenha atingido a Maestria.
Aqui, portanto, nós pausamos, para que tu possas analisar a ti mesmo minuciosamente e considerar se já estás para dar um passo irrevogável.
Pois a leitura daquilo que se segue é Registrada.
A Lição de História
- Há alguns anos atrás, um número de manuscritos cifrados foi descoberto e decifrado por certos estudantes. Eles atraíram muita atenção, pois propunham derivar dos Rosacrucianos. Tu prontamente entenderás que a genuinidade da afirmação não importa uma partícula, tal literatura é julgada por si só, não pelas fontes que lhe são reputadas.
- Entre os manuscritos, estava um que dava o endereço de certa pessoa na Alemanha, por nós conhecida como S.D.A.1 Aqueles que descobriram as cifras escreveram para S.D.A. e, de acordo com as instruções recebidas, uma Ordem foi fundada, a qual operava de uma maneira semi-secreta.
- Após algum tempo, S.D.A. morreu: novos pedidos de ajuda foram recebidos com imediata recusa dos colegas dela. Foi escrito por um deles que o esquema de S.D.A. sempre fora visto com desaprovação. Mas, já que a regra absoluta dos adeptos é nunca interferir no julgamento de outra pessoa, quem quer que seja – quanto mais, então, um deles mesmos, e uma altamente reverenciada – eles se abstiveram de oposição ativa. O adepto que escreveu aquilo acrescentou que a Ordem já tinha conhecimento suficiente para capacitar a si mesma ou aos seus membros a formular um elo mágico com os adeptos.
- Logo após isto, alguém chamado S.R.M.D.2 anunciou que havia formulado tal elo, e que ele mesmo e dois outros deveriam governar a Ordem. Rituais novos e revisados foram emitidos, e conhecimento fresco jorrou em correntes.
- Nós devemos passar por cima dos infelizes embustes que caracterizaram o período seguinte. Já se provou totalmente impossível elucidarem-se esses fatos complexos.
Contentamos-nos, pois, em observar que a morte de um de seus dois colegas e a fraqueza do outro asseguraram a S.R.M.D. a única autoridade. Os rituais foram elaborados, apesar de bastante eruditos, em prolixo e pretensioso disparate: o conhecimento se provou sem valor, mesmo onde estava correto: pois é em vão que pérolas, mesmo que não tão claras e preciosas, sejam dadas aos porcos.
As ordálias se transformaram em desprezo, sendo impossível que qualquer um ali falhasse.
Candidatos inadequados foram admitidos, sem nenhuma razão melhor do que a sua prosperidade mundana.
Em resumo, a Ordem não conseguiu iniciar. - O escândalo surgiu e, com ele, o cisma.
- Em 1900, um certo P.3, um irmão, instituiu um rigoroso teste para S.R.M.D., de um lado, e para a Ordem, de outo.
- Ele descobriu que S.R.M.D., embora um erudito de alguma habilidade e um magista de notáveis poderes, jamais havia atingido completa iniciação; e mais: havia caído do seu posto original, tendo imprudentemente atraído para si forças do mal, grandes e terríveis demais para que ele suportasse.
A afirmação da Ordem, de que os verdadeiros adeptos estavam sob seu cargo, foi definitivamente refutada. - Na Ordem, com duas exceções certas e duas duvidosas, ele não encontrou nenhuma pessoa preparada para qualquer tipo de iniciação.
- Em consequência, por sua sutil sabedoria, destruiu tanto a Ordem, quanto o seu chefe.
- Não sendo ele mesmo um adepto perfeito, foi conduzido pelo Espírito no Deserto, onde habitou por seis anos, estudando à luz da razão os livros sagrados e os sistemas secretos de iniciação de todos os países e eras.
- Finalmente, foi-lhe dado um determinado grau exaltado, pelo qual um homem se torna o mestre do conhecimento e da inteligência, e não mais seu escravo. Ele percebeu a inadequação da ciência, filosofia e religião; e expôs a natureza autocontraditória da faculdade do pensamento.
- Retornando à Inglaterra, ele deitou seus conhecimentos humildemente aos pés de certo adepto D.D.S.4, o qual o acolheu fraternalmente e admitiu seu título ao grau que ele tão dificilmente conquistara.
- Então, esses dois adeptos conferenciaram, dizendo: “Não está escrito que as tribulações serão encurtadas?”. Por conseguinte, eles resolveram estabelecer uma nova Ordem, a qual deveria ser livre dos erros e imposturas da anterior.
- Sem Autoridade, eles não poderiam fazê-lo, a despeito da exaltação de seu posto entre os adeptos.
Eles resolveram preparar todas as coisas, grandes e pequenas, para o dia em que aquela Autoridade fosse recebida por eles, e já que eles não sabiam onde procurar por adeptos mais altos do que eles mesmos, mas sabiam que o verdadeiro caminho para atrair a sua atenção era equilibrar os símbolos.
