Ocultismo e Política

Um capítulo de: Ataque e Defesa Astral

Sobre a influência de forças sutis na vida humana e os habitantes do Astral.

Ocultismo e Política

Invariavelmente, organizações pseudo-esotéricas (principalmente as múltiplas “ordens rosacruzes” e “templárias” que infestam o mundo moderno, cada qual se declarando a única legítima representante da corrente original!) em sua propaganda para com o público, declaram que não têm finalidades religiosas ou políticas. Tais declarações seriam idiotas se fossem sinceras.

É evidente que qualquer sistema de pensamento ou de conduta que seja apresentado como válido à sociedade tenderá a angariar seguidores; e é evidente que quanto mais seguidores tiver, mais influência terá sobre a sociedade em que se manifesta. Esta influência (também evidentemente) só poderá ser medida em termos políticos.

Em todas as épocas e em todos os países, as novas correntes de pensamento têm sido examinadas com suspeita pelos governos, os quais, naturalmente, representam o pensamento da “ordem estabelecida”; e frequentemente inovadores têm sido encarcerados, perseguidos, boicotados, ou até assassinados, quando a “ordem estabelecida” chega à conclusão de que essas novas correntes ameaçam a sua hegemonia.

A “ordem estabelecida” é aquela das correntes de pensamento populares ou “oficiais” no país em que a nova corrente se manifesta; e as pessoas em cujas mãos está o poder político ou financeiro (1) sempre se preocupam com o aparecimento de alguma nova corrente, que representa um perigo potencial para a sua hegemonia.

Diferenciar religião de política é tarefa para os sofistas; é óbvio que a religião vigente numa determinada cultura moldará as leis dessa cultura; conseqüentemente controlará, mesmo que dos bastidores, as manifestações de ordem política e social da cultura em que impera.

Portanto, as afirmativas de organizações pseudo-esotéricas de que não têm finalidade religiosa ou política devem ser interpretadas apenas como um mecanismo de defesa. Através dos tempos, os sistemas de inteligência das mais diversas nações têm vigiado atentamente o desenvolvimento de quaisquer movimentos religiosos; e frequentemente têm intervindo em tais movimentos.

Sócrates (por exemplo) foi condenado a beber cicuta porque os aristocratas atenienses temiam a grande influência que ele estava adquirindo sobre os jovens de boa família da cidade-estado. Mas a execução de Sócrates foi seguida em poucos anos pela derrota total de Atenas às mãos de Esparta, o que indica (“sucesso é tua prova”) que os nobres atenienses cometeram um grande erro ao eliminarem o grande iniciado que aquele filósofo foi.

O governo de Constantino procurou aliança com as igrejas romanoalexandrinas porque pressentiu que o cristianismo estava superando a antiga religião. Tendo estabelecido a sua aliança com o imperador, os romano-alexandrinos usaram o poder temporal assim adquirido para destruírem todas as seitas cristãs legítimas e independentes; e dentro de uma década apenas começaram as invasões dos bárbaros, que eventualmente demoliram por completo o poderia político dos Césares. O fracasso também prova alguma coisa!

A aliança que a igreja romano-alexandrina, mas tarde dividida em católicoromana e ortodoxa, (2) sempre formou com os dirigentes de países europeus, invariavelmente provou ser destrutiva para o poder político, e benéfica (relativamente, claro!) para o poder religioso. Como diz o Mestre THERION:

“Através do crescimento de nações em comunidades organizadas veio pouco a pouco uma certa segurança coletiva contra os perigos mais grosseiros que assaltam qualquer sociedade, de forma que uns poucos homens puderam eventualmente se abster do trabalho braçal para cultivar a sabedoria. NO princípio, isto foi feito através da seleção de uma Casta Sacerdotal. Daí proveio a aliança de Rei e Padre – Força e Esperteza se auxiliando mutuamente através da divisão do trabalho. Aos poucos, meu Filho, essa estrutura social primitiva dos homens, através de um processo análogo àquele da diferenciação do protoplasma em biologia, tornou cada Estado competente para investigar e controlar o meio-ambiente natural em que existia. Todo lucro deste tipo liberou mais energia, e ampliou a Classe dos Sábios, até que, como é hoje em dia, apenas uma pequena proporção do trabalho comum de prover abrigo, comida, e proteção a todos. Como resultado, vês também muitas Mulheres liberadas para viverem como querem, para admiração e deleite do Sábio cujos olhos riem ao contemplar exceções. Assim, o dever de cada unidade para com o todo é gradualmente diminuído, e também a necessidade de nos conformarmos com essas leis mais estreitas que preservavam as tribos primitivas em sua luta contra o meio-ambiente. Hoje em dia, pois, o Estado necessita suprimir apenas aquelas heresias que ameaçam diretamente a sua estabilidade política; apenas as condutas pessoais que provocam prejuízo evidente e legalmente comprovável a outras pessoas , ou que causaram desordem geral na comunidade por seu escândalo. Portanto, a não ser que assim eles interfiram com as Leis Estruturais do Bem Estar Comum, os seres humanos têm liberdade para se desenvolverem como quiserem, de acordo com suas Verdadeiras Vontades”. (3)

Até aí, tudo bem; mas suponhamos que uma “heresia” seja, na realidade, uma inovação social necessária? Ainda quanto a isto diz o Mestre:

“Saibas que qualquer mente pode perceber apenas as coisas com as quais já está familiarizada, pelo menos em parte. Além disto, interpretará qualquer mensagem sempre em termos da distorção intrínseca em sua própria estrutura. Assim numa grande guerra, tudo que é dito por der interpretado como uma referência ao conflito; também, uma pessoa culpada de algum crime, ou um paranóico, pode ver em qualquer estranho um policial disfarçado, ou algum da sua legião de inimigos ocultos (conforme o caso). Pondera, além do mais, que aquilo que é misterioso é sempre terrível para as mentes vulgares. Que acontece, então, quando uma Palavra Nova é pronunciada? Ou não é ouvida, ou é mal compreendia; e ela evoca Medo, e Ódio, que é uma reação contra aquele Medo. Então, os homens pegam o inovador, e levam-no para crucifica-lo; e no terceiro dia ele se ergue de entre os mortos, e sobe aos céus, e senta-se à mão direita de Deus, e vem julgar os mortos e os vivos. Esta, meu Filho, é a história de todo homem a quem é dada a Palavra”.

