Editorial - The Equinox I(2)

Passaram-se quatrocentos e setenta e sete anos desde o problema no Monastério. Foram reunidos muitos homens santos de todas as partes do mundo civilizado, doutores, príncipes da Igreja, bispos, abades, decanos, toda a sabedoria do mundo; pois a Questão era importante — quantos dentes havia na boca de um cavalo.

Durante muitos dias o debate girou desta forma e daquela, conforme Pai era citado contra Pai, Evangelho contra Epístola, Salmo contra Provérbio; e sendo quente o verão, e à sombra dos jardins do mosteiro agradável, um jovem monge cansado da discussão, e levantando-se presunçosamente dentre aqueles homens reverendos, despudoradamente propôs que eles deveriam examinar a boca de um cavalo e resolver a questão.

Ora, não havia precedente para tão ousado método, e não devemos nos surpreender que aqueles homens santos logo levantaram furiosamente e caíram sobre o jovem e o espancaram muito.

Tendo ainda o colocado em uma cela solitária, eles retomaram o debate, mas no final das contas “na grave falta de opiniões teológicas e históricas”, declararam o problema como sendo insolúvel, um mistério eterno pela Vontade de Deus.

Hoje em dia, seus sucessores adotam os mesmos princípios no que diz respeito ao mais escuro dos cavalos, a A∴A∴. Eles não apenas se recusaram a abrir nossas bocas, mas também a olhar para elas quando nós próprios chegamos ao ponto de abri-las bem grande diante deles.

No entanto, tem havido outros. Se nós estamos confiantes demais ou eles facilmente desencorajados, é uma pergunta que não é preciso discutir. Esperávamos romper com um só golpe as suas amarras; pelo menos devemos tê-las afrouxado. Mas a sua luta, que deveria ter ajudado os nossos esforços, lhes pareceu muito difícil. Eles ficaram perplexos e ao invés de iluminados pela luz que brilhou sobre eles; e mesmo que ela tenha mostrado um caminho, não deu nenhuma razão suficiente para que este devesse ser seguido.

Disto nós humildemente imploramos o perdão, e em resposta a um desejo aparentemente generalizado de saber se queremos dizer alguma coisa, e se sim, O quê? solicitamos a aqueles que querem conhecer a Verdade do Iluminismo Científico que olhem para a boca aberta de sua doutrina, que sigam seus ensinamentos simples passo-a-passo e não virem as costas para ele e assim, caminhando na direção oposta, declarem que um problema simples seja um mistério eterno.

Portanto, nós não estamos preocupados com aqueles que ainda não examinaram a nossa doutrina da Teurgia cética, ou iluminismo científico, ou aquilo que está além. Que eles examinem sem preconceitos.

Alguns, também, levantaram armas contra nós, pensando nos ferir. Mas a malícia é apenas resultado da ignorância; que eles nos analisem, e nos amem. Ainda não foi forjada uma espada que possa dividir aquele cujo elmo é a Verdade. Também não há flecha emplumada que possa perfurar a carne de alguém que está vestido com a armadura reluzente do júbilo. Então, aqui e agora, e conosco; aquele que sobe a Montanha que apontamos para ele, e que nós escalamos, ele que viaja pelo mapa que nós demos a ele, e que temos acompanhado, em seu retorno virá para nós como alguém que tem autoridade; pois só ele que escalou o cume pode falar com a verdade das coisas que de lá podem ser vistas, pois ELE SABE. Mas quem está longe, e zomba, dizendo: “Não é uma montanha, é uma nuvem; não é uma nuvem, é uma sombra; não é uma sombra, é uma ilusão; não é uma ilusão, na verdade não é nada! “— quem, senão um idiota, dará atenção a ele? pois não tendo viajado sequer um passo, ELE NÃO SABE sobre essas coisas das quais ele fala.

Para nos tornamos agora completamente claros a todos que não nos compreenderam, formularemos nossa afirmação de diversas maneiras, para que possa ser encontrada pelo menos uma aceitável para cada aspirante que está aberto a convicção.

