Magia Negra e Feitiçaria em Ataques Astrais

Um capítulo de: Ataque e Defesa Astral

Sobre a influência de forças sutis na vida humana e os habitantes do Astral.

Magia Negra e Feitiçaria em Ataques Astrais

Antes de entrarmos no assunto deste capítulo seria conveniente definir os nossos termos. Já dissemos que existe um axioma em antropologia: o deus de uma tribo conquistada sempre se torna o diabo da tribo vencedora. Se não mantivermos este axioma firmemente em nossa memória, tenderemos a cometer os piores enganos em matéria do que é comumente chamado de “magia negra” e “feitiçaria”.

A concepção que os iniciados têm destas duas coisas é bem diversa das superstições dos profanos. Nós definimos como magia negra qualquer atividade mística ou mágica que contrarie a evolução da espécie humana; e definimos evolução como expansão e aprofundamento de nossa consciência cósmica.

Isto quer dizer que o uso de forças sutis para a produção de efeitos materiais é quase sempre magia negra. Se o “Jesus” evangélico tivesse existido, e tivesse realizado os “milagres” descritos nas falsificações romano-alexandrinas, ele teria sido o que iniciados chamam um “magista negro”.

Absolutamente não queremos dizer que tais “milagres” não sejam possíveis. Eles são realizados diariamente em muitas partes do mundo, principalmente por espíritas. Mas do ponto de vista iniciático são fenômenos indesejáveis. As forças dos planos sutis devem ser utilizadas para aumentar o nosso conhecimento e capacidade naqueles planos; não para nos restituir a saúde física, ou prolongar a nossa existência material, ou nos angariar a chamada “boa sorte” em termos de fama, “amor” e fortuna. Ao utilizar nossas forças dos planos mais elevados para “melhorar” as condições de nossa existência num plano de consciência mais grosseiro, estamos regredindo, e não progredindo: estamos descendo a escala evolutiva, em vez de subi-la.

Existe, é claro, uma harmonia e interação entre os planos: podemos utilizar nossa ampliação de consciência nos planos sutis para melhorar as condições de nossa existência neste e noutros planos de existÊncia mais grosseira; mas as forças utilizadas devem sempre ser aquelas de que dispomos no próprio plano em que desejamos causar mudanças, e os processos devem sempre seguir a linha natural e biológica da nossa estrutura psicossomática.

Quando um filho ou filha resolve deixar a religião católica romana, freqüentemente a família manda rezar missa pela alma desse filho ou filha. Isto é o que iniciados chamam de magia negra ou feitiçaria: é uma tentativa de utilizar forças psíquicas num ataque telepático contra uma consciência humana, a fim de forçá-la a adotar normas de conduta ou pensamento que não são as suas.

Este tipo de feitiçaria é comuníssimo, e ainda não ouvimos uma voz sequer erguer-se no Brasil para apontá-la como o crime que é.

Quando, por outro lado, um macumbeiro faz uma mandinga para que você obtenha o amor (?) de alguma pessoa, ou o favor de alguma autoridade, isto também é magia negra ou feitiçaria; mas do ponto de vista ético existe uma importantíssima diferença: o mandingueiro sabe, e admite, que está executando um enfeitiçamento, enquanto o padre (e a família) alegam que estão pedindo ajuda a “Deus” para trazer uma “ovelha desgarrada” de volta ao aprisco!

Há uma diferença muito grande entre a preparação de um talismã para – digamos – atrair o favor das mulheres, e a administração de um “filtro de amor” a uma mulher em especial!. No primeiro caso, produzimos uma concentração na energia astral que tenderá a atrair para nós mulheres que estejam dispostas a serem atraídas; não há invasão da privacidade anímica de tais mulheres. Mas no segundo caso trata-se de um envenenamento criminoso. O primeiro caso é magia elementar, de baixo nível, mas admissível. O segundo caso é magia negra.

Tentar impedir, ou subverter, a livre expressão da vontade espiritual de qualquer ser vivo é uma forma de magia negra. Diz o Livro da Lei: “tu não tens direito a não ser fazer a tua vontade. Faze aquilo, e nenhum outro dirá não”.

Sabe-se que faz parte da Tarefa do Adepto Maior da A.’.A.’. (ou o seu equivalente em outro sistema) conquistar o perfeito controle de seus poderes mágicos e utiliza-los. Mas o Adepto só os utiliza sob a orientação do seu Anjo, que está capacitado para mostrar-lhe onde a utilização de tais poderes serve à execução da Verdadeira Vontade do Adepto, e onde a utilização deles significaria interferência com a Verdadeira Vontade de outro ser vivo.

Há operações mágicas que parecem muito inocentes, e que o profano, ou até mesmo um Neófito da A.’.A.’., executa sem se perturbar; mas as quais um iniciado de grau mais alto se absteria de sequer considerar. “Mas sempre para me, “diz Nossa Senhora Nuit (O Livro da Lei, Capítulo I, v.51). Isto é: nosso progresso não deve interferir com o movimento universal. A ecologia tem que ser respeitada.

Quanto mais adiantado é um iniciado, mais indeciso ele parecerá no agir, mais tempo ele levará para chegar a uma conclusão. Não é ele um dos Guardiões do carma do Mundo? Você acha que ele precisa considerar apenas os apetites ou as aversões de você; mas, e aquele pé de grama ali no canto do seu jardim? Ou aquele elefante trombeteando do outro lado da terra? Eles também são fatores na equação do Mestre.

Como, então, consideraremos aquilo que o vulgo chama de “magia negra” e de “feitiçaria”? Simplesmente em termos daquele axioma de antropologia a que já nos referimos. As considerações históricas que faremos a seguir estão quase exclusivamente circunscritas à “magia negra” e à “feitiçaria” assim como são definidas por culturas onde o cristianismo predomina; mas considerações análogas poderiam ser feitas quanto a outras religiões e outras culturas. O processo é sempre o mesmo.