O sucesso final de um Mago é inevitável, porque a Palavra que ele pronuncia representa a Vontade Inconsciente da humanidade inteira (outrossim, ele não seria um Mago); mas no decorrer das peripécias necessárias ao seu estabelecimento,a pessoa humana do Mago pode sofrer, e até morrer.

Como diz o Livro da Lei, Capítulo I, verso 53: “Também, ó escriba e profeta, se bem que tu és dos príncipes, isto não te redimirá nem te absolverá”.

Ou, nas palavras do Mestre THERION: “Então tu vês como os homens tomam o filho da Ciência, e o queimam, chamando-o de feiticeiro ou de herege; tomam o poeta, e o expulsam como um réprobo; o pintor, e acusam-no de deformar a natureza; o músico, e acusam-no de negar a harmonia; e assim com toda outra palavra nova. Quanto mais então se a Palavra for de importância universal, uma Palavra de Revolução, e de Revelação no mais profundo santuário da Alma? Uma nova estrela: isto é para os astrônomos, e talvez os ponha em reboliço. Mas um novo Sol! Isto seria para todos os homens, e uma semente de tumulto e levante em todas as Nações”.

Quando grande filósofo inglês Bertrand Russell esteve nos Estados Unidos, a hierarquia católica romana naquele país ergueu-se em peso contra ele, e finalmente conseguiu que seu contrato com a Universidade de Nova Iorque fosse cancelado porque Russell era um “imoral”. (4) Até o regresso do filósofo ao seu país natal, a imprensa marrom americana, especialmente a financiada por organizações jesuíticas, foi unânime em calúnias e anedotas desmoralizadoras (em sua maioria falsas ou deturpadas) contra ele. (5)

A perseguição concentrada que a hierarquia romana armou contra Wilhelm Reich enquanto este clinicava nos Estados Unidos resultou, eventualmente, no abalo mental do grande psicólogo, que terminou seus dias num asilo de loucos.

Crowley foi expulso de Cefalú, na Sicília (onde a primeira Abadia de Télema no mundo fora estabelecida), devido a representações sigilosas feitas pelo Vaticano perante o governo de Mussolini; assim que a ordem oficial de deportação foi entregue, a imprensa marrom do mundo inteiro foi unânime em imprimir absurdos e calúnias exatamente do mesmo tipo que, décadas mais tarde, foram impressos contra Russell.

Leitores mais ingênuos podem perguntar como funciona o mecanismo pelo qual este tipo de manobra é executado pela Igreja de Roma. É relativamente simples. As diversas organizações religiosas da Igreja Romana têm publicações especializadas, que frequentemente circulam apenas em latin (como aquela a que já nos referimos e que deu uma descrição tão falsa e caluniosa das circunstâncias da morte do Mestre THERION). Centenas de milhares de membros do clero romano em diversos países se familiarizam com este tipo de “informação” (a qual aceitam com fé tanto mais cega quanto é impossível ser católico romano sem ter renunciado á razão e ao bom senso). Ora, em todo país onde o Vaticano funciona há sempre uma certa quantidade de leigos mais estreitamente ligados ao clero católico, quer por motivos de fé religiosa, quer por laços financeiros. (6) Estas pessoas são informadas, ou antes, desinformadas, através dessas publicações especializadas, cujos “fatos” elas acatam, quer por boa fé, quer por interesse econômico; e passam a usar sua influência política ou financeira para infernizar a vida dos caluniados.

Talvez um exemplo concreto, tirado de nossa própria experiência, esclareça o processo. Em 1960 e.v., quando vivíamos nos Estados Unidos da América, a polícia americana local veio bater à nossa porta; segundo ela, havia recebido uma carta anônima que nos acusava de homossexualidade, vício de drogas, sedução e aliciação de menores para fins de tráfico de entorpecentes.

(Note-se a total analogia com as acusações feitas contra Crowley após a morte deste, na publicação católica romana em latim a que já nos referimos, e um trecho da qual traduzimos).

Normalmente, a polícia americana não age ao receber uma carta anônima; mas, sendo telemitas, já estávamos sendo vítimas da atenção do F.B.I.. Poucos anos antes, um caso típico ocorrera em Nova Iorque com nosso Instrutor. O sr. Germer fora colocado num campo de concentração pelos nazistas, mas a entrada dos Aliados na Alemanha possibilitou a sua libertação, e ele viera para os Estados Unidos, juntar-se à sua esposa judia. Em Nova Iorque, dedicara-se à correspondência com seus discípulos e à coordenação do movimento telêmico em diversos países, enquanto a Sra. Germer trabalhava como professora particular de piano para sustentar a ambos. Agentes do F.B.I. foram enviados à residência de todos os alunos dela, para “fazer um inquérito” sobre a sua pessoa. (7) Como conseqüência, ela perdeu a maioria dos alunos, e assim a maior parte da sua modesta renda mensal; ela e o Sr. Germer foram forçados a se mudarem para uma cidade do interior, onde sua correspondência continuou a ser examinada, e a sua vida pessoal devassada.

No nosso caso, a polícia local tomou uma precaução adicional para nos comprometer: um sargento de detetives trouxe um cigarro de maconha e “encontrou-o” (8) debaixo de um móvel no quarto que alugávamos. Fomos detidos durante quarenta e oito horas enquanto especialistas examinavam nosso quarto e nossa roupa, na esperança, talvez, de encontrar algumas toneladas de heroína, cocaína, LSD, etc. Infelizmente para ela, nada encontrou, e no fim das quarenta e oito horas fomos postos em liberdade. Mas, entrementes, a finalidade principal da manobra fora conseguida: fôramos fichados criminalmente num presídio ao qual fôramos conduzidos. (9) Tínhamos agora um registro criminal nos Estados Unidos, embora não tivéssemos sequer sido processados, quanto mais condenados, por nenhum crime.

