A Fórmula do Santo Graal

Este artigo é um capítulo de Liber ABA – Magick – O Livro Quatro

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Capítulo VII
A Fórmula do Santo Graal,
de Abrahadabra
e de certas outras Palavras.
Também: A Memória Mágica.

O hieróglifo mostrado na Sétima Chave do Tarô (descrita no 12º Æthyr, Liber 418, Equinox I (5)) é a Carruagem de Nossa Senhora Babalon, que leva em sua mão a Taça ou Graal.

Agora, esta é uma fórmula importante. É a Primeira das Fórmulas, em certo senso, pois é a fórmula da Renúncia.1 É também a Última!

É dito que esta Taça está cheia do Sangue dos Santos; isto é, todo “santo” ou magista deve dar até a última gota de seu sangue para esta taça. É o preço original pago pelo poder mágico. E se por poder mágico nós queremos dizer verdadeiro poder, a assimilação de toda força com a Luz Ultimal, a verdadeira Boda Rosa-Cruz, então aquele sangue é a oferenda da Virgindade, o único sacrifício que agrada ao Mestre, o sacrifício cuja única recompensa é a dor de dar-lhe um rebento.

Mas “vender a alma ao diabo”, renunciar, não importa o que, em troca de ganho pessoal2, é magia negra. Você não é mais um nobre doador de tudo o que é seu, mas um vigarista barato.

Esta fórmula é, porém, um pouco diferente em simbolismo, desde que é uma Mulher cuja Taça deve ser enchida. É antes o sacrifício do Homem, que transfere vida aos seus descendentes. Pois uma mulher não leva em si mesma o princípio de uma nova vida, exceto temporariamente, quando este lhe é confiado.

Mas aqui a fórmula implica em muito mais do que isto. Pois é a sua vida inteira que o Magus oferece à NOSSA SENHORA. A Cruz é tanto Morte quanto Geração; e é na Cruz que a Rosa floresce. A interpretação completa destes símbolos é tão elevada que não serve para um tratado elementar como este. A pessoa deve ser um Adeptus Exemptus, e estar pronta para ir além, antes de poder ver os símbolos mesmo de baixo. Apenas um Magister Templi pode compreendê-los por completo.

(Entretanto, o leitor pode estudar Liber 156, o 12º e o Æthyrs em Liber 418 e o simbolismo do V° e VI° O.T.O.)

Da preservação deste sangue que NOSSA SENHORA oferece ao ANCIÃO DOS ANOS, CAOS,3 o Todo-Pai, para revivê-lo, e de como a sua divina Essência enche a Filha (a alma do Homem) e a coloca sobre o Trono da Mãe, satisfazendo a Economia do Universo e, assim, no final das contas, recompensando o Magista (o Filho) dez mil vezes, seria ainda mais impróprio falarmos aqui. Um tão santo mistério é o Arcano dos Magister Templi que é aqui sugerido para cegar os presunçosos que possam, não merecendo, buscar erguer o véu; e ao mesmo tempo para iluminar a escuridão dos que podem requerer apenas um raio do Sol a fim de surgir para a vida e para luz.

II

ABRAHADABRA é uma palavra que deve ser estudada no Equinox I (5), “The Temple of Solomon the King”. Representa a Grande Obra completa e é, portanto, um arquétipo de todas as operações mágicas menores. De certo modo, é demasiado perfeita para ser aplicada de antemão a qualquer delas. Mas um exemplo de uma tal operação pode ser estudado na Parte IV deste livro, em que uma invocação de Horus usando esta fórmula é dada na íntegra. Note a reverberação das ideias, uma contra a outra. A fórmula de Horus ainda não foi investigada minuciosamente em riqueza de detalhes para que se justifique um tratado sobre sua teoria e prática; mas podemos dizer que está para a fórmula de Osiris como a turbina está para o motor de pistão.

III

Existem muitas outras palavras sagradas que encerram fórmulas muito úteis para operações especiais.

Por exemplo, V.I.T.R.I.O.L. fornece um certo regime dos Planetas que é útil para o trabalho Alquímico. Ararita é uma fórmula do macrocosmo, potente em certas elevadíssimas Operações da Magia da Luz Interna (veja-se Liber 813).

A fórmula de Thelema pode ser sumarizada assim:

  • Θ “Babalon e a Besta conjugados”.
  • ε A Nuit (CCXX i 51).
  • λ A Obra executada em Justiça.
  • η O Santo Graal.
  • μ A Água ali contida.
  • α O Bebê no Ovo (Harpocrates sobre o Lótus).