Desde que a humanidade começou a se organizar em tribos, dois tipos diversos de culturas têm existido: os agricultores, adoradores do Sol, e os caçadores, adoradores da Lua. Os agricultores plantam, ou criam gado; os caçadores vivem dentro do processo ecológico natural, limitando-se a modifica-lo apenas para se alimentar ou se vestir.

Muitos antropólogos são de opinião que as tribos caçadoras representam a mais antiga forma de associação humana, e que a agricultura é uma invenção relativamente moderna de nossa espécie. Seja como for, a história da Europa está ligada à conquista das tribos caçadoras e nomádicas pelas tribos agricultoras que emigraram da Ásia para o ocidente; ou, em outras palavras, ao triunfo dos adoradores do Sol sobre os adoradores da Lua.

As tribos européias e das ilhas britânicas que adoravam a Lua usavam os cornos lunares como símbolos de chefia ou de nobreza; estiam-se de peles de animais, eram menores em estatura que os adoradores do Sol, e desconheciam o ferro. Viviam nas florestas ou nas montanhas. Os gregos chamavam-nos de faunos, ou romanos de sátiros, os anglo-saxões, chamavam-nos de “anõezinhos” ou de “povo das fadas”.

A religião dessa gente consistia na adoração da Lua em seus três aspectos: Jovem (ou Virgem), Mãe, e Avó. Sua forma de governo era matriarcal, e sacerdotisas administravam sua religião. Não praticavam sacrifícios humanos, mas praticavam liberdade sexual, chegando mesmo a convidar estranhos a partilhar do leito familiar como um gesto de homenagem ou cortesia. Celebravam rituais orgiásticos na época dos equinócios e dos solstícios. A homossexualidade (tanto feminina quanto masculina) fazia parte dos seus ritos. O parceiro da Grã-Sacerdotiza também usava os cornos lunares sobre a testa como um diadema, e pro isto era popularmente chamado de “Chifrudo”, ou “Cornudo”.

Com a chegada das tribos agricultoras, as quais começaram a invadir a Europa em grandes levas há aproximadamente três mil anos, o conflito entre a cultura dos adoradores da Luz e dos adoradores do Sol tornou-se inevitável. Os agricultores destruíam as florestas para plantar; tendiam ao patriarcado, e consideravam as mulheres como propriedade dos homens; sacrificavam representantes humanos de deus tribal durante os Ritos da Primavera, para assegurar abundantes colheitas ou crias; um sucessor era imediatamente nomeado, e por isto dizia-se que o Deus encarnado, ou vigário, morria e ressuscitava todo ano, exatamente como o Sol “fazia” todo dia.

O contato entre as duas culturas, por hostil que fosse, causou necessariamente uma assimilação de traços mútuos. O patriarcado começou a ser praticado entre os caçadores, e o matriarcado entre os agricultores; lendas explicando o conflito entre os dois tipos de sociedades foram incorporadas em seus ritos religiosos. Eventualmente, um certo nível de coexistência foi alcançado. A multiplicidade de deuses entre as tribos européias na época dos gregos e romanos simplesmente indica a tolerância mútua praticada entre essas diversas culturas. O intercâmbio entre as classes sacerdotais levou à formação de um panteão de deuses, os quais estavam associados com um dos “sete planetas sagrados”: Sol, Lua, Marte, Mercúrio, Júpiter, Vênus e Saturno. Não importava qual o deus, ou deusa, adorado localmente; se a divindade pudesse ser atribuída a um dos “sete planetas”, os seguidores se reconheciam entre si, e confraternizavam, a despeito das aparentes diferenças entre seus cultos respectivos.

O advento do cristianismo mudou tudo isto. Os cristãos herdaram dos judeus todos os vícios do dogma israelita sem nenhuma das virtudes. Os cristãos eram patriarcais, “monoteístas” e intolerantes com outras fés, que nem os judeus, mas não trouxeram nem a cabala hebraica, nem a concepção altamente refinada que os judeus tinham de Jeová e sua relação com seus profetas, ou vates. Em conseqüência, a história da “catequização” das tribos européias pelos cristãos (embora tenha sido adulterada, censurada e até inventada pelos patriarcas romano-alexandrinos) é uma lameira de sangue e um amontoado de infâmias. (1)

As perseguições e as matanças religiosas perduraram através dos séculos: há cento e cinqüenta anos atrás, os “meigos” cristãos ainda estavam queimando vivos os poucos remanescentes da religião do “Chifrudo” em quem podiam botar as mãos. Que não se tratava na realidade de um “Chifrudo”, e sim de uma “Chifruda”, é apenas um aspecto da incompreensão e do exagero dos padres inquisitores, infeccionados pela histeria, os recalques e as deformações morais de uma religião malsã.

Os leitores devem compreender que existiam, e existem ainda, diversos ritos religiosos relacionados com a Tradição Mãe, a Lua. Seguidores desses ritos, escondendo-se nos locais mais remotos, ou jurando entre si o máximo segredo, preservaram as suas tradições apesar de todas as calúnias, e os desatinos a que eram submetidos quando os cristãos conseguiam botar as mãos neles. Ou nelas.

As feiticeiras e feiticeiros eram curandeiros, gente ciente dos poderes curativos de plantas e minerais. A maior parte das descobertas científicas da Renascença teve origem no conhecimento perpetuado por essa gente tão temida e tão misteriosa. Sabemos que Paracelso, por exemplo, considerado por muitos como o pai da medicina moderna, declarou francamente por escrito que aprendera mais das curandeiras dos campos do que nas escolas de medicina das diversas universidades européias.

Aliás, Paracelso morreu envenenado após ter escrito diversas obras denunciando o charlatanismo e a cobiça de seus colegas.

Compreenda-se que legítimos feiticeiros e feiticeiras nunca adoraram “Satanás”, o qual era uma invenção da teologia cristã. Mas não importa que nome dessem à sua divindade: para os padres, ela era sempre uma forma assumida pelo “Príncipe das Trevas”. Esta tendência intolerante perdura até hoje no catolicismo romano e no cristianismo em geral; mas é cuidadosamente disfarçada em público.

