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Uma Análise do Ritual Menor do Pentagrama

[Publicado originalmente na revista In The Continuum, Vol. 1 Nº 1. O texto original não possui título. Todos os escritos de Phyllis Seckler estão sob © do The International College of Thelema, e não podem ser reproduzidos sob qualquer forma sem permissão por escrito. Todos os direitos reservados. Por favor acesse http://intcot.org para mais informações.]

20 de março de 1973 e.v.

Cari Fratres et Sorores,

Faze o que tu queres deverá ser o todo da Lei.

Parece que ainda há alguns pontos a esclarecer sobre o Ritual de Banimento do Pentagrama. Deixe-me primeiramente aconselhá-lo a ler O Equinócio, Vol. I, no. 2, p 17 a 19 e 26. Este Ritual também aparece no Magia em Teoria e Prática de Crowley. Israel Regardie tem muitas coisas importantes a dizer sobre ele em O Pilar do Meio, Cap. 3, e em A Árvore da Vida, Cap. 10.

Farei citações do Magia em Teoria e Prática, p. 378 e 379 para vocês e as comentarei conforme eu prosseguir. Também adicionei instruções mais recentes de Crowley que não estão em nenhum destes livros. Estas adições o tornam em um ritual verdadeiramente Thelêmico, e assim, afirmam a autoridade do Livro da Lei.

3. A Vibração dos Nomes Divinos. Como mais uma maneira de identificar a consciência humana com essa porção pura que o homem invoca a partir do nome de algum Deus, que ele haja da seguinte maneira:

4. (a)  Com os braços abertos[1]. (Ver ilustração, em O Equinócio Nº 2, p. 13).

(b) Inspire profundamente pelas narinas, imaginando o nome do Deus entrando junto com o ar.

(c) Que o nome desça lentamente, passando pelos pulmões, o coração, o plexo solar, o umbigo, os órgãos reprodutores, até os pés.

(d) No momento em que o nome parece tocar os pés, rapidamente avance a perna esquerda uns trinta centímetros, inclinando o corpo para frente, e que as mãos, passando por trás dos olhos, sejam esticadas para frente, ficando na posição do Deus Hórus, ao mesmo tempo imaginando o Nome passando rapidamente pelo nariz junto com o ar que estava preso no pulmão. Tudo isso deve ser feito com a maior força possível.

(e) Então recue a perna esquerda e coloque o dedo indicador* direito sobre os lábios, ficando na posição característica do Deus Harpócrates.

5. Um sinal de que o estudante obteve sucesso, será o de sentir-se exausto ao emitir uma única “Vibração”. Isso deverá fazê-lo esquentar por todos os lados, ou suar violentamente, e isso deverá enfraquecê-lo tanto que achará difícil permanecer de pé.

6. Sinal de sucesso ocorrerá quando o estudante perceber que está ouvindo o nome do Deus rugindo em volta, como por virtude de dez milhões de trovões, parecendo como se essa Grande Voz viesse do Universo, e não de si mesmo.

Em ambas as práticas acima, toda consciência de qualquer coisa além da Forma e Nome Divinos, deve ser obliterada; e quanto mais tempo levar para as percepções normais voltarem, melhor.

O erro de muitos estudantes iniciantes é achar que estas instruções não se aplicam ao Ritual Menor do Pentagrama, mas eu vos asseguro de que os nomes de Deus IHVH, ADNI, AHIH e AGLA deveriam ser vibrados assim. A instrução em (e) é realizada no final do Ritual.

Vamos prosseguir com nossa exposição:

O Ritual Menor do Pentagrama

i. Tocando a testa, diga Ateh (A Ti)

ii. Tocando o peito diga Aiwass

(A referência a Aiwass liga você a Thelema e coloca este Deus na esfera de Tiphereth, que se refere ao Sol. Aiwass é como um símbolo de seu próprio Sagrado Anjo Guardião, que o guiou assim à Thelema, a Sabedoria e Lei da Nova Era. Malkuth, então, não é designada ao peito conforme praticado no Ritual de Banimento da Golden Dawn. Idealmente, nós deveríamos pensar em Malkuth como estando aos pés e Yesod, a Fundação, estando na região genital quando pensamos na Árvore da Vida em termos de corpo humano. A Yesod é atribuído o chakkra Mūlādhāra, onde repousa a Kundaliní. O gesto para Malkuth implica Yesod. O peito é o centro do chakkra Anāhata. Perceba que você está afirmando o pilar do meio da Árvore da Vida nesta seção. Eu cito a partir de Liber LXV, Liber Cordis Cincti Serpente, Cap. I, v. 9: “Sobe-se à Coroa pela lua e pelo Sol, e pela seta, e pelo Fundamento, e pelo escuro lar das estrelas, partindo da terra negra”.

