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Passo 2:
Relaxamento

Existem técnicas bem definidas para o desenvolvimento do processo de relaxamento, e podemos fazer uso dos ganhos obtidos nos exercícios anteriores. Qualquer posição que tenha sido empregada anteriormente deveria ser mantida agora. Ou uma posição de costas ou em pé pode ser usada. Neste último caso, uma cadeira de encosto firme para apoiar a coluna ereta, sem dúvida, é melhor. Se deitado no sofá ou na cama, o colchão deve ser moderadamente firme: mas se não for, a melhor alternativa é um piso bem acarpetado. A razão para esta última recomendação é que o chão não vai ceder, então o corpo do praticante que deverá produzir o relaxamento.

Antes de deitar-se ou sentar-se, há alguns movimentos que eu recomendo aos pacientes no consultório. Primeiramente, passe um minuto ou dois pulando corda com uma corda invisível em uma posição estacionária. Isso não é meramente um exercício para melhorar a circulação sanguínea e estimular a respiração mais profunda, mas em virtude da contração e relaxamento alternados dos músculos, ele avançará no sentido de fornecer a base somática correta sobre a qual prosseguir com essas técnicas de relaxamento psicológico.

Após isso, fique de pé, com as pernas cerca de um pé longe uma da outra, e tendo inspirado, expire todo o ar enquanto se deixa cair para frente a partir da cintura, mole como uma boneca de pano. É semelhante a um exercício físico de tentar tocar os dedos dos pés sem dobrar os joelhos, caindo para frente completamente relaxado. Estamos nos esforçando para produzir o relaxamento, e não para fazer exercícios físicos. Deixe o tronco acima da cintura cair enquanto expira, com os dedos e as mãos balançando perto dos pés por um segundo ou dois, então, conforme você inspira, suba lentamente até a posição ereta. Repita este processo uma dúzia de vezes ou mais. Isso o ajudará a recuperar o fôlego após o exercício de pular, e também a relaxar muitos dos músculos do torso. Também dever-se-ia permitir que a cabeça e o pescoço caíssem ao expirar ao deixar cair a parte superior do corpo acima da cintura. Isso relaxará a musculatura do pescoço.

Mantenha sua mente em sintonia e concentrada em suas sensações corporais. Só pense sobre o que você está fazendo. Observe e concentre-se nas várias sensações do corpo.

Agora você está pronto para começar o exercício de relaxamento em si. Faça algumas respirações muito profundas e, ao expirar, solte um suspiro muito profundo. Se o diafragma e os músculos abdominais relaxarem, a maior parte da musculatura e outros tecidos supridos pelo sistema nervoso involuntário ou vegetativo também se soltarão com isso. Deite tranquilamente nesta posição por alguns segundos, observando-se o tempo todo. Familiarize-se com o corpo; aprenda a perceber como é a sensação do corpo, tornando-se ainda mais consciente. Os exercícios anteriores terão lhe familiarizado com este método e com suas sensações.

A próxima etapa do processo emprega ativamente a imaginação para estender os limites de sua consciência. Há uma lei fisiológica bem conhecida de que um aumento do fluxo de sangue para qualquer parte do corpo pode ser produzido concentrando-se naquela parte do corpo. Não importa se é apenas tornar-se consciente do sangue já existente nos vasos, ou se os impulsos nervosos são transmitidos à parede muscular das artérias e vasos na área contemplada, assim relaxando essas paredes para permitir um maior fluxo de sangue; qualquer explicação será o bastante. Que isso pode ser feito é uma experiência real que você pode demonstrar por si mesmo.

Ao saber que existem tensões em um determinado membro ou órgão nós podemos, usando a imaginação, estimular fibras vasodilatadoras que relaxam os vasos sanguíneos permitindo que o sangue flua em maiores quantidades. Um excesso de sangue — uma congestão — causará certo grau de calor que por sua vez induzirá o relaxamento da fibra muscular e do tecido que desejarmos. Esta é a teoria; que leva diretamente para a prática.

Ela exige o uso ativo da imaginação. Primeiro de tudo, visualize seu cérebro. Todo mundo já viu diagramas e desenhos do cérebro com frequência o suficiente para saber como ele é no geral, sem nomear os detalhes técnicos neurológicos. É uma massa de substância branca e cinza, enrolada e retorcida, dividida por uma fenda longa em dois hemisférios laterais, com uma parte dianteira e traseira. Imagine-o, como você viu nos desenhos. Retenha firmemente a imagem em sua mente até que você comece a sentir uma sensação de calor se espalhando a partir do centro do crânio para fora. Às vezes pode ser acompanhado de um formigamento suave, uma sensação de alfinetadas e agulhadas. Facilite este processo imaginando que os vasos sanguíneos dentro do cérebro se dilataram o suficiente para reter maiores quantidades de sangue, tornando o cérebro rosado, e que esse congestionamento produziu o calor que já foi detectado.

Do cérebro prossiga para os olhos, imaginando que estes são como duas bolas, cada uma pendurada de quatro pequenas cadeias musculares. Trabalhe com essa imagem como você fez com a anterior. Construindo-se a imagem mental, o lúmen dos vasos sanguíneos nos músculos torna-se alargado e retém mais sangue que aquece a massa muscular envolvente. Então eles relaxam, produzindo a sensação de afundamento do globo ocular de volta para suas bases.

É importante desenvolver o seu poder de concentração durante a prática destes exercícios de relaxamento. Não permita que sua mente vague do que você está fazendo, ou mais particularmente, da área que você está relaxando. Concentre-se. Só pense no que você está fazendo. Se sua mente divagar, gentilmente traga-a de volta. Seu poder de concentração melhorará a cada dia.