Ao sermos libertados, escrevemos ao Sr. Germer imediatamente, informando-o do acontecimento. Ele nos respondeu explicando que a finalidade da operação toda tinha sido nos desacreditar e obter algum tipo de registro criminal contra a nossa pessoa; mas como pouco depois regressamos ao Brasil, passado o primeiro choque, esquecemos essa experiência.

Nossa volta ao Brasil, entretanto, não nos aliviou em coisa alguma, pois onde quer que fôssemos trabalhar as pessoas eram informadas da nossa homossexualidade, (10) do nosso vício em drogas, e do nosso mórbido interesse por aquele “infame mago negro”, Aleister Crowley. Ex-colegas nossos do Colégio Militar foram enviados para nos sondar; nossa correspondência era vasculhada e, mais de uma vez, foi roubada (entre outras coisas, uma Carta Patente da O.T.O., que nos fora enviada pelo Sr. Germer, jamais nos chegou às mãos); e a nossa pessoa era sempre tratada com suspeita, desdém, e até inimizade aberta.

Deve-se observar, a bem da verdade, que a nossa atitude não tendia a produzir conduta mais tolerante por parte dos nossos adversários. A época era a que precedeu o golpe militar de 1964 e.v., em que o país se dividira em duas facções básicas: os comunistas (de linha dura ou linha “festiva”), e os “reacionários”, ou católicos romanos(11). Ora, nós éramos articuladamente tanto anti-comunistas quanto anti-católicos; nestas circunstâncias, onde encontraríamos simpatia nessa época? Nosso Instrutor escreveu-nos uma carta, que ainda guardamos, dizendo que a nossa atitude era suicida. Replicamos-lhe: “Eu ficarei de pé ao lado de Heru-ra-ha(12) contra o mundo inteiro; e se Ele quiser, o mundo tremerá sob meus pés”.

Não sabemos se o mundo tremeu sob os nossos pés; mas aqui estamos, vivos, moderadamente senhores de nossas faculdades, trabalhando em prol daquilo que consideramos objetividade e bom senso.

Entretanto, não foi fácil sobreviver aos anos que precederam e seguiram 1964 e.v.. As forças que se concentraram sobre este país eram extremas em sua exigência. O Brasil correu perigo de descambar para a extrema esquerda, com todos os seus horrores de tirania e mediocridade, ou para a extrema direita, com todos os seus horrores de tirania, e privilégio. O povo brasileiro, em que pese aos esquerdistas, escolheu seu caminho em abril de 1964 e.v.. Pode muito bem ser que enveredemos eventualmente pelo socialismo (13); mas nem o totalitarismo de direita nem o de esquerda devem nos preocupar.

Realizamos, portanto, nossa tarefa de Iniciado: fôramos chamados de volta ao Brasil pelas forças espirituais responsáveis pela integridade desta nação, pois não havia aqui ninguém qualificado para resistir ao embate das correntes demoníacas, isto é, dispersivas, que estavam tentando empolgar o povo brasileiro. Mas, se como Iniciado realizamos nossa tarefa, pagamos o seu preço em nossa pessoa humana. Os comunistas nos detestavam, porque sentiam instintivamente que participáramos em sua derrota, embora não soubessem como; e os direitistas nos detestavam porque, tendo eles conseguido a sua “vitória” com o nosso auxílio mágico, nós nem os aplaudimos nem nos aliamos a eles. (14)

Sobrevivemos, sim; mas apenas sobrevivemos. A mera regalia de uma atividade profissional decente nos foi negada. Onde quer que procurássemos um emprego que pudesse nos colocar numa posição de influência direta sobre o público, havia sempre vozes nos bastidores insinuando suspeitas ou calúnias sobre a nossa pessoa. Os esquerdistas nos chamavam de fascista; os católicos nos chamavam de satanista; os ultra-reacionários nos chamavam de marxista disfarçado; as forças de segurança, quando mais generosas, nos consideravam um inocente útil! Como nossos interesses profissionais qual pessoa humana sempre se concentraram nos meios de comunicação em massa (especificamente, o cinema e a televisão), é evidente que o nosso sucesso mundano nessas atividades teria desagradado tanto aos derrotados quanto aos vencedores (15).

Portanto, passamos fome, e atravessamos ordálias. Ainda com diz Levi: “As pessoas de dinheiro procuram, então, humilhar o príncipe da ciência, obstruindo, desapreciando, ou explorando miseravelmente o seu trabalho; partem em dez pedaços, para que estenda a mão dez vezes, o naco de pão que ele tem necessidade. O mago nem mesmo se digna sorrir desta inépcia, e prossegue sua obra com calma”.

Nós não atreveríamos a dizer que sorrimos ou permanecemos calmos. Pelo contrário, ficamos bastante perturbados com a evidência de hostilidade, e até de perseguição, que sentíamos em nossa volta. De fato, chegamos a suspeitar (inocente que éramos!) que as ordálias iniciáticas por que estávamos passando na época nos haviam desequilibrado mentalmente, e que estávamos nos tornando paranóicos. Mencionamos a situação em carta ao nosso Instrutor, que nos respondeu:

“Todo Iniciado que executa um trabalho em prol da humanidade (16) é crucificado. Então, após três dias (“Jesus”), mais corretamente trinta anos (17) ou mais, ele será ressuscitado.

