A Noiva Solitária

“BEM AVENTURADA” entre as mulheres”, eles dizem: Eu permaneço
Aqui no mercado local,
E a multidão amontoa-se nesta terra solitária,
Nem ficam para notar a minha face.
Minha cabeça está inclinada para baixo com vergonha do meu pensamento;
Meus olhos se encolerizam com a desonra.
Ah, o mal que os homens forjaram!

Já fui a filha de um Rei,
No tempo de antigamente,
Chamaram-me de a Noiva da Água:
Eu fui ao mar por sua rima;
Fui às estrelas por sua canção da vida,
Pois naquele tempo eu estava em minha juventude.
Agora eu estou cheia de conflitos.

Todos os dias não tiro os olhos dos homens que passam,
E tudo que eu vejo eu desejo;
Há coletores-simples de grama fresca,
Há marinheiros bronzeados das ondas,
Há mercadores robustos com amplas mesas;
Há um jovem escravo muito leal;
Eles me chamam de A Noiva Solitária.

Eu era a maravilha dos homens o dia em que eu vim;
Eu era corada e dourada e pálida:
Meus olhos eram claros como uma chama ardente,
Em meus lábios estavam os contos não-contados,
E os homens, conforme passavam, encaravam forte e longamente,
E as mulheres olhavam com desprezo e desgraça.
Sim! Eu era bela e forte.

Como saberiam o que eu procurava?
Eu era rica e amável e jovem,
Não jovem como a chama que a primavera tinha moldado,
Mas como o fogo do verão brotado.
Ninguém se atrevia a falar, mas desejavam falar:
Sim! Muitos olhares lançaram.
Mas eu permanecia com uma face descorada.

E só os estranhos me escutam agora;
Eu sou apenas uma fria estátua.
Ah! se eles pudessem ver a dor em minha fronte,
Meu coração que está envelhecendo.
Eu não posso chamá-los ao meu lado,
Ou mover meus lábios para beijá-los.
Eu sou A Noiva Solitária.

Mas nenhum homem nunca ousou falar,
E com o coração ardente permaneço,
Até que eu sinta o sangue quente subir à minha face,
E um tremor sacudir a minha mão.
Se eles soubessem da minha necessidade, da minha necessidade,
Enquanto espero na terra árida do amor,
Comigo, comigo falariam.

Aqui no mercado passam,
Mercador e escravo e servo;
Os orvalhados coletores de ervas da grama,
O garçom de fora do salão.
Ah! a cansativa espera até que alguém fale,
Ó! então o feitiço cairá,
E encontrarei o que procuro.

Victor B. Neuburg.


Traduzido por Wagner Fernandes.

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