O templo deve ser construído antes que o Deus possa habitá-lo. - Assim, por ordem de D.D.S., P. preparou todas as coisas por sua ciência e sabedoria arcanas, escolhendo apenas aqueles símbolos que fossem comuns a todos os sistemas e rigorosamente rejeitando todos os nomes e palavras que supostamente implicassem em qualquer teoria religiosa ou metafísica.
Descobriu-se que fazer isso por completo era impossível, já que toda língua tem uma história, e o uso (por exemplo) da palavra “espírito” implica na Filosofia Escolástica e nas teorias Hindu e Taoísta concernentes à respiração do homem.
Então, era difícil evitar a implicação de alguma tendência ao usarem-se as palavras “ordem”, “círculo”, “capítulo”, “sociedade”, “irmandade”, ou qualquer outra para designar o corpo de iniciados. - Deliberadamente, então, ele tomou refúgio na indefinição.
Não para velar a verdade ao Neófito, mas para adverti-lo contra valorizar o que não é essencial.
Ouvindo, então, o Candidato, o nome de um Deus, que ele não assuma precipitadamente que se refere a qualquer Deus conhecido, que não o Deus que somente ele mesmo conhece.
Ou o ritual deve ser falado em termos (embora vagos) que pareçam implicar na filosofia Egípcia, Taoista, Budista, Indiana, Persa, Grega, Judaica, Cristã ou Mulçumana, que ele reflita que isto é um defeito da linguagem; a limitação literária e não o preconceito espiritual do homem P. - Especialmente, que ele se guarde contra a descoberta de símbolos sectários definitivos nos ensinamentos de seu mestre e na racionalização do conhecido ao desconhecido, que certamente o tentarão. Nós laboramos intensamente, querido irmão, para que tu jamais sejas levado a perecer sobre esse ponto; pois ali muitos homens santos e justos foram arruinados. Assim, todos os sistemas visíveis perderam a essência da sabedoria. Nós procuramos revelar o Arcanum; nós apenas o profanamos.
- Agora, assim que P., com amarga labuta, preparou todas as coisas sob a orientação de D.D.S. (mesmo quando a mão escreve, enquanto o cérebro consciente, embora ignorante dos movimentos detalhados, aplaude ou desaprova o trabalho finalizado), houve um certo tempo de repouso, como a terra que jaz sem pousio.
- Entretanto, estes adeptos se ocuparam intensamente com a Grande Obra.
- Na plenitude do tempo, assim como uma árvore florida que carrega frutos em sua estação, todas aquelas dores terminaram, e estes adeptos e seus companheiros obtiveram a recompensa que eles buscavam – eles seriam admitidos à Eterna e Invisível Ordem que não tem nome entre os homens.
- Portanto, eles, que com faces sorridentes haviam abandonado seus lares, suas posses, suas mulheres, seus filhos, a fim de realizar a Grande Obra, puderam, com sóbria calma e firme retidão, abandonar a própria Grande Obra; pois esta é a última e maior projeção do alquimista.
- Também um V.V.V.V.V.5 surgiu, um adepto exaltado do grau de Mestre do Templo (ou este tanto foi o que Ele divulgou aos Adeptos Isentos) e Sua declaração está consagrada nos Escritos Sagrados.
- Tais são Liber Legis, Liber Cordis Cincti Serpente, Liber Liberi vel Lapidis Lazuli e outros tantos, cuja existência pode ser, um dia, revelada a ti. Cuida-te para que tu não os interpretem, quer na Luz ou na escuridão, pois somente em L.V.X. podem eles ser entendidos.
- Também, Ele conferiu a D.D.S., O.M.6 e outro, a Autoridade da Tríade, os quais, por sua vez, a delegaram a outros, e estes assim novamente, de modo que o Corpo de Iniciados possa ser perfeito, igualmente da Coroa até o Reino e além.
- Pois a Perfeição não habita nos Pináculos, ou nas Fundações, mas na Harmonia ordenada de um com todos.
1 N. do T.: Anna Sprengel (Soror S.D.A., Sapiens Donabitur Astris – (latim) O Sábio será governado pelas Estrelas).
2 N. do T.: Samuel Liddell “MacGregor” Mathers (Frater S.R.M.D, ‘S RIOGHAL MO DHREAM – (gaélico escocês) Meu sangue é real.)
3 N. do T.: Aleister Crowley (Frater P., Perdurabo – (latim) Eu perdurarei até o fim.)
4 N. do T.: George Cecil Jones (Frater D.D.S.)
5 N. do T.: Aliester Crowley (Frater V.V.V.V.V., Vi veri veniversum vivus vici” – (latim) “Pelo poder da verdade, eu, enquanto vivo, conquistei o universo”.)
6 N. do T.: Aliester Crowley (Frater OM, Ou Mh – (latim) “Não, definitivamente não! ou Não ainda!”.)
Origem da tradução:
Traduzido por Frater G.S.



