Liber LXI vel Causæ

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Liber Causæ [1]

sub figūrā LXI[2]

A Lição Preliminar, incluindo a Lição de História.

Publicação da A∴A∴ em Classe D[3]

Imprimātur:

93
666
777
10=1
9=2
8=3
Prō Coll.
Summ.
D.D.S.
O.M.
O.S.V.
Parzival
7=4
7=4
6=5
5=6
Prō Coll.
Int.
V.N.
P.
Achad
Præmonstrātor
Imperātor
Cancellārius
Prō Coll.
Ext.

A Lição Preliminar

Em Nome do Iniciador, Amém.

1. No princípio havia a Iniciação. A carne em nada se aproveita; a mente em nada se aproveita; aquilo que é desconhecido para ti e está acima destes, enquanto firmemente baseado em seu equilíbrio, dá a vida.

2. Em todos os sistemas de religião deve-se encontrar um sistema de Iniciação, que pode ser definido como o processo pelo qual um homem vem a aprender sobre aquela Coroa desconhecida.

3. Ninguém pode comunicar o conhecimento ou o poder para alcançar isso, que podemos chamar de Grande Obra, mas é possível que iniciados guiem os outros.

4. Todo homem deve superar seus próprios obstáculos, expor suas próprias ilusões. Outros, porém, podem ajudá-lo a fazer essas duas coisas, e podem capacitá-lo a evitar muitos dos falsos caminhos que não levam a lugar nenhum, que tentam os pés cansados do peregrino não iniciado. Eles podem ainda assegurar que ele seja devidamente provado e testado, pois há muitos que se consideram Mestres que nem sequer começaram a trilhar o Caminho de Serviço que conduz até lá.

5. Agora, a Grande Obra é uma, e a Iniciação é uma, e a Recompensa é uma, por mais diversos que sejam os símbolos pelos quais o Indizível é vestido.

6. Ouça então a história do sistema que esta lição lhe dá a oportunidade de investigar.

Ouça, nós te rogamos, com atenção: pois só uma vez a Grande Ordem bate em uma porta.

Quem conhece algum membro dessa Ordem como tal, nunca poderá conhecer outro, até que ele também tenha alcançado a maestria.

Aqui, portanto, fazemos uma pausa, para que você possa examinar a si mesmo completamente e considerar se você está preparado para dar um passo irrevogável.

Pois a leitura do que segue é Registrada.

A Lição de História

7. Anos atrás, alguns manuscritos cifrados foram descobertos e decifrados por certos estudantes[4]. Eles atraíram muita atenção, pois supostamente procediam dos Rosa-cruzes. Você compreenderá prontamente que a autenticidade da afirmação não tem importância, sendo tal literatura julgada por si só, não por suas fontes de renome.

8. Entre os manuscritos havia um que fornecia o endereço de uma determinada pessoa na Alemanha, que é conhecida por nós como S.D.A.[5]. Aqueles que descobriram as cifras escreveram para S.D.A. e, de acordo com as instruções recebidas, uma Ordem foi fundada[6], funcionando de maneira semi-secreta.

9. Depois de algum tempo, S.D.A. faleceu: pedidos posteriores de ajuda receberam uma recusa imediata dos colegas de S.D.A. Foi escrito por um deles que o plano de S.D.A. sempre foi visto com desaprovação. Mas como a regra absoluta dos adeptos é nunca interferir com o juízo de qualquer outra pessoa, seja lá quem for — quanto mais, então, um deles mesmos, e alguém tão grandemente reverenciada! — eles se abstiveram de opor-se ativamente. O adepto que escreveu isso acrescentou que a Ordem já possuía conhecimento suficiente para possibilitar que ela ou seus membros formulassem uma ligação mágica com os adeptos.

10. Pouco depois disso, alguém chamado S.R.M.D.[7] anunciou que havia formulado tal ligação, e que ele e outros dois governariam a Ordem. Rituais novos e revisados foram emitidos, e conhecimento revigorado fluiu em rios.

11. Devemos omitir as manipulações infelizes que caracterizaram o próximo período. Em todo caso se provou impossível elucidar os fatos complexos.