De Agape é como segue:

  • Α Dionísio.
  • γ A Terra Virgem.
  • α O Bebê no Ovo (a imagem do Pai).
  • π O Massacre dos Inocentes (lagar).
  • η O Gole de Êxtase.

O estudante lucrará bastante se buscar investigar estas ideias em detalhe, e desenvolver suas técnicas de aplicação.

Existe também o Nome Gnóstico das Sete Vogais, que fornece uma fórmula musical muito poderosa em evocações da Alma da Natureza. Há, além disto, ABRAXAS; XNOUBIS; MEITHRAS; e, em verdade, podemos declarar em suma que todo verdadeiro nome de Deus provê a fórmula da invocação daquele Deus4. Seria, portanto, impossível, ainda que se desejasse, analisar todos esses nomes. O método geral de se fazer isso foi dado acima, e o próprio magista deve analisar suas próprias fórmulas para casos particulares.5

IV

Devemos também mencionar que todo grau tem sua própria fórmula mágica particular. Assim, a fórmula de Abrahadabra nos concerne, como seres humanos, principalmente porque cada um de nós é a viva representação do pentagrama ou microcosmo; então devemos estar em equilíbrio com o hexagrama ou macrocosmo. Em outras palavras, 5=6 é a fórmula da operação Solar; mas depois, 6=5 é a fórmula da operação Marcial, e essa reversão dos algarismos simboliza um Trabalho muito diverso. No caso anterior, o problema era dissolver o microcosmo no macrocosmo; mas este outro problema é separar uma força particular do macrocosmo, tal como um selvagem poderia escavar um machado de sílex dos depósitos num barranco de giz. Da mesma forma, a operação de Júpiter consiste em equilibrá-lo com Vênus. Sua fórmula gráfica é 7=4, e haverá uma palavra em que o caráter desta operação é descrito, tal como Abrahadabra descreve a Operação da Grande Obra.

Podemos afirmar, sem exageros, que quanto mais longe da igualdade original estiverem os dois lados da equação, tanto mais difícil será executar a operação.

Assim, para considerarmos o caso da operação pessoal simbolizada pelos graus, é mais difícil se tornar um Neófito, 1=10, do que passarmos daquele grau para Zelator, 2=9.

A Iniciação é, portanto, progressivamente mais fácil, num certo senso, após o primeiro passo. Mas (principalmente após passarmos por Tiphereth) a distância entre grau e grau aumenta numa proporção geométrica com um fator tremendamente alto, que por si só progride.6

É evidente a impossibilidade de darmos detalhes sobre todas essas fórmulas. Antes de começar qualquer operação, o magista deve fazer um completo estudo Cabalístico dela, a fim de estabelecer-lhe a teoria em perfeita simetria. Preparação prévia e rigorosamente calculada é tão importante na Magia quanto na Guerra.

V

Seria lucrativo fazermos um estudo um pouco detalhado da aparentemente estranha palavra AUMGN, pois sua análise permite um excelente exemplo dos princípios sobre os quais o Practicus pode se basear para construir suas próprias Palavras Sagradas.

Esta palavra foi proferida pelo Mestre Therion como um meio de declarar seu trabalho pessoal como A Besta, o Logos do Æon. Para compreendê-la, devemos considerar preliminarmente a palavra que ela substitui e da qual foi desenvolvida: a palavra AUM.

A palavra AUM é o mantra sagrado hindu que foi o supremo hieróglifo da Verdade, um compêndio do Conhecimento Sagrado. Muitos volumes foram escritos sobre ela; mas para nosso propósito no presente será suficiente explicar como ela veio a servir de representação para os principais dogmas filosóficos dos Rishis.

Antes de mais nada, ela representa o curso completo do som. É pronunciada forçando-se o alento, do fundo da garganta com a boca bem aberta, através da cavidade bucal, com os lábios colocados de maneira a modificar o som aos poucos de A para O (ou U), até que os lábios se fecham, quando o som se torna M. Simbolicamente, isto anuncia o curso da Natureza, começando da criação livre e informe, continuando através de preservação formada e controlada, até chegar ao silêncio da destruição. Os três sons são harmonizados em um e, assim, a palavra representa a Trindade Hindu de Brahma, Vishnu e Shiva; e as operações no Universo da triuna energia desses deuses. É, pois, a fórmula de um Manvantara, ou período de existência manifestada, que se alterna com um Pralaya, durante o qual a criação está em estado latente.

