

Capítulo XII
O Robe ¶
O Robe do Magista pode variar de acordo com o grau dele e a natureza do seu trabalho.
Há dois Robes principais, o branco e o preto; destes, o preto é mais importante que o branco, pois o branco não tem capuz. Estes Robes podem ser variados pela adição de vários símbolos, mas em qualquer caso a forma do Robe é um Tau.
O simbolismo geral que adotamos nos leva, no entanto, a preferir a descrição de um Robe que poucos ousam envergar. Este Robe é de uma rica seda de puro azul profundo, o azul da noite estrelada: está bordado com estrelas douradas, e com rosas e lírios. Em volta da fímbria, cauda na boca, está a grande serpente, enquanto sobre a frente, do pescoço à barra, cai a Flecha descrita na Visão do Quinto Æthyr. Este Robe está forrado com seda púrpura na qual está bordada uma serpente verde enrodilhada do pescoço à barra. O simbolismo deste Robe trata de altos mistérios que devem ser estudados em Liber CCXX e Liber CDXVIII; mas, tendo assim tratado de Robes especiais, consideremos agora o uso do Robe em geral.
O Robe é aquilo que oculta e que protege o Magista dos elementos; é o silêncio e segredo com os quais ele trabalha, seu ocultamento na vida secreta da Magia e Meditação. Isto é o “retiro no deserto” que encontramos na vida de todos os homens do mais elevado tipo de grandeza. E é também o retiro de nós mesmos da existência como tal.
Em outro senso, é a “Aura” do Magista, aquele ovo ou invólucro invisível que o rodeia. Esta “Aura” deve ser brilhante, elástica, impenetrável mesmo pela luz; isto é, por qualquer luz parcial que venha de uma direção apenas.
A única luz do Magista é a da Lâmpada pendurada acima de sua cabeça quando ele está de pé no centro do Círculo; e o Robe, sendo aberto no pescoço, não opõe obstáculo à passagem desta luz. Sendo aberto, e largamente aberto, embaixo, permite que aquela luz passe e ilumine aqueles que estão sentados na escuridão e na sombra da morte.
Traduzido por Marcelo Ramos Motta (Frater Ever). Revisado por Frater ΑΥΜΓΝ.