Joana d’Arc foi realmente uma feiticeira, isto é, pertencia ao culto proscrito, assim como Giles de Retz (o qual, aliás, ocupou o cargo de “Chifrudo” em sua comarca). Joana foi queimada viva, e reabilitada depois de morta como “santa” – os mortos não falam! Quanto a Giles de Retz, o famigerado “Barba Azul”, foi acusado de sacrificar várias centenas de criancinhas indefesas nas masmorras de seu castelo. Seus juízes foram padres e nobres que ambicionavam suas terras, e após sua morte suas propriedades e fortuna forma distribuídas entre esses “juízes”. Nenhum esqueleto de criança foi exibido durante o processo: a evidência contra Giles de Retz partiu de dois empregados que ele despedira por desonestidade, e limitou-se ao testemunho deles.

Estes dois casos são mencionados por se tratar de pessoas muito conhecidas. Mas centenas de milhares de casos semelhantes se repetiram durante séculos.

É verdade que dos autos dos processos contra os feiticeiros consta a confissão, feita por esses mesmos feiticeiros, das maiores enormidades. Os autos não mencionam, entretanto, que tais confissões eram arrancadas através de pavorosas torturas: as vítimas eram torturadas até responderem um “Sim”; os “Nãos” eram encarados apenas como relutância da parte dos infames hereges em confessarem os seus “pecados” contra “Jesus Cristo”.

Caso os leitores ainda não tenham percebido bem o mecanismo dos processos, daremos um exemplo concreto.

Cenário: sala de torturas.

Inquisitor (confortavelmente sentado num camarote com seus colegas e um escriba): - Mulher, confessas que beijaste o ânus de um bode preto na noite tal do mês tal, e que esse bode era Satanás disfarçado, e que no dia seguinte beijaste Fulana de Tal na face, e como conseqüência ela morreu de varíola no verão?

Prisioneira (tendo a carne dos seios aos poucos arrancada com pinças de ferro em brasa): - Não!

Inquisitor: - O poder de Satanás ainda impede a boca dessa pobre infeliz. Continuai a tortura até que confesse.

Eventualmente, a prisioneira berrava um “Sim”, ou gemia um protesto tão indistinto que o inquisitor podia interpretar sua resposta como afirmativa.

Inquisitor: - Louvado seja o poder de Nosso Senhor Jesus Cristo! Escriba, registre nos autos que a prisioneira confessa que beijou o ânus de um bode preto na noite tal, etc. etc.

Que oportunidade para desabafar uma ferocidade recalcada ou uma imaginação mórbida estimulada por uma sexualidade reprimida! É de espantar qualquer pessoa com a mínima noção de psicologia que o sado-masoquismo fosse uma constante na equação do cristianismo?

A leitura dos processos contra os feiticeiros, ou dos gordos tratados sobre feitiçaria escritos pelos inquisidores (2), dá uma idéia dos abismos de perversidade de que é capaz o ser humano; mas para uma mente sadia, a perversidade está nos juízes, e não nas vítimas.

Não queremos dizer, absolutamente, que não houvesse casos esporádicos de legítimo abuso de conhecimento ocultos por parte dos “feiticeiros”; mas a espantosa crueldade dos inquisidores ultrapassa mesmo os piores crimes que suas infelizes vítimas possam ter praticado.

Quanto aos muitos “feiticeiros” que eram , realmente, adoradores do Satanás teológico, tratava-se, é claro, de doentes mentais. Que método era usado para a sua cura!

Estabeleçamos, portanto, que quando falarmos em “feitiçaria” ou “magia negra” neste capítulo estaremos nos referindo a tipos de prática mágica ou mística que iniciados consideram prejudiciais à evolução da nossa espécie, e não a “satanismo” ou “feitiçaria” tais como são definidos por qualquer ramificação do cristianismo. De fato, como já mencionamos, o caso de missas rezadas pela alma de pessoas que não concordam com os nossos preconceitos cai dentro de nossa classificação de práticas prejudiciais.

Trataremos do “satanismo”, e de outros aspectos ainda mais daninhos do cristianismo, no capítulo sobre as correntes mortas. Observaremos aqui apenas que o “satanismo” não deixava de ser uma revolta contra os aspectos restritivos e autistas da teologia e prática cristãs; e como tal, era um passo em direção ao ar livre, embora formulado em termos da própria crença doentia que se desejava abandonar.

Tendo definido os nossos termos, podemos declarar que está claro que feitiçaria e magia negra são praticados diariamente em todas as partes do mundo. Quando, por exemplo, na União Soviética um dissidente é colocado num hospital psiquiátrico para “tratamento”, essa pessoa está sendo vítima de um ataque mágico, o qual é tanto pior quanto maior é a sua eficiência. Drogas deformadoras da personalidade são combinadas com sugestão e hipnose no “tratamento” desses infelizes. É de espantar que muitos deles reapareçam, alguns meses ou anos depois, para declarar publicamente que são adeptos pelo Partido Comunista Soviético?

Torna-se muito mais surpreendente que alguns resistam durante anos, e continuem afirmando que há algo errado no sistema mesmo após décadas como internos em tais hospitais!

Talvez o leitor estranhe darmos um tal exemplo aqui. Que tem o caso dessas pessoas a ver com “feitiçaria” ou “magia negra”? Mas, simplesmente, queremos enfatizar que a definição iniciática da feitiçaria e magia negra inclui casos como esses. O processo, além do mais, não é exclusividade dos soviéticos: é regularmente utilizado nos assim-chamados “países livres” há mais de meio século. Não só pessoas ricas são declaradas insanas, e internadas, enquanto seus parentes “administram” suas posses, como também letrados ou cientistas que ofendem os padrões vigentes são constantemente colocados em asilos. Três exemplos recentes num dos países mais progressistas do mundo, os Estados Unidos da América, foram o escritor Ezra Pound, o psicólogo Wilhelm Reich, e (há pouco tempo) o Professor Timothy Leary.