iii. Tocando as Genitais diga Malkuth (O Reino)

iv. Tocando o ombro direito, diga ve-Geburah (e o Poder)

Isso corresponde à esfera de Geburah, Força, Marte na Árvore da Vida.

v. Tocando o ombro esquerdo, diga ve-Gedulah (e a Glória)

Isso corresponde à esfera de Chesed, Misericórdia, Júpiter na Árvore da Vida. Apontando para estas áreas nos ombros você afirma os pilares da Severidade – Geburah, e Misericórdia – Chesed na Árvore da Vida. Deixe-me enfatizar aqui que você é a Árvore da Vida e que você vê uma imagem espelhada dela na página impressa. Mas quando ela realmente se torna você, o lado direito é o pilar da Severidade. Imagine que você fica de costas na Árvore para ter os 2 lados em seus respectivos lugares. Você deveria imaginar uma cruz de luz brilhante formar-se sobre si quando você tiver completado esta parte do ritual. Eu poderia lembrá-lo aqui de que somos todos sofredores sobre a Cruz da Vida. A vinda e ida do Eu Espiritual é a barra vertical, e a barra horizontal representa o mundo material, ou a matéria-prima a partir da qual cada um de nós molda sua versão da Vida. O ponto onde as barras vertical e horizontal se encontram é a materialização real no Tempo e Espaço. Existe um grande simbolismo ligado à cruz. Eu o aconselharia a meditar sobre estes simbolismo e também a manter um caderno escrito com suas observações sobre a cruz.

vi. Junte as palmas das mãos e diga le-Olahm, Amen. (Para as Eras, Amém).

vii. Virando-se para o Leste, faça um pentagrama (o da Terra) com a arma adequada (geralmente a Baqueta). Diga (isto é,  vibre) IHVH. (Pronuncie Ye-ho-wau.)

Pentagrama de banimento da terra

A baqueta simboliza a Vontade e o fogo. Neste sentido é melhor do que a adaga, uma vez que esta representa o intelecto e o Ar. O elemento do Fogo, Symbol for fire – Shin, possui um significado oculto que o liga ao Espírito.

O pentagrama é traçado começando-se pelo canto atribuído à Terra – o inferior esquerdo – e continuando até ser completado. Dever-se-ia visualizá-lo incandescente com algum tipo de fogo. A prática é necessária até que isso possa ser feito. Delineá-lo em uma sala escura ajuda. Além disso, tenha certeza de que a ponta inferior esquerda termine exatamente no mesmo lugar em que começou.

viii. Virando-se para o Sul, o mesmo, mas diga ADNI. (Pronúncia: Adonai)

Trace um círculo de luz brilhante à mesma altura dos pentagramas conforme você vai de quadrante a quadrante. A baqueta não deveria ser abaixada. Deveria ser apontada ao centro do pentagrama conforme você vibra o nome de Deus. Também tente ver esse Nome em fogo brilhante no meio do seu pentagrama. Durante todo o processo de vibração conforme em (a) a (d) o pentagrama deveria continuar a brilhar. A ponta dos dedos devem parecer como se emitissem força elétrica que é lançada para frente com o Nome divino.

ix. Virando-se para o Oeste, o mesmo, mas diga AHIH (pronuncie Eheieh).

x. Virando-se para o Norte, o mesmo, mas diga AGLA.

Retorne a ponta da baqueta exatamente à mesma posição no espaço em que você começou o primeiro pentagrama. O círculo precisa ser fechado, completamente.

xi. Estendendo os braços na forma de uma cruz diga:

xii. À minha frente Raphael.

xiii. Atrás de mim Gabriel

xiv. À minha direita, Michael

xv. À minha esquerda, Auriel.

xvi. Pois ao meu redor flameja o Pentagrama

xvii. E na Coluna a Estrela de seis raios.

xviii e xxiii. Repita i a vi, a Cruz Cabalística.

Agora coloque o dedo (ou melhor ainda, o polegar) sobre os lábios. (Ver (e) acima). Este é o sinal do Silêncio de Hoor-pa-kraat, (Harpócrates, o Senhor do Silêncio, da Inocência, o Bebê no Ovo de Azul) e o gêmeo de Ra-Hoor-Khut.