I

  1. Percebemos no mundo sensível, o Sofrimento. Em última análise é isso; admitimos a Existência de um Problema que requer solução.
  2. Aceitamos as provas de Hume, Kant, Herbert Spencer, Fuller e outros desta tese:
    A Faculdade de Raciocínio ou Razão do Homem contém em sua natureza essencial um elemento de autocontradição.
  3. Seguindo a isso, dizemos:
    Se houver qualquer resolução destes dois problemas, a Futilidade da Vida e a Futilidade do Pensamento, deve estar na consecução de uma Consciência que transcende a ambos. Chamemos isso de consciência supranormal, ou, na falta de um nome melhor, “Experiência Espiritual”.
  4. A fé tem sido proposta como um remédio. Mas percebemos muitas formas incompatíveis de Fé fundadas na Autoridade — os Vedas, o Alcorão, a Bíblia, Buda, Cristo, Joseph Smith. Para escolher entre eles temos de recorrer à razão, que já mostrou ser um guia enganador.
  5. Há apenas uma Rocha que o Ceticismo não pode abalar; a Rocha da Experiência.
  6. Portanto nós nos esforçamos em eliminar das condições de adquirir Experiência Espiritual seus elementos dogmáticos, teológicos, acidentais, climáticos e outros que não são essenciais.
  7. Exigimos o emprego de um método estritamente científico. A mente do investigador deve ser imparcial: todos os preconceitos e outras fontes de erro devem ser percebidos como tal e eliminados.
  8. Portanto, criamos um Método Sincrético e Eclético combinando a essência de todos os métodos, rejeitando todos os seus anzóis, para atacar o Problema, através de experimentos exatos e não por suposições.
  9. Para cada pupilo nós recomendamos utilizar um método diferente (em detalhe), adaptado às suas necessidades; assim como um médico prescreve o remédio adequado a cada paciente em particular.
  10. Além disso, acreditamos que a Consumação da Experiência Espiritual é refletida como o Gênio nas esferas do intelecto e da ação, de modo que, pegando um homem comum podemos produzir através do treino um Mestre.
    Esta hipótese exige prova: esperamos fornecer essa prova, produzindo Gênios à vontade.

II

  1. Não há esperança na vida física, uma vez que a morte do indivíduo, da raça, e finalmente do planeta, acaba com tudo.
  2. Não há esperança na razão, desde que ela se contradiz, e em qualquer caso, não é nada mais do que uma reflexão sobre os fatos da vida física.
  3. Que a esperança pode estar na Investigação dos fatos físicos da Natureza em linhas Científicas já está sendo pesquisado por um corpo forte e bem organizado de homens de probidade perfeita e de alta capacidade.
  4. Não há esperança na Fé, pois existem muitas religiões em conflito, todas igualmente positivas.
  5. Os adeptos da Experiência Espiritual nos prometem coisas maravilhosas, a Percepção da Verdade, e a Conquista do Sofrimento, e não há unidade suficiente em seu método para tornar possível um Sistema Eclético.
  6. Estamos decididos a investigar este assunto mais profundamente em linhas Científicas.

III

  1. Somos Místicos, sempre buscando ansiosamente uma solução dos fatos desagradáveis.
  2. Somos Homens de Ciência, sempre ansiosamente adquirindo fatos pertinentes.
  3. Somos Céticos, sempre ansiosamente examinando os fatos.
  4. Somos Filósofos, sempre ansiosamente classificando e coordenando os fatos bem criticados.
  5. Somos Epicuristas, sempre ansiosamente apreciando a unificação de tais fatos.
  6. Somos Filantropos, sempre ansiosamente transmitindo nosso conhecimento desses fatos aos outros.
  7. Além disso, somos Sincretistas, pegando a verdade de todos os sistemas, antigos e modernos; e Ecléticos, implacavelmente descartando os fatores não essenciais em qualquer sistema, não importa quão perfeito.

IV

  1. Fé, Vida, Filosofia falharam.
  2. A Ciência já está estabelecida.
  3. O Misticismo, sendo baseado na experiência pura, é sempre uma força vital; mas devido à falta de observação treinada, sempre foi uma massa de erro. A Experiência Espiritual, interpretada em termos do Intelecto, é distorcida; assim como o nascer do sol mostra o verde da grama e o azul do mar. Ambos eram invisíveis até o amanhecer; ainda que a diversidade das cores não esteja no sol, mas nos objetos sobre os quais recai sua luz, e sua contradição não prova que o sol seja uma ilusão.
  4. Corrigiremos o Misticismo (ou Iluminismo) pela Ciência, e explicaremos a Ciência pelo Iluminismo.

V

  1. Nós temos um método, o da Ciência.
  2. Nós temos um objetivo, o da Religião.

VI

Era uma vez um Morador de uma terra chamada Utopia, que reclamou na Companhia de Água que a água deles era impura.

“Não”, respondeu o Homem da Água, “ela não pode ser impura, pois nós a filtramos”.

“Ó, de fato!” respondeu o Morador, “mas minha esposa morreu por bebê-la”.

“Não”, disse o Homem da água; “asseguro-vos que esta água vem da mais pura das nascentes em Utopia; ainda, que a água, por mais impura que fosse, não poderia ferir ninguém. além disso, que eu tenho um certificado de sua pureza da própria Companhia de Água”.

“As pessoas que te pagam!” ridicularizou o Morador. “Para suas outras afirmações, Hæckel provou que toda água é veneno, e eu acredito que você pega a sua água de uma fossa. Porque, olhe ela!”

“E água clara e bonita ela é!” disse o Homem da Água. “Límpida como cristal. Vale um real a gota!”