Ezra Pound foi posto num manicômio por ter se declarado a favor dos fascistas na Segunda Grande Guerra. Era um dos maiores poetas americanos, e foi libertados faz alguns anos. Se alguém entre nossos leitores acha que Pound não merece a nossa simpatia porque era um fascista, este leitor corre bastante perigo de simpatizar com a posição dos inquisidores medievais: a de que o fato de estarmos “certos”, e os outros “errados”, nos dá o direito de restringir-lhes a liberdade, ou de tentar mudar a opinião deles através de métodos punitivos. Esta, aliás, é uma posição que os fascistas aprovariam calorosamente!...

A diferença entre os pelourinhos da Inquisição e a lavagem cerebral dos modernos hospitais “psiquiátricos” políticos (sejam de esquerda ou de direita) é uma diferença de grau, e não de espécie. A opressão não é menos intolerável porque deixa de torturar o corpo para se concentrar no espírito.

Wilhelm Reich foi posto num manicômio por insistir que deve ser permitido às crianças, desde a mais tenra idade, observar a atividade sexual dos adultos. O choque de ser internado desequilibrou-lhe a mente, reconhecida internacionalmente como brilhante, e morreu doente (o que não era antes de ser internado). O professor Timothy Leary foi posto num manicômio por defender o uso do LSD, e ensinar gratuitamente a sua fabricação caseira. Recentemente foi libertado, e tem feito conferências contra o uso de psicodélicos, programadas por autoridades governamentais...

Esses homens são apenas alguns entre muitos. Do ponto de vista iniciático, “feitiçaria” e “magia negra” são apenas casos especiais de Restrição – que é o único Pecado admitido por verdadeiros sábios.

Se conseguimos tornar bem claro este ponto, poderemos agora tratar daqueles casos especiais de restrição da vontade alheia em que os meios de restrição utilizados funcionam através dos planos sutis e de faculdades menos conhecidas entre as que compõem a estrutura psicossomática do ser humano.

Para enfeitiçar, é necessário possuir um laço mágico com a pessoa que tencionamos influenciar. Este laço mágico deve ser algo que exista, pelo menos em parte, como substância material (pois estamos tentando usar forças sutis para produzir ume feito sobre o plano físico), e que esteja magneticamente sintonizado com a vítima: um objeto de seu uso constante, ou impregnado por uma das secreções naturais do seu organismo: lágrimas, suor, sangue, sêmen, secreções vaginais. Também servem mechas de cabelo, aparas de unhas, e até fezes. Entretanto, o sangue menstrual (ao contrário do que dizem alguns autores menos avisados) não pode ser utilizado, porque não contém traços pessoais. Em parlança mística, está “livre de carma”. Pode servir de alimento mágico, mas não formará automaticamente um elo com a mulher que o emitiu. É sabido que o sangue menstrual é tão estéril quanto água destilada. Por motivos análogos, o sangue ou o sêmen (ou as secreções vaginais, se for o caso) de iniciados acima de um certo grau também são estéreis magicamente. Se estas substâncias forem utilizadas como laços mágicos para feiticeiros, o feitiço recairá inevitavelmente sobre o feiticeiro.

Estando de posse de seu laço, o feiticeiro (ou feiticeira) procura criar uma corrente astral utilizando-o como foco. Em teoria, a afinidade da gama vibratória do laço com a pessoa que se deseja atingir fará com que a corrente astral se transmita em direção a essa pessoa, e a golpeie.

Este é a teoria. Na prática, muitos obstáculos podem se apresentar. Primeiro, a capacidade do feiticeiro de produzir uma corrente suficientemente forte; segundo, as circunstâncias magnéticas em volta da proposta vítima; terceiro, a constituição psicossomática da mesma.

Se o feiticeiro não tiver desenvolvimento mágico, será incapaz de produzir uma corrente suficientemente forte para se irradia em direção à vítima.

Se a vítima estiver geograficamente longe do feiticeiro, ou do outro lado do oceano, ou numa ilha, ou rodeada de pessoas saudáveis que a estimam, novamente será extremamente difícil (na maioria dos casos até mesmo impossível) que ela seja alcançada pela corrente. (Certas exceções a esta regra serão mencionadas no capítulo sobre as correntes mortas).

Se a suposta vítima for o que se costuma chamar um “espírito forte”, isto é, uma pessoa de saúde robusta, temperamento alegre, e pouca imaginação, será extremamente difícil que seus veículos sutis possam ser impressionados por uma corrente hostil emitida por uma só pessoa, não importa quão habilidosa seja esta pessoa.

Infelizmente, na maioria dos casos em que ataques mágicos deste tipo ocorrem, a vítima também está interessada em magia ou ocultismo, e tenderá a possuir uma imaginação ativa e um temperamento sensível. Em tais casos, ela poderá se tornar vulnerável à influência do enfeitiçamento.

Há várias maneiras recomendadas por ocultistas para neutralizar o feitiço. A primeira, naturalmente, é destruir o laço mágico. Mas freqüentemente isto não é possível, por se ignorar o seu paradeiro. Outras aqui seguem:

1. Se a corrente hostil é mais intensa à noite, coloque pontas afiadas de aço no quarto da vítima. Elas agem como pára-raios, dissipando a corrente. (Papus, isto é, Dr. Gérald Encausse, que representou a O.T.O. na França, aconselhava que em casos extremos a pessoa dormisse com uma coroa de ferro com pontas na cabeça. Pessoalmente, duvidamos que qualquer pessoa pudesse dormir confortavelmente em tais condições).

2. Coloque um pires contendo algum ácido de evaporação rápida, como o nítrico por exemplo, puro ou diluído, no quarto do paciente. A evaporação do ácido provoca uma reação atmosférica em que a condutividade eletromagnética aumenta a tal ponto que a concentração de forças no plano etérico se torna extremamente difícil.

3. convença o paciente a morar numa ilha, ou a dormir numa casa construída sobre uma corrente de água subterrânea. (Mesmo uma rede de esgotos serve para este fim).

