

Capítulo IX
Do Silêncio e do Segredo:
e dos Nomes Bárbaros de Evocação ¶
É verificado pela experiência (confirmando a asserção de Zoroastro) que as mais potentes conjurações são aquelas em linguagens antigas e talvez esquecidas, ou as que estejam em um jargão corrupto, até uma língua que possivelmente nunca teve significado. Destas, há diversos tipos principais. A “invocação preliminar” na Goécia é constituída principalmente por corruptelas de nomes gregos e egípcios. Por exemplo, “Osorronnophris” para “Asor Un-Nefer”1. As conjurações dadas pelo Dr. Dee (Equinox I (7)) são em uma linguagem chamada angélica ou enoquiana. Sua fonte original até agora ainda não foi identificada por pesquisa, mas é uma linguagem e não um jargão, pois tem estrutura própria, e há traços de gramática e sintaxe.
Seja lá como for, ela funciona. Mesmo o principiante descobre que “coisas acontecem” quando ele a emprega: e isto é uma vantagem – ou desvantagem! – que nenhuma outra linguagem conhecida tem. Para tudo isso é necessário perícia. Isto requer Prudência!
As Invocações Egípcias são muito mais puras, mas seu significado não tem sido suficientemente estudado por pessoas magicamente competentes. Nós possuímos um número de invocações em grego de todo grau de excelência; em latim apenas poucas, e estas de qualidade inferior. Será notado que, em todos os casos, as conjurações são muito sonoras, e há certa voz mágica na qual elas deveriam ser recitadas. Esta voz especial foi nativa com MESTRE THERION; mas pode ser facilmente ensinada – para as pessoas certas.
Várias considerações impeliram-No a tentar conjurações na língua inglesa. Existia já um exemplo, o encanto das feiticeiras em “Macbeth”; se bem que talvez não tenha sido escrito a sério, seu efeito é indubitável2.
Tetrâmetros iâmbicos enriquecidos com muitas rimas, tanto externas quanto internas, têm se mostrado muito úteis. “O Caminho do Mago” (Equinox I (1)) nos dá uma boa ideia deste tipo de construção na língua inglesa. Assim como a “Evocação de Bartzabel”, no Equinox I (9). Existem muitas invocações entremeadas nas obras poéticas do Mestre Therion, em muitas variedades de métricas, de muitos tipos de entes e para muitos propósitos diversos. (Veja os Apêndices).
Outros métodos de encantamentos são relatados como eficazes. Por exemplo, Frater I.A., quando menino, ouviu dizer que poderia invocar o demônio recitando o “Pai-Nosso” ao contrário. Ele foi para o jardim e experimentou. O Demônio apareceu e quase o fez morrer de medo.
Não é, pois, bem certo, no que exatamente concerne a eficácia das conjurações. A peculiar excitação mental requerida pode até ser provocada pela percepção da absurdidade do processo inteiro, e pela persistência nele a despeito dessa percepção, como quando Frater Perdurabo (após esgotar todos os Seus recursos mágicos) recitou “From Greenland’s Icy Mountains” e obteve Seu resultado3.
Pode ser concedido, em qualquer caso, que as longas linhas de formidáveis palavras que rugem e gemem através de tantas conjurações têm um real efeito de exaltar a consciência do magista ao nível requerido – que isso aconteça não é mais extraordinário que o fato de a música ser capaz de uma influência análoga.
Magistas não se têm limitado ao uso da voz humana. A Flauta de Pã, com suas sete notas, correspondendo aos sete planetas, a matraca, o tom-tom, e mesmo o violino, têm sido usados, assim como muitos outros, dos quais o mais importante é a Campainha4, se bem que esta não é usada tanto para conjurações, a não ser para marcar estágios na cerimônia. De todos estes instrumentos, verificar-se-á que o tom-tom é geralmente o mais útil.
Já que estamos no assunto dos nomes bárbaros de evocação, não podemos omitir a pronúncia de certas palavras supremas que encerram (α) a fórmula completa do Deus invocado ou (β) a cerimônia inteira.
Exemplos do primeiro tipo são Tetragrammaton, I.A.O. e Abrahadabra.
Um exemplo do segundo tipo é a grande palavra StiBeTTChePhMeFSHiSS, que é uma linha traçada na Árvore da Vida (atribuições Coptas) de uma certa maneira5.
