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Passo 4:
Consciência da Mente

A diferença entre esse exercício e o anterior de consciência é que a área de atenção é deslocada dos processos do corpo para os da mente. Na psicanálise, isso é comumente chamado de livre associação. Simplesmente permite-se que a mente vague conforme queira, deixando-a ir sem obstáculos para qualquer direção para o qual seja atraída. O estudante simplesmente observa. Isso, e nada mais.

É como levar um cavalo ao pasto, sem corda ou sela ou manta, não há nada para interferir com sua livre circulação. Nesta prática, logo se prova a si mesmo um dos teoremas básicos da psicanálise, que todos os pensamentos são estritamente determinados. Descobre-se logo que se podemos rastrear cada pensamento a uma cadeia causal que se estende para longe no passado. Você pode apreciar isso teoricamente; mas permanece para ser descoberto empiricamente.

“Até que você saiba o que a mente está fazendo você não pode a controlar”. Assim disse um grande sábio, Vivekananda, há mais de 60 anos. Isso ainda é verdade. Ele prossegue dizendo: “Dê-lhe toda a corda; muitos pensamentos dos mais hediondos podem adentrá-la; você ficará surpreso de que foi possível que você pensasse tais pensamentos. Mas você verificará que a cada dia os caprichos da mente estão se tornando cada vez menos violentos, que a cada dia está ficando mais calma. Nos primeiros meses você verá que a mente terá mil pensamentos, mais tarde você achará que ela baixou para talvez 700, e depois de mais alguns meses ela terá cada vez menos, até que finalmente ela estará sob perfeito controle, mas devemos praticar pacientemente todos os dias. Assim que o vapor é ligado, o motor deve funcionar, e assim que as coisas estão diante de nós, devemos perceber; desta forma, o homem, para provar que ele não é uma máquina, deve demonstrar que ele não está sob o controle de nada”.

Deve-se determinar de antemão quanto tempo cada sessão de prática de introspecção deve ter. Se você decidir que será meia hora, então use um despertador ou um cronômetro para esse período de tempo. Uma vez que tenha tocado, a prática deve ser interrompida imediatamente. Desta forma, não se é levado pelo excesso de entusiasmo por este processo de observar o que está acontecendo dentro da própria mente.

A posição mais confortável e eficaz para essa prática é sentar em uma cadeira reta, usando um travesseiro nas costas, cabeça erguida, olhos fechados, joelhos retos e juntos, as mãos apoiadas levemente sobre o colo ou sobre os joelhos e as costas retas. A coisa mais importante para se lembrar é que o corpo deve estar sempre perfeitamente equilibrado, ereto, confortável e relaxado. Todo o trabalho anterior deveria ter tornado essa posição relativamente fácil.

Um de meus artifícios favoritos é utilizar um gravador. Ele deve ser preparado para funcionar durante uma hora inteira sem a necessidade da menor atenção. Isso não quer dizer que a sessão de prática deve durar uma hora. Pelo contrário, trinta minutos é o bastante, a qualquer momento. O estudante pode praticar duas vezes, ou até três vezes por dia se ele tiver a oportunidade e inclinação para isso. Conforme o tempo passa, e conforme a proficiência for obtida, então o tempo de prática pode ser estendido consideravelmente. Mas o gravador deve ser capaz de trabalhar com pelo menos a meia-hora recomendada, e talvez uma hora inteira, no caso de se deixar levar pelo processo.

Enquanto está sentado e imóvel na posição de meditação, verbalize para o microfone tranquilamente e de forma audível quase todo pensamento, memória, ideia ou sentimento que possa surgir de dentro. Fale ao acaso, sem premeditação.

Normalmente os resultados são esclarecedores – bem como chocantes. Dará ao estudante uma ideia de que “coisas” estão ocultas dentro de sua psique. Elas só serão chocantes se tiver sido completamente honesto em expressar o conteúdo interno da mente conforme ele surge. O desenvolvimento de alguma honestidade mental é um ganho enorme.

Uma vez que se tenha realmente tornado consciente do conteúdo oculto da consciência, e se esforçado para chegar a um acordo consigo mesmo, os conflitos internos produzidos pela censura do superego ou consciência são reduzidos consideravelmente. Também reduzirá o número de “quebras” da concentração produzidas por pressão desses conteúdos reprimidos ideacionais e emocionais na psique.

Deve-se seguir a prática da introspecção ou da gravação e reprodução de livre associação “descontrolada” por algum tempo, até que o choque e a consternação geralmente experimentados pela conscientização dos pensamentos horríveis que se é capaz de pensar, seja dissipado ou reduzido a praticamente zero. Então se está pronto para atacar diretamente o processo de concentração.

O que é importante além de todas as outras coisas é que no processo de assistir e observar o fluxo aleatório de pensamentos e sentimentos não deve haver nenhum julgamento ou crítica ou autocondenação. “Não julgueis, para que não sejais julgados!” Uma vez que o choque inicial terminou, é mais do que provável que o estudante terá as mesmas atitudes confusas com o conteúdo mental, por assim dizer, como ele fez com suas sensações físicas, quando apenas observava o seu corpo. Criticar ou condenar a si mesmo é insensato, é até mesmo infantil. Seus pensamentos devem ser aceitos como parte de seu equipamento total, destreinados, sem habilidade e indisciplinados. Com treino e aplicação, estes elementos infantis da psique podem ser voltados para outras direções e sua energia latente empregada para fins mais nobres e mais elevados.

O estudante também deve ser lembrado da natureza provisória das atribuições de exercícios a meses. O estudante mais lento, e a maioria de nós se enquadra nesta categoria, deve usar vários meses, no mínimo, para lidar adequadamente com este tema de introspecção. O estudante mais avançado, que foi exposto a tipos similares de treinamento antes, muito provavelmente pode navegar através deste conjunto de exercícios facilmente. Essas pessoas, no entanto, são poucas e distantes entre si. A maioria deve perceber que vai levar tempo para alcançar habilidade e maestria nestes métodos.

Deve-se lembrar de que a pressa é o inimigo da perfeição. Eu ainda gosto da velha máxima – solvitur ambulando. Resolva seus problemas à medida que avança. Sinta que você não tem que correr para provar que é brilhante ou muito espiritual.


Traduzido por Frater S.R.