4. Sele astralmente a residência do paciente, e como precaução adicional faça-o dormir rodeado por um círculo mágico. Não é difícil formar um círculo mágico no Astral: basta, por exemplo, traçar com um gesto um círculo em volta da cama do paciente, e imaginar que uma barreira de fogo se ergue à medida que nossa mão se move, projetada por nós. O próprio paciente pode fazer isto, lembrando-se, porém, de que ao nascer ou ao pôr do sol a força se dissipará; e também de que, se ele deixar o leito por algum motivo durante a noite, será necessário refazer o círculo em volta deste quando regressar.

Em casos extremos, pode ser necessário manter a vítima sob a guarda de um iniciado, ou até mesmo identificar o atacante astralmente e anular o seu esforço.

Como os veículos sutis do paciente estão sob ataque, será necessário compensar a necessidade fisiológica de certas substâncias que são gastas em maior quantidade por um organismo submetido a tensões nervosas, desgaste emocional, ou perturbação mental. Entre estas, as vitaminas do complexo B são as mais importantes, principalmente o ácido nicotínico, o qual deverá preferivelmente ser absorvido sob a forma de nicotinamida, em doses maciças de até mesmo três gramas ao dia. (Tais doses são desaconselháveis a não ser sob irritações gástricas). Também a vitamina C deverá ser tomada, digamos três gramas ao dia; mas em doses máximas de 500mg a cada quatro horas, pois mais do que isto de cada vez não é absorvido pelo organismo.

A alimentação deverá ser leve, mas altamente nutritiva; e é conveniente que a vítima se mantenha ocupada com seus afazeres normais, mas que evite magia, misticismo, e principalmente espiritismo, enquanto durar o ataque.

Caso um receio de morrer se apresente, a pessoa deverá ser encorajada a cultivar um esporte que envolva um certo perigo físico; pois não há nada melhor para combater um perigo imaginário do que o desenvolvimento da coragem em nosso caráter.

A fase da lua deve ser levada em consideração: correntes astrais são mais facilmente formadas durante o crescente, e à medida que a lua cheia se aproxima a intensidade delas aumenta. Com a lua nova, a energia se dissipa, e o feiticeiro tem que “recarregar” sua corrente para voltar ao ataque. Ora, mesmo o mais poderoso dos feiticeiros acabará por desistir se você resistir ao seu ataque durante três luas novas seguidas: ele terá que passar pelo menos um período equivalente se recuperando antes de tentar novamente.

Além da simples formação de uma corrente astral, o feiticeiro pode trabalhar sobre sua vítima de formas mais diretas: ele pode enviar um elemental artificial para efetuar o ataque, ou um elemental legítimo sobre o qual conseguiu obter domínio, ou um demônio, ou mesmo o seu próprio corpo astral.

Como já dissemos, o envio de um elemental artificial envolve um certo risco para a pessoa do feiticeiro: se o elemental artificial for identificado e absorvido pela vítima ou por um iniciado, a força do feiticeiro ficará bastante diminuída, e a corrente hostil repercutirá sobre ele.

Um elemental legítimo deverá ser encarado como um simples instrumento: ele raramente possui capacidade moral para perceber que está cometendo um ato reprovável. São elementais, em via de regra, que produzem os fenômenos associados com movimento de objetos, estalidos, que da de água e outros líquidos, odores desagradáveis, incêndios espontâneos. Elementais podem ser afugentados pela queima de perfumes que lhes são indesejáveis, isto é, que pertençam à força elemental “contrária”.

Uma neófita da A.’.A.’. em certa ocasião convenceu uma amiga a se desligar de um centro espírita. Pouco depois, pequenos incêndios inexplicáveis começaram a ocorrer na residência da neófita. A princípio ela pensou que se tratava de defeitos na instalação elétrica, ou descuidos de seus filhos ao brincarem com fósforos; mas a repetição dos incidentes levou-a à conclusão de que uma salamandra era responsável. A neófita recorreu ao seu superior imediato, que a aconselhou a queimar diariamente benjoim, rosa, ou mirra, ou uma mistura dos três em partes iguais, na direção dos quatro pontos cardeais em cada aposento, logo após o nascer e o pôr do sol. A neófita fez isto até a fase seguinte da lua. Os incêndios pararam e nunca mais se repetiram.

Há raízes que são repugnantes aos elementais mais grosseiros de qualquer elemento: as mais fáceis de conseguir são o alho e a cebola. Pendurar alho cortado nos aposentos, deixa-lo ali durante um dia e uma noite, e queima-lo no dia seguinte, freqüentemente afugenta definitivamente elementais traquinas ou maliciosos. Gente do campo na Europa segue uma receita obtida dos antigos “feiticeiros” adoradores da Lua: quando estão para receber a visita de alguma pessoa que consideram ligada a influências suspeitas, colocam cebolas cortadas na sala de visitas ou em qualquer outro aposento da casa em que calculem que a pessoa suspeita entrará, e queimam essas cebolas no fogão da cozinha assim que o visitante se vai.

É bem provável que modernos desodorizadores de ambientes tenham um efeito semelhante em muitos casos; mas a evidência neste sentido ainda não é suficiente para que a incluamos aqui.

Se o atacante emprega demônios, a situação se torna um pouco mais séria, pois é evidente que ele possui conhecimentos ocultos; de outra forma não poderia influenciar tal tipo de entidade. Feiticeiros que usam demônios são magistas, e só podem ser combatidos por magistas. A utilização de uma entidade demoníaca na obtenção de ambições puramente pessoais é muito perigosa, pois a afinidade contraída com a entidade estimulará, no psicossoma do feiticeiro, o desenvolvimento exagerado de qualidades demoníacas.

Alguns magistas são extremamente imprudentes, diremos até irresponsáveis, em tais assuntos. Em certa ocasião, um indivíduo prestou um favor a certo dervixe, o qual, em sinal de agradecimento, colocou um dos seus “familiares” a serviço do benfeitor. A entidade era capaz de fazer objetos aparecerem ou desaparecerem, ou serem transportados invisivelmente através de uma curta distância; e o benfeitor, que era um homem de mentalidade bastante simples, se propôs fazer carreira como prestidigitador de esquina.

