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Passo 9:
Símbolo de Devoção

É axiomático que qualquer emoção sentida fortemente produzirá como subproduto uma concentração mental intensa. Por exemplo, se ocorreu algum evento que produziu uma reação de medo, pode parecer quase impossível para algumas pessoas mudar a mente para outro estado. A pessoa torna-se consumida, por assim dizer, pelo medo, concentrada inteiramente sobre ele até a exclusão de todo o resto, respirando e vivendo essa emoção, não importando o quanto se possa querer pensar em outra coisa. É por isso que, em algumas das psiconeuroses, o paciente parece estar totalmente preocupado com seus sentimentos patológicos e apesar do estímulo e da confiança, não consegue realmente voltar a sua mente para outra direção. A emoção induz a concentração.

Um homem ou uma mulher nas primeiras fases da paixão negligencia todas as outras preocupações, exceto seu amado. Pela manhã, meio-dia ou à noite, seja comendo, descansando ou acordado, ele está preocupado somente com suas emoções e as da pessoa amada. Algumas pessoas falam deste tipo de amor como sendo louco ou insano. Pode muito bem parecer ser assim, já que a preocupação ou a concentração são muito desgastantes, mas como eu estou tentando indicar aqui, qualquer emoção poderosa produz esse mesmo resultado final.

Uma vez que estamos tentando produzir um estado de concentração por uma série de meios muito diferentes, cabe a nós tomar consciência do efeito dinâmico da emoção sobre o organismo. Todo mundo já teve essa experiência em um momento ou outro em sua vida e por isso está em condições de falar nos mesmos termos que estamos discutindo aqui. O que temos de fazer, portanto, é criar algum método de despertar sentimento o suficiente ou de estimular uma emoção suficientemente poderosa que possa ser consciente e deliberadamente empregada como uma ferramenta a ser usada para voltar a mente totalmente para um único ponto O fervor e a convicção profunda que são necessárias aqui, como a direção produtiva e criativa.

Por isso, vamos buscar algo que tenda a despertar uma reação profundamente comovente. Investigue a sua memória. O que te move emocionalmente? Uma frase dos Salmos ou Epístolas da Bíblia? Um crucifixo ou algum outro símbolo religioso? Um poema? Ou uma memória de um caso de amor excitante de anos passados ​​– ou mesmo que esteja acontecendo hoje?

Seja o que for, pense nessa ideia. Examine-a de perto e com cuidado. Imagine-a vivamente. Até mesmo vá longe a ponto de desenhar ou pintar ou reproduzir de alguma outra forma – algo que vai servir como um símbolo daquilo que o excita e o emociona, um símbolo que podemos agora chamar “o amado”. E por apenas um ligeiro esforço, um trecho muito suave da imaginação, este símbolo do amado pode ser estendido para incluir ou para se tornar o objetivo de todo o trabalho anterior em si, que nós chamamos de a Grande Obra. Isso não é nada mais nada menos do que a transformação total do homem a partir de uma criatura orientada aos sentidos para alguém que está consciente do seu ser, um veículo da Vida Universal Una, um ser humano que é iluminado pela gnose, o conhecimento de que Deus existe tanto dentro quanto fora dele. “Porque eu Te encontrei em Mim e em Ti. No Um e nos Muitos eu Te encontrei, sim, eu Te encontrei”.

Ao formular o símbolo do objetivo da sua devoção, você pode criá-lo objetivamente como em um desenho ou pintura de algum objeto que pode ser considerado sagrado, ou mantê-lo abstratamente como um símbolo dentro da sua própria mente, sem expressá-lo concretamente de modo algum. Dessa forma, pode ser uma ideia, ou uma memória de uma pessoa que era amada, ou um verso de um poema ou uma escritura sagrada. Por exemplo, eu usei frequentemente o seguinte:

O profeta clamou contra a montanha: vem tu aqui, para que eu possa falar-te! 
A montanha não se moveu. Portanto, foi o profeta até à montanha, e falou-lhe. 
Mas os pés do profeta ficaram cansados, e a montanha não lhe ouviu a voz. 
Mas eu clamei alto por Ti, e eu viajei em busca Tua, e de nada me valeu.
Eu esperei com paciência, e Tu estavas comigo desde o início. Isso agora eu sei, 
Ó meu amado, e nós estamos deitados à vontade entre as videiras.
Mas estes Teus profetas; eles deves gritar alto e fustigar-se; eles devem cruzar desertos virgens e oceanos insondados; esperar por Ti é o fim, não o princípio.

Há uma pintura de Salvador Dali de uma crucificação, que também é bem significativa para mim. Esta pintura de Dali toma o ponto de vista de algum vidente celestial olhando de cima para a crucificação abaixo – a partir do ponto de vista transcendental, por assim dizer. É extremamente eficaz, e houve ocasiões em que eu empreguei como um símbolo para despertar a devoção.

Ao longo dos anos, tenho também vindo a usar um símbolo muito mais abstrato, a letra hebraica Shin ש. Ela tem, cabalisticamente, o valor numérico de 300, o que também vem a ser a ser o mesmo valor para uma frase em hebraico que significa “O Espírito do Deus Vivo”. Deste modo, esta letra/símbolo encarna para mim uma vasta série de ideias intelectuais e aspirações. Assim ela se revelou como um símbolo das mais altas aspirações e eu frequentemente a visualizo ofuscando-me como uma língua de chama tripla ardente de luz.

Mas qualquer que seja o símbolo, preste muita atenção a ele até que se torne uma força tão poderosa que apenas ao vê-lo ou pensar sobre ele, seja o suficiente para despertar um sentimento intenso de ardor e devoção. Uma vez que este ponto tenha sido alcançado, então onde quer que se vá, o símbolo também vai, e a devoção desperta e cresce espontaneamente. Acordado ou dormindo, comendo ou bebendo, barbeando-se ou vestindo-se, penteando o cabelo de alguém ou aplicando cosméticos, ela permanece no fundo da mente da pessoa para representar o amado sobre o qual se concentra. Com este desenvolvimento, torna-se simbólico consagrar toda e qualquer atividade ao serviço do amado. Todo ato é feito para o amado, independentemente de o que é e não importa o quão ordinário ou banal que possa parecer. Isso nos leva à dedicação de toda a vida para Deus, a tornar sagrado todos os atos, até mesmo as ações até então inúteis, pequenas e superficiais. A vida torna-se consagrada – e todas as suas energias se concentram automaticamente em um contínuo ato de devoção ao amado – a Deus, ou aquilo que se escolhe para chamar de Vida Universal e Eterna que flui através de cada um de nós, nos unindo em uma síntese maior que é ao mesmo tempo a multiplicidade da divisão.

Uma cabeça com a letra Shin hebraica sobre ela

Traduzido por Dyulax, Aluvaia, Nazeazeno e Linnekertr