Liber Θησαυρου Ειδωλων
Sub Figurâ DCCCCLXIII

A Tesouraria de Imagens

Sigillum Sanctum Fraternitatis A∴A∴
A∴A∴
Publicação em Classe B.

צטרת צטרה
Corona, Corolla;
Sic vocatur Malchuth
quando ascendit usque
ad Kether.
The Kabbalah.

(O Probacionista deve aprender de cor o capítulo correspondente ao signo zodiacal que estava ascendendo durante seu nascimento; ou, se este for desconhecido, o capítulo “As Doze Unificações de Deus”)

A∴A∴
Publicação em Classe A.

Uma Nota Sobre Liber DCCCCLXIII 1

  1. Que o estudante recite este livro, especialmente as 169 adorações, até que sua Estrela nasça.
  2. Que ele procure com diligência no céu a sua estrela; que ele para isso viaje em sua Concha; que ele a adore incessantemente de seu nascimento até ela se pôr pelas adorações adequadas, com cantos que sejam harmoniosos a ela.
  3. Que ele se balance para lá e para cá em adoração; que ele gire em torno de seu próprio eixo em adoração; que ele salte para cima e para baixo em adoração.
  4. Que ele inflame-se na adoração, acelerando de lenta para rapidamente, até que ele não possa mais.
  5. Isto também deve ser cantado em lugares abertos, como brejos, montanhas, bosques, e por córregos e sobre ilhas.
  6. Além disso, haveis de construir-lhe lugares fortificados nas grandes cidades; cavernas e túmulos devem ser alegrados com o seu louvor.
  7. Amém.

A Tesouraria de Imagens

Aqui começa o Livro das
Meditações sobre
as Doze Adora-
ções, e a U-
nidade de
DEUS.

 


O Capítulo conhecido como
A Percepção de Deus
que é revelada ao homem por um laço

Eu adoro a Ti pelos Doze Laços e pela Unidade dos mesmos.

000.

No Início Nada havia, e o Nada falou ao Nada dizendo: Criemos na Nudez de nosso Nada o Ilimitado, Eterno, Idêntico, e Único: E sem vontade, intenção, pensamento, palavra, desejo, ou ação, assim foi.

00.

Então, nas profundezas do Nada pairava o Ilimitado, como um corvo na noite; nada vendo, nada ouvindo, e nada compreendendo: nem foi visto, nem ouvido, nem compreendido; pois Semblante ainda não havia contemplado Semblante.

0.

E quando o Ilimitado estendeu suas asas, uma luz imprerrogável e sem extensões tornou-se; incolor, informe, incondicional, efluente, nua, e essencial, como um orvalho cristalino de criativo esplendor, e agitando-se como uma pomba entre o Dia e a Noite, ela vibrou de si uma lustral Coroa de Glória.

1.

E da brancura ofuscante da Coroa se desenvolveu um Olho, semelhante a um ovo de um beija-flor guardado com esmero em uma bandeja de prata polida.

2.

Assim eu contemplei a Ti, Ó meu Deus, a pálpebra de cujo Olho é como a Noite do Chaos, e a pupila dele como a comandada ordem das esferas.

3.

Pois, eu sou apenas como um homem cego, que vagando através do meio-dia não percebe a beleza do dia; e assim como ele cujos olhos não são iluminados não contempla a grandeza deste mundo nas profundezas de uma noite sem estrelas, sou eu que não sou capaz de buscar as profundezas insondáveis ​​de Tua sabedoria.

4.

Pois o que sou eu que ousei olhar Teu Semblante, um míope de pouco entendimento que sou, tateando às cegas através da noite de minha ignorância semelhante a um pequeno verme escondido nas profundezas escuras de um cadáver corrompido?

5.

Por isso, Ó meu Deus, molda-me em uma estrela de cinco pontas de rubi queimando sob as fundações da Tua Unidade, para que eu possa escalar o pilar de Tua Glória, e me perder na adoração da tripla Unidade de Tua Divindade, eu suplico a Ti, Ó Tu que és para mim como o Dedo de Luz que atravessou as nuvens negras do Chaos; eu suplico a Ti, Ó meu Deus, ouve Tu ao meu clamor!

6.

Então, Ó meu Deus, não estou eu erguido como o sol que devora o oceano como um leão dourado que alimenta-se de um lobo azulado e cinzento? Assim eu me tornarei um com a Tua Beleza, usada ​​sobre Teu peito como o Centro de uma Estrela de Seis Raios de rubi e de safira.

7.

Sim, Ó Deus, Tu cinge-me em Tua coxa como um guerreiro cinge sua espada! Castiga minha acuidade na terra, e como um semeador lança sua semente nos sulcos do arado, faz Tu gerar sobre mim estas adorações de Tua Unidade, Ó Meu Conquistador!

8.

E Tu levar-me-á sobre Tua anca, Ó Tu brilhante Deus, como uma mãe negra do País do Sul leva seu bebê. Onde meus lábios poderão alcançar Teu mingau, e chupar Tua estrelas, as derramar nestas adorações sobre a Terra.

9.

Além disso, Ó Deus meu Deus, Tu que partiste-me com Teu Falo ametístico, com Teu Falo adamantino, com Teu Falo de Ouro e de Marfim! assim sou eu fendido em dois como duas metades de uma criança que é dividida em pedaços pela espada dos eunucos, e minhas adorações foram divididas, e um contenda contra seu irmão. Tu une-me mesmo como uma árvore dividida que serrou-se sobre o machado, que meu cântico de louvor a Ti possa ser Uma Só Canção!

10.

Pois eu sou Tua Virgem escolhida, Ó meu Deus! Tu exalta-me ao trono da Mãe, ao Jardim do Orvalho Supernal, ao Mar Inefável!

Amém, e Amém de Amém, e Amém de Amém de Amém, e Amém de Amém de Amém de Amém.


O Capítulo conhecido como
As Doze Afirmações de Deus e a Unidade das mesmas
Eu adoro a Ti pelas Doze Afirmações e pela Unidade das mesmas.

  1. Ó Tu vulcão de fogo escarlate coberto de neve, Tu pilar de fúria encrustado de chamas! Sim, à medida que me aproximo de Ti, Tu se afasta de mim tal qual uma nuvem de fumaça soprada para fora da janela de minha casa.
  2. Ó Tu terra de verão de eterna alegria, Tu arrebatador jardim de flores! Sim, à medida que me reúno a Ti, minha colheita é apenas como uma gota de orvalho brilhando no dourado cálice do açafrão.
  3. Ó Tu música pulsante de vida e morte, Tu harmonia rítmica do mundo! Sim, à medida que eu escuto o eco de Tua voz, meu êxtase é apenas como o sussurro das asas de uma borboleta.
  4. Ó Tu ardente tempestade de cegante areia, Tu redemoinho das profundezas da escuridão! Sim, à medida que eu luto contra Ti, contra Ti, minha força é apenas como a queda de uma pomba flutuando nos mamilos púrpuras da tempestade.
  5. Ó Tu gigante coroado entre os grandes gigantes, Tu soldado de guerra da espada escarlate! Sim, à medida que eu batalho contra Ti, Tu me dominas como um leão que mata um bebê que é embalado em lírios.
  6. Ó Tu sombria paisagem da Escuridão, Tu Livro secreto das colinas cobertas de abetos! Sim, à medida que eu busco a chave de Tua morada encontro minha esperança apenas como uma vela coberta pelas mãos de uma pequena criança.
  7. Ó Tu grande labor do Firmamento, Tu tormenta atirada pelo bramido dos Ares! Sim, à medida que eu afundo nas profundezas de Tua aflição, minha angústia é apenas como o sorriso nos lábios de um bebê a dormir.
  8. Ó Tu profundezas do Inconcebível, Tu secreto e indescritível Deus! Sim, à medida que eu tento entender a Ti, minha sabedoria é apenas como um ábaco no colo de um homem velho.
  9. Ó Tu sonho transfigurado de ofuscante luz, Tu beatitude de maravilha! Sim, à medida que eu contemplo a Ti, meu entendimento é apenas como o vislumbre de um arco-íris através de uma tempestade de neve ofuscante.
  10. Ó Tu montanha sustentada por aço entre as montanhas, Tu elevado cume de Majestade! Sim, á medida que eu escalo Tua grandeza, eu concluo que tenho superado apenas um grão de poeira flutuando no raio de Tua Glória.
  11. Ó Tu Imperatriz da Luz e das Trevas, Tu transbordante das estrelas da noite! Sim, à medida que eu contemplo Teu semblante, meus olhos são como os olhos de um homem cego atingido por uma tocha de fogo flamejante.
  12. Ó Tu rubra alegria da meia-noite, Tu Norte flamingo da luz chocada! Sim, à medida que eu me ergo diante de Ti, minha alegria é apenas como uma gota de chuva atravessada por uma flecha do Sol do Oeste.
  13. Ó Tu dourada Coroa do Universo, Tu diadema de brilho deslumbrante! Sim, à medida que eu queimo diante de Ti, minha luz é apenas como uma estrela cadente vista entre os dedos púrpuras da Noite.