“É mais ou menos o que você cobra por ela!” revidou o Morador irado. “Ela parece bastante clara, eu admito, no crepúsculo. Mas essa não é a questão. Um veneno não precisa de água suja”.

“Mas”, insistiu o outro, “um dos nossos diretores é um profeta, e ele profetizou — claramente, em tantas palavras — que a água seria pura este ano. E, além disso, o nosso fundador era um homem santo, que fez um milagre especial para torná-la puro para sempre”!

“Sua evidência é tão contaminada quanto a sua água”, respondeu o chefe de família agora enfurecido.

Então eles partiram para o Juiz.

O Juiz ouviu o caso cuidadosamente. “Meus bons amigos!” disse ele, “nenhum de vocês tem uma perna sob a qual se apoiar; pois em tudo que vocês dizem não há nenhum grão de prova — O caso está encerrado”.

O Inspetor da Água levantou alegre, quando a partir do corpo do Tribunal veio uma voz calma e delicada.

“Eu poderia sugerir respeitosamente, Meritíssimo, que a água em questão fosse examinada através de meu Microscópio?”

“O que raios é um Microscópio?” gritaram os três ao mesmo tempo.

“Um instrumento, Meritíssimo, que eu construí baseado nos princípios admitidos da ótica, para demonstrar pela experiência que estes senhores estão discutindo sobre hipóteses e boatos”.

Então ambos se levantaram contra ele, e o amaldiçoaram.

“Disparate anticientífico!” disse o Homem da Água, pela primeira vez falando respeitosamente da Ciência.

“Blasfêmia sem sentido!” disse o Morador, pela primeira vez falando respeitosamente da Religião.

“Esperem e vejam”, disse o Juiz; pois ele era um Juiz justo.

Então o Homem com o Microscópio explicou o uso deste instrumento novo e estranho. E o Juiz investigou pacientemente todas as fontes de erro, e no final concluiu que o instrumento era um verdadeiro revelador dos segredos da água. E ele pronunciou julgamento justo.

Mas os outros estavam cegos pela paixão e pelo interesse próprio. Eles só discutiam mais alto, e acabaram sendo expulsos do tribunal. Mas o Juiz fez com que o Homem com o Microscópio fosse nomeado Analista do Governo por R$ 120.000,00 ao ano.

Assim sendo, o Homem da Água é o Crente, e o Morador o Incrédulo. O Juiz é o Agnóstico — no sentido de Huxley da palavra; e o Homem com o Microscópio é o Iluminista Científico.

Por mais curioso que isso possa parecer, tudo isso foi mais cuidadosamente explicado no Nº 1 da presente Revista, no “The Magic Glasses” de Sr. Frank Harris.

Sr. Allett é o Materialista, Canon Bayton o Idealista, a filha do Juiz é o Agnóstico, e Matthew Penry o Iluminista Científico. Se a menina tivesse sido capaz de “seguir a luz”, ela poderia ter visto Penry, a cabeça e os pés brancos como a lã, e seus olhos como um fogo abrasador!

Esta, então, em uma linguagem ou outra, é a nossa posição filosófica. Mas para aqueles que não estão contentes com isso, seja dito que há algo mais por trás e além. Entre nós estão aqueles que experimentaram coisas de uma natureza tão exaltada que nenhuma palavra escrita poderia esboça-las ligeiramente. A comunicação de tal conhecimento, tanto quanto é possível fazê-la, deve ser uma coisa pessoal, e nós oferecemo-la de mãos abertas.

É simples escrever para o Chanceler da A∴A∴ aos cuidados dos editores, 23 Paternoster Row, E.C.; um Neófito da Ordem será especificado para atender o inquiridor. O Neófito lerá para ele a História da Ordem e explicará a tarefa do Probacionista. Pois nós damos a cada inquiridor um ano de estudo; mútuo, para que ele possa decidir se nós realmente podemos dar aquilo que ele deseja, e para que possamos saber exatamente qual treinamento é adequado a ele.

Também porque somos sutis de mente, muitos ficam ofendidos. Pois nós desejamos testar o mundo pelo critério do THE EQUINOX. Aqueles que perceberam o ouro essencial que jaz oculto nesta rocha dura agora estão ocupados investigando o mesmo; muitos assim estão se tornando ricos.

Então eu que escrevo isto para os Irmãos, com toda a humildade e medo, seriamente convoco todos os homens à Busca, até mesmo aqueles que estão ofendidos porque eu rio, olhando nos Olhos do Amado; e aqueles que estão ofendidos porque Eu odeio os véus das palavras que escondem o rosto do Amado; e aqueles que estão ofendidos porque a minha paixão pelo Amado é muito viril e ávida para atender ao seu medo; talvez eles se esqueçam de que paixão significa sofrimento.

Mas que eles saibam que meu Amado é meu, e eu sou Dele; ele se deleita entre os lírios.


Traduzido por Frater S.R.