Analisando cabalisticamente, a palavra demonstra possuir propriedades análogas. A é o negativo, e também a unidade que concentra o negativo em uma forma positiva. A é o Espírito Santo que engendra Deus na carne da Virgem, de acordo com a fórmula conhecida pelos estudantes de O Ramo de Ouro. A é também o “bebê no Ovo”, assim produzido. A qualidade de A, então, é bissexual. É o ente original – Zeus Arrhenothelus, Baco Diphues, ou Baphomet.

U ou V é o filho manifestado, ele mesmo. Seu número é 6. Refere-se, portanto, à natureza dual do Logos como divino e humano; no entrelaçamento dos triângulos direto e averso no hexagrama. É o primeiro número7 do Sol, cujo último número é 666, “o número de um homem”.

A letra M exibe o término deste processo. É o Enforcado do Tarô; a formação do individual pelo absoluto é concluída por sua morte.

Nós vemos, de acordo com isso, como Aum é, em qualquer dos dois sistemas, a expressão de um dogma que afirma catástrofe na natureza. É cognata com a fórmula do Deus Sacrificado. A “ressurreição” e “ascensão” não estão implicadas aqui. São invenções posteriores, sem base na necessidade; podem, em verdade, ser descritas como fantasmas freudianos, conjurados pelo medo de encarar a realidade. Para o hindu, de fato, são ainda menos respeitáveis. Do ponto de vista indiano, a existência é essencialmente objetável;8 e a principal preocupação do místico hindu é invocar Shiva9 para destruir a ilusão cuja opressão é a maldição do Manvantara.

A revelação central do Grande Æon de Horus é que esta fórmula Aum não representa os fatos da natureza. O ponto de vista que Aum expressa está baseado na falta de perspectiva quanto ao caráter da existência. Logo se tornou claro ao Mestre Therion que Aum era um hieróglifo inadequado e enganador. Expressava apenas parte da verdade, e insinuava uma falsidade fundamental. Consequentemente, Ele modificou a palavra de maneira que ela se tornasse capaz de representar os Arcanos desvelados pelo Æon do qual Ele é o Logos.

A tarefa essencial consistia em enfatizar o fato de que a natureza não é catastrófica: ela funciona através de ondulações. Poderia ser sugerido neste ponto que Manvantara e Pralaya são na verdade curvas complementares; mas a doutrina Hindu insiste categoricamente em negar continuidade entre as fases sucessivas. Apesar disto, era importante evitar perturbar o arranjo Trinitário da palavra, o que aconteceria com a adição de outras letras. Era igualmente importante tornar claro que a letra M representa uma operação que não ocorre realmente na natureza a não ser como um retiro dos fenômenos para dentro do absoluto; um processo que mesmo assim não é uma verdadeira destruição, mas, pelo contrário, é a emancipação de qualquer coisa das modificações que ela tomara por si mesma. Ocorreu a ele que a verdadeira natureza do Silêncio é permitir a vibração ininterrupta da energia ondulatória, livre das falsas concepções a ela adicionadas pelo Ahamkara, ou a faculdade que cria o Ego, cuja suposição de que individualidade consciente constitui existência, levou-a a considerar seu próprio caráter, aparentemente catastrófico, como sendo parte da ordem natural.

A fórmula ondulatória de putrefação é representada na Cabala pela letra N, que se refere a Escorpião, cuja tripla natureza combina a Águia, a Cobra e o Escorpião. Estes hieróglifos indicam as fórmulas espirituais de encarnação. Ele estava tão ansioso por usar a letra G, outra tripla fórmula expressiva dos aspectos da Lua, que além do mais declara a natureza da existência humana da seguinte maneira: a Lua é em si um corpo sem luz; mas uma aparência luminosa lhe é comunicada pelo Sol; e é exatamente desta forma que encarnações sucessivas criam a aparência, da mesma forma como a estrela individual, que todo ser humano é, permanece ela mesma, independentemente de a Terra perceber isso ou não.