Amém, e Amém de Amém, e Amém de Amém de Amém, e Amém de Amém de Amém de Amém.


O Capítulo conhecido como
As Doze Renúncias de Deus e a Unidade das mesmas
Eu adoro a Ti pelas Doze Renúncias e pela Unidade das mesmas.

  1. Ó meu Deus, Tu Poderoso, Tu Criador de todas as coisas, eu renuncio a Ti os beijos de minha amante, e o susurro de sua boca, e todo o tremor de seu peito firme e jovem; de modo que eu possa ser envolvido nas chamas de Teu abraço ardente, e ser consumido na indizível alegria de Teu êxtase eterno.
  2. Ó meu Deus, Tu Poderoso, Tu Criador de todas as coisas, eu renuncio a Ti as alegrias de lábios suaves da vida, e o doces meles deste mundo, e todas as sutilezas da carne; de modo que eu possa deleitar-me no fogo de Tua paixão, e ser consumido na indizível alegria de Teu êxtase eterno.
  3. Ó meu Deus, Tu Poderoso, Tu Criador de todas as coisas, eu renuncio a Ti o incessante quebrar das ondas, e a fúria da tempestade, e toda a agitação das águas varridas pelo vento; de modo que eu possa beber da porfirínica espuma de Teus lábios, e ser consumido na indizível alegria de Teu êxtase eterno.
  4. Ó meu Deus, Tu Poderoso, Tu Criador de todas as coisas, eu renuncio a Ti os sussurros do deserto, e o gemido do simum, e todo o silêncio do mar de poeira; de modo que eu possa perder-me nos átomos de Tua Glória, e ser consumido na indizível alegria de Teu êxtase eterno.
  5. Ó meu Deus, Tu Poderoso, Tu Criador de todas as coisas, eu renuncio a Ti os campos verdes dos vales, e as libidinosas rosas dos montes, e os lírios das ninfas do lago; de modo que eu possa caminhar pelos jardins de Teu Esplendor, e ser consumido na indizível alegria de Teu êxtase eterno.
  6. Ó meu Deus, Tu Poderoso, Tu Criador de todas as coisas, eu renuncio a Ti a tristeza de minha mãe, e a entrada de meu lar, e todo o trabalho das mãos de meu pai; de modo que eu possa ser levado até a Mansão de Tua Luz, e ser consumido na indizível alegria de Teu êxtase eterno.
  7. Ó meu Deus, Tu Poderoso, Tu Criador de todas as coisas, eu renuncio a Ti o desejo pelo Paraíso, e o tenebroso medo do Inferno, e a festa da corrupção do sepulcro; de modo que como uma criança eu posso ser levado até Teu Reino, e ser consumido na indizível alegria de Teu êxtase eterno.
  8. Ó meu Deus, Tu Poderoso, Tu Criador de todas as coisas, eu renuncio a Ti os enluarados picos das montanhas, e o beijo como-flecha dos abetos, e todo a labuta dos ventos; de modo que eu possa perder-me no cume de Tua glória, e ser consumido na indizível alegria de Teu êxtase eterno.
  9. Ó meu Deus, Tu Poderoso Tu, Criador de todas as coisas, eu renuncio a Ti a dor caprina dos anos, e os livros enigmáticos, e toda a majestade de suas envolventes palavras; de modo que eu possa emaranhar-me em Tua silente Sabedoria, e ser consumido na indizível alegria de Teu êxtase eterno.
  10. Ó meu Deus, Tu Poderoso, Tu Criador de todas as coisas, eu renuncio a Ti as taças de vinho da alegria, e os olhos dos devassos serviçais, e toda a sedução de seus membros macios; de modo que eu possa embriagar-me no vinho de Teu esplendor, e ser consumido na indizível alegria da Teu êxtase eterno.
  11. Ó meu Deus, Tu Poderoso, Tu Criador de todas as coisas, eu renuncio a Ti o silvo das águas furiosas, e o trombetear do trovão, e todas as Tuas línguas de dançante chama; de modo que eu possa ser arrastado no sopro de Tuas narinas, e ser consumido na indizível alegria da Teu êxtase eterno.
  12. Ó meu Deus, Tu Poderoso, Tu Criador de todas as coisas, eu renuncio a Ti o desejo carmesim da caçada, e a explosão dos desavergonhados chifres de guerra, e todo o brilho das lanças; de modo que, como um cervo, eu possa ser trazido acuado em Teus braços, e ser consumido na indizível alegria de Teu êxtase eterno.
  13. Ó meu Deus, Tu Poderoso, Tu Criador de todas as coisas, eu renuncio a Ti todo aquele Self que é eu mesmo, aquele sol negro que brilha no dia do Self, cuja glória cega Tua Glória, de modo que eu possa me tornar como uma vela em Tua morada, e ser consumido na indizível alegria de Teu êxtase eterno.

Amém, e Amém de Amém, e Amém de Amém de Amém, e Amém de Amém de Amém de Amém.


O Capítulo conhecido como
As Doze Conjurações de Deus e a Unidade das mesmas
Adoro a Ti pelas Doze Conjurações e pela Unidade das mesmas.

