A Carruagem

Imagine-se em uma estrada quando avista uma carruagem. Esta é puxada por quatro cavalos, mas cada um a puxa em uma direção. Ela se movimenta aos trancos e de maneira descontrolada, e as vezes parece que está prestes a se partir. Como esta carruagem, o ser humano muitas vezes parece uma contradição ambulante. “Minha mente deseja uma coisa, mas meu coração deseja outra”. Como é possível que a mesma pessoa tenha dentro de si conflitos tais que pareçam uma luta entra duas personalidades completamente distintas? O nosso contemporâneo médio, a não ser que seja extensivamente treinado, não possui harmonia entre as diversas partes de seu ser.

Várias escolas de pensamento tentam dividir e classificar esses vários “eu” que vivem dentro do mesmo indivíduo. O mais útil para o que pretendemos demonstrar nessa explanação em particular é aquele dos quatro elementos: Terra, Água, Ar e Fogo. Cada um desses elementos é símbolo para certas funções do ser:

  • Terra — Diz respeito aos seus instintos básicos, sua natureza animal e processos hormonais. É aquele seu lado que busca instintivamente sobreviver e reproduzir. Ele sente fome, dor, desejo sexual, o impulso de lutar ou fugir diante de uma ameaça, etc.
  • Água — Trata da parte emocional e sentimental do ser. É o que se apaixona, odeia, simpatiza, sente alta ou baixa estima, etc.
  • Ar — Diz respeito às funções cognitivas, lógicas e racionais do ser. É aquele seu lado que analisa, compara, classifica, calcula, estuda, etc.
  • Fogo — Trata sobre as aspirações mais elevadas, o impulso de perseguir o ideal. É aquele que deseja transcender sua humanidade, fazer parte de um objetivo maior, vivenciar a espiritualidade, etc.

Não raramente, essas partes do ser estão em desarmonia e buscam monopolizar o senso de “Eu” ao ponto de afetar a capacidade normal de trabalho do indivíduo. Quando você está ferido, o lado “Terra” entra em ação, e nada mais importa a não ser assegurar sua integridade física. “Eu sou aquele que está machucado”. Quando a emoção está exacerbada, é o lado “Água” que manda. Tolo é quem tenta contrapor com lógica e razão alguém que está apaixonado ou vivenciando angústia emocional. “Eu sou aquele que se emociona”. O mesmo acontece com qualquer outra parte do ser que por ocasião seja mais estimulada que as demais.

É essencial para aquele que deseja ser senhor de si mesmo entender que essas facetas de seu ser são instrumentos através dos quais ele pode experimentar diversos aspectos da verdade, e que esses instrumentos só são precisos cada um em sua área específica. É tolice tentar interagir no meio emocional através da lógica por exemplo.

Imagine que você é o presidente de uma empresa, porém não pode deixar o seu escritório. Você deve contar com quatro assessores para saber como vai a empresa. Um deles é extremamente lógico — se interessa por números e calculos. O segundo, é emocional — se interessa pelos sentimentos que permeiam a empresa e seu pessoal. O terceiro é extremamente materialista e se importa apenas com o que é palpável. O último é o idealista que se concentra apenas no que a empresa perfeita deveria ser. Se você dá mais ouvidos a um do que ao outro — ou pior ainda, ignora completamente um ou mais deles — sua visão da realidade da empresa será distorcida. Apenas dando a devida importância a cada um deles em seu devido ramo de atuação é que se conseguirá uma visão clara da realidade da empresa.

Há uma carruagem puxada por quatro cavalos. Se o cocheiro permitir que cada um desses siga uma direção diferente a carruagem pode se despedaçar, ou na melhor das hipóteses se movimentar de maneira desgovernada dependendo de qual cavalo puxar com mais vigor. Se o cocheiro desejar chegar a algum lugar ele precisa prendê-los na parelha e direcioná-los para que de maneira uniforme conduzam o cocheiro até seu objetivo.