Ora, acontece que a raiz de GN significa conhecimento e geração combinados em uma ideia única, de uma forma absolutamente independente de personalidade. O G é uma letra silente, como em nossa palavra Gnose; e o som GN é nasal, sugerindo, portanto, o alento de vida como oposto àquele da fala. Impelido por estas considerações, o Mestre Therion se propôs a substituir o M de Aum por uma letra composta MGN, simbolizando por esta a sutil transformação do aparente silêncio e morte que terminam a vida manifestada do Vau pela vibração contínua de uma energia impessoal da natureza de geração e conhecimento; a Lua Virgem e a Serpente, além do mais, operando para incluir na ideia uma comemoração daquela tradição tão grosseiramente deformada na lenda Hebraica do Jardim do Éden, e ainda mais rebaixada pela sua falsificação naquele malicioso ataque sectário, o Apocalipse.

Um trabalho em harmonia com a ordem natural das coisas é comprovado por corolários que não haviam sido contemplados pelo cabalista. No caso presente, o Mestre Therion ficou deleitado ao perceber que sua letra composta MGN, construída sob princípios teóricos a fim de incorporar as descobertas do Novo Æon, tinha o valor de 93 (M = 40, G = 3, N = 50). 93 é o número da palavra da Lei – THELEMA – Vontade, e de AGAPE – Amor, que indica a natureza da Vontade. É, além do mais, o número da Palavra que vence a morte, como sabem os membros do Grau M.M. da O.T.O., e é também o número da fórmula completa da existência, qual expressada na Verdadeira Palavra do Neófito, em que existência é tomada como significando aquela fase do Todo que é a resolução finita do Zero Cabalístico.

Finalmente, a numeração total da Palavra AUMGN é 100, que, como se ensina aos iniciados do Santuário da Gnose da O.T.O., expressa a unidade sob a forma de completa manifestação através do simbolismo de puro número, sendo Kether por Aiq Bkr;10 também Malkuth multiplicada por si mesma, 11 e assim estabelecida no universo fenomênico. Mas, além disso, este número 100 misteriosamente indica a fórmula Mágica do Universo como uma máquina reverberatória para a extensão do Nada através de opostos equilibrados.12

É também o valor da letra Qoph, que significa “a parte de trás da cabeça”, o cerebelo, onde a força criadora ou reprodutiva está primariamente situada. Qoph no Tarô é “a Lua”, uma carta sugerindo ilusão, no entanto mostrando forças parciais e opostas operando na escuridão, e o Escaravelho Alado, ou Sol da Meia-Noite, em sua Barca, viajando através do Nadir. Sua atribuição Yetzirática é Peixes, símbolo das correntes positivas e negativas das energias fluídicas, o macho Ichthus ou Pesce, e a fêmea Vesica, buscando respectivamente o ânodo e o cátodo. O número 100 é, portanto, um glifo sintético das sutis energias empregadas na criação da Ilusão, ou Reflexo da Realidade, que nós chamamos de existência manifestada.

O que vai acima são as principais considerações sobre o assunto de AUMGN. Deveriam ser suficientes para mostrar ao estudante os métodos empregados na construção dos hieróglifos da Magia, e para armá-lo com um mantra de tremendo poder, por virtude do qual ele pode apreender o Universo, e controlar em si mesmo as consequências Cármicas deste.

VI
A Memória Mágica

1.

Não há tarefa mais importante que a exploração de nossas encarnações passadas.13 Como diz Zoroastro: “Explora o rio da alma; de onde e de que maneira tu vieste”. Não podemos executar nossa Verdadeira Vontade inteligentemente a não ser que saibamos o que ela é. Liber Thisharb dá instruções para descobrirmos isso pelo cálculo da resultante das forças que fizeram de nós o que somos. Mas esta prática está limitada a nossa encarnação presente.

Se despertássemos de repente num bote em um rio desconhecido, seria imprudente concluirmos que a direção da pernada visível é a da corrente inteira. Seria de grande auxílio se pudéssemos nos lembrar das orientações de outras partes do rio, atravessadas antes de tirarmos nosso cochilo. Aliviaria ainda mais a nossa ansiedade se nos tornássemos cônscios de que uma força constante e uniforme era a determinante única de todas as curvas da corrente: a gravitação. Nós poderíamos nos regozijar sabendo que “mesmo o mais cansado dos rios por fim desemboca no mar”.

Liber Thisharb descreve um método de obter a Memória Mágica. Isto consiste em aprendermos a nos lembrar das coisas em reverso. Mas a cuidadosa prática de Dharana talvez seja geralmente mais útil. À medida que impedimos que os pensamentos mais suscetíveis surjam no consciente, nós tocamos camadas mais profundas – memórias da infância não despertadas. Ainda mais profundamente jaz uma classe de pensamentos cuja origem nos intriga. Alguns destes, aparentemente, pertencem a encarnações passadas. Cultivando esses departamentos de nossas mentes, nós podemos desenvolvê-los, tornando-nos peritos. Formamos assim uma memória coerente desses elementos originalmente desconexos. A faculdade se densenvolve com espantosa rapidez uma vez que aprendemos a técnica.

