A Fórmula do Tetragrammaton

Este artigo é um capítulo de Liber ABA – Magick – O Livro Quatro

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Capítulo III
A Fórmula do Tetragrammaton1

Esta fórmula é de tipo extremamente universal, pois todas as coisas estão necessariamente compreendidas nela; mas seu emprego em uma cerimônia mágica é mal compreendido.

O clímax da fórmula está, em certo senso, antes mesmo da formulação do Yod. Pois o Yod é o aspecto mais divino da Força – as letras restantes são apenas uma solidificação da mesma coisa. Deve ser entendido que falamos da cerimônia inteira, compreendida como uma unidade; não meramente daquela fórmula em que o Yod é o Deus invocado, He o Arcanjo etc. A fim de compreendermos a cerimônia sob esta fórmula, devemos obter uma perspectiva mais extensa das funções das quatro armas do que fizemos até agora.

A fórmula do Yod é a formulação da primeira força criadora, aquele pai que é chamado “nascido de si mesmo”, e ao qual é dito: “Tu formulastes teu Pai, e fertilizastes tua Mãe”. A adição do He ao Yod é o casamento daquele Pai com a Grande Mãe que lhe é igual, que reflete Nuit como Ele reflete Hadit. Sua união engendra o filho Vau, que é o herdeiro. Finalmente a filha He é produzida. Ela é tanto a irmã gêmea quanto a filha de Vau2.

A missão dele é redimi-la tornando-a sua noiva; o resultado disso é colocá-la sobre o trono da mãe; e é apenas o jovem abraço desta filha que pode despertar novamente a velhice do Pai de Tudo. Nesta complexa relação familiar3 o curso inteiro do Universo está simbolizado. Será visto que (afinal de contas) o Clímax vem no fim. A segunda parte da fórmula é a que simboliza a Grande Obra que estamos jurados a executar. O primeiro passo para isso é a consecução do Conhecimento e Conversação do Sagrado Anjo Guardião, que constitui o Adepto da Ordem Interna.

A reentrada destes cônjuges gêmeos no útero da mãe é aquela iniciação descrita em Liber 418, que dá admissão à Ordem Suprema da A∴A∴. Do último passo não podemos falar.

Será agora percebido que planejar uma cerimônia de magia prática que corresponda ao Tetragrammaton neste elevado senso seria difícil, se não impossível. Em uma tal cerimônia, os Rituais de purificação, por si só, poderiam ocupar muitas encarnações.

Será necessário, portanto, voltar ao aspecto mais simples do Tetragrammaton, lembrando-nos apenas de que o He final é o Trono do Espírito, do Shin do Pentagrammaton.

O Yod representará uma energia criadora violenta e rápida; a seguir vem um fluir da vontade mais calmo e mais reflexivo, porém mais poderoso; a força irresistível de um grande rio. Este estado mental será seguido por uma expansão da consciência; ele penetrará todo o espaço, e isso finalmente passará por uma cristalização resplandecente com luz interna. Tais modificações da Vontade original podem ser observadas no curso das invocações quando estas são devidamente executadas.

Os perigos peculiares a cada estágio são óbvios – o primeiro estágio pode ser fogo de palha, pouco durando e logo se extinguindo, o segundo pode resultar em “sonhos acordados”; o perigo do terceiro é perda de concentração. Um erro em qualquer um destes estágios impedirá, ou prejudicará, a formação correta do quarto estágio.

Na expressão que usaremos no capítulo XV: “Inflama-te” etc., apenas o primeiro estágio é especificado; mas se este é devidamente executado, os outros o seguirão como que por necessidade. Aqui termina nossa explicação da fórmula do Tetragrammaton.


  1. ‎יהוה‎; Yod, He, Vau, He, o Nome Inefável (Jehovah) dos hebreus. As quatro letras são referentes, respectivamente, aos quatro “elementos”: Fogo, Água, Ar e Terra. ↩︎

  2. Existe ainda outro mistério aqui, muito mais profundo, e é reservado aos Iniciados. ↩︎

  3. A fórmula do Tetragrammaton, tal como ordinariamente compreendida, terminando com a aparição da filha, é na realidade uma degradação. ↩︎


Traduzido por Marcelo Ramos Motta (Frater Ever). Revisado por Frater ΑΥΜΓΝ.

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