Com todas essas palavras, é da máxima importância que nunca sejam pronunciadas até o momento supremo; e mesmo assim, estas deveriam irromper o magista quase a despeito dele mesmo – tão grande deveria ser sua relutância6 em pronunciá-las. De fato, elas deveriam ser a voz do Deus nele, no primeiro instante da possessão divina. Pronunciadas dessa forma, não podem deixar de ter efeito, visto que elas se tornam o efeito.
Todo magista precavido terá construído (de acordo com os princípios da Santa Cabala) muitas dessas palavras, e ele deveria ter quintessencializado todas em uma só Palavra, a qual, uma vez ele a tenha formulado, não deve jamais pronunciar conscientemente, nem sequer em pensamentos, até, talvez, quando a pronuncia com seu derradeiro alento. Realmente, tal Palavra deveria ser tão potente que o homem não possa ouvi-la e ainda permanecer vivo.
Tal palavra era, de fato, o Tetragrammaton7 perdido. É alegado que, na pronúncia deste nome, o Universo desaba em dissolução. Que o Magista busque ardentemente essa Palavra Perdida, pois sua pronúncia é o sinônimo da consecução da Grande Obra8.
Nesse assunto da eficácia de palavras há, novamente, duas fórmulas de natureza extremamente oposta. Uma palavra pode se tornar potente e terrível em virtude de repetições constantes. É dessa forma que muitas religiões ganham força. No princípio a asserção “Tal e tal é Deus” não desperta interesse. Persista, e você encontrará escárnio e ceticismo; possivelmente perseguição. Persista, e a controvérsia se torna tão familiar que ninguém mais se preocupa em contradizer sua asserção.
Nenhuma superstição é tão perigosa e tão viva quanto uma superstição explodida. Os jornais de hoje em dia (escritos e editados quase exclusivamente por homens sem nenhuma centelha de religião ou moralidade) não ousam sugerir que qualquer pessoa descreia no culto oficial prevalente; eles deploram o ateísmo – quase universal na prática e implícito na teoria de quase todas as pessoas com inteligência – como se fosse excentricidade de algumas poucas pessoas inconvenientes ou desagradáveis. Essa é a história ordinária da propaganda: o que é falso tem exatamente a mesma chance do que o que é real. Persistência é a única qualidade requerida para o sucesso.
A fórmula oposta é a do segredo. Uma ideia é perpetuada porque não deve nunca ser mencionada. Um maçom nunca esquece as palavras secretas que lhe são confiadas, se bem que estas palavras, na maioria dos casos, não significam absolutamente nada para ele; o único motivo porque ele se lembra delas é que lhe foi proibido de mencioná-las, se bem que elas têm sido repetidamente publicadas, e são tão acessíveis ao profano quanto ao iniciado.
Em uma obra prática de Magia, tal como a pregação de uma nova Lei, esses métodos podem ser vantajosamente combinados; de um lado, a infinita franqueza e presteza em comunicar todos os segredos; de outro, a sublime e terrível certeza de que todos os segredos legítimos são incomunicáveis9.
De acordo com a tradição, é vantajoso, em conjurações, empregar mais de uma linguagem. Provavelmente o motivo é que qualquer mudança estimula a atenção oscilante. Um homem envolvido em intenso labor mental frequentemente se interromperá e dará uma volta ao redor do aposento – podemos supor que por este motivo – mas é um sinal de fraqueza que isto seja necessário. Para o principiante em Magia, porém, é permissível10 empregar quaisquer artifícios que assegurem o resultado.
Conjurações deveriam ser recitadas, não lidas;11 e a cerimônia deveria ser tão perfeitamente executada que as pessoas não deveriam se tornar conscientes de qualquer esforço da memória. A cerimônia deveria ser construída com tal fatalidade e lógica que um erro seria impossível12. O ego consciente do Magista deve ser destruído para que seja absorvido naquele do Deus que ele invoca; e o processo não deveria interferir com o autômato que está executando a cerimônia.
Mas este ego de que aqui falamos é o verdadeiro e definitivo ego. O autômato deveria possuir vontade, energia, inteligência, razão e resolução. Esse autômato deveria ser o homem perfeito, muito mais do que qualquer outro homem pode ser. É apenas o ente divino dentro deste homem, um ente tão acima da ideia de vontade, ou de quaisquer outras qualidades, quanto o Céu está acima da Terra, que deveria se reabsorver naquela radiância ilimitável, da qual ele é uma fagulha13.
A grande dificuldade para o Magista que trabalha só é se aperfeiçoar de tal maneira que esses múltiplos deveres do Ritual sejam adequadamente executados. A princípio ele verificará que a exaltação destrói a memória e paralisa os músculos. Esta é uma dificuldade primária do processo mágico, e pode apenas ser conquistada por prática e experiência14.