Isto é parte de sua Verdadeira Vontade. O Deus (18) sabe disto o tempo todo, enquanto Ele executa o Seu Trabalho (auto-destrutivo). Isto me parece tão óbvio, e tão parte da natureza, que eu não consigo compreender a sua surpresa. Se você executa algum trabalho em prol do Novo Aeon que se inicia, você despertará a inimizade, o antagonismo, o ódio de todos aqueles que estão ligados ao passado. Se você for bem sucedido em seu trabalho, uma onde de cólera cobrirá você. No fim das contas, provavelmente ela não destruirá você (devido ao equilíbrio das forças); mas, como um guerreiro que vai à batalha, você poderá sofrer alguns ferimentos e cicatrizes, os quais são marcas de honra e glória. A.C. (Aleister Crowley) estava sempre bem cônscio do fato de que, toda vez que publicava alguma de suas obras mais importantes, ele tinha de ‘entrar na toca’, para dizermos o mínimo”.

Depois de uma carta destas, não nos restava alternativa senão morrer ou agüentar o rojão. Nosso Instrutor nos proibiu terminantemente de morrer, dizendo que não tínhamos o direito, uma vez que a Ordem precisava de nós; portanto, agüentamos. Os anos se passaram (não felizmente, ou docemente); chegamos ao grau iniciático necessário para substituirmos nosso Instrutor, o qual prontamente tirou férias e nos deixou em seu lugar; e aqui estamos. Não detalharemos esses anos, uma vez que não estamos escrevendo a nossa biografia. É bastante dizer que nos foi totalmente impossível trabalhar em nossa atividade profissional de escolha, e fomos reduzidos a lecionar inglês em cursos livres.

O ano passado, conseguimos publicar O Equinócio dos Deuses em português. (Esta publicação foi feita com o generoso auxílio de vários cidadãos e uma cidadã brasileiros, cujos nomes não menciono apenas porque desejo poupar-lhes o tipo de “atenções” que tenho recebido da “ordem democrática estabelecida” nos últimos dezesseis anos). Alguns meses após a distribuição do livro, a polícia – desta vez, a brasileira – veio bater à nossa porta. Havia recebido uma denúncia (cuja procedência, foi-nos bastante declarado, eram os “serviços de segurança”) de que éramos homossexual, viciado em drogas, aliciador de menores para o tráfico, etc., etc., etc.

Devemos observar, em honra da polícia brasileira, que desta vez ninguém teve a “gentileza” de “encontrar” cigarros de maconha, ou qualquer outro tipo de tóxico, em nossa residência; mas em conseqüência dessa visita perdemos nosso emprego num dos cursos de inglês que lecionávamos.

Mesmo para pessoas ignorantes quanto a este tipo de manobra, a coincidência entre a acusação da polícia americana e a da polícia brasileira, com dezesseis anos de intervalo, deverá ser marcante. O interrogatório a que fomos submetidos tornou claro que a nossa “ficha criminal” americana havia sido colocada à disposição dos “serviços de segurança” brasileiros. Ora, para as pessoas que não entendem destes assuntos: o prazo legal para crimes (com exceção do assassinato, que não se proscreve nunca) nos Estados Unidos da América é de sete anos, após o que eles se proscrevem, e os registros são eliminados. Mas alguém conservou a nossa “ficha criminal” (ilegalmente e incorretamente) durante dezesseis anos; e tem sido, estes anos todos, a gentileza de “informar” toda organização para que trabalhamos da nossa periculosidade.

Note-se que essa “gentileza” foi sempre exercida à nossa revelia, isto é: a informação foi sempre confidencial. Nunca nos foi dada a oportunidade de explicar, de esclarecer, ou de sequer nos defendermos; e a anonimidade dos autores das calúnias sempre os deixou em completa segurança para denegrir nosso caráter sem qualquer perigo para o seu. Mesmo o delegado que invadiu nossa residência de cidadão brasileiro para vasculhar nossos pertences, nossa pessoa, e nossa vida particular, recusou-se a nos mostrar o documento oficial que o levara a tal iniciativa, sem dúvida porque incluía a identidade dos “informantes”, para não dizer a dos mandantes.

Nesta mais recente ocasião em que estivemos às voltas com a polícia, o delegado pediu-nos que lhe descrevêssemos nossas experiências com o LSD, e ficou extremamente surpreso quando lhe declaramos que nunca em nossas vidas havíamos ingerido essa droga. É claro que lhe havia sido insinuado que as nossas experiências místicas haviam sido produzidas sob a influência do ácido lisérgico.

Devemos declara aqui, sem dúvida para surpresa de muita gente, que nenhuma das profundas experiências místicas de Aleister Crowley, ou de qualquer outro iniciado legítimo, inclusive nós mesmos, foi jamais obtida através da influência de psicodélicos. Essas substâncias são de imenso valor no processo de auto-análise, e na obtenção de um conhecimento mais profundo dos diversos níveis de consciência de que somos capazes; mas são totalmente inúteis na obtenção de transes iniciáticos, pois estas experiências sempre pressupõem Dois, isto é, o Ego e o Não-Ego, ou – se preferirdes esta linguagem – o Adorante e o seu Deus. Não há avanço espiritual sem contato com outra Entidade que não nós mesmos. Ou até, que não Nós Mesmos!

Isto absolutamente não diminui o valor de “drogas estranhas” para aqueles cujo psicossoma está tão ossificado pela dogma, pela rotina, ou pelo condicionamento cultural que eles são incapazes de perceber o mistério e a beleza da vida sem algum auxílio químico. (Isto sem mencionarmos o inegável valor delas todas como estimulante ou relaxantes, no que não totalmente inócuas e utilíssimas, se usadas com a necessária cautela e auto-controle). Lembramo-nos de certa ocasião em que uma senhora de idade, funcionária do “Serviço de Censura” (esse patético rebento do totalitarismo que o Brasil herdou do catolicismo romano), defendeu ardentemente , em nossa presença, a repressão aos psicodélicos, dizendo: “Mas eu acho que é possível adquirir experiências místicas sem usar drogas!” Esta senhora havia fumado cinco cigarros em quinze minutos enquanto conversamos. De tabaco, claro!