Portanto, nós nos contentamos em observar que a morte de um de seus dois colegas[8], e a fraqueza do outro[9], asseguraram a S.R.M.D. a autoridade única. Os rituais eram elaborados, embora suficientemente eruditos, em absurdos loquazes e pretensiosos: o conhecimento se mostrou sem valor, mesmo onde estava correto: pois é em vão que pérolas, mesmo que sejam tão claras e preciosas, são dadas aos porcos.

Os ordálios foram menosprezados, sendo impossível qualquer um falhar neles. Candidatos inadequados foram admitidos sem uma razão melhor do que a de sua prosperidade mundana.

Em resumo, a Ordem falhou em iniciar.

12. Escândalo surgiu e com ele cisma.

13. Em 1900, certo P.[10], um irmão, instituiu um teste rigoroso para S.R.M.D. por um lado, e para Ordem por outro.

14. Ele descobriu que S.R.M.D., embora um estudioso de alguma habilidade e um magista de poderes notáveis, nunca alcançou a iniciação completa: e ainda tinha caído de seu posto original, por atrair imprudentemente para si forças do mal grandes demais e terríveis demais para resistir.

A alegação da Ordem de que os verdadeiros adeptos estavam encarregados dela foi definitivamente refutada.

15. Na Ordem, com duas exceções certas e duas duvidosas, ele não encontrou pessoas preparadas para iniciação de qualquer tipo.

16. Então, por sua sutil sabedoria, ele destruiu tanto a Ordem quanto seu chefe.

17. Ele mesmo não sendo um adepto perfeito, foi conduzido pelo Espírito ao Deserto, onde permaneceu por seis anos, estudando à luz da razão os livros sagrados e os sistemas secretos de iniciação de todos os países e épocas.

18. Finalmente, foi-lhe dado um certo grau exaltado pelo qual um homem se torna mestre do conhecimento e da inteligência, e não mais seu escravo. Ele percebeu a insuficiência da ciência, da filosofia e da religião; e expôs a natureza autocontraditória da faculdade do pensamento.

19. Retornando à Inglaterra, ele ofereceu suas conquistas humildemente aos pés de um certo adepto D.D.S.[11], que o acolheu fraternalmente e admitiu seu título ao grau que ele tão dificilmente havia conquistado.

20. Então, esses dois adeptos debateram dizendo: Não pode ser escrito que as tribulações serão encurtadas? Por isso eles resolveram estabelecer uma nova Ordem que deveria estar livre dos erros e enganos da anterior.

21. Sem Autoridade eles não poderiam fazer isso, mesmo com sua posição exaltada entre os adeptos. Resolveram então preparar todas as coisas, grandes e pequenas, para o dia em que tal Autoridade fosse recebida por eles, pois não sabiam onde buscar por adeptos mais elevados do que eles mesmos, embora soubessem que o verdadeiro modo de atrair sua atenção era com o equilíbrio dos símbolos. O templo deve ser construído antes que o Deus possa habitá-lo.

22. Portanto, por ordem de D.D.S, P. preparou todas as coisas por sua ciência e sabedoria arcanas, escolhendo apenas aqueles símbolos que eram comuns a todos os sistemas, e rejeitando rigorosamente todos os nomes e palavras que poderiam implicar qualquer teoria religiosa ou metafísica. Descobriu-se que fazer isso de maneira perfeita é impossível, já que toda linguagem tem uma história, e o uso (por exemplo) da palavra “espírito” implica na Filosofia Escolástica e nas teorias hindu e taoísta sobre a respiração do homem. Assim, foi difícil evitar a implicação de alguma inclinação indesejável usando as palavras “ordem”, “círculo”, “capítulo”, “sociedade”, “irmandade” ou qualquer outra para designar o corpo de iniciados.

23. Deliberadamente, portanto, ele se refugiou na indefinição. Não para esconder a verdade do Neófito, mas para adverti-lo contra a valorização de coisas que não são essenciais. Por isso, se o candidato ouvir o nome de qualquer Deus, que ele não assuma que se refere a qualquer Deus conhecido, salvo apenas o Deus conhecido por ele próprio. Ou se o ritual falar em termos (ainda que vagos) que pareçam implicar filosofia egípcia, taoísta, budista, indiana, persa, grega, judaica, cristã ou muçulmana, que ele reflita que isso é um defeito da linguagem; a limitação literária e não o preconceito espiritual do homem P.