A fim de auxiliar a concentração e aumentar o suprimento de energia, tem sido habitual que o Magista empregue assistentes ou colegas. É duvidoso se as óbvias vantagens desse plano contrabalançam a dificuldade de acharmos pessoas competentes15 e a possibilidade de um conflito de vontade ou até mesmo de desentendimento no próprio círculo. Em certa ocasião, Frater Perdurabo foi desobedecido por um assistente; se não fosse por Sua prontidão em usar a compulsão física da espada, é provável que o círculo tivesse sido quebrado. Tal como foi, felizmente, o incidente terminou sem um problema mais sério do que a destruição do culpado.
Porém, não há dúvidas de que uma assembleia de pessoas que realmente estejam em harmonia pode produzir um efeito com muito mais facilidade que um magista trabalhando sozinho. A psicologia de “assembleias de Revivalismo” é conhecida por quase todas as pessoas e, se bem que tais reuniões16 sejam dos mais sujos e degradados rituais de magia negra, as leis da Magia não são suspensas por isto. As leis da Magia são as leis da Natureza.
Um exemplo mundialmente conhecido e pitoresco ainda é bastante recente para que gente viva se lembre. Em uma assembleia revivalista de negros dos Estados “Unidos” da América, devotos foram levados a tamanha excitação que toda a assembleia desenvolveu uma forma furiosa de histeria. Os gritos, comparativamente inteligíveis, de “Glória” e “Aleluia” já não podiam expressar a situação. Alguém gritou “Ta-ra-ra-boom-de-ay!” e o grupo inteiro tomou o refrão e gritou continuamente até a reação despontar. O assunto chegou aos jornais, e algum discípulo mais arguto do logicista e economista John Stuart Mill ponderou que estas palavras, tendo entusiasmado um grupo de tolos, poderiam talvez ter o mesmo efeito sobre o resto dos tolos do mundo. Assim, ele escreveu uma canção, e produziu o resultado desejado. Esse é o exemplo mais notório, em tempos recentes, do poder exercido por um nome bárbaro de evocação.
Umas poucas palavras podem ser úteis para reconciliar a noção geral de Causalidade com a de Magia. Como podemos estar certos de que uma pessoa brandindo um pedaço de pau e gritando produzirá tempestades? Somente da maneira já conhecida pela Ciência: nós notamos que quando jogamos um fósforo aceso em pólvora seca um fenômeno ininteligivelmente arbitrário, aquele do som, ocorre; e assim por diante.
Não é necessário alongarmo-nos sobre esse ponto; mas parece valer a pena responder a uma das objeções quanto à possibilidade de Magia, escolhendo uma que à primeira vista parece “fatal”. É conveniente citarmos aqui uma passagem verbatim do Diário17 de um distinto Magista e filósofo.
“Eu tenho notado que às vezes o efeito de um Trabalho Mágico o segue tão de perto que deve ter começado antes do Trabalho ter sido feito. Exemplo, eu trabalho hoje à noite para fazer com que fulano em Paris, me escreva. Eu recebo a carta dele amanhã de manhã, de forma que ela teve que ser escrita antes do meu Trabalho. Isso nega que o Trabalho causou o efeito?”
“Se eu dou uma tacada numa bola de bilhar, e ela se move, tanto minha vontade quanto o movimento da bola são devidos a causas que antecederam longamente o ato. Eu posso considerar tanto o meu Trabalho quanto sua reação como efeitos gêmeos do eterno Universo. O braço e a bola que eu movo são partes de um estado do Cosmo que resultou, necessariamente, de seu momentaneamente prévio estado, e assim para trás, eternamente.”
“Dessa forma, meu Trabalho Mágico é apenas uma das causas-efeitos que puseram a bola em movimento. Eu posso, portanto, considerar o ato de dar a tacada como uma causa-efeito da minha Vontade original de mover a bola, se bem que necessariamente prévio ao movimento dela. Mas o caso do Trabalho mágico não é exatamente análogo. Pois minha natureza é tal que eu sou compelido a praticar a Magia a fim de fazer com que minha vontade prevaleça; de forma que a causa de eu executar o Trabalho é também a causa do movimento da bola, e, assim, não há razão pela qual um deva preceder o outro. (Cf. Lewis Carroll, Alice Através do Espelho, onde a Rainha Vermelha grita antes de picar o dedo.)”
