

Capítulo XIII
O Livro ¶
O Livro de Encantamentos ou Conjurações é o Registro de todo pensamento, palavra e ato do Magista; pois tudo que ele quis, quis com um propósito. É o mesmo que se tivesse jurado executar alguma coisa.
Agora, esse Livro deve ser um Livro santo; não um livro de notas no qual você escreve tudo quanto é tolice que lhe vem à cabeça. Está escrito, Liber VII v 22, 29: “Todo alento, toda palavra, todo pensamento, todo ato é um gesto de amor Contigo… Seja esta devoção um encantamento possante para exorcizar os demônios dos Cinco!”.
Neste Livro deve então assim ser escrito. Em primeiro lugar, o Magista deve executar a prática dada em Liber CMXIII até que compreenda perfeitamente quem ele é, e a que seu desenvolvimento necessariamente tenderá. Isto para a primeira página do Livro.
Que ele tome cuidado de não escrever coisa alguma ali que seja desarmoniosa ou mentirosa. Nem pode ele evitar escrever, pois este é um Livro Mágico. Se você deixa mesmo por uma hora o propósito único de sua vida, você encontrará um número de arranhões sem significado e rabiscos no pergaminho branco; e estes não podem ser apagados. Em tal caso, quando você for conjurar um demônio pelo poder do Livro, ele zombará de você; ele apontará toda essa escritura tola, mais parecida com a dele que com a sua. Em vão você prosseguirá com os encantamentos subsequentes; você quebrou, por sua própria tolice, a cadeia que o teria aprisionado.
Mesmo a caligrafia do Livro deve ser firme, clara e bela; na nuvem de incenso é difícil ler as conjurações. Enquanto você tenta ver através da fumaça, o demônio desaparecerá, e você terá que escrever a terrível palavra “fracasso”.
E, no entanto, não existe página deste Livro na qual esta palavra não esteja escrita; mas enquanto ela é imediatamente seguida por uma nova afirmação, nem tudo está perdido; e assim como neste Livro a palavra “fracasso” é, desta maneira, tornada de pouca importância, assim também nunca deve a palavra “sucesso” ser empregada; pois é a última palavra que pode ser escrita ali, e é seguida por um ponto final.
Este ponto final jamais pode ser escrito em qualquer outro lugar; pois o escrever deste Livro continua eternamente; não existe maneira de fechar o registro até que a meta de tudo tenha sido alcançada. Que cada página deste Livro esteja cheia de canto – pois é um Livro de encantamento!
As páginas deste Livro são de pergaminho virgem, tirado do novilho que é engendrado em Isis-Hathor, a Grande Mãe, por Osiris-Ápis, o Redentor. É encadernado em couro azul no qual a palavra Thelema está escrita em ouro. Que a pena com a qual a escrita é feita seja a pena de um jovem cisne macho – o cisne cujo nome é Aum. E que a tinta seja feita da bílis de um peixe, o peixe Oannes.
Isto no que concerne ao Livro.
Traduzido por Marcelo Ramos Motta (Frater Ever). Revisado por Frater ΑΥΜΓΝ.