Nada dissemos, na ocasião; mas gostaríamos de observar aqui que, sem dúvida, nós pessoalmente nunca necessitamos de qualquer droga para ver Deus (ou aquilo que julgávamos ser Deus); mas isto não obsta a que uma grande quantidade de nossos semelhantes necessitem de algum auxílio para sacudir o barro da terra de que são formados os seus corpos; e nem obsta a que todo ser humano tenha direito irretorquível, sem qualquer interferência alheia, de escolher aquilo que quer comer e beber (para não falarmos do direito de ganhar o suficiente para ter absoluta liberdade de escolha de alimentos, enquanto viver numa sociedade decente).

Deve-se também observar que através da história (e mesmo no presente) existem grupos culturais sobre a superfície da terra cuja experiência religiosa inclui o uso de psicodélicos. Por exemplo, os índios mexicanos, seitas sufis do Oriente Médio, diversas ramificações do bramanismo na Índia. E o registro histórico de tais grupos culturais tem exibido mais tolerância e mais calor humano que a história do catolicismo romano em particular, ou do cristismo em geral.

É interessante que a campanha contra o álcool e outros psicodélicos nos países capitalistas foi primariamente atiçada por organizações católicas romanas. Essa campanha data de após 1904, quando o Livro da Lei foi dado ao mundo.

O problema do tráfico de drogas, assim como o da repressão dos hábitos de minorias sociais através de estatutos restritivos, são assuntos que fogem aos limites deste livro. Podemos apenas declarar (uma vez mais!) que nenhum país pode se chamar a si mesmo de civilizado enquanto tenta intervir na vida particular dos seus patrões (isto é, os cidadãos, os quais, de uma forma ou de outra, pagam os salários dos administradores públicos) Verdadeiros iniciados reprovam a censura ou a restrição de qualquer tipo tanto quanto a perseguição doutrinária ou a maledicência vazia.

Deve-se observar, também, que a hierarquia católica romana não pode nunca, em qualquer caso de maledicência, difamação, ou perseguição policial, ser formalmente indiciada como responsável por tais abusos. Primeiro, porque ela faz uso dos órgãos de repressão em que tem influência (19), na base única de informações confidenciais; segundo, porque a hierarquia católica romana nunca publica críticas oficiais diretas contra os seus inimigos; tais críticas, quando explícitas, são sempre para circulação interna, e frequentemente (como já mencionamos) em latim.

Na época em que escrevemos Carta a um Maçom(20), só tomamos conhecimento de que ela era famosa com a hierarquia romana porque um agente de segurança que morava no mesmo hotelzinho que nós, e que era católico romano (aliás, redundante: se não forem católicos romanos, não são admitidos aos serviços de “segurança” brasileiros), nos disse que o Palácio Episcopal do Rio de Janeiro estava bastante agitado por nossa causa.

- Por que motivo? Perguntamos-lhe.

- Por causa daquela carta que você escreveu e está distribuindo por ai.

Ele era uma das pessoas a quem tínhamos dado uma cópia, e foi ele quem nos apontou a locação do Palácio Episcopal da Igreja Romana (que aliás, era bem próximo), cujo endereço até então havíamos ignorado. Passamos a fazer o gesto ritual de banição toda vez que passávamos à sua porta.

Para um ocultista, a hostilidade da Igreja Romana é sempre sinal de que ele é um ocultista sério, e de que o trabalho que está fazendo é útil e legítimo. Já mencionamos que quando qualquer organização oculta cresce além de um certo ponto, ela começa a preocupar governos, e conseqüentemente recebe as “atenções” de serviços de segurança. O que não mencionamos é que, se a organização demonstra (após um exame preliminar, uma perseguição preliminar, e uma tentativa preliminar de restrição), ter suficiente vitalidade para continuar se desenvolvendo e adquirir maior influência na sociedade, então ela quase invariavelmente recebe uma proposta de aliança política por parte do poder temporal. Isto, para grande indignação da religião oficial, que fica na posição de uma mulher “casta” que foi “fiel” ao marido durante a sua juventude, e é abandonada por outra ais jovem em sua velhice.

Se a organização oculta aceita este tipo de pacto, ela morre espiritualmente: verdadeiro misticismo é incompatível com interesses puramente mundanos. Legítimos iniciados podem amar o seu país natal (como Crowley amou a Inglaterra, Fernando Pessoa amou Portugal, e nós amamos o Brasil) profundamente; mas acima deste sentimento eles devem colocar seu amor à humanidade, que é a sua verdadeira comunidade, e ao universo, que é a sua verdadeira esfera geopolítica! Na parlança vulgar, se nosso amor a “Deus” não transcende o nosso amor a tudo mais, inclusive o nosso amor próprio, não amamos verdadeiramente a “Deus”.

Através da história, muitas organizações concentradas em volta de um método teúrgico têm caído na armadilha fatal de pactuar com a ordem constituída por motivos financeiros ou políticos. Em conseqüência, essas organizações não só perderam contato com sua corrente de origem como perderam contato com sua corrente de origem como causaram imenso dano à humanidade. O caso do cristianismo, repetimos, é um entre muitos: só damos ênfase ao seu fracasso por causa da sua excessiva e deletéria influência na sociedade brasileira. Mas até mesmo organizações que foram, no passado, legítimas e sérias durante muito mais tempo que o cristianismo (como, por exemplo, o judaísmo), deterioraram-se à Passagem dos Aeons. Outro exemplo, que nos fere de perto, é a maçonaria osiriana. Nós conhecemos pessoalmente indivíduos ligados a esse movimento (que nos foi tão caro, e do qual fomos um dos fundadores) que são simultaneamente agentes de serviços de segurança de vários países e agentes financeiros de cartéis. Um deles, “maçom” de alto grau, que se dizia formado em psicanálise, (21) e era agente sionista (22), confessou-nos em certa ocasião, num rompante de loquacidade imprudente, que ele era a reencarnação do “Conde de Saint-Germain”!...