“Deixem-me ilustrar a teoria com um exemplo concreto.”
“Eu escrevo da Itália a um homem na França e a outro na Austrália, no mesmo dia, dizendo-lhes que venham se juntar a mim. Ambos chegam dez dias depois; o primeiro em resposta à minha carta, que ele recebeu; o segundo ‘de sua própria iniciativa’, ao que parece. Mas eu o chamei porque eu o queria; e eu o queria porque ele era meu representante; e sua inteligência o fez resolver juntar-se a mim porque julgou corretamente que a situação (tanto quanto ele sabia) era de modo a me fazer desejar sua presença.”
“A mesma causa, portanto, que me fez escrever-lhe, fez com que ele viesse a mim; e se bem que seria impróprio dizer que o ato de escrever a carta foi a causa direta da chegada dele, é evidente que se eu não tivesse escrito a carta eu seria diferente do que sou e, portanto, minhas relações com ele seriam diferentes do que são. Neste senso, portanto, a carta e a jornada estão relacionadas causalmente.”
“Não podemos ir além, e dizer que nesse caso eu deveria escrever a carta mesmo se ele tivesse chegado antes de eu escrevê-la; pois é parte de todo o conjunto de circunstâncias que eu não uso um pé de cabra numa porta que já está aberta.”
“A conclusão a tirar disto é que devemos fazer nossa Vontade ‘sem ânsia de resultado’. Se estamos trabalhando de acordo com as leis de nossa própria natureza, estamos agindo ‘retamente’; e nenhum Trabalho tal pode ser chamado de ‘inútil’, mesmo em casos do tipo discutido aqui. Enquanto nossa Vontade prevalece, não há motivo para queixa.”
“Abandonar nossa Magia seria demonstrar falta de confiança em nossos poderes e dúvida quanto à fé mais íntima em nosso Eu e na Natureza18. É claro que mudamos os nossos métodos de acordo com os ditames da experiência; mas não há necessidade de mudá-los pelos motivos expostos acima.”
“Além do mais, o argumento aqui apresentado elimina a necessidade de explicarmos o modus operandi da Magia. Uma operação bem-sucedida não implica em qualquer teoria, nem sequer na existência da causalidade mesma. O conjunto inteiro de fenômenos pode ser concebido como único.”
“Por exemplo, se eu vejo uma estrela (e eu vejo a estrela tal qual ela era há anos), eu não preciso assumir que relações causais existam entre ela, a Terra e eu mesmo. A conexão existe; eu não posso predicar mais que isso. Eu não posso postular propósito, ou mesmo determinar a maneira em que o evento ocorre. Da mesma forma, quando pratico a Magia, é em vão inquirir o motivo de eu agir assim ou de o resultado esperado ocorrer ou não. Nem posso eu saber como as condições prévias e subsequentes estão ligadas. Quando muito, eu posso descrever a consciência que interpreto como uma imagem dos fatos e generalizar empiricamente dos aspectos superficiais do caso.”
“Assim, eu tenho minhas próprias impressões pessoais do ato de telefonar; mas eu não posso estar cônscio do que consciência, eletricidade, mecânica, som etc. são em si mesmos. E, se bem que eu possa apelar para a experiência a fim de enunciar ‘leis’ quanto às condições que acompanham o ato, eu não posso jamais estar seguro de que as condições têm sempre sido, ou serão novamente no futuro, idênticas. (Aliás, um evento não pode jamais ocorrer duas vezes seguidas precisamente nas mesmas circunstâncias.)”19
“Além disso, minhas ‘leis’ sempre precisam considerar quase todos os elementos mais importantes do conhecimento. Eu não posso dizer – de uma maneira definitiva – como uma corrente elétrica é gerada. Eu não posso ter certeza de que alguma força totalmente insuspeitada não esteja agindo de alguma forma inteiramente arbitrária. Por exemplo, supunha-se que Hidrogênio e Cloro se unem sempre que uma faísca elétrica passa através da mistura; agora nós ‘sabemos’ que a presença de uma diminuta quantidade de vapor d’água (ou algum tertium quid) é essencial à reação. Antes dos dias de Ross, nós formulávamos as leis da malária sem referência ao mosquito; talvez descubramos algum dia que o germe só é ativo quando certos eventos estão ocorrendo em alguma distante nebulosa,20 ou quando uma substância aparentemente inerte, como o Argônio, está presente no ar em certas proporções.”