  1. Ó Tu Olho Consumidor da luz eterna posto como uma pérola entre as tampas da Noite e do Dia; eu juro a Ti pelo vazio sem forma do Abismo, envolver as galáxias da noite na escuridão, e explodir os meteoros como bolhas nas mandíbulas espumantes do sol.
  2. Ó Tu soldado de dez pés do oceano azul, cujo castelo foi construído sobre as areias da vida e da morte; eu juro a Ti pelas lâminas reluzentes das águas, traçar meu caminho no interior de Teu armado eremitério, e meditar como um cadáver sem olhos sob da tampa do caixão do Poderoso Mar.
  3. Ó Tu incandescente Oceano de estrelas derretidas, surgindo sobre o arco do Firmamento; eu juro a Ti pela lanças de luz embandeiradas de jubas, agitar o leão da Tua escuridão de sua toca, e chicotear a feiticeira do meio-dia em fúria com serpentes de fogo.
  4. Ó Tu inebriante Visão da Beleza, belo como dez virgens com jóias a dançar ao redor da lua do eremita; eu juro a Ti pelos garrafões de peridoto da primavera, beber até a borra Teu cálice de Glória, e gerar uma raça real antes da Aurora fugir do despertar do Dia.
  5. Ó Tu medida inalterável de todas as coisas, em cujo colo repousam os destinos dos mundos não nascidos; eu juro a Ti pelo equilíbrio da Luz e das Trevas, estender a abóbada azul como um espelho, e reluzir diante dela o intolerável brilho de Teu Semblante.
  6. Ó Tu que estabelecestes a expansão ilimitada, gerada por asas de trovão acima do conflito cósmico; eu juro a Ti pela poeira sem voz do deserto, elevar-me acima dos ecos da vida a gritar, e como uma águia divertir-me para sempre acima do silêncio das estrelas.
  7. Ó Tu flecha de ponta flamejante do fogo devorador que treme como uma língua na boca negra da Noite; eu juro a Ti pelo turíbulo de Tua Glória, inalar o incenso de meu entendimento, e lançar as cinzas de minha sabedoria no Vale de Teu seio.
  8. Ó Tu ruína das montanhas, brilhando como um velho lobo branco acima das névoas felpudas da Terra; eu juro a Ti pelas galáxias de Teu domínio, apertar Tuas tetas de cordeiro com os dentes de minha alma, e beber do leite e do sangue de Tua sutileza e inocência.
  9. Ó Tu Eterno rio de lei caótica, em cujas profundezas estão trancados os segredos da Criação; eu juro a Ti pelas águas primais das Profundezas, aspirar o Firmamento de Teu Chaos, e como um vulcão arrotar um Cosmo de sóis reluzentes.
  10. Ó Tu Dragão-regente dos mares azuis do ar, como uma corrente de esmeraldas em volta do pescoço do espaço; eu juro a Ti pelo hexagrama da Noite e do Dia, ser para Ti como o peixe gêmeo do Tempo, que sendo separado nunca divulga o segredo de sua unidade.
  11. Ó Tu chama das cornudas nuvens de tempestade, que partiste sua desolação, que rugiste mais alto que os ventos; eu juro a Ti pelas brilhantes sandálias das estrelas, escalar além dos cumes das montanhas, e rasgar Teu manto de púrpuros trovões com um espada de luz prateada.
  12. Ó Tu banha de cem fortalezas de ferro, vermelho como as lâminas de um milhão de espadas assassinas; eu juro a Ti pela coroa de fumaça do vulcão, abrir o santuário secreto da mama de Teu boi, e arrancar como um áugure o coração de Teu mistério que tudo permeia.
  13. Ó Tu eixo de prata da Roda do Ser, impulsionado através das asas do tempo pela tranquila mão do Espaço; eu juro a Ti pelos doze raios de Tua Unidade, tornar-me em ti como o aro da mesma, para que eu possa vestir-me majestosamente no manto que não tem costura.

Amém, e Amém de Amém, e Amém de Amém de Amém, e Amém de Amém de Amém de Amém.


O Capítulo conhecido como
As Doze Certezas de Deus e a Unidade das mesmas.
Eu adoro a Ti pelas Doze Certezas e pela Unidade das mesmas.

  1. Ó Tu Soberano Guerreiro de coragem envolta em aço, cuja cimitarra é uma chama entre o dia e a noite, cujo elmo é encristado com as asas do Abismo. Eu conheço a Ti! Ó Tu guardião de quatro olhos do céu, que acende a chama no coração dos abatidos, e cinge com fogo os quadris dos desarmados.
  2. Ó Tu Soberana Luz e fogo de afeto, cujas mechas flamejantes fluem para baixo pelo aethyr como aglomerados de relâmpagos profundamente enraizados no Abismo. Eu conheço a Ti! Ó Tu mangual separador de esplendor, o apaixonado chicote cuja mão envolvente dispersa a humanidade diante de Tua fúria como o vento-passageiro do seio tempestuoso do Oceano.
  3. Ó Tu Soberano Cantor dos ventos orgiásticos, cuja voz é como uma tropa virginal de Bacantes despertas pelo sopro da flauta de Pan. Eu conheço a Ti! Ó Tu chama dançante de música frenética, cujos gritos, como espadas de ouro de fogo pujante, nos impele para a frente para o massacre selvagem dos Mundos.
  4. Ó Tu Soberano Poder das mais antigas florestas, cuja voz é como o murmúrio de ventos implacáveis pegos nos braços pelo balanço dos ramos. Eu conheço a Ti! Ó Tu retumbar dos tambores da conquista, que embala a um êxtase de sono profundo os amantes que queimam um no outro, chamas a chamas.
  5. Ó Tu Soberano Guia dos círculos de estrelas a girar, as solas cujo pé fere plumas de fogo dourado da mais distante aniquilação do Abismo. Eu conheço a Ti! Ó Tu rubra espada da destruição, que caça os cometas do leito escuro da noite, até que eles corram diante de Ti como serpentinas línguas de fogo.
  6. Ó Tu Soberano Arqueiro das regiões tenebrosas, que lança de Teu arco transcendental os sóis de muitos raios aos campos do céu. Eu conheço a Ti! Ó Tu flecha de luz de oito pontas, que fere as regiões dos sete rios até eles rirem como Mênades com um sinuoso tirso.
  7. Ó Tu Soberano Paladino dos cavaleiros auto-conquistados, cujo caminho se estende através das florestas não pisadas do tempo, enroscando-se através do Bisso do espaço incriado. Eu conheço a Ti! Ó Tu desprezador as montanhas, Tu cujo curso é como aquele de um cavalo com cascos reluzentes saltando ao longo da margem verde de um belo rio.
  8. Ó Tu Soberano Ondulante de felicidade selvagem, cujo amor é como o inundar dos mares, e que faz nossos corpos regozijarem-se com beleza. Eu conheço a Ti! Ó Tu que supera o por do sol em passos largos, que adornastes as montanhas cobertas de neve com rosas vermelhas, e espalhastes violetas brancas nas ondas agitadas.
  9. Ó Tu Soberano Diadema de coroada Sabedoria, cuja obra conhece o caminho dos silfos do ar, e as escuras escavações dos gnomos da terra. Eu conheço a Ti! Ó Tu Mestre das formas de vida, na palma de cuja mão todas as artes se encontram sagradas como uma nuvem de fumaça entre os lábios da montanha.
  10. Ó Tu Soberano Senhor dos primevos Guerreiros que lutam sem armaduras, que caçaste o veado rajado do crepúsculo, e cujas máquinas de guerra são cometas encrustados de sangue. Eu conheço a Ti! Ó Tu O coroado-em-chamas Auto-luminoso, o açoite de cujo chicote reuniu os mundos antigos, e fez escorrer o sangue das nuvens virgens do céu.
  11. Ó Tu Soberana Pedra-da-Lua que tem a beleza de uma pérola, da qual muitos olhos queimam as nuvens de fogo da vida, e cujo fôlego inflama o Bisso e o Abismo. Eu conheço a Ti! Ó Tu manancial do feroz Aethyr, na pupila em cujo brilho todas as coisas repousam encolhidas e envoltas como um bebê no ventre de sua mãe.
  12. Ó Tu Soberana Mãe do sopro do ser, o leite de cujos seios é como a fonte do amor, mamilos gêmeos de fogo sobre o seio azul da noite. Eu conheço a Ti! Ó Tu Virgem das clareiras enluaradas, que nos afaga como uma gota de orvalho em Teu colo, sempre vigilante sobre o berço do nosso destino.
  13. Ó Tu Soberano Sol eterno Que Tudo Vê, que envolves as constelações do céu, como um sedento ladrão a uma jarra de vinho antigo. Eu conheço a Ti! Ó Tu cortesã de luz da aurora alada, que me fazes cambalear com um beijo de Tua boca, como uma folha lançada nas chamas de uma fornalha.

Amém, e Amém de Amém, e Amém de Amém de Amém, e Amém de Amém de Amém de Amém.


O Capítulo conhecido como
As Doze Glorificações de Deus e da Unidade das mesmas
Eu adoro a Ti pelas Doze Glorificações e pela Unidade das mesmas.