É melhor vibrar todas as palavras. Neste caso as palavras são ditas como um canto com todas as sílabas acentuadas igualmente. Dever-se-ia sentir a vibração no corpo – principalmente subindo a coluna e para fora dos dedos das mãos e dos pés. Lembre-se de que o tipo de som apropriado é uma parte extremamente importante da Magia, ele possui um efeito definido sobre a atmosfera sutil ou plano astral ao seu redor. As palavras também deveriam ser ditas claramente, e não enroladas. Qualquer um que nunca ouviu este ritual deveria poder entendê-lo de primeira.

Conforme você diz os nomes dos Arcanjos você deveria vê-los elevar-se junto a você em luz brilhante. Também tente imaginar suas cores, tal como o amarelo e fosforescência lavanda para Raphael, e azul e fosforescência laranja para Gabriel, e vermelho com fosforescência verde para Michael, e para Auriel as cores da terra; citrina, oliva, castanho-avermelhado e preto. Conforme se tornar mais experiente com este ritual, você pode também querer imaginar seus outros atributos. Para isso, você terá que pegar cada letra do nome do Anjo e analisá-la de acordo com as linhas sugeridas por Crowley. O EL (ou AL) no final de cada nome anuncia que o Anjo é uma criatura de Deus. Sugere-se que após ter concluído as atribuições, que você gaste algum tempo durante as suas meditações imaginando a forma de cada Anjo a fim de que esta forma seja facilmente relembrada durante o Ritual. Para isso você precisará estudar cuidadosamente em Liber 777.

Além disso, cada correspondência do nome dos vários Deuses que usou deveria ser estudada cuidadosamente. Por exemplo, você descobrirá que AHIH é atribuído à Kether na Árvore da Vida; que IHVH percorre completamente a Árvore e é parte de sua estrutura, que ADNI representa seu próprio Sagrado Anjo Guardião até que você conheça Seu nome para seu próprio caso, e tem muitos outros significados maiores do que este. AGLA é um notariqon da sentença Ateh Gibor Le-olahm Adonai (Teu seja o Poder para as Eras, ó meu Senhor). Muito também pode ser descoberto pela enumeração cabalística destes nomes.

Adicionarei algumas “Notas sobre o Ritual do Pentagrama” de Crowley, que acredito não terem sido publicadas em nenhum lugar, mas tiveram circulação nas Lojas da O.T.O. Também posso adicionar que esta versão do Ritual Menor de Banimento é diferente daquela usada na Golden Dawn e por diversos autores. A razão para isso é que ele também era usado em várias Lojas da O.T.O. – e geralmente não era publicado. Estas “Notas” de A.C. seriam úteis em certos tipos de trabalho mágico, conforme pedem que você imagine que está na Árvore enquanto que no tipo comum de operação você precisa imaginar que você é a própria Árvore.

Além disso, neste Ritual do Pentagrama Thelêmico você também é o Hexagrama, conforme esta figura é delineada no centro da Árvore; portanto, “Na coluna a Estrela de seios raios”. A coluna se refere ao pilar central da Árvore da Vida e também àquela luz central do Suṣumnā. Ela então também se refere à força da Kundaliní. Mas você precisará de experiência avançada para obter esta ideia como parte de si mesmo.

Como começo de um entendimento do Hexagrama, eu fortemente recomendaria que você começasse com o Ritual Menor do Hexagrama, que você encontrará em Liber O de A.C. em Magick em Teoria e Prática e em outras de suas obras.

Em suma, em relação a um entendimento do símbolo do Hexagrama, deve lembrar-se de que ele é composto pelo símbolo do Fogo Symbol for fire e pelo símbolo da Água Symbol for water, e mostra a União destes dois elementos para constituir o seu ser. Symbol for fire é o Yod do Tetragrammaton e Symbol for water é o He. Sua união produz Vau, ar, e o He final, terra. Symbol for fireSymbol for waterSymbol for airSymbol for earth.

NOTAS SOBRE O RITUAL DO PENTAGRAMA

Suponha que você esteja na interseção dos caminhos de Samekh e Peh. Você está de frente para Tiphareth (o Sol), assim à sua direita está Netzach (Vênus), à sua esquerda Hod (Mercúrio), e atrás de você Yesod (Lua).

Você avança um passo com o calcanhar direito ao côncavo do pé esquerdo em direção a Tiphareth e vibra o Nome Divino conforme dado no ritual. Então você leva circularmente a ponta da Baqueta em direção a Netzach, então avança um passo novamente (sempre se recuperando após cada passo adiante, de modo que você permaneça no centro) e vibrando o Nome Divino como antes.