Realmente, se aquele iniciado tivesse sido, em qualquer momento de sua vida, o charlatão inescrupuloso que é descrito nas obras de teosofistas, é possível que esse “psicanalista”, espião internacional, agente financeiro de interesses escusos, intrigantes e caluniador, fosse aquele intrujão reencarnado.

Mas se o “Conde “ foi, como Cagliostro, um verdadeiro representante das verdadeiras fraternidades iniciáticas, ele poderia ter usado governantes para os propósitos da evolução humana; mas jamais teria sido usado por eles. Iniciados podem ser trucidados, perseguidos, aprisionados, difamados, deportados, despedidos, mas não podem ser comprados.

Todos os inovadores do pensamento humano são, necessariamente, influências perturbadoras da ordem vigente. A humanidade precisa de tais inovadores para progredir; ao mesmo tempo, ela os teme. Quaisquer sistemas econômicos ou políticos tendem a procurar manter sua estrutura através de gerações humanas sucessivas. Esta tendência não é necessariamente um crime; ela é um fato. Só pode ser classificada como desejável ou indesejável em termos do interesse comum.

Qual é – pro exemplo – o interesse comum da nação brasileira? Duvidamos que o atual governo saiba. Em 1964 e.v. o Brasil optou, inegavelmente, por um caminho diverso do comunismo. Dizemos “inegavelmente” porque os humildes, quando finalmente se revoltam, são uma força irresistível, devido ao seu número. A massa popular brasileira não se deixou comover pelos sofismas do marxismo. Se tivesse, a situação atual seria bem outra.

Isto não obsta a que a “democracia” – principalmente como é interpretada pela oligarquia pluto-buro-eclesiástica que atualmente prepondera e domina – não seja também um conjunto de sofismas. Sistemas de governo são sempre empíricos; tentar transforma-los em Decálogos Sagrados é a tendência normal dos preguiçosos e dos oportunistas.

Toda idéia nova é uma ameaça para um governo que teme pela real segurança; e todo governo que não crê que espelha realmente a tendência; e todo governo que não crê que espelha realmente a tendência e aspiração da maioria é um governo inseguro. A mais bem-sucedida nação sobre a face da terra, relativamente às outras, é sem dúvida alguma os Estados Unidos da América do Norte, pois é a nação onde a restrição oficial é menor, e mais amenável à critica do cidadão individual, que em qualquer outra.

Não queremos dizer com isto que o Brasil deva imitar o sistema americano: nossa realidade histórica e geográfica é outra. Somos uma nação híbrida: o verdadeiro brasileiro possui em suas veias o sangue de três raças que compõem a espécie humana, a branca, a negra, e a amarela (da qual os “índios” das Américas são apenas uma variação).

Faz dois anos, escrevemos a letra e compusemos a música de uma canção baseada neste conceito, e a Censura foi pressurosa em abafa-la; não porque fosse subversiva, mas porque era nossa, e era franca. Deste então, várias propagandas governamentais têm ecoado o nosso conceito, e recentemente canções tais como usaram a nossa idéia sem emular nossa franqueza. Não ressentimos tais manobras por motivos “morais”; afinal de contas, o plágio é o único recurso dos medíocres. Mas ressentimos o afluxo financeiro que nos foi cortado pela Censura, não só nesta, mas em várias outras iniciativas musicais nossas.

Ora, a Censura, é apenas uma das armas de um Sistema que é moralmente tão fraco –e tem tanta consciência de sua fraqueza – que interpreta a mínima crítica como uma ameaça. Estabilidade psíquica produz tolerância, e até mesmo vontade de progredir, isto é, de mudar. Estabilidade política produz liberdade de expressão, respeito pelo cidadão (que, afinal de contas, em qualquer país, é o patrão ultimal de qualquer funcionário, desde o mais ínfimo varredor de ruas até o mais empertigado marechal) e defesa constante dos direitos humanos(23).

A única maneira do Brasil descobrir realmente em que direção deseja ir seria o governo permitir a livre expressão de todas as facções políticas existentes na nação – inclusiva a legalização do Partido Comunista, ou quaisquer outras tendências extremistas. Isto necessitaria, igualmente, livre acesso à informação, e até mesmo à propaganda, venha esta de onde vier. Portanto, a Censura não só deveria morrer, como até não deveria ressuscitar nunca.

Não tencionamos aqui sugerir, nem por um segundo, que a intenção de qualquer governo – inclusive o presente governo brasileiro – seja maliciosa ou perversa ao instituir medidas restritivas da liberdade individual. Especialmente num país como o Brasil, colonizado por crististas, Censura e leis restritivas podem parecer muito naturais. Afinal de contas, o Credo de Nicéia foi o primeiro passo em direção ao autismo tomado pela Igreja Romana; a doença psíquica do catolicismo não data de hoje, e tem deturpado a formação moral de todos aqueles que foram submetidos desde a infância à sua orientação.

A intenção dos governos ao estabelecerem medidas restritivas sempre é a manutenção da “ordem vigente”, que eles sinceramente crêem ser a melhor possível; mas a idéia de que ordem é sinônimo de restrição é uma perigosa falácia para um país que também inclua a idéia de progresso em seu lema. Suponhamos, por um momento, que o Sistema Ideal dos sonhos, quer dos marxistas, quer dos católicos romanos, pudesse ser imposto sobre qualquer país; e suponhamos que esse Sistema fosse tão excelente quanto é alardeado por Comitês Centrais ou pela Cúria: ainda assim, eventualmente um tal Sistema se tornaria sufocante e restritivo. Nunca é demais repetir: o progresso é fruto da Lei de Mudança. A evolução, quer individual, quer de uma espécie, quer de uma nação, depende da aceitação e integração de fatos novos, mesmo quando “desagradáveis”, na nossa idéia do continuum.