  1. Ó Glória a Ti, Ó Deus meu Deus; pois eu Te contemplo no Exuberante Leão da aurora: Tu esmagastes com tua pata a leoa rastejante da Noite, para que ela pudesse rugir diante da Glória de Teu Nome.
  2. Ó Glória a Ti, Ó Deus meu Deus; pois eu Te contemplo no colo dos vales férteis: Tu adornastes seus fortes membros com um manto de milho sonífero, para que eles pudessem rir diante da Glória de Teu Nome.
  3. Ó Glória a Ti, Ó Deus meu Deus; pois eu Te contemplo no tumulto dourado de dançarinas: Tu guirlandastes suas cinturas nuas com flores perfumadas, para que elas pudessem desfilar diante da Glória de Teu Nome.
  4. Ó Glória a Ti, Ó Deus meu Deus; pois eu Te contemplo no descomedido prazer da tempestade: Tu agitastes o pó de ouro das madeixes das colinas, para que elas pudessem entoar cânticos diante da Glória de Teu Nome.
  5. Ó Glória a Ti, Ó Deus meu Deus; pois eu Te contemplo nas estrelas e meteoros da Noite: Tu adornastes seus percursos cinzentos com luas de pérolas, para que eles pudessem tremer diante da Glória de Teu Nome.
  6. Ó Glória a Ti, Ó Deus meu Deus; pois eu Te contemplo nas pedras preciosas da terra negra: Tu a iluminastes com uma míriade de olhos mágicos, para que ela pudesse cintilar diante da Glória de Teu Nome.
  7. Ó Glória a Ti, Ó Deus meu Deus; pois eu Te contemplo no orvalho brilhante das clareiras selvagens: Tu as adornastes como para uma grande festa de alegria, para que elas pudessem brilhar diante da Glória de Teu Nome.
  8. Ó Glória a Ti, Ó Deus meu Deus; pois eu Te contemplo na quietude dos lagos congelados: Tu fizestes suas faces mais deslumbrantes do que um espelho de prata, para que eles pudessemm relampejar diante da Glória de Teu Nome.
  9. Ó Glória a Ti, Ó Deus meu Deus; pois eu Te contemplo no fogo encoberto-por-fumaça das montanhas: Tu as inflamastes como leões que farejam uma corça, para que elas pudessem enfurecer-se diante da Glória de Teu Nome.
  10. Ó Glória a Ti, Ó Deus meu Deus; pois eu Te contemplo no semblante de minha querida: Tu a despistes de lírios brancos e rosas vermelhas, para que ela pudesse corar diante da Glória de Teu Nome.
  11. Ó Glória a Ti, Ó Deus meu Deus; pois eu Te contemplo no gotejar das nuvens voadoras: Tu enchestes com isto os seios azuis dos leitosos rios, para que eles pudessem rolar diante da Glória de Teu Nome.
  12. Ó Glória a Ti, Ó Deus meu Deus; pois eu Te contemplo nas extensas ondas cor de âmbar da tempestade: Tu estendestes Teu chicote sobre as esfinges das águas, para que elas pudessem ribombar diante da Glória de Teu Nome.
  13. Ó Glória a Ti, Ó Deus meu Deus; pois eu Te contemplo na flor de lótus, dentro de meu coração: Tu adornastes minha trombeta com o estandarte do leão, para que eu pudesse retumbar diante da Glória de teu Nome.

Amém, e Amém de Amém, e Amém de Amém de Amém, e Amém de Amém de Amém de Amém.


O Capítulo conhecido como
As Doze Súplicas de Deus e a Unidade das mesmas
Eu adoro a ti pelas Doze Súplicas e pela unidade das mesmas.

  1. Ó Tu poderoso Deus, faze-me como uma virgem bela que é vestida com os sinos azuis da encosta perfumada; eu Vos suplico, Ó Tu grande Deus! Que eu possa tocar a melodia de Tua voz, e ser vestido com a pura luz de Tua beleza: Tu, Ó Deus, meu Deus!
  2. Ó Tu poderoso Deus, faze-me como uma Balança de rubis e azeviche que é lançada no colo do Sol; eu Vos suplico, Ó Tu grande Deus! Que eu possa brilhar diante da maravilha de Teu brilho, e dissolver-me no perfeito equilíbrio de Teu Ser: Tu, Ó Deus, meu Deus!
  3. Ó Tu poderoso Deus, faze-me como um Escorpião pardo que rasteja através de um vasto deserto de prata; eu Vos suplico, Ó Tu grande Deus! Que eu possa perder-me no alcance de Tua luz, e tornar-me um com o brilho de Tua Sombra: Tu, Ó Deus, meu Deus!
  4. Ó Tu poderoso Deus, faze-me como uma flecha verde de Relâmpago que corre através das nuvens púrpuras da Noite; eu Vos suplico, Ó Tu Grande Deus! Que eu possa despertar o fogo da coroa da Tua Sabedoria, e brilhar nas profundezas de Teu Entendimento: Tu, Ó Deus, meu Deus!
  5. Ó Tu poderoso Deus, faze-me como uma cabra de pedra-negra que pavoneia-se em um brilhante deserto de aço; eu Vos suplico, Ó Tu grande Deus! Que eu possa apalpar uma brilhante de faísca de Teu Esplendor, e ser fundido na Glória de Teu poder: Tu, Ó Deus, meu Deus!
  6. Ó Tu poderoso Deus, faze-me como as ondas de safira que se agarram aos limos cintilantes das rochas verdes; eu Vos suplico, Ó Tu grande Deus! Que eu possa cantar em uma música espumante Tua Glória, e rolar diante do êxtase eterno de Teu Nome: Tu, ó Deus, meu Deus!
  7. Ó Tu poderoso Deus, faze-me como um peixe de prata correndo através das vastas profundezas das águas povoadas pela escuridão; eu Vos suplico, Ó Tu grande Deus! Que eu possa nadar através da vastidão de Teu abismo, e mergulhar sob as profundezas sem ondas de Tua Glória: Tu, Ó Deus, meu Deus!
  8. Ó Tu poderoso Deus, faze-me como um carneiro branco que está sedento em um deserto de amargura queimado pelo sol; eu Vos suplico, Ó Tu grande Deus! Que eu possa buscar as profundas águas da Tua Sabedoria, e mergulhar na brancura da Tua refulgência: Tu, Ó Deus, meu Deus!
  9. Ó Tu poderoso Deus, faze-me como um touro ferido por um raio que está embriagado na vindima de Teu sangue; eu Vos suplico, Ó Tu grande Deus! Que eu possa mugir através do universo Teu Poder, e pisar as uvas doces como néctar de Tua Essência: Tu, ó Deus, meu Deus!
  10. Ó Tu poderoso Deus, faze-me como um negro eunuco de canção de vozes gêmeas, mesmo que mudo em cada língua, eu Vos suplico, Ó Tu grande Deus! Que eu possa calar minha melodia em Teu Silêncio, e avolumar-me no doce êxtase de Tua canção: Tu, Ó Deus, meu Deus!
  11. Ó Tu poderoso Deus, faze-me como um caranguejo esmeralda que rasteja sobre a molhada areia da praia, eu Vos suplico, Ó Tu grande Deus! Que eu possa traçar Teu nome através das praias do Tempo, e mergulhar entre os brancos átomos de Teu Ser. Tu, ó Deus, meu Deus!
  12. Ó Tu poderoso Deus, faze-me como um leão de rubi que ruge do cume de uma montanha branca, eu Vos suplico, Ó Tu grande Deus! Que eu possa ecoar adiante Teu domínio através das encostas, e minguar nos mamilos de Tua recompensa. Tu, Ó Deus, meu Deus!
  13. Ó Tu poderoso Deus, faze-me como um Sol flamejante que tudo consome no centro do Universo, eu Vos suplico, Ó Tu grande Deus! Que eu possa tornar-me como uma coroa em Tua testa, e resplandescer o fogo superior de Tua Divindade: Tu, Ó Deus, meu Deus!

Amém, e Amém de Amém, e Amém de Amém de Amém, e Amém de Amém de Amém de Amém.


O Capítulo conhecido como
As Doze Gratificações de Deus e a Unidade da mesmas
Eu adoro a Ti pelas Doze Gratificações e pela unidade das mesmas.