Continue o processo de frente para Yesod e vibrando; então Hod, e vibrando; mas leve a ponta da Baqueta girando para Tiphareth de modo a completar o círculo.

Conforme você vibra os Nomes Divinos dos anjos, conforme dado no ritual, eles aparecem, (veja bem que eles deveriam aparecer e se o ritual for realizado corretamente eles aparecem).

Assim você está em uma Coluna que é protegida pela sua invocação microcósmica. O resultado subsequente, sendo a resposta macrocósmica, é que sem esforço algum de sua parte o hexagrama ou estrela de seis pontas aparece tanto acima quanto abaixo de você. (Perceba o equilíbrio de 5=6).

Deste modo você está completamente isolado das partes externas e qliphóticas do universo.

Tenha bem em mente a realização desta Coluna com seus pentagramas e hexagramas que a cercam acima e abaixo de você. Prática contínua é necessária antes se você quiser realizar este ritual como deveria.

É particularmente importante não desdenhar nenhuma parte dele; visualizar claramente e de forma limpa as forças invocadas, com exceção dos Seres Divinos, que não aparecerão, no curso ordinário dos eventos, por tal pequena causa.

Você pode descobrir por si só as formas dos anjos, ou melhor, arcanjos. Por exemplo, Raphael, começando com um “R” terá uma cabeça de glória solar e o Pe que segue mostra que o restante dele é marcial. O “AL” que conclui o nome (no caso da maioria dos seres angélicos) indica que eles seguram a espada e a balança.

Provavelmente você pode ver que a compilação de um caderno é muito importante. Sob o nome de Raphael, por exemplo, você perceberá que este Arcanjo é atribuído ao Ar e ao Leste. (Você deveria estar de frente para o leste quando proclamar as seções xii a xvii). Você pode pensar em Rafael como todo tipo de ar, os ventos, ar calmo, os zéfiros sussurrantes e o furacão gritante, também os gases da química. Ele rege o Ruach, o centro do qual é Tiphareth. As armas mágicas correspondentes ao ar são a pequena adaga e o leque. Seu nome – רפאל – soma 311. Seu simbolismo é visto no Atu do Louco, Aleph, o BOI. Ele rege o Mundo Yetziratico ou Formativo; seu nome secreto é מה ME – que soma 45. O regente do Elemento Ar, אריאל Arial, o elemento alquímico é Symbol for mercury. Ele rege as cartas da Corte dos Príncipes que são da esfera de Tiphareth. Seu lugar no Pentagrama é a ponta superior esquerda, sua planta o álamo, o sentido do olfato é atribuído a ele, e assim por diante.

Assim você deveria acumular sob o nome de cada Arcanjo tudo que puder encontrar sobre ele em diversos de seus livros.

É muito conveniente manter um caderno deste modo sobre todas as correspondências conforme elas aparecem no 777 e noutros lugares., mas arranjar tudo de modo diferente. Por exemplo, poderia ter algumas páginas nas quais colocar tudo que se refere à Kether. Assim não haveria a necessidade de percorrer todas as páginas no 777 para encontrar todas as correspondências de Kether, nem teria que pegar livro após livro para descobrir o que mais é atribuído à esta esfera. Poderia anotar referências a Kether de O Livro de Thoth, O Coração do Mestre, Liber Ararita, Konx Om Pax, Liber LXV, e assim por diante. Aprende-se muito mais facilmente se esta escrita e compilação continuar. Isso tornaria mais fácil realizar a memorização que é tão necessária. Isso é muito diferente de apenas ler um livro e esquecer a maioria ou todo o seu conteúdo assim que ele seja posto de lado. O processo de fazer um caderno de anotações o envolve em uma situação de verdadeiro aprendizado. Além disso, lembre-se (e isso não pode ser enfatizado mais fortemente) de que é absolutamente necessário ter todas as correspondências principais de cada Esfera e Caminho da Árvore da Vida de cor antes de tentar práticas Mágicas ou de Ascenção nos Planos. Falhar nisto o expõe a situações muito perigosas.

Vocês perguntaram sobre os significados do número 93. Eu adicionei algumas correspondências numéricas que ajudam a elucidar seu significado.

Amor é a lei, amor sob vontade,

Fraternalmente,

Soror Meral

O Pentagrama

Algumas Atribuições

Correspondências do Pentagrama


[1] “Esta injunção não se aplica a deuses como Phthah ou Harpócrates cujas naturezas não estão de acordo com este gesto”.


Traduzido por Alan Willms. Revisado por Nayara Ariel.