A manutenção ou evolução de uma espécie não depende jamais de valores fixos, mas sim da assimilação de mudanças ambientais e de adaptação biológica a tais mudanças. Seres vivos mudam de forma, de natureza, e até de função, embora façam isto com a mesma lentidão com que as idades geológicas se sucedem. O importante é não resistir ao que é novo, e sim integrá-lo em nossa vivência. Este é o método científico, e o método do verdadeiro misticismo; este deve ser também o método da religião, portanto da filosofia, portanto da moral e do civismo.

É nosso dever, portanto, encorajar, e não combater, toda pessoa que sente ter uma idéia nova. Que cada qual expresse a sua idéia, e lute por ela; mas que nenhum busque impor suas convicções sobre os outros através do dogmatismo ou da força. Aquilo que tem real valor para a nação demonstrará seu valor pela aceitação espontânea, por lenta que seja, dos nossos compatriotas; está escrito: Sucesso é vossa prova. E aquilo que tem valor somente para o indivíduo, sendo demasiadamente limitado e especializado para ser útil a todos, ainda assim faz parte do direito alienável do indivíduo.

Quer vossa idéia seja de valor para todos, quer ela seja de valor apenas para nós, se ela for expressada em uma sociedade viciada pela incerteza ou pelo medo podereis esperar perseguição, espionagem, ostracismo, calúnias, e até violência contra a vossa integridade física. Isto é um resultado da loucura egóica colocada em posições de autoridade: quanto mais profunda for a vossa idéia, mais ela será temida pelos dinossauros morais que pululam em vosso país, estejam eles fantasiados de “comissários do povo”, de “sacerdotes do Deus Verdadeiro e Único”, ou de “defensores da Pátria”.

As técnicas utilizadas para vos espionar são atualmente tão sofisticadas que será praticamente impossível evitar que vos espionem. Por exemplo: existe um aparelho, à venda em países civilizados, que podeis adaptar ao vosso telefone. Discando qualquer número no catálogo, vosso aparelho entrará em contato com o telefone que corresponde àquele número, o qual funcionará um transmissor. Através deste processo, podereis escutar não só qualquer conversação telefônica conduzida através daquele telefone, como também quaisquer conversações entre pessoas que se encontrem dentro de um raio de três metros de distância do aparelho. Isto, sem qualquer necessidade de estabelecer uma linha de contato clandestina.

Recentemente, pessoas ligadas ao governo brasileiro expressaram admiração pela profundidade e extensão do conhecimento que os serviços de inteligência norteamericanos tinham, em 1964 e.v., de todas as iniciativas tomadas, quer pelo governo oficial, quer pelo movimento da “revolução”. Mas naquela época, o aparelho descrito acima era um segredo de estado norte-americano. Não foi que houvesse muitos brasileiros vendidos à C.I.A., informando aquela organização dos movimentos dos seus conterrâneos (embora houvesse alguns assim fazendo, claro). A C.I.A. não precisava de muitos espiões: bastava-lhe esses aparelhos para adaptar aos seus telefones. A natural loquacidade brasileira fez o resto.

O fato de que este tipo de instrumento eletrônico esteja agora liberado, e seja livremente vendido, indica simplesmente que algo ainda mais sofisticado ocupou o seu lugar no arsenal de espionagem dos países desenvolvidos. Como o sistema de ligações internacionais através de satélites está cada vez mais encorajado, é provável que certos governos possam escutar a conversação privada de seres humanos em qualquer parte do mundo onde haja um telefone ligado à rede telefônica internacional.

O mesmo processo pode, evidentemente, ser aplicado aos grandes computadores eletrônicos. Tanto os exércitos quanto os governos em geral estão utilizando cada vez mais esses instrumentos de cálculo, os quais são vendidos por algumas poucas companhias. Não duvidamos de que os atos mais secretos dos governos dos países que compram computadores dos países mais desenvolvidos sejam do conhecimento de agências de espionagem destes países no momento em que são programados para exame. Quereis saber o que faz uma republiqueta latino-americana? Vendei um computador aos seus burocratas!

Este é apenas um exemplo da aparelhagem ao dispor dos invasores da privacidade alheia. Em nossa época, sociedades “ocultas” só podem ser secretas na medida em que seja necessário ter vivência para compreender os ensinamentos apregoados por essas sociedades. Palavras de passe e sinais maçônicos? Isto é brinquedo de criança para os infiltradores.

Bem disse Crowley: o mistério é o inimigo da verdade. Os verdadeiros segredos são invioláveis porque necessitam de anos de aplicação paciente e de maturação interna. É por isto que a A.’.A.’., cujas práticas estão abertamente publicadas, continua sendo um mistério para todos os espiões que dela se aproximam. Não é que desejemos ocultar a verdade dessa gente; pelo contrário, nada nos agradaria mais do que vê-los compreender o que tentamos explicar-lhes. Mas como pode um estudante que mal aprendeu a tabuada compreender explicações sobre o cálculo tensorial?

Portanto, não vos irriteis demasiado com a curiosidade do vosso Sistema a vosso respeito. Procurai, antes, medir o sucesso das vossas idéias novas, a essencial profundidade delas, e acima de tudo a sua real novidade, pela irritação dos defensores da ordem estabelecida em não vos poderem entender, mesmo quando vos esmerais por falar-lhes na linguagem mais simples e mais franca.

E, se por acaso o enunciado de vossa pretensa idéia nova é seguido por calorosas congratulações dos vossos governantes, cuidado! Lembrai-vos do caso do famoso orador ateniense que, dirigindo-se à turba, foi subitamente interrompido por aplausos e virando-se, perplexo, para seus amigos, cochichou-lhes ansioso: “Será que eu disse alguma asneira?”.

(1) Nas nações capitalistas, o poder político é uma função do poder financeiro; mas o problema das minorias inovadoras se apresenta o mesmo, ou até pior, nas nações “socialistas”, embora lá a “ordem estabelecida” seja representada apenas pelos altos burocratas.

