

Capítulo XV
O Lâmen ¶

Exemplo de um desenho para o Lâmem
O peitoral ou Lâmem do Magista é um símbolo muito elaborado e muito importante. No sistema judaico lemos que o Alto Sacerdote deveria usar uma placa com doze pedras, para as doze tribos de Israel (com todas as suas correspondências); e nesta placa eram guardados o Urim e o Thummim.1
O moderno Lâmem, no entanto, é uma simples placa que (sendo usada sobre o coração) simboliza Tiphereth, e deveria, portanto, ser uma harmonia de todos os outros símbolos em um só. Ele se relaciona naturalmente por sua forma com o Círculo e o Pantáculo; mas não é suficiente repetir o desenho de qualquer dos dois.
O Lâmem do espírito que desejamos evocar é ao mesmo tempo colocado no triângulo e usado sobre o peito; mas no caso presente, desde que aquilo que desejamos evocar não é uma coisa parcial, mas sim inteira, nós teremos apenas um símbolo único para combinar o Círculo e o Pantáculo. A Grande Obra será, portanto, o assunto do desenho.2
Neste Lâmem o Magista deve colocar as chaves secretas do seu poder.
O Pantáculo é meramente o material a ser trabalhado, reunido e harmonizado, mas não ainda em operação, as partes da máquina arranjadas para uso, ou mesmo juntadas, mas não ainda postas em movimento. No Lâmem estas forças já estão trabalhando; mesmo a consecução está prefigurada.
No sistema de Abramelin, o Lâmem é uma placa de prata sobre a qual o Sagrado Anjo Guardião escreve com orvalho. Esta é outra forma de expressar a mesma coisa; pois é Ele quem confere os segredos daquele poder que deveria ser ali expressado. “São Paulo” diz a mesma coisa quando escreve que o peitoral é a fé, e pode arrostar os dardos flamejantes dos malvados. Esta “fé” não é cega autoconfiança e credulidade; é aquela autoconfiança que só vem quando o ego é esquecido.
É o “Conhecimento e Conversação do Sagrado Anjo Guardião” que confere esta fé. A tarefa de atingir este Conhecimento e Conversação é a única tarefa daquele que quereria ser chamado Adepto. Um método absoluto de conseguir isto é dado no Oitavo Æthyr (Liber CDXVIII, Equinox I (5)).
Os historiadores são incertos quanto ao que estes eram realmente, se bem que aparentemente eram métodos de divinação ↩︎
Alguns escritores chegaram a confundir o Lâmem com o Pantáculo, usualmente por falta de compreensão da natureza deste último. O Sigillum Dei Æmeth do Dr. Dee é um belo pantáculo, mas seria inútil como lâmem. Eliphas Levi tentou várias vezes desenhar uma coisa ou a outra, ele parece nunca ter estado certo de qual. Felizmente ele agora sabe mais. Os lâmens dados nas Chaves Menor e Maior de “Salomão” são bem melhores; mas nós não conhecemos nenhum exemplo perfeito. O desenho na capa de Star in the West representa um esforço de principiante de Fra. P. ↩︎
Traduzido por Marcelo Ramos Motta (Frater Ever). Revisado por Frater ΑΥΜΓΝ.
