V – Algumas Reflexões Sobre a Imaginação

Um capítulo de Os Pergaminhos Voadores

Sobre a Imaginação e a Vontade na prática da Magia.

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Leia em 8 min.
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Pergaminho Voador Nº V
Algumas Reflexões Sobre a Imaginação

pelo M.H. Frater Resurgam (Dr. Berridge)

Os não iniciados interpretam a imaginação como algo “imaginário” no sentido popular da palavra, ou seja, algo irreal. Mas a imaginação é uma realidade.

Quando um homem imagina, ele de fato cria uma forma no Astral ou até mesmo em algum plano superior; e essa forma é tão real e objetiva para os seres inteligentes daquele plano quanto as nossas cercanias terrenas são para nós.

Esta forma que a Imaginação cria pode ter apenas uma existência transitória, que não produz nenhum resultado importante, ou pode ser vitalizada e, em seguida, usada para o bem ou para o mal.

Para praticar magia, tanto a Imaginação quanto a Vontade devem ser postas em ação, elas são co-iguais no trabalho. Além disso, a Imaginação deve preceder a Vontade, a fim de produzir o maior efeito possível.

A Vontade por si só pode transmitir uma corrente, e essa corrente não pode ser completamente inoperante; no entanto, seu efeito é vago e indefinido, porque a Vontade sozinha não envia nada senão a corrente ou força.

A Imaginação por si só pode criar uma imagem e essa imagem deve ter uma existência de duração variável; no entanto, não pode realizar nada importante, a não ser que seja vitalizada e dirigida pela Vontade.

No entanto, quando os dois são unidos – a Imaginação cria uma imagem – e a Vontade direciona e usa essa imagem, efeitos mágicos maravilhosos podem ser obtidos.

Os seguintes casos podem servir para ilustrar a operação de projeção mágica, que eu mesmo pratiquei, e, em parte, ensinei.

Mas aqui um aviso é necessário – embora este método tornou-se conhecido para mim através de estudo e reflexão antes de eu ter sido iniciado na G.D., eu só considerei seguro confiar o processo a duas outras pessoas, em quem eu sei que posso confiar.

Nunca se deve esquecer que um processo oculto, que pode ser usado para o bem, também pode ser utilizado para o mal. O mago negro possuidor desse conhecimento pode fortalecer-se através dele, e se proteger do perigo da repercussão de suas próprias ações no plano oculto, e assim tornar-se energizado para mais perversidade. Além do qual – um conhecimento leva a outro, e uma única pista pode levar a descobertas importantes adicionais.

Quanto mais reflito sobre o assunto, mais me sinto convencido de que esse conhecimento não deve passar além da nossa Ordem.

Primeira Ilustração

Alguns anos atrás, eu percebi que, invariavelmente, depois de um prolongado encontro com uma certa pessoa, eu me sentia exausto.

No início, eu pensei que fosse apenas o resultado natural de uma longa conversa com um cavalheiro enfadonho, agitado e velho; mas depois foi ficando claro para mim, que sendo um homem de vitalidade nervosa esgotada, ele realmente estava me atacando. Eu não suponho que ele estivesse de modo algum externamente consciente de que possuía uma organismo de vampiro, pois ele era um homem benevolente de bom coração, que teria afundado no horror de tal sugestão.

No entanto, ele era, em sua personalidade interior, um vampiro intencional, pois ele reconheceu que estava prestes a se casar com uma esposa jovem de modo a, se possível, recuperar seu sistema exausto.

Da próxima vez, portanto, que ele foi anunciado, fechei-me para ele, antes que ele fosse recebido. Eu imaginei que eu tinha formado para mim um traje completo de fluido ódico, me cercando por todos os lados, mas não me tocando, e impenetrável para quaisquer correntes hostis.

Este processo mágico foi imediatamente e permanentemente bem-sucedido – eu nunca tive que repeti-lo.

Segunda Ilustração

Uma senhora, na esperança de desenvolver-se espiritualmente, havia permitido tornar-se passivamente mediúnica, e a sua saúde começou a falhar.

Em certa ocasião, se sentindo muito fraca, ela me pediu para hipnotizá-la. Eu me aproveitei desta oportunidade, e embora aparentemente apenas aplicando passes hipnóticos sobre ela, eu ocultamente a cerquei com uma aura de proteção, como no meu caso. O resultado foi bem-sucedido, ela melhorou em força, e, como um famoso estudante do ocultismo comentou comigo, ela parecia mais humana; e com tudo isso, suas experiências mediúnicas cessaram. Se ela tivesse seguido meu conselho, e mantido-se positiva, eu acredito que ela teria recuperado completamente a sua saúde e força, mas ela novamente se voltou para sua antiga condição de mediunidade passiva, a saúde dela piorou, e depois de uma longa doença, ela morreu.

Eu não tinha sido iniciado na G.D. até então, ou deveria ter usado mais tarde o Pentagrama de Banimento para minha própria proteção. Cerca de duas semanas depois, eu tive um sonho vívido de que eu estava esforçando-me para evocar um elemental, que me atacou, causando um súbito engasgo na garganta, e um choque elétrico no corpo. O sonho tinha um significado astrológico; e ao mesmo tempo eu acredito que tinha uma base física e que o mesmo espírito vampirizador que estava atacando a sua vítima determinou-se em me atacar, em vingança por eu ter frustrado seus planos.