(2) Veja-se “Carta a um Maçom”, pedidos diretamente à O.T.O.

(3) Líber Aleph, Capítulos 124 e 125.

(4) Russell advogava o casamento de experiência para jovens, com validade de três meses e condenava o cristismo.

(5) Um relato destes acontecimentos existe como apêndice a uma das obras de Russell. “Por que não sou cristão”, redigido por um dos muitos professores norteamericanos cujo respeito e admiração ele angariou e sempre conservou.

(6) O Vaticano é um imenso império financeiro cuidadosamente administrado. Só nos Estados Unidos da América do Norte a Igreja Romana tem, investidos, mais de cem bilhões de dólares. (Ninguém ainda ousou pesquisar o quanto ela tem investido no Brasil; mas é sabido, pelo menos, que ela é o principal proprietário de imóveis da nação).

(7) Este tipo de manobra foi muito usado pelo F.B.I. na década dos cinqüenta, para desmoralizar profissionalmente as pessoas que, por um motivo ou por outro, despertavam as suspeitas do seu megalomaníaco – e católico – diretor. J. Edgar Hoover.

(8) Esta técnica é sempre usada quando o que se quer é comprometer definitivamente um indesejável, em todos os países. Foi muito empregada nos Estados Unidos durante o macartismo.

(9) Isto é, fôramos fotografados como criminosos, e nossas impressões digitais haviam sido tomadas, embora não tivéssemos sido formalmente acusados ou condenados por qualquer crime. Nossa condução a um presídio fora também ilegal: deveríamos ter passado nosso período de detenção na estação de polícia local, até sermos postos em liberdade ou sermos formalmente acusados: neste último caso, e somente então, poderíamos ter sido fichados. Abusos deste tipo são agora muito menos freqüentes nos Estados Unidos: uma decisão do Supremo Tribunal Federal exige que a polícia informe os detentos dos direitos constitucionais destes.

(10) É interessante que as pessoas não refletem que acusações de homossexualidade só podem ser feitas com real conhecimento de causa por participantes nos atos de que o pretenso homossexual é acusado.

(11) É claro que o catolicismo romano foi, para muitos ricos, apenas um pretexto para defenderem suas posses. É claro, também, que o catolicismo romano estava cônscio deste fato, e descontou-o em face às vantagens de uma aliança firme com o poder político.

(12) A grande Entidade Espiritual que é o Senhor da Nova Era. Veja-se O Equinócio dos Deuses para maiores detalhes.

(13) As tendências do presente governo militar são, consciente ou inconscientemente, nessa direção, a qual desaprovamos por motivos estritamente científicos. Veja-se “Dos Propósitos Políticos da Ordem”, pedidos diretamente à O.T.O.

(14) Sem a nossa presença aqui, a história do Brasil, e conseqüentemente a história da América Latina, teria sido bem diversa a partir de 1964 e.v.

(15) Em 1964, alguns meses depois do golpe, o USIS (United States Information Service) resolveu estabelecer programas de televisão informativos. Em nossa qualidade de roteirista bilíngüe, fomos oferecer-lhes nossos serviços. O encarregado da programação, ao lhe sugerirmos uma série de quadros cômicos alertando a população contra os sofismas do marxismo, disse-nos: “Ótimo! Mas escreva de forma a fazer o povo odiar os marxistas”. Replicamos-lhe: “O senhor esquece que os marxistas também são cidadãos brasileiros; eu não estou a fim de estimular ódio entre irmãos”. É claro que não conseguimos o emprego, e nossa ficha de indesejável aumentou, não só na C.I.A. como no S.N.I.

(16) Na ocasião, estávamos imprimindo, aqui mesmo no Brasil, a primeira edição mundial de Líber Aleph, em inglês, para o nosso Instrutor.

(17) Porque trinta anos é o Ciclo de Saturno, e o grau iniciático a que ele estava se referindo era o de Mestre do Templo, que corresponde à Esfera de Saturno, Binah.

(18) O “Deus” porque, como já dissemos, Iniciados que cruzaram o Abismo são chamados de “Deuses”. São Entidades Espirituais.

(19) A maior parte dos membros das forças policiais norte-americanas são descendentes de irlandeses, e católicos romanos. As forças de segurança brasileiras são totalmente crististas – quem não for cristista não pode ser membro.

(20) Este documento havia sido redigido poucos meses antes do primeiro de abril de 1964 e.v., e fora enviado a um médico em Petrópolis, “maçom”, o qual, em vez de mostrá-lo a seus “irmãos maçons”, como lhe fora solicitado, destruiu sua cópia. Este “maçom”, diga-se de passagem, tinha uma imagem de “Jesus Cristo” em seu consultório, e tentou convencer-nos a ir visitar um padre romano em Petrópolis com o qual estava em contato. É claro que recusamos.

(21) Devemos comentar aqui que obter diplomas é tão fácil e tão pouco significativo quanto obter comendas de governos ou patentes da maçonaria osiriana. Um psicanalista não pode ser encarado com respeito se ele não tiver, previamente, se formado em medicina ou psiquiatria – e preferivelmente em ambas.

(22) O sionismo começou como um legítimo fermento emocional, espontâneo, entre os judeus: sua justificativa era a inegável perseguição e ostracismo que eles sofriam em todos os países onde o cristianismo tinha poder político. Mas, desde a fundação do Estado de Israel, o poder financeiro internacional judeu (o qual se manteve cuidadosamente alheiado enquanto a Palestina não fora ocupada) tem se infiltrado na nova nação por motivos puramente materiais, deturpando a aspiração original.

(23) Dissemos que o plágio é o recurso dos medíocres; e gostaríamos de apontar aqui que a tão discutida Declaração dos Direitos Humanos da ONU é um plágio descarado de Líber OZ, feito por gente que nem sequer se atreveu a mencionar o original ou o seu autor.