  1. Ó Tu Mênade vestida de verde em trabalho de parto, que dás à luz sob Tua pesada cinta a vindima de Teus beijos; liberta-me das trevas de Teu ventre, para que eu possa abandonar meus mantos infantis e saltar como um guerreiro armado em aço.
  2. Ó Tu serpente de nublado semblante, cujo cabelo trançado é como a aveludada aurora de donzelas em desmaio; caça-me como um feroz javali selvagem através dos céus, para que Tua flamejante lança possa ferir e envermelhar o céu azul com o espumante sangue de meu frenesi.
  3. Ó Tu nebulosa Virgem do Mundo, cujos seios são como lírios escarlates empalidecendo ante ao sol; embala-me no berço dos Teus braços, para que o murmúrio de tua voz possa acalmar-me a um sono como uma pérola perdida nas profundezas de um mar silencioso.
  4. Ó Tu riso de voz embebida de vinho de desfalecente melancolia, que és como um fauno nu esmagado até a morte entre mós de trovão; embriaga-me com o êxtase de Tua canção, para que no aperto-de-defunto de minha paixão eu possa rasgar o manto de nuvens de Teu peito em desmaio.
  5. Ó Tu devasso serviçal da loucura, cuja boca é como a alegria de milhares e milhares de beijos magistrais; inebria-me em Tua beleza, para que a prataria de Tua festa possa deleitar-se como uma lua de pérola branca em minha língua.
  6. Ó Tu Visão da Pureza da meia-noite, cujos lábios são como botões de rosa deflorados pela efêmera lua; guarda-me como uma gota de orvalho em teu peito, para que o dragão de Teu ódio voraz possa devorar-me com sua boca de adamantino.
  7. Ó Tu esplendor de amor ardente, que persegue a aurora como um jovem persegue uma donzela com lábios de rosa; rasga-me com os ferozes beijos de tua boca, para que na batalha de nossos lábios eu possa ser banhado pelas fontes de pura neve de Tua bem-aventurança.
  8. Ó Tu touro preto em um campo de meninas brancas, cujos flancos cobertos de suor são como a noite estrelada levada nos ferozes braços do meio-dia; trema diante dos chifres púrpuras de minha paixão, para que eu possa dissolver-me como uma coroa de fogo no aturdimento de Teu êxtase.
  9. Ó Tu árbitro terrível de todos os homens, a bainha de cuja saia bordada enrubesce as ameias brancas do Espaço; despe-me o mamilo estrelado de Teu seio, para que o leite de Teu amor possa nutrir-me à exuberância de Tua virgindade.
  10. Ó Tu sedento cocheiro do Tempo, cujo cálice é a noite vazia preenchida com a espuma da vindima do dia; banha-me na chuva de Tua paixão, para que eu possa ofegar em Teus braços como uma língua de relâmpago no seio púrpura da noite.
  11. Ó Tu opalescente Rainha-Serpente, cuja boca é como o sol que é ensanguentado com ao massacre do dia; mantenha-me nas rubras chamas de Teus braços, para que em Teu beijos eu possa extinguir-me como uma bolha na espuma de Teus lábios deslumbrantes.
  12. Ó Tu Odalisca do palácio da terra, cujas vestes são perfumadas e desejosas como flores da primavera em clareiras iluminadas pelo sol; envolve-me no perfume de Teus cabelos, para que Tuas tranças de ouro possam ungir-me com o mel de um milhão de rosas.
  13. Ó Tu viril guerreiro entre os jovens, cujos membros são como espadas de fogo que são soldadas na fornalha da guerra; aperta Teus frescos beijos em meus ardentes lábios, para que a loucura de nossa paixão possa entrelaçar-nos na Coroa de Luz eterna.

Amém, e Amém de Amém, e Amém de Amém de Amém, e Amém de Amém de Amém de Amém.


O Capítulo conhecido como
As Doze Negações de Deus e a Unidade das mesmas
Eu adoro a Ti pelas Doze Negações e pela unidade das mesmas.

  1. Ó Tu Deus do Nada de Todas as Coisas! Tu que não és nem o hálito Amorfo do Chaos; nem o exalar das esferas ordenadas: Ó Tu que não és a estrela da manhã embalada por nuvens; nem o sol, bêbado sobre a névoa, que cega os homens! Eu nego a Ti pelos poderes de meu entendimento; Guia-me na unidade de Teu poder, e leva-me à paternidade de Teu Nada que tudo permeia; pois Tu és todos e nenhum destes na plenitude de Teu Não-Ser.
  2. Ó Tu Deus do Nada de Todas as Coisas! Tu que não és nem a vitalidade dos mundos; nem o sopro do Ser emaranhado de estrelas: Ó Tu que não és o que cavalgastes em meio aos centauros de nuvens da noite; nem o vibrar do estremecer da corda do arco do meio-dia! Eu nego a Ti pelos poderes de meu entendimento; Entrona-me na unidade de Teu poder, e atravessa-me com a lança de Teu Nada que tudo permeia; pois Tu és todos e nenhum destes na plenitude de Teu Não-Ser.
  3. Ó Tu Deus do Nada de Todas as Coisas! Tu que não és nem a flauta de Pã na floresta; nem a espada azul da vida envolta no manto da morte: Ó Tu que não és encontrado entre os ecos das colinas; nem nos sussurros que despertam no meio dos vales! Eu nego a Ti pelos poderes de meu entendimento; Coroa-me na unidade de Teu poder, e flameja-me como uma língua escarlate de Teu Nada que tudo permeia; pois Tu és todos e nenhum destes na plenitude de Teu Não-Ser.
  4. Ó Tu Deus do Nada de Todas as Coisas! Tu que não és nem a Coroa da tempestade flamejante; nem a opalescência do Abismo: Ó Tu que não és uma ninfa na espuma do mar; nem um demônio rodopiante na areia do deserto! Eu nego a Ti pelos poderes de meu entendimento; Nutre-me na unidade de Teu poder, e despeja-me fora da taça de Teu Nada que tudo permeia; pois Tu és todos e nenhum destes na plenitude de Teu Não-Ser.
  5. Ó Tu Deus do Nada de Todas as Coisas! Tu que não és nem o formulador da lei; nem as Trapaças do labirinto da ilusão: Ó Tu que não és a pedra fundamental da existência; nem a águia que choca sobre o ovo do espaço! Eu nego a Ti pelos poderes de meu entendimento; Envolve-me na unidade de Teu poder, e ensina-me a sabedoria dos lábios de Teu Nada que tudo permeia; pois Tu és todos e nenhum destes na plenitude de Teu Não-Ser.
  6. Ó Tu Deus do Nada de Todas as Coisas! Tu que não és nem a raiz quíntupla da Natureza; nem o elmo cristado de fogo de seu Mestre: Ó Tu que não és o Imperador do Tempo Eterno; nem o grito guerreiro que abala o Bisso do Espaço! Eu nego a Ti pelos poderes de meu entendimento; Ergue-me na unidade de Teu poder, e amamenta-me nos fartos seios de Teu Nada que tudo permeia; pois Tu és todos e nenhum destes na plenitude de Teu Não-Ser.
  7. Ó Tu Deus do Nada de Todas as Coisas! Tu não que és nem o touro dourado dos céus; nem a avermelhada fonte dos desejos dos homens: Ó Tu que não pendestes sobre a Gôndola da Noite; nem repousastes Tua mão sobre o cabo do Arado! Eu nego a Ti pelos poderes de meu entendimento; Incita-me na unidade de Teu poder, e banha-me com a vindima vermelha de Teu Nada que tudo permeia; pois Tu és todos e nenhum destes na plenitude de Teu Não-Ser.
  8. Ó Tu Deus do Nada de Todas as Coisas! Tu que não és nem os olhos brilhantes do céu; nem a fronte da coroada manhã: Ó Tu que não és percebido pelos poderes da mente; nem agarrado pelos dedos do Silêncio ou da Fala! Eu nego a Ti pelos poderes de meu entendimento; Veste-me na unidade de Teu poder, e transporta-me com rapidez na cegueira de Teu Nada que tudo permeia; pois Tu és todos e nenhum destes na plenitude de Teu Não-Ser.
  9. Ó Tu Deus do Nada de Todas as Coisas! Tu que não és nem a forja da Eternidade; nem o útero com garganta de trovão do Chaos: Ó Tu que não és encontrado no assobio da saraivada de pedras; nem no tumulto da tempestade equinocial! Eu nego a Ti pelos poderes de meu entendimento; Traga-me à unidade de Teu poder, e diverte-me no maná de mel de Teu Nada que tudo permeia; pois Tu és todos e nenhum destes na plenitude de Teu Não-Ser.
  10. Ó Tu Deus do Nada de Todas as Coisas! Tu que não és nem os rastros da carruagem; nem o timão da galopante ilusão: Ó Tu que não és o eixo de todo o Universo; nem o corpo da mulher-serpente das estrelas! Eu nego a Ti pelos poderes de meu entendimento; Conduza-me na unidade de Teu poder, e chama-me até o limiar de Teu Nada que tudo permeia; pois Tu és todos e nenhum destes na plenitude de Teu Não-Ser.
  11. Ó Tu Deus do Nada de Todas as Coisas! Tu que não és nem o gemido de uma donzela; nem o toque elétrico da juventude excitada como o fogo: Ó Tu que não és encontrado nos ousados beijos de amor; nem nos torturantes espasmos de loucura e de ódio! Eu nego a Ti pelos poderes de meu entendimento; Pesa-me na unidade de Teu poder, e gira-me no equilibrado arrebatamento de Teu Nada que tudo permeia; pois Tu és todos e nenhum destes na plenitude de Teu Não-Ser.
  12. Ó Tu Deus do Nada de Todas as Coisas! Tu que não és nem a causa primordial das causas; nem a alma do que é, ou foi, ou será: Ó Tu que não és medido na imóvel balança; nem ferido pelas flechas voadoras do homem! Eu nego a Ti pelos poderes de meu entendimento; Protege-me na unidade de Teu poder, e considera-me correto na extensão de Teu Nada que tudo permeia; pois Tu és todos e nenhum destes na plenitude de Teu Não-Ser.
  13. Ó Tu Deus do Nada de Todas as Coisas! Tu que não és nem o influxo do sopro da vida; nem o anel de ferro na festa de casamento da morte: Ó Tu que não és representado nas canções de guerra; nem nas lágrimas ou lamentações de uma criança! Eu nego a Ti pelos poderes de meu entendimento; Reveste-me na unidade de Teu poder, e incendeia-me com a chama cinzenta de Teu Nada que tudo permeia; pois Tu és todos e nenhum destes na plenitude de Teu Não-Ser.