“Podemos admitir, com muito bom humor, que a Magia é tão misteriosa quanto a matemática, tão empírica quanto a poesia, tão incerta quanto o golfe e tão dependente da equação pessoal quanto o Amor.”
“Isso não é motivo para que não a devamos estudar, praticar e dela usufruir; pois é uma Ciência exatamente no mesmo senso que a Biologia; não é menos uma Arte que a Escultura; e é um Esporte tanto quanto o Alpinismo.”
“Realmente, não parece ser demasiada presunção declararmos que nenhuma Ciência possui iguais possibilidades de proporcionar profundo e importante Conhecimento;21 que nenhuma Arte oferece tais oportunidades à ambição da Alma de expressar sua Verdade em Êxtase através de Beleza; e que nenhum Esporte pode competir com suas fascinações de perigo e deleite, pode excitar, exercitar e provar tanto seus devotos, ou pode recompensá-los com tal bem-estar, orgulho, e ardentes prazeres do triunfo pessoal.”
“A Magia toma todo pensamento e ato como aparato; tem o Universo por Biblioteca e Laboratório; a Natureza inteira é seu Assunto; e sua Caça, livre de estações preestabelecidas e de restrições protetoras, sempre abunda em variedade infinita, sendo tudo quanto existe.”22
Veja-se Liber Samekh no Apêndice IV; esta é uma edição desta Invocação, com uma elaborada Rubrica, tradução, scholia e instrução. ↩︎
Um verdadeiro poeta não pode deixar de se revelar a si mesmo e à verdade das coisas em sua arte, quer ele esteja cônscio do que está escrevendo ou não. ↩︎
Veja-se “Eleusis”, A. Crowley, em Collected Works, Vol. III, Epílogo. ↩︎
Veja-se este Liber ABA Parte II. Deve ser dito que, na prática, nenhuma campainha, salvo o Seu próprio sino tibetano de Electrum Magicum, jamais soou satisfatoriamente ao Mestre Therion. A maior parte das campainhas dissona e repele. ↩︎
Ela representa a descida de uma certa Influência. Veja-se a “Invocação de Taphtatharath”, Equinox I (3). As atribuições são dadas em 777. Essa palavra expressa a corrente Kether‒Beth‒Binah‒Cheth‒Geburah‒Mem‒Hod‒Shin‒Malkuth, a forma de descida de 1 a 10 através do Pilar da Severidade. ↩︎
Essa relutância é freudiana, devida ao poder que estas palavras têm de despertar a libido subconsciente reprimida. ↩︎
O Mestre Therion recebeu esta Palavra; é comunicada por Ele aos postulantes apropriados, no lugar e momento devidos, nas devidas circunstâncias. ↩︎
Cada homem tem uma Grande Obra diversa, mesmo como quaisquer dois pontos da circunferência de um círculo não podem ser ligados ao centro pelo mesmo raio. A Palavra será correspondentemente única. ↩︎
Se assim não fosse, a individualidade não seria inviolável. Nenhum homem pode comunicar o mais simples pensamento a qualquer outro homem em um senso acurado e completo. Pois aquele pensamento é semeado em outro solo, e não pode produzir um efeito idêntico. Eu não posso colocar um pontinho vermelho sobre duas pinturas diversas sem alterá-las de maneira diversa. Poderia ter pouco efeito em um pôr do Sol por Turner, mas muito num noturno por Whistler. A identidade dos dois pontinhos como pontinhos seria, assim, uma falácia. ↩︎
Isso não quer dizer que seja aconselhável. Quão vergonhosa é a fraqueza humana! Mas é encorajador – seria inútil negá-lo – quando somos derrubados por um Demônio de cuja existência estávamos um pouco duvidosos. ↩︎
Mesmo isso é para os irmãos mais fracos. O grande Magus fala e age impromptu e extempore. ↩︎
Poesia realmente boa é facilmente memorizada, porque as ideias e valores musicais correspondem à estrutura mental e sensória do homem. ↩︎
Isso é dito dos Trabalhos parciais, ou elementares, de Magia. Este tratado é elementar; não podemos discutir Trabalhos mais avançados, como por exemplo aqueles de “The Hermit of Aesopus Island”. ↩︎
Veja-se O Livro das Mentiras; há diversos capítulos sobre esse assunto. Mas Reta Exaltação deveria produzir espontaneamente as reações mentais e físicas apropriadas. Tão cedo o desenvolvimento seja assegurado, haverá “justeza” automática reflexa, exatamente como, em assuntos normais, a mente e o corpo respondem, com livre inconsciente retidão, ao chamado da Vontade. ↩︎
