

Capítulo X
A Lâmpada ¶
Em Liber A vel Armorum, a instrução oficial da A∴A∴ para o preparo das armas elementais, está escrito que cada representação simbólica do Universo deve ser aprovada pelo Superior do Magista. A esta regra, a Lâmpada é uma exceção. Está escrito:
“… uma Lâmpada Mágica que queimará sem pavio ou óleo, sendo alimentada pelo Æthyr. Isto ele fará secretamente e à parte, sem pedir conselho ou aprovação ao seu Adeptus Minor.”
Esta Lâmpada é a luz da alma pura; ela não tem necessidade de combustível, ela é a Sarça Flamejante inconsumível que Moisés viu, a imagem do Altíssimo.
Esta Lâmpada está pendurada sobre o Altar, não é sustentada por algo abaixo dela; sua luz ilumina o Templo inteiro; no entanto, nenhuma sombra cai sobre ela, nenhum reflexo. Ela não pode ser tocada, não pode ser extinguida, não pode ser mudada de nenhuma forma; pois está completamente à parte de todas aquelas coisas que têm complexidade, que têm dimensão, que mudam e podem ser mudadas.
Quando os olhos do Magus são fixados sobre esta Lâmpada, nada mais existe.
Os Instrumentos jazem sem uso no Altar; somente aquela Luz queima para sempre.
A Divina Vontade que era a Baqueta não mais é; pois o caminho se tornou um com o Fito.
A Divina Compreensão que era a Taça não mais é; pois o sujeito e o Objeto da inteligência são um.
A Divina Razão que era a Espada não mais é; pois o complexo foi resolvido no Simples.
E a Divina Substância que era o Pantáculo não mais é; pois os muitos se tornaram o Um.
Eterna, ilimitada, não extensa, sem causa e sem efeito, a Santa Lâmpada misteriosamente brilha. Sem quantidade ou qualidade, incondicionada e sempiterna, é esta Luz.
Não é possível a qualquer pessoa aconselhar ou aprovar; pois esta Lâmpada não é feita pela mão humana; ela existe sozinha para sempre; não tem partes ou personalidades; é, antes do “Eu sou”. Poucos podem contemplá-la; no entanto, está sempre ali. Para ela não há aqui e nem ali, nem então nem agora; todas as partes da linguagem estão abolidas, a não ser o substantivo; e este substantivo não é encontrado quer na fala humana, quer na fala Divina. É a Palavra Perdida, cujo sétuplo eco IAO e AUM são a música moribunda. Sem esta Luz o Magista não poderia trabalhar; no entanto, poucos são os Magistas que souberam dela, e menos ainda Aqueles que contemplaram seu brilho!
O Templo e tudo nele deve ser repetidamente destruído antes que se torne digno de receber aquela Luz. Daí parecer tão frequentemente que o único conselho que qualquer instrutor pode dar a um discípulo é que destrua o Templo.
Tudo que você tem e tudo que você é são véus diante daquela Luz.
No entanto, num assunto tão importante, qualquer conselho é vão. Não existe nenhum mestre tão grande que possa apreender claramente o caráter inteiro de um discípulo. O que lhe foi de auxílio no passado pode ser no futuro um obstáculo para outro.
No entanto, desde que o Mestre está jurado a servir, ele pode assumir seu serviço nestas simples linhas: uma vez que todos os pensamentos são véus diante desta Luz, pode aconselhar a destruição de todos os pensamentos; e para este fim ele pode ensinar aquelas práticas que claramente conduzem a tal destruição.
Estas práticas felizmente foram agora escritas em linguagem clara e simples por ordem da A∴A∴.
Nestas instruções, a relatividade e limitação de cada prática é claramente exposta, e toda interpretação dogmática é cuidadosamente evitada. Cada prática é em si um demônio que deve ser destruído; mas, para destruí-lo, é primeiro necessário evocá-lo.
Vergonha caia sobre o Mestre que evita qualquer destas práticas, por mais desagradável ou inútil que ela seja para ele! Pois no conhecimento detalhado dela, que somente a experiência lhe outorgará, pode estar sua oportunidade de ser de crucial auxílio a algum discípulo. Por tediosa que seja a rotina, ela deve ser aturada. Se fosse possível nos arrependermos do que quer que fosse na vida, o que felizmente não é o caso, poderia ser das horas que desperdiçamos em práticas frutuosas, horas que poderiam ter sido mais lucrativamente empregadas em práticas estéreis; pois NEMO,1 ao cuidar do seu jardim, não busca distinguir a flor que será NEMO após ele. E não nos é dito que NEMO poderia ter usado outras coisas que não aquelas que ele usa; parece possível que, se ele não tivesse o ácido, ou a faca, ou o fogo, ou o óleo, ele poderia não ter com que cultivar precisamente aquela flor que deveria ser NEMO após ele!
NEMO é o Mestre do Templo, cuja tarefa é desenvolver o principiante. Veja-se Liber CDXVIII, Æthyr XIII. ↩︎
Traduzido por Marcelo Ramos Motta (Frater Ever). Revisado por Frater ΑΥΜΓΝ.
