

Capítulo XI
A Coroa ¶
A Coroa do Magista representa a Consecução de sua Obra. É uma tira de ouro puro, tendo na frente três pentagramas, e nas costas um hexagrama. O pentagrama central contém um diamante ou uma grande opala; os outros três símbolos contêm o Tau. Em volta desta Coroa está enrolada a áurea serpente Uraeus, com cabeça ereta e capelo inflado. Sob a Coroa está o gorro carmesim de suporte, que cai sobre os ombros.
Em vez dessa, a Coroa Ateph de Thoth é algumas vezes usada; pois Thoth é o Deus da Verdade, da Sabedoria, e o Instrutor de Magia. A Coroa Ateph tem dois chifres de carneiro selvagem, mostrando energia, domínio, a força que quebra obstáculos, o signo da primavera. Entre estes chifres está o disco do Sol; desse nasce um Lótus sustentado pelas plumas gêmeas da verdade, e três outros discos solares estão levantados, um na corola do Lótus, os outros sobre as plumas que se curvam.
Existe ainda outra Coroa, a Coroa de Amoun, o oculto, de quem os hebreus tiraram sua palavra sagrada “Amen”. Esta Coroa consiste simplesmente das plumas da verdade. Mas não é necessário entrarmos no simbolismo destas, pois tudo isto e mais está na Coroa que foi primeiro descrita.
O gorro carmesim implica ocultamento, e é também simbólico do dilúvio de glória que desce do altíssimo sobre o Magista. É de veludo para a maciez daquele beijo divino, e carmesim porque o que lhe dá vida é o vero sangue de Deus. A tira de ouro é o círculo eterno da perfeição. Os três pentagramas simbolizam o Pai, o Filho e o Espírito Santo, enquanto que o Hexagrama representa o Magista mesmo. Ordinariamente, pentagramas representam o microcosmo, hexagramas o macrocosmo; mas aqui o reverso é o caso, porque nesta Coroa de Perfeição aquilo que está embaixo se tornou aquilo que está em cima, e aquilo que está em cima se tornou aquilo que está embaixo. Se um diamante é usado, é para simbolizar a Luz que está antes de toda manifestação em forma; se uma opala, é para comemorar aquele sublime plano do Todo, dobrar-se e desdobrar-se em raptura eterna, manifestar-se como os Muitos para que os Muitos possam se tornar o Um Imanifesto. Mas este assunto é demasiado extenso para um tratado elementar sobre a Magia.
A Serpente que está enrolada em volta da Coroa significa muitas coisas; ou, antes, uma coisa de muitas maneiras diversas. É o símbolo da realeza e da iniciação, pois o Magista é ungido Rei e Sacerdote.
Ela também representa Hadit, de quem podemos aqui apenas citar estas palavras: “Eu sou a secreta Serpente enroscada a ponto de pular: em minhas roscas há alegria. Se Eu levanto minha cabeça, Eu e minha Nuit somos um. Se Eu abaixo minha cabeça, e ejaculo veneno, então há raptura da terra, e Eu e a terra somos um”.
A serpente é também a serpente Kundalini, a Força Mágica em si, o aspecto manifestado da Divindade do Magista, cujo aspecto imanifesto é paz e silêncio, para o que não existe símbolo.
No sistema hindu, a Grande Obra é representada dizendo-se que esta serpente, que normalmente está enrodilhada na base da espinha, levanta-se com seu capelo sobre a cabeça do Yogi, para ali se unir com o Senhor do Todo.
A serpente é também aquela que envenena. É a força que destrói o Universo manifestado. Isto é, também, a serpente de esmeralda que circunda o Universo. Este assunto deve ser estudado em Liber LXV, onde é incomparavelmente discutido. No capelo desta serpente há seis joias, três de cada lado: Rubi, Esmeralda e Safira, os três elementos santos tornados perfeitos, em equilíbrio dos dois lados.
Traduzido por Marcelo Ramos Motta (Frater Ever). Revisado por Frater ΑΥΜΓΝ.