Terceira Ilustração

Uma senhora pediu a minha ajuda oculta contra um homem com quem ela frequentemente se encontrava, cuja presença sempre a deixava exausta e doente.

Ele tinha saúde ruim, e eu julguei que fosse mais um caso de vampirismo.

Obtive uma descrição deste homem, mas sem dizer o processo, ou quando eu o empreenderia.

Primeiro, eu imaginei que eles estavam um diante do outro; então eu interpus um escudo de defesa. Então eu formei em volta dela um traje completo de fluido ódico. Eu também fiz o Pentagrama de Invocação comum sobre ela para proteção. Os efeitos prejudiciais que ela experimentou anteriormente nunca mais voltaram e ela permaneceu sempre completamente indiferente a ele.

Quarta Ilustração

Uma senhora me contou sobre um homem que exercia um fascínio peculiar sobre ela; ela estava sempre pensando nele, embora ela não se importasse com o mesmo.

Como eu recebi alguma insinuação de que ele tinha alguma familiaridade com a magia vudu, eu decidi romper a corrente.

Eu imaginei que eles estavam um diante do outro e que ele havia lançado correntes de fluido ódico, que a envolviam em seus laços. Então eu imaginei uma espada em minha mão com a qual eu os cortei, e então com uma tocha eu queimei as extremidades dos filamentos ainda flutuando em volta dela.

O fascínio natural logo cessou, e em poucos meses, seu relacionamento chegou ao fim.

Quinta Ilustração

Um homem queixou-se comigo que alguns anos atrás, ele estava constantemente tendo outro homem fazendo uso de uma expressão peculiarmente profana, que sempre o perseguia, impondo-se em sua mente nos momentos mais inoportunos.

Me parecia que as palavras constituíam aquilo que os ocultistas orientais chamam de mantram; ou seja, uma palavra ou frase que pode produzir efeitos ocultos através da criação de vibrações no akasa.

Julguei que algum elemental tivesse sido assim vitalizado, e unido-se a alguém sensível. Eu o aconselhei que, na próxima vez que a frase o perturba-se – que primeiro imaginasse que ele viu diante de si uma criatura horrível como a personificação da própria profanação

– em seguida que segurasse esta criatura firmemente diante dele, e depois enviasse um escudo de dinamite oculto, penetrando o elemental, e então explodindo e espalhando-o em átomos.

Da próxima vez em que eu o vi, ele disse que não tinha conseguido desintegrar o elemental, mas que ele havia o dispersado, e que agora era muito pouco perturbado por ele.

Uma precaução adicional pode ser dada ao concluirmos.

Embora seja sempre válido, e muitas vezes aconselhável, consultar algum Adepto maior antes de iniciar qualquer trabalho mágico importante; ainda assim, em todas as outras direções, deve ser mantido um sigilo absoluto até o trabalho ser feito. Se ele for contado para os outros, isso tende a descentralizá-lo, e assim dissipar a força, além de correr o risco de encontrar com correntes desarmônicas de suas mentes.

Se ele for mencionado para aquele a quem o trabalho se dirige, isso tende a perturbar o seu equilíbrio causando um estado de expectativa nervosa, que é desfavorável para a recepção do bem Oculto intencionado.

Parte II, Observações Sobre o Tema para Contemplar

pelo G.H. Fra. N.O.M. (Dr. W.W. Westcott)

O documento agora registrado por nosso M.H. Frater Resurgam me parece exigir um capítulo preliminar de conteúdo introdutório e mais simples.

Seus comentários são valiosos, e seus exemplos são tais que vocês podem possivelmente alcançar a performance de cada; eles são um crédito para ele.

Só posso acrescentar algumas notas.

A Imaginação deve ser diferenciada da Fantasia – de meros pensamentos errantes, ou visões vazias: Por ela agora significamos um processo e resultado mental ordenado e intencional.

A Imaginação é a Faculdade Criadora da mente humana, a energia plástica – o Poder Formativo.

Na linguagem dos Teosofistas Esotéricos, o poder da Imaginação de criar formas de pensamento é chamado KRIYA SAKTI, que é o misterioso poder do pensamento que lhe permite produzir fenômenos externos, resultados perceptíveis por sua própria energia inerente quando fertilizada pela Vontade.

É um dogma hermético antigo que qualquer ideia pode ser manifestada externamente se apenas, por cultura, a arte da concentração for obtida; exatamente semelhante é um resultado externo produzido por uma corrente de Força de Vontade.

A Cabala ensinou que o homem, pelo seu poder criativo através da Vontade e do Pensamento – era mais divino do que os Anjos; pois ele pode criar – eles não. Ele está um passo mais próximo do Demiurgo, a Deidade Criativa – mesmo agora que ele está envolto na matéria – mais próximo do que as Hostes Angélicas embora cada Anjo seja só um Espírito – e não infectado com a matéria.

Até mesmo a concepção ortodoxa de um Anjo é a de um ser que executa os comandos e não de quem origina, cria e performa o “novo”.


Traduzido por Alan Willms

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