O desenvolvimento orgânico da Magia no mundo devido à Vontade criativa de Mestre Therion faz com que a cada ano seja mais fácil encontrar colegas de trabalho cientificamente treinados. ↩︎
Veja-se, para um relato de cerimonial congregacional retamente conduzido, Equinox I (9), “Entusiasmo Energizado”, Equinox III (1) e Liber XV, no Apêndice VI. As “assembleias de Revivalismo” aqui mencionadas eram deliberadas explorações da histeria religiosa. ↩︎
Em outra anotação, mais adiante, verificamos que o diarista encontrou um argumento similar em Space, Time and Gravitation, p. 51. Ele ficou muito encorajado com esta confirmação de sua tese num sistema de pensamento tão alheio ao seu. ↩︎
Isto é, devido a que não podemos compreender como é que a Magia pode produzir os efeitos desejados. Pois se possuímos a inclinação de praticar a Magia, isso é evidência de uma tendência em nossa Natureza. Ninguém compreende por completo como é que a mente move os músculos; mas sabemos que falta de confiança neste ponto resulta em paralisia. “Se duvidassem, Sol e Lua Apagariam a luz sua”, como disse Blake. Também, como eu mesmo disse, “Quem tem o Como não cuida do Porquê”. ↩︎
Se não, por que dizemos “duas vezes”? ↩︎
A história de nosso planeta está incluída no período de alguma tal relação; de forma que não podemos ter absoluta certeza de que podemos negar a asserção: “A malária é uma função da presente precessão dos Equinócios”. ↩︎
A Magia é menos suscetível a erro que qualquer outra Ciência, porque seus termos são permutáveis, por definição, de forma que está baseada na relatividade desde o início. Não corremos o risco de asseverar proposições absolutas. Além disso, estabelecemos nossas medidas em termos do objeto medido, assim evitando a absurdidade de definir ideias metafísicas por padrões mutáveis (Cf. Eddington, Space, Time and Gravitation, Prólogo.), de sermos forçados a atribuir as qualidades da consciência humana as coisas inanimadas (Poincaré, La mesure du temps), e asseverarmos que não sabemos coisa alguma do universo em si, se bem que a natureza de nossos sentidos e de nossas mentes necessariamente determina nossas observações, de forma que o limite de nosso conhecimento é subjetivo, tal como um termômetro não pode registrar coisa alguma senão sua própria reação a um tipo particular de Energia.
A Magia reconhece francamente: (1) que a verdade é relativa, subjetiva e aparente; (2) que Verdade implica Onisciência, a qual é inalcançável pela mente, sendo transfinita; tal como se tentássemos desenhar um mapa exato da Inglaterra na Inglaterra: aquele mapa deveria conter um mapa do mapa, e assim por diante, ad infinitum; (3) que contradições lógicas são inerentes à faculdade do raciocínio (Russel, Introdução à Filosofia Matemática; Crowley, Eleusis e outros escritos); (4) que um Contínuo requer outro Contínuo para ser comensurável; (5) que o Empirismo é inelutável e, portanto, que ajustamento é o único método de ação; e (6) que podemos evitar erro evitando resistir à mudança e registrando fenômenos observados na própria linguagem deles. ↩︎A elasticidade da Magia a torna apta a todo tipo possível de ambiente e, portanto, biologicamente perfeita. “Faze o que tu queres” implica em autoajustamento, de forma que fracasso não pode ocorrer. Nossa própria Verdadeira Vontade está necessariamente adaptada ao Universo inteiro com a máxima exatidão, porque cada termo na equação a + b + c = 0 deve ser igual e oposto à soma de todos os outros termos. Nenhum indivíduo pode jamais ser mais que ele mesmo, ou fazer algo senão a sua Vontade, a qual é a sua relação necessária com o seu ambiente considerada em seu aspecto dinâmico. Todo erro não é mais que uma ilusão que depende da natureza dele; ele mesmo deve dissipar a miragem, e é uma lei geral que o método de se realizar isto consiste em perceber a, e aquiescer na, ordem Universal, e abster-se de tentar a impossível tarefa de derrotar a inércia das forças que se opõem e, portanto, são idênticas a nós mesmos. Erro no pensamento é, portanto, fracasso em compreender, e na ação, em executar nossa própria Verdadeira Vontade. ↩︎
Traduzido por Marcelo Ramos Motta (Frater Ever). Revisado por Frater ΑΥΜΓΝ.