- Muito bem, mas tome cuidado – disse-lhe o dervixe, - pois ele (o demônio) tentará você a roubar.

Durante algum tempo o benfeitor do dervixe obteve grande sucesso realizando truques inexplicáveis de ilusionismo; mas eventualmente começou a subtrair o dinheiro de carteiras que fazia desaparecer durante o espetáculo, e acabou sendo colocado na cadeia. O demônio voltou para o dervixe.

Não podemos acusar o dervixe dos roubos cometidos pelo “prestidigitador” sob a influência da entidade; mas achamos que ele deveria ter ponderado ser pouco provável que uma mentalidade simples como a do seu benfeitor pudesse resistir à influência insidiosa da entidade, e deveria ter evitado colocar os dois em contato. Consideramos até que esta imprudência da parte do dervixe indica que ele estava mais influenciado pela companhia dos espíritos sob seu comando do que é desejável para qualquer magista equilibrado.

Muitos “milagres” podem ser executados através de demônios; tais milagres sempre têm um preço. Nenhuma pessoa que ainda não tenha alcançado o Conhecimento e a Conversação do Sagrado Anjo Guardião está em condições de lidar eficientemente com entidades demoníacas, e feiticeiros que utilizam tais entidades para atacar ou prejudicar seus semelhantes estão iniciando um tipo de conduta que pode levar à dissociação total entre a personalidade (ou Ente Mágico) e aquela Trindade Espiritual sem a qual nenhum tipo de entidade pode ser chamada humana.

Ora, o propósito da evolução de nossa raça é nos tornarmos deuses, não demônios; e o propósito dos demônios que prestam serviço a um ser humano é se tornarem, eles mesmos, parte de um microcosmo; eventualmente, alcançarem a ser microcosmos eles mesmos; não transformar as pessoas a quem servem em demônios!

É preciso que se perceba que os demônios não agem destrutivamente sobre a personalidade de feiticeiro por malícia deliberada. Um demônio é uma entidade que exerce um certo tipo de força, que vive numa certa gama vibratória. O contato com essa entidade sempre tende a produzir um excesso na natureza humana, na direção da força que ela emite.

As “penalidade” que pagamos para sermos microcosmos é que contemos em nós todas as tendências a que entidades demoníacas podem estar inclinadas; e se estas tendências são estimuladas por contato com os demônios além do ponto de equilíbrio, nós não mais controlamos os demônios; tornamo-nos como que demônios, nós mesmos.

Nisto está o mistério da perversidade humana. Os demônios não são culpados, porque eles não são perversos. A perversidade só é possível a uma entidade capaz de contrariar sua tendência natural de conduta. Só um microcosmo está em condições de ser perverso, pois só um microcosmo é uma entidade suficientemente complexa para ter, a qualquer momento, diversas alternativas de ação em seus planos de existência.

É preciso compreender que os demônios não são “maus”. Eles são simplesmente entidades com certas formas de manifestação. Quando crianças torturam animais ou insetos, e se deleitam neste tipo de ação, estão sob a influência de entidades demoníacas; mas as entidades demoníacas não encaram a tortura do animal ou do inseto como nós. Para elas, está havendo uma dissociação de energias, uma dispersão de forças até então coaguladas. Que estas forças se manifestam sob a forma de matéria viva organizada e (relativamente) consciente, é uma percepção do nosso plano de existência, não do plano de existência dos demônios.

Quando um caçador mata um animal para lhe comer a carne (e os verdadeiros caçadores têm respeito e até afeição pela caça!), ele está utilizando energias demoníacas em seu ato; mas o propósito deste ato está dentro dos limites ecológicos do universo. Os animais também matam para comer.

Quando um caçador mata um animal pelo simples prazer de causar dor a um ser vivo (e estes freqüentemente matam o animal aos poucos, intencionalmente), este caçador está permitindo que energias psicossomáticas suas, estimuladas pro entidades demoníacas, assumam uma importância excessiva em seus processos de vivência. Se ele deixar que tal prazer inecológico se desenvolva e aumente, ele corre o perigo de se tornar eventualmente um sádico e um assassino. Mesmo que isto não ocorra, ele influenciará telepaticamente os seus semelhantes na direção do desregramento dos seus apetites.

As assim chamadas “tentações dos santos” estão relacionadas com este problema da perversidade. Em determinadas fases do desenvolvimento iniciático, seja qual for o sistema que praticamos, nós nos atunamos forçosamente com influências nos planos sutis que existem naquela mesma onda de energia na qual, na ocasião, estamos atuando. Ora, ao avançarmos até um certo ponto, percebemos que o “bem” e o “mal” só existem para microcosmos: a todo e cada momento, é necessário que decidamos, por nossa própria conta e risco, que ato nosso será “mau” e que ato nosso será “bom”. Esta percepção de que “bem” e “mal” são relativos derruba sobre nós o peso inteiro de nossa conduta. As mais ínfimas coisas nos perturbam, porque estamos sob o embate de forças que poderão se desequilibrar fatalmente ao nosso mínimo descuido. Chegamos a ter medo de agir – e este é o pior medo que podemos ter. Estas fases em nosso desenvolvimento psíquico são análogas a acessos de loucura, e podem acabar am alienação mental se não conseguirmos manter auto-controle. Nem deve ser pensado que só podemos nos tornar alienados na direção do “Mal”. Podemos nos desequilibrar tanto por excesso de nossos “vícios” quanto por excesso de nossas “virtudes”. As misérias presentes da humanidade não resultam de obsessão demoníaca, e sim de mil anos de excessiva dedicação ao lado “angélico” de nossas personalidades.

Torquemada, que foi um monstro muito pior que Nero (se é que Nero foi um monstro!), era obcecado por “anjos”, e não por “demônios”.