Amém, e Amém de Amém, e Amém de Amém de Amém, e Amém de Amém de Amém de Amém.


O Capítulo conhecido como
Os Doze Júbilos de Deus e a Unidade dos mesmos
Eu adoro a Ti pelos Doze júbilos e pela unidade dos mesmos.

  1. Ah! mas eu me alegro em Ti, Ó Tu meu Deus; Tu arco-íris de sete raios de beleza perfeita; Tu carruagem com rolamentos de luzes de raios de sol; Tu perfumado aroma da tempestade passageira: Sim, eu me alegro em Ti, Tu sopro dos vales adormecidos; Ó Tu baixa e murmurante ondulação dos milharais maduros! Eu me alegro, sim, eu grito de alegria! até que, como os misturados rubores do dia e da noite, minha canção teça os prazeres da vida em uma Coroa dourada e púrpura, para a Glória e Esplendor de Teu Nome.
  2. Ah! mas eu me alegro em Ti, Ó Tu meu Deus; Tu ziguezagueante cintilar das flamejantes estrelas; Tu selvageria de luz anil; Tu chifre cinzento de fogo imaculado: Sim, eu me alegro em Ti, Tu nuvem guerreira de fogo brilhante; Ó Tu caprichosa cabeça de serpente de cabelo escarlate! Eu me alegro, sim, eu grito de alegria! até que meu rugido preencha as arborizadas montanhas, e como um gigante force a cabeça do vento através das relutantes árvores, na Glória e Esplendor de Teu Nome.
  3. Ah! mas eu me alegro em Ti, Ó Tu meu Deus; Tu sedosa rede de feitiços de esmeraldas; Tu névoa berilina de lagos pantanosos; Tu lã coroada com brilhantes chamas de ouro efervescente: Sim, eu me alegro em Ti, Tu perolado orvalho da lua poente; Ó Tu escura e púrpura nuvem de tempestade de beijos conflitantes! Eu me alegro, sim, eu grito de alegria! até que todo meu riso, como águas encantadas, seja soprado como uma rede-íris de bolhas dos lábios do abismo, na Glória e Esplendor de Teu Nome.
  4. Ah! mas eu me alegro em Ti, Ó Tu meu Deus, Tu que medita sobre as profundezas escuras do abismo; Tu colo das ondas brilhantes do mar; Tu brilhante túnica das cristadas enchentes: Sim, eu me alegro em Ti, Tu esplendor nativo das Águas; ó Tu insondável Abismo de ondulante alegria! Eu me alegro, sim, eu grito de alegria! até que as loucas espadas de minha música firam as colinas, e arranquem os membros de ametista da Noite do abraço branco do Dia, na Glória e Esplendor de Teu Nome.
  5. Ah! mas eu me alegro em Ti, Ó Tu meu Deus, Tu bastião encapuzado por nuvens dos céus tempestuosos; Tu bigorna lampejante de espadas angelicais; Tu forja sombria dos raios: Sim, eu me alegro em Ti, Tu Coroa de Esplendor que a tudo subjuga; Ó Tu elmo com alma de herói de infinita vitória! Eu me alegro, sim, eu grito de alegria! até os rios furiosos correrem rugindo através dos bosques, e minha ressoante voz dançar como um carneiro entre as colinas, para a Glória e Esplendor de Teu Nome.
  6. Ah! mas eu me alegro em Ti, Ó Tu meu Deus, Tu opalescente orbe de pores do sol estilhaçados; Tu, perolado ornamento no escudo de luz; Tu, fulvo sacerdote na Missa da luxúria: Sim, eu me alegro em Ti, Tu terra das calcedônicas nuvens de luz; Ó Tu, pétala de papoula flutuando sobre a tempestade de neve! Eu me alegro, sim, eu grito de alegria! até que minhas frenéticas palavras corram através das almas dos homens, como um touro vermelho-sangue através de um rebanho branco de vacas apavoradas, na Glória e Esplendour de Teu Nome.
  7. Ah! mas eu me alegro em Ti, Ó Tu meu Deus; Tu inameaçável vôo de prazerosas gargalhadas; Tu eunuco armado com uma glaive diante do véu do prazer; Tu, terrível e insaciável: Sim, eu me alegro em Ti, Tu sublime ponto-de-encontro da Felicidade; Ó Tu cama nupcial de murmurante arrebatamento! Eu me alegro, sim, eu grito de alegria! até que eu entrelace as tranças negras da tempestade, e chicotei a tormenta na baba verde de basiliscos entrelaçados, na Glória e Esplendor ode Teu Nome.
  8. Ah! mas eu me alegro em Ti, Ó Tu meu Deus, Tu coruscante ponto estelar do Infinito, Tu inundante fogo do Vazio; Tu enluarada taça de vida eterna: Sim, eu me alegro em Ti, Tu guerreiro de aço que calça sandálias de fogo; Ó Tu, orvalho de sangue do campo de abate e de morte! Eu me alegro, sim, eu grito de alegria! até a musica de minha garganta ferir as colinas como uma lua crescente desperta um campo noturno de cometas adormecidos, na Glória e Esplendor de Teu Nome.
  9. Ah! mas eu me alegro em Ti, Ó Tu meu Deus, Tu trabalhada jóia de neve nos membros da noite; Tu elaborar da unidade; Tu banho de sóis universais: Sim, eu me alegro em Ti, Tu deslumbrante, Tu selvagem, Ó Tu grande leão que ruge sobre um mar de sangue! Eu me alegro, sim, eu grito de alegria! até o romper do feroz trovão de meu louvor, como um sátiro faz um bebê, os nove e noventa e portões de Teu Poder, na Glória e no Esplendor de Teu Nome.
  10. Ah! mas eu me alegro em Ti, Ó Tu meu Deus, Tu rosa do Mundo dócil como ambrosia; Tu abóboda de luz refulgente; Tu vale de víboras venenosas: Sim, eu me alegro em Ti, Tu deslumbrante veste das macias nuvens de chuva; Ó Tu, leão a se erguer sobre a criação da incitada tempestade! Eu me alegro, sim, eu grito de alegria! até meu arrebatamento, semelhante a uma espada de dois gumes, a traçar um sigilo de fogo e explodir os feiticeiros anilhados, na Glória e Esplendor de teu Nome.
  11. Ah! mas eu me alegro em Ti, Ó Tu meu Deus; Tu Coroa de beleza indizível; Tu penas de fogo hialinescente; Tu, brilhante olho que tudo vê: Sim, eu me alegro em Ti, Tu resplandecente e eterno: Ó Tu, vasto e abismal oceano de espumantes chamas! Eu me alegro, sim, eu grito de alegria! até as estrelas saltarem como corcéis brancos da noite, e os céus ressoarem como um exército de guerreiros cobertos de aço, na Glória e Esplendor de Teu Nome.
  12. Ah! mas me alegro em Ti, Ó Tu meu Deus, Tu chamas-estelar de esperança imortal; Tu voz doe silêncio da garganta de Ibis; Tu noite cega do entendimento: Sim, eu me alegro em Ti, Tu dedo branco da Caótica lei; Ó Tu criativo cocatrice retorcido entre as águas! Eu me alegro, sim, eu grito de alegria! até que meus gritos aticem a noite como o ouro reluzente de uma lança a golpear um venenoso dragão de diamante, para a Glória e Esplendor de Teu Nome.
  13. Ah! mas eu me alegro em Ti, Ó Tu meu Deus; Tu, auto-luminoso e efulgente Esplendor; Tu olho de luz que não tem pálpebras; Tu cetro do ato cravejado de turquesa: Sim, eu me alegro em Ti, Tu fornalha branca e útero de Energia; Ó Tu forja de faíscas rodopiante da substância dos mundos, Eu me alegro, sim, eu grito de alegria! até que eu suba como uma haste branca até a coroa, e como um sopro da noite derreta nos lábios dourados de Tua aurora, na Glória e Esplendor de Teu Nome.