Siga um procedimento semelhante no que diz respeito ao resto da cabeça — ou seja, visualize o sangue quente fluindo através dos vasos sanguíneos alargados até as têmporas, as orelhas, as maçãs do rosto, depois para o nariz, boca, lábios, língua, maxilares e queixo. Quase da mesma maneira, depois de ter feito as construções mentais, você sentirá calor e formigamento se formando nas áreas imaginadas, com o surgimento gradual da sensação de relaxamento.

Quando tiver chegado até aqui — e pelo menos 10 minutos deveriam ter sido gastos nesta ação — a maior parte do corpo reflexivamente terá passado por um processo de relaxamento. Não importa o quão relaxado você se sentiu após o primeiro exercício de simplesmente observar o seu corpo — isso apenas preparou o caminho. Os atuais exercícios lhe conduzem muito mais longe.

O restante da meia-hora de exercício — e o exercício deste mês não deveria ocupar um minuto a menos do que isso — deveria ser dedicado a lidar com todas as partes do corpo praticamente da mesma maneira conforme descrito acima. O pescoço inteiro deve ser tratado cuidadosamente. Trabalhe descendo sossegadamente através dos ombros e dos braços até que a área abdominal seja atingida. Então trabalhe minuciosamente sobre este. Quanto mais você relaxar esta área do meio do abdômen, mais provável é que todo o seu corpo responderá com um enorme “soltar”. Dr. Georg Groddeck, o pai da medicina psicossomática moderna, chamava esta área de o “meio-homem” do corpo. Nas belas imagens e simbolismo psicológico que esse médico empregava, esta parte do meio do corpo foi concebida para ser dotada de uma espécie de inteligência da mesma forma que o peito e a cabeça — essa mente da barriga estando muitas vezes contra as inclinações frias e as atividades racionais da mente da cabeça. É o assento dos instintos, sentimentos e paixões, e de todas as forças dinâmicas herdadas do passado que atribuímos ao Inconsciente.

Finalmente, visualize o fluxo de sangue separando-se da aorta em duas poderosas correntes arteriais, dois rios de sangue quente descendo da pélvis para as coxas, pernas e pés. Também esteja muito atento aqui; visualize todos os músculos das coxas e das pernas que estão esticados, rígidos e tensos, completamente, a fim de relaxá-los sob o estímulo da imaginação e do calor do sangue. Desta maneira, prossiga até que os dedos sejam alcançados. Então faça uma pausa.

Você completou um grande ciclo no processo de relaxamento. Faça uma pausa para considerar e observar. Observe como você se sente. Seu trabalho anterior deve ter aumentado a sua capacidade de sentir o que está acontecendo somaticamente. Memorize seus sentimentos. Permita que a sensação de prazer e diversão e liberdade causem uma impressão indelével em sua mente.

Se a memória dessa experiência for bem-registrada, ela pode ser evocada a qualquer momento a partir de seu depósito de memórias. Não importa se você está pegando o metrô ou dirigindo seu carro, em casa lendo ou ouvindo rádio, você só tem que se lembrar do prazer do relaxamento e imediatamente a memória é evocada de sua psique para impactar-se sobre todos os tecidos e fibras do corpo. Então segue o relaxamento.

É bom aproveitar essa sensação de relaxamento profundo. Imprima ela completamente em sua mente. Obtenha a sensação de completo relaxamento tão vividamente e tão fortemente quanto você possa, porque daí em diante, quando você precisar relaxar, você pode restaurar este estado de tranquilidade, serenidade e relaxamento completo apenas por pensar nele.

Na próxima vez em que você quiser relaxar, tudo que você tem que fazer é inspirar profundamente e, enquanto você expira, pensar na palavra “relaxar” e recordar esta maravilhosa sensação serena de relaxamento completo e mais uma vez ele será restaurado imediatamente para você. Inspire, e ao expirar, mentalmente ordene-se que você relaxe. Logo este reflexo condicionado será imediato, automático e completo.

Cerca de meia hora a uma hora deveriam ser gastos com esta prática. Se você puder, siga o processo duas vezes por dia, de manhã e de noite. Concentre-se na formação do reflexo condicionado que então produzirá o estado de relaxamento sem perda de tempo valioso. Mas deve haver alguma prática considerável antes do reflexo condicionado poder ser estabelecido. Uma vez por dia é o suficiente; duas vezes por dia é melhor. Desta forma, será estabelecida a base para o trabalho mais significativo e mais espiritual que serão desenvolvidos e trabalhados posteriormente.

Como um adendo, pode ser digno de nota que este exercício de uma forma ou de outra agora está sendo utilizado no tratamento do câncer. No Texas há uma equipe de marido-esposa, médico e psicóloga, os Drs. Carl Simonton, que ensinam aos seus pacientes métodos de relaxamento que são parecidos com este. Então os pacientes adicionam seus próprios floreios pessoais à técnica. Por exemplo, alguém pode imaginar que o sangue varrendo um crescimento canceroso está quebrando a malignidade, para varrê-la para eliminação noutros lugares. Outro pode imaginar um exército de cavaleiros de armadura brilhante atacando a malignidade e cortando-a em pedaços. Existem inúmeras variações a se tocar sobre este tema simples. Como um complemento ou como um adendo ao tratamento médico ortodoxo, uma elevada percentagem de “curas” é reivindicada, que não podem ser obtidas usando-se exclusivamente ou um método ou outro.

Como outra extensão da técnica descrita aqui, seria bom observar que todos os experimentos atuais com instrumentos de feedback biológico corroboram em todo detalhe com a tese fundamental deste capítulo.


Traduzido por Frater S.R.