O primeiro passo em direção à sabedoria consiste numa franca e objetiva avaliação da relatividade de todos os nossos valores. A hipocrisia é o pior inimigo da iniciação. Podemos esperar mais de um feiticeiro que desavergonhadamente admite a sua maldade, e se vangloria dela, do que de um “cristão” que justifica sua crueldade e mesquinhez em termos da necessidade do dogma (seja este protestante ou católico romano), isto é, de uma definição absoluta e fixa de “bem” e “mal”...

Que Messias poderá dar visão a um cego que não quer ver?

Para combater um ataque efetuado por um feiticeiro através de um demônio é preciso, pois, controlar o mínimo acesso de cólera, a mínima tentação de conduta inecológica, o mínimo arroubo de ciúme ou inveja, e a mínima manifestação de medo – inclusive o medo de termos medo! Por outro lado, é necessário controlar a nossa vaidade, o nosso orgulho de nossas “virtudes”, o nosso senso de “superioridade” moral sobre o demônio ou o feiticeiro. Em suma, é essencial buscarmos o equilíbrio psicossomático em todas as direções – por que nós, como microcosmos, existimos em todas as direções.

Está escrito em um dos Livros Santos de Télema:

“33. Eu vos revelo um grande mistério. Vós estais de pé entre o abismo da altura e o abismo da profundeza.

“34. Em cada um espera-vos um Companheiro ou Companheira; e aquele Companheiro ou Companheira é Vós Mesmos.

“35. Vós não podeis ter outro Companheiro ou Companheira.

“36. Muitos têm-se erguido, sendo sábios. Eles têm dito: ‘Procura a Brilhante Imagem no lugar sempre dourado, e une-te com Aquilo’.

“37. Muitos têm-se erguido, sendo loucos. Eles têm dito: ‘Desce ao mundo de escuridão esplêndida e une-te àquela Criatura Cega da Lama Viscosa’.

“38. Eu, que estou além da Sabedoria e da Loucura, ergo-me e vos digo: Realizai ambas essas bodas! Uni-vos a ambos Companheiros!

“39. Cuidado, cuidado, digo Eu, não procureis um deles para perder o outro!

“40. Meus adeptos estão retamente erguidos; suas cabeças acima dos céus, seus pés abaixo dos infernos”. (3)

Sob o ataque de entidades demoníacas é necessário que a vítima mantenha absoluto controle de si mesma. Isto é devido ao fato de que um demônio só pode agir sobre nós através de nossas afinidades anímicas com ele. Não é tão difícil manter auto controle: o importante é não negligenciar os pequenos detalhes. Como diz Lao-Tse, se fizermos as grandes coisas enquanto elas são fáceis e pequeninas, eventualmente estaremos fazendo coisas difíceis e importantes sem necessidade de exercermos ume esforço extraordinário para tal fim. E se negligenciarmos pequenas irregularidades de conduta, pelo simples fato de que são pequenas, eventualmente poderemos nos perceber cometendo enormes falhas de conduta, que nos exigirão um imenso esforço para que as possamos neutralizar.

Se temos um módico de auto-controle, podemos identificar quais tendências em nós são exacerbadas durante um ataque, e manter uma rédea firme sobre elas. È possível, inclusive (e tem acontecido) que nosso auto-domínio desperte a admiração e o respeito do demônio a tal ponto que este se prontifique a nos servir. Isto é tanto mais possível porquanto o demônio, via de regra, despreza o feiticeiro que o enviou: para executar um ataque mágico através de um demônio é necessário que o feiticeiro se atune de tal modo com a influência demoníaca que ele se torna um demônio, ele mesmo. Demônios mais desenvolvidos sentem instintivamente que o feiticeiro decai de sua dignidade humana para se tornar um fantoche das influências que eles representam. (Mas entidades demoníacas muito baixas não serão suficientemente perceptivas para fazer tal escolha).

Por estranho que pareça, ataques perpetrados através de entidades demoníacas podem ser um meio precioso de auto-aperfeiçoamento para a vítima, se esta conseguir manter domínio de si mesma. As influências demoníacas limparão as faculdades sutis do atacado de todos os excessos, impurezas e resíduos. Sendo forças dispersivas, elas só deixam permanecer aquelas energias cuja coesão não conseguem destruir. Em alquimia, o simbolismo deste tipo de operação é dado no aforisma: “É preciso ter ouro para se fazer mais ouro”. O ouro em estado bruto, combinado com outros metais, era obtido em estado puro através do processo de coloca-lo numa solução de vitríolo (ácido sulfúrico). Os metais mais “baixos” eram dissolvidos pelo ácido, e só o ouro permanecia.

A alquimia sempre existiu em diversos planos simultaneamente. No plano material, o vitríolo era simplesmente ácido sulfúrico; mas em outro plano simbolizava essa energia demoníaca de dissolução através da qual todas as escórias eram removidas, deixando apenas o puro espírito, simbolizado pelo ouro. A palavra vitríolo, em si, é um “notariqon”, isto é, as letras são as iniciais de outras palavras, as quais em seu conjunto formam uma frase latina com significado místico que pode ser traduzida em português por: “Visita as profundezas da terra; assim obterás a pedra oculta”: Nisto está (também) o simbolismo da “descida do Cristo aos infernos”, sem a qual a “redenção” é impossível.

Existia apenas uma solução capaz de dissolver o ouro, e esta era por isto chamada de “aqua regia”, ou água soberana. Esta “água” simbolizava aquela água negra e insidiosa, o Mar Amargo, o Mar Morto, o Oceano de Binah; também, as Águas do Esquecimento em que a alma dos mortos se banhava nos Mistérios de Eleusis. Quimicamente, a “água régia” era uma mistura de uma parte de ácido nítrico com três a quatro partes de ácido clorídrico.