Amem, e Amem de Amen, e Amen de Amen de Amen, e Amen de Amen de Amen de Amen.


O Capítulo conhecido como
As Doze Humilhações de Deus e a unidade das mesmas
Eu adoro a Ti pelas Doze Humilhações e pela Unidade das mesmas.

  1. Ó meu Deus, contempla-me por completo e tens misericórdia de mim, enquanto eu me humilho diante de Ti; pois toda minha busca é como um morcego que procura algum oco de noite sobre um deserto seco pelo sol.
  2. Ó meu Deus, dirigi-me corretamente e tens misericórdia de mim, enquanto eu me humilho diante de Ti, pois todos meus pensamentos são como uma serpente coberta de pó ao enroscar-se ao meio-dia que dança através da pálida grama da lei.
  3. Ó meu Deus, conquista-me com amor e tens misericórdia de mim, enquanto eu me humilho diante de Ti, pois todos os esforços de meu espírito são como o beijo de uma criança que luta através de uma nuvem de cabelos emaranhados.
  4. Ó meu Deus, amamenta-me com a verdade e tens misericórdia de mim, enquanto eu me humilho diante de Ti, pois toda minha agonia de angústia é apenas como uma codorna a lutar nas mandíbulas de um lobo faminto.
  5. Ó meu Deus, conforta-me com calma e tens piedade de mim, enquanto eu me humilho diante de Ti, pois toda a labuta de minha vida é apenas como um pequeno camundongo branco a nadar através de um vasto mar de sangue escarlate.
  6. Ó meu Deus, solicita-me gentilmente e tens misericórdia de mim, enquanto eu me humilho diante de Ti, pois todo meu trabalho é apenas como uma agulha de aço sem fio a golpear aqui e ali no tear negro da noite.
  7. Ó meu Deus, acaricia-me com beijos e tens misericórdia de mim, enqaunto eu me humilho diante de Ti, pois todos os meus desejos são como gotas de orvalho que são sugadas de lírios prateados pela garganta de um jovem deus.
  8. Ó meu Deus, exaltar-me com sangue e tens misericórdia de mim, enquanto eu me humilho diante de Ti, pois toda minha coragem é apenas como o dente de uma víbora que ataca no calcanhar róseo da aurora.
  9. Ó meu Deus, ensina-me com paciência e tens misericórdia de mim, enquanto eu me humilho diante de Ti, pois todo meu conhecimento é apenas como o resto de palha que é atirado pela escuridão do vazio.
  10. Ó meu Deus, avalia-me corretamente e tens misericórdia de mim, enquanto eu me humilho diante de Ti, pois todo meu louvor é apenas como uma única letra de grafite perdida nas escrituras douradas das rochas.
  11. Ó meu Deus, sacia-me com o descanso e tens misericórdia de mim, enquanto eu me humilho diante de Ti; pois toda minha vigília é apenas como uma nuvem ao pôr do sol que é como uma serpente que desliza através do orvalho.
  12. Ó meu Deus, inflama-me com alegria e tens piedade de mim, enquanto eu me humilho diante de Ti, pois toda a força de minha mente é como uma teia de seda que ata os seios leitosos das estrelas.
  13. Ó meu Deus, consome-me com fogo e tens misericórdia de mim, enquanto eu me humilho diante de Ti, pois todo meu entendimento é apenas como um fio de uma aranha estendido de estrela a estrela de uma jovem galáxia.

Amem, e Amem de Amen, e Amen de Amen de Amen, e Amen de Amen de Amen de Amen.


O Capítulo conhecido como
As Doze Lamentação de Deus e a unidade das mesmas
Eu adoro a Ti pelas Doze Lamentação e pela unidade das mesmas.