24. Especialmente, que ele se guarde contra a descoberta de símbolos sectários específicos nos ensinamentos de seu mestre, e a racionalização sobre o desconhecido a partir do conhecido, que certamente o tentarão.

Trabalhamos fervorosamente, querido irmão, para que você nunca seja levado a perecer por causa deste ponto; pois por ele muitos homens santos e justos foram destruídos. Por causa dele todos os sistemas visíveis perderam a essência da sabedoria.

Ao procurar revelar o Arcano; nós apenas o profanamos.

25. Agora, quando P. com intensa labuta assim preparou todas as coisas sob a orientação de D.D.S. (assim como a mão escreve, enquanto o cérebro consciente, embora ignorante dos movimentos detalhados, aplaude ou desaprova o trabalho finalizado), houve um certo tempo de repouso, enquanto a terra permaneceu em pousio.

26. Enquanto isso, tais adeptos se ocuparam intensamente com a Grande Obra.

27. No devido tempo, assim como uma árvore florescente produz frutos em sua estação, todas essas dores se acabaram, e esses adeptos e seus companheiros obtiveram a recompensa que procuravam — eles foram admitidos na Ordem Eterna e Invisível que não tem nome entre os homens.

28. Portanto, eles, que com rostos sorridentes abandonaram seus lares, suas posses, suas esposas e seus filhos para realizar a Grande Obra, puderam com constante calma e firme retidão abandonar a própria Grande Obra: pois este é o último e o maior projeto do alquimista.

29. Também surgiu V.V.V.V.V., um exaltado adepto do grau de Mestre do Templo (ou isso é tudo que Ele revelou aos Adeptos Isentos) e Sua elocução está consagrada nos Escritos Sagrados.

30. Tais são o Liber Legis, Liber Cordis Cincti Serpente, Liber Liberi vel Lapidis Lazuli e outros cuja existência poderá, um dia, ser divulgada a você[12]. Tome cuidado para não os interpretar seja na Luz ou na escuridão, pois somente em L.V.X. eles podem ser compreendidos.

31. Também Ele conferiu a D.D.S., O.M. e outro, a Autoridade da Tríade, que por sua vez a delegaram a outros, e eles novamente, para que o Corpo de Iniciados seja perfeito, uniformemente da Coroa até o Reino e além.

32. Pois a Perfeição não habita nos Pináculos ou nas Fundações, mas sim na Harmonia ordenada de um com o todo.



  1. «O título pode ser traduzido como “Livro das Origens”. Foi publicado originalmente nas páginas 1 a 12 do primeiro volume de ΘΕΛΗΜΑ, em 1909, juntamente com Liber Cordis Cincti Serpente, para circulação privada. Só veio a público em 1919, no The Equinox Vol. III No. 1. Seu conteúdo “Explica a verdadeira história da origem do presente movimento. Suas afirmações são precisas no sentido ordinário da palavra. O objetivo desse livro é reduzir a Mitopeia.” ↩︎

  2. «O autor explica a catalogação do texto sob o número 61 dizendo “Consulte Sepher Sephiroth. A alusão é ao fato de que este livro forma uma introdução à série.”» ↩︎

  3. «Originalmente publicado em Classe A no ΘΕΛΗΜΑ. No sumário publicado em The Equinox Vol. I No. 10, foi realocado para a Classe B. Finalmente, no The Equinox Vol. III No. 1, recebeu a Classe D. » ↩︎

  4. «William Robert Woodman, William Wynn Westcott e Samuel Liddell McGregor Mathers, três maçons e membros da Societas Rosicruciana in Anglia.» ↩︎

  5. «Sapiens Dominabitur Astris, Anna Sprengel.» ↩︎

  6. «A Hermetic Order of the Golden Dawn – Ordem Hermética da Aurora Dourada. » ↩︎

  7. «S’Rhiogail Ma Dhream, S. L. MacGregor Mathers (1854-1918)» ↩︎

  8. «William Robert Woodman (1828-1891).» ↩︎

  9. «William Wynn Westcott (1848-1925).» ↩︎

  10. «Perdurabo, Aleister Crowley (1875-1947).» ↩︎

  11. «George Cecil Jones (1873-1960).» ↩︎

  12. «Estes livros foram publicados abertamente como Os Livros Sagrados de Thelema↩︎


Traduzido por Alan Willms em julho de 2018. Revisado por Lucas Fortunato em setembro de 2021.