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12 – O Céu e a Terra

Tzu-kung foi para Ch’u, ao sul, e voltando pelo estado de Chin, passava pela margem meridional do rio Han quando viu um homem encorpado trabalhando numa lavoura de legumes de um acre. Descia ele num poço com um jarro, depois subia e irrigava a plantação. Parecia dar o sangue no trabalho sem alcançar grande benefício com os seus esforços.

– Existe um mecanismo para fazer isso – disse Tzu-kung -, e com ele você poderia irrigar cem acres num único dia. Não exige muito esforço, e traz grande vantagem. Não gostaria de ter um desses?

O jardineiro ergueu-se e fitou-o.

– Como é que funciona?

– É uma máquina feita de madeira, pesada numa das extremidades, leve na outra. Puxa a água para cima com uma caneca, muita água, tanto que jorra para fora como se estivesse fervendo. Chama-se cegonho.

O jardineiro fez uma careta, depois disse rindo:

– O meu mestre costumava dizer: “Onde houver máquinas, haverá problemas mecânicos; onde houver problemas mecânicos, o mecânico penetrará nos corações e nas mentes do povo; quando os corações e as mentes do povo se tornarem mecânicos, o que é puro e simples se estragará. Sem o puro e o simples, o espírito não conhece o repouso. E se o espírito não conhece o repouso, nem mesmo o Tao pode fazer você progredir”. Não é que eu não conheça a sua máquina, mas ficaria envergonhado se a usasse.