  1. Ó ai de mim, meu Deus, ai de mim, pois toda minha canção é como o canto fúnebre do mar que geme sobre um cadáver, sobrepondo mais luto diante a praia morta na escuridão. No entanto, no soluço do vento eu escuto Teu nome, que vivifica os frios lábios da morte à vida.
  2. Ó ai de mim, meu Deus, ai de mim, pois todo meu louvor é como o canto de um pássaro que se enlaça na rede dos ventos, e se lança nas profundezas afogantes da noite. No entanto, nas vacilantes notas da minha música eu marco a melodia da verdade universal.
  3. Ó ai de mim, meu Deus, ai de mim, pois todo minha obra como um dorminhoco enrolado que tem dormido demais durante o dia, mesmo a aurora pairando como um falcão no vazio. No entanto, na escuridão de meu despertar eu vejo, através dos seios da noite, Tua forma sombreada.
  4. Ó ai de mim, meu Deus, ai de mim, pois toda minha labuta é como os retardatários bois cansados ​​e doloridos atingidas com o aguilhão, arando sulcos negros através dos campos brancos de luz. No entanto, na trilha a rabiscar de sua lenta labuta eu avisto a dourada colheita de Teu esplendor.
  5. Ó ai de mim, meu Deus, ai de mim, pois toda a esperança de meu coração tem sido violada como o corpo de uma virgem que caiu nas mãos dos salteadores desordeiros. No entanto, na indignação de minha inocência eu revelo o claro maná de Tua pureza.
  6. Ó ai de mim, meu Deus, ai de mim, pois toda a paixão de meu amor é perplexa como os aturdidos olhos de um jovem, que deve acordar para encontrar seu fugitivo amado. No entanto, no amarrotado sofá da luxúria eu observo como um sinal o sigilo de Teu nome.
  7. Ó ai de mim, meu Deus, ai de mim, pois toda a alegria de meus dias jaz desonrada como a Virgem da noite encoberta de lantejoulas rasgada e pisada pelos garanhões chicoteados pelo sol da Aurora. No entanto, no frenesi de seus engates faço tremer adiante o orvalho pérolado de luz em êxtase.
  8. Ó ai de mim, meu Deus, ai de mim, pois todas as aspirações de meu coração são arruinadas como em tempo de terremoto na cabana desprotegida de um eremita que ele construiu para a oração. No entanto, da torre atingida pelo raio de minha razão eu entro em Tua casa que Tu construístes para mim.
  9. Ó ai de mim, meu Deus, ai de mim, pois toda minha alegria é como uma nuvem de poeira que sobrou de través uma memória de lágrimas, mesmo através da fronte sem sombra do deserto. No entanto, do seio de uma escrava eu colho a flor perfumada de Teu Escarlate Esplendor.
  10. Ó ai de mim, meu Deus, ai de mim, pois todos os festins de minha carne tem enojado a fome dos vermes da sepultura, contorcendo-se em espasmos de decadência indolente. No entanto, nas larvas de minha corrupção eu faço sombra diante das hostes de águias coroadas iluminadas pelo sol.
  11. Ó ai de mim, meu Deus, ai de mim, pois toda minha astúcia é como uma flecha ferida, sem penas e torcida, que seria solta da corda de seu arco pelas mãos de uma criança. No entanto, na luta rebelde de seu voo eu agarro com firmeza os cursos inabaláveis de Tua sabedoria.
  12. Ó ai de mim, meu Deus, ai de mim, pois toda minha fé é como uma suja poça d'água nos sinistros confins de uma floresta, espirrada pelo travesso pé de um jovem gnomo. No entanto, como o relâmpago sem trovão através das árvores ao cair da noite eu adivinho o brilho distante de Teus Olhos.
  13. Ó ai de mim, meu Deus, ai de mim, pois toda minha vida afunda como o Sol no ocidente que luta nos braços estranguladores da Noite, demasiadamente manchado com a estrelada espuma de seus beijos. No entanto, na meia-noite de minha alma mantenho-me como um escaravelho a sineta de Teu nome.

Amem, e Amem de Amen, e Amen de Amen de Amen, e Amen de Amen de Amen de Amen.


O Capítulo conhecido como
As Doze Perplexidades de Deus e a unidade das mesmas
Eu adoro a Ti pelas Doze Perplexidades e pela Unidade das mesmas.

  1. Ó o que és Tu, Ó Deus meu Deus, Tu és a tempestade com sobrancelhas-de-neve que se volta para cima em nuvens de fogo? Ó Tu espada vermelha do trovão! Tu grande rio azul de Brilho sempre a fluir, sobre cujos seios deslizam os vasos das excepcionais estrelas da noite! Ó como poderei eu mergulhar em Tuas profundezas imperscrutáveis, e ainda com os olhos abertos me perder na espuma perolada de Teu Esquecimento?
  2. Ó o que és Tu, Ó Deus meu Deus, Tu eterna encarnação imortal do Único? Ó Tu soldador da vida e da morte! Tu cujos seios são como os seios fartos de uma mãe, ainda que em Tua mão Tu portes a espada da destruição! Ó como posso eu rachar o escudo de Teu poder como uma criança sapeca pode estourar uma bolha flutuante com a pena do peito de uma pomba?
  3. Ó o que és Tu, ó Deus, meu Deus, Tu poderoso trabalhador carregado com o pó da labuta? Ó Tu pequena formiga da terra! Tu grande monstro que enfurecestes os mares, e por seu vigor desgastastes a força dos penhascos! O como posso eu te atar a Ti em uma teia de aranha cantante, e ainda permanecer e não ser consumido diante da fúria de Tuas narinas?
  4. Ó o que és Tu, ó Deus, meu Deus, Tu língua bifurcada do trovão da garganta púrpura? Ó Tu prateada espada de relâmpagos! Tu que rasgastes o raio das nuvens da tempestade, como um feiticeiro despedaça o coração de uma criança negra! Ó como posso eu possuir a Ti como a cúpula dos céus, para que eu possa estabelecer a pedra angular de minha razão no arco de Tua testa?
  5. Ó o que és Tu, ó Deus, meu Deus, escamoso-âmbar cujos olhos estão postos em colunas? Ó Tu cego vidente de todas as coisas! Tu guerreiro sem lança que incitastes Teus cavalos e cegastes a outra margem das trevas com Tua Glória! Ó como posso eu compreender as rodas a girar de Teu esplendor, e ainda assim não ser ferido de morte pela fúria desenfreada de Tua carruagem?
  6. Ó o que és Tu, ó Deus, meu Deus, Tu canino vermelho que abocanhastes os membros azuis da noite? Ó Tu sopro de fogo devorador! Tu oceano ilimitado de ar irascível, no qual tudo é uno, uma pluma lançada na fornalha! Ó como posso eu ousar me aproximar e permanecer diante de Ti, pois eu sou apenas como uma folha seca rodopiando ao longe pela fúria da tempestade?
  7. Ó o que és Tu, ó Deus, meu Deus, Tu trabalhador todo-poderoso que liberta o descanso? Ó Tu Unicórnio das Estrelas! Tu língua de fogo flamejando acima do firmamento, como um lírio que floresce no deserto sombrio! O como posso eu arrancar-Te do leito escuro de Teu nascimento, e alegrar-se como um fauno embebido-de-vinho na casa de banquetes de Tua Senhoria?
  8. Ó o que és Tu, ó Deus, meu Deus, Tu fascinador da profunda obscuridade do dia? Ó Tu seio dourado de beleza! Tu teta enrugado das montanhas amaldiçoadas pela tempestade, que já não amamenta o menino-nuvem da noite penteada pelo vento! Ó como posso eu contemplar Teu semblante de velhice, e ainda assim não ser cego pela fúria negra de Tua Majestade destronada?
  9. Ó o que és Tu, ó Deus, meu Deus, Tu veneno seráfico da vingança da bruxa encantada? Ó Tu enrolado feitiço das estrelas! Tu único Senhor da vida triunfante sobre a morte, Tu vermelha rosa de amor pregada na cruz de luz dourada! Ó como posso eu morrer em Ti como a espuma do mar nas nuvens, e ainda possuir a Ti como uma frágil névoa branca possui membros desnudos do Sol?
  10. Ó o que és Tu, ó Deus, meu Deus, Tu suave pérola posta em um arco de luz refulgente? Ó Tu gota de orvalho brilhante! Tu ondulado rio de beleza estonteante que corre como uma seta azul de fogo além, além! Ó como posso eu avaliar os venenos de Teu alambique, e ainda assim ser para sempre transmutado no atanor de Teu entendimento?
  11. Ó o que és Tu, ó Deus, meu Deus, Tu despidor da escuridão do Abismo? Ó Tu encoberto olho da criação! Tu voz silenciosa que, para sempre incompreendida, rola através dos escuros abismos do infinito! Ó como posso eu aprender a cantar a música de Teu nome, como um trêmulo silêncio sobre a trovejante discórdia da tempestade?
  12. Ó o que és Tu, ó Deus, meu Deus, Tu fértil deserto da abundância de noite? Ó Tu rio de sede insaciada! Tu o sem língua que lambestes o pó da morte e o lançou fora como o rodante oceano da vida! Ó como posso eu possuir as tranquilas profundezas de Tua escuridão, e ainda em Teu abraço adormecer como uma criança em um caramanchão de lírios?
  13. Ó o que és Tu, ó Deus, meu Deus, Tu o envolto velado em um deslumbrante esplendor? Ó Tu descentrada espiral do Tempo! Tu abismo ilimitado da Justiça, os cílios de cujos olhos são como os chuvas de sóis derretidos! Ó como posso eu refletir a luz de Tua unidade, e derreter-me em Tua Glória como uma grinalda de nuvens de luas de calcedônia?

Amem, e Amem de Amen, e Amen de Amen de Amen, e Amen de Amen de Amen de Amen.



Traduzido por Frater V.I.T.R.I.O.L. e revisado por André Bassi.