Em qualquer contato com demônios é preciso manter uma atitude calma e firme. É necessário não insultarmos essas criaturas, a despeito de todas as provocações que elas nos farão a fim de perturbar nosso auto-controle: elas têm tanto direito à existência quanto nós. O que elas não tem direito de fazer é nos restringir na execução de nossa Verdadeira Vontade, e neste ponto nós podemos interpela-las com todo vigor. Mas não devemos jamais nos encolerizar com elas ou teme-las. Também não devemos discutir com elas. Silêncio, concentração e economia de gestos e palavras, quando estes são necessários: esta é a maneira de lidar com demônios.

Não devemos jamais esquecer que essas criaturas fazem parte da ecologia universal. Comemos carne de boi. Isto faz parte da economia da natureza sobre a terra. Mas seremos muito estúpidos e egocêntricos se julgarmos que o touro e a vaca “foram criados” apenas para nos prover com bifes! Toda espécie viva luta pelo seu autoaperfeiçoamento. Sem dúvida, a ingestão de carne bovina introduz certas vibrações de ordem mais pesada em nossa psique. Mas isto nos permite viver e atuar em ambientes onde o vegetarianismo só conduziria à intolerância ou à impotência. Por outro lado, a nossa ingestão de carne bovina provÊ um elo magnético entre uma espécie mais evoluída (a nossa) e uma menos evoluída, o que introduz nossa gama vibratória na atmosfera psíquica da espécie cuja carne ingerimos. Esta interação beneficia a evolução da espécie de que nos alimentamos.

É por este motivo (entre outros) que pessoas vegetarianas por “motivos morais”, e não apenas por necessidade dietéticas, são tolas e egoístas.

Devemos frisar novamente, para terminar, que os demônios não atacam um ser humano deliberadamente. Em caso de ataque, algum interesse de outro plano estará incitando as entidades utilizadas. Às vezes a influência atrás dos demônios não é maligna; alguns Mestres utilizam as falanges demoníacas para testar seus discípulos ou auxilia-los (sem que eles saibam!...) na purificação dos seus veículos. Quando se trata de um ataque de um feiticeiro, se o demônio utilizado cair sob o controle da pessoa atacada, a destruição anímica do feiticeiro é inevitável. Para executar um ataque mágico através de um demônio é necessário que o atacante se atune por tal forma com a influência demoníaca que ele se torna um demônio, ele mesmo.

Podemos falar agora dos feiticeiros que utilizam seu próprio corpo astral em ataques mágicos. Como já observamos anteriormente, eles correm um risco bastante grande; conseqüentemente, poucos feiticeiros ousam fazer isto a não ser que tenham um corpo astral bastante desenvolvido. Isto não só é possível, como alguns feiticeiros são muito fortes astralmente, principalmente no plano etérico ou prânico. Poderes mágicos não são uma garantia de elevação moral ou progresso espiritual da parte daqueles que os possuem e os usam. Muitos seres humanos de baixa evolução podem executar feitos assombrosos no astral.

Milagres – autênticos ou falsos – nunca provam coisa alguma. A principal utilidade dos milagres descritos nos “evangelhos” falsificados pelos romanoalexandrinos (por exemplo) consistia em desviar a atenção dos leitores da banalidade filosófica ou superficialidade ética da “mensagem” do “Cristo”.

Há apenas uma vantagem (mas esta é considerável) na utilização de nosso próprio corpo astral em um ataque: uma entidade humana, sendo um microcosmo, não pode ser impedida de penetrar num círculo de selos e defesas que normalmente o manteriam inexpugnável contra entidades de qualquer outro tipo. (Isto, aliás, se aplica a qualquer entidade que atingiu a dignidade de microcosmo, não apenas à espécie humana).

Mesmo esta vantagem, entretanto, apresenta certos riscos. Em 1964 e.v., quando as forças sinistras da reação católico-romana estavam em um auge, nós executávamos um ritual de banição quando sentimos a entrada em nossa aura do corpo astral de um padre romano que, ousando, mas ao mesmo tempo assustado por sua própria temeridade, pronunciou estas palavras: “Jesus! Maria!” enquanto buscava incorporar seu corpo astral ao nosso. No plano em que ele estava fazendo isto, a operação provavelmente lhe parecia muito fácil, desde que o nosso corpo astral não só estava pouco desenvolvido, como também tinha sido profundamente ferido por um anterior ataque mágico por parte de um padre (que pode ter sido ele mesmo, ou outro; não chegamos a identificar-lhe a forma física, apenas a vibração astral).

Embora nos sentíssemos ligeiramente ofendidos pelo receio do nosso visitante em entrar em contato conosco, e bastante insultados pela invocação de forças ilusórias em nossa aura, o nosso grau nos exigia dar plena liberdade a essa consciência para – por assim dizer – “estar em sua casa”, e entrar ou sair como lhe aprouvesse. Mesmo que, num plano mais baixo, tivéssemos desejado expulsa-lo de nossa aura, não nos teria sido possível: astralmente ele era mais forte do que nós, e comparado com a solidez do seu corpo astral o nosso era como névoa em volta de uma rocha.

Mas, como bem disse Fernando Pessoa em seu Ultimatum, profetizando sobre a Nova Era, o super-homem será, não o mais forte, mas o mais completo. Alguns dias após sua invasão de nosso círculo esse padre, que havia publicado um livro sobre a “Eterna Aliança” prometida por “Jesus” a seus “discípulos”, estava em uma livraria assinando autógrafos quando foi acometido por um ataque cardíaco e caiu morto.

Não levantáramos um dedo contra esse indivíduo. Sua morte adveio de sua percepção íntima, após contato conosco, de que sua existência inteira estivera baseada em falsidade e erro. O anahatta é o centro coordenador das energias psíquicas abaixo do Abismo.

(1) Para maiores detalhes quanto a este assunto, que foge dos limites deste livro, leia-se Carta a um Maçom. Pedidos diretamente à O.T.O.

(2) Vários desses tratados foram recentemente traduzidos do latim e publicados por um padre jesuíta como estudos “sérios” e evidências da necessidade de usar os mesmos métodos para combater o “satanismo” no mundo moderno!

(3) Líber Tzaddi vel Hamvs Hermeticvs, que será publicado como apêndice a Livro Quatro Parte III.

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