É muito mais fácil (por motivos óbvios) adquirir a Memória Mágica se estamos jurados desde muitas existências a reencarnar imediatamente. O maior obstáculo é o esquecimento freudiano; isto consiste em que, se bem que um acontecimento desagradável possa estar fielmente registrado pelo mecanismo do cérebro, nós não conseguimos nos lembrar dele, ou recordamo-nos erroneamente, porque ele nos é penoso. A Psicopatologia da Vida Cotidiana analisa e exemplifica este fenômeno em detalhe. Ora, o Rei dos Terrores sendo a Morte, é realmente difícil encará-lo face a face. Os homens têm criado uma quantidade de máscaras fantásticas; fala-se de “ir para o céu”, ou de “passar a um mundo melhor”, e assim por diante; bandeiras hasteadas em torres de papel sem bases teóricas. Instintivamente evitamos nos lembrar de nossa última morte, tal como evitamos pensar em nossa próxima.14 O ponto de vista do iniciado é de uma ajuda imensa.

Tão logo se passa o pons asinorum, a prática se torna muito mais fácil. Dá muito menos trabalho rememorarmos a morte anterior à última; familiaridade com a morte resulta em descaso por ela.

É de grande auxílio para o principiante se ele tiver algum motivo intelectual para se identificar com alguma definida pessoa do passado imediato. Um breve relato da boa sorte de Aleister Crowley nisto deverá ser instrutivo. Será visto que os pontos de contato variam muito em caráter.

  1. A data da morte de Eliphas Levi foi cerca de seis meses antes do nascimento de Aleister Crowley. Supõe-se que o ego, se reencarnando, toma posse do feto neste estágio de desenvolvimento.
  2. Eliphas Levi possuía uma notável semelhança com o pai de Aleister Crowley. Isto, naturalmente, apenas sugere certo grau de adequação do ponto de vista físico.
  3. Aleister Crowley escreveu uma peça intitulada “The Fatal Force” em uma ocasião em que ele ainda não havia lido nenhuma das obras de Eliphas Levi. O tema dessa peça é uma Operação Mágica de um tipo muito peculiar. A fórmula que Aleister Crowley supusera ser sua ideia original é mencionada por Levi. Não pudemos encontrá-la em qualquer outra fonte com tão exata correspondência em tantos detalhes.
  4. Aleister Crowley descobriu que certo quarteirão de Paris lhe era incompreensivelmente familiar e atraente. Isto não era o fenômeno ordinário de um déjà vu; era principalmente a sensação de estar em casa novamente. Ele descobriu, tempos depois, que Levi vivera naquela vizinhança durante muitos anos.
  5. Existem muitas semelhanças curiosas entre os acontecimentos da vida de Eliphas Levi e a de Aleister Crowley. A intenção dos pais de que seu filho seguisse a carreira religiosa; a inabilidade de usar muitos talentos notáveis de qualquer maneira regular; o inexplicável ostracismo que o afligia, e cujos autores pareciam de algum modo ter vergonha de si mesmos; os acontecimentos relativos ao casamento15 – tudo isso oferece paralelos surpreendentes.
  6. O temperamento dos dois homens é sutilmente idêntico em muitos pontos. Ambos parecem estar constantemente tentando reconciliar insuperáveis antagonismos. Ambos experimentam dificuldade em abandonar a ilusão de que as crenças e hábitos fixos dos homens podem ser radicalmente alterados por umas poucas explicações amistosas. Ambos demonstram uma curiosa predileção por conhecimentos exóticos, preferindo fontes recônditas de ciência. Ambos levam nomes e trajes muito a sério; eles adotam aparências excêntricas. Ambos inspiram o que pode ser chamado de medo e pânico em completos desconhecidos, que não conseguem prover qualquer explicação racional para uma repulsa que às vezes chega quase a uma insanidade temporária. A paixão dominante em cada caso é de ajudar a humanidade. Ambos demonstram um desinteresse por sua prosperidade pessoal, e até por seu conforto; no entanto, ambos demonstram amor ao luxo e ao esplendor. Ambos são de um orgulho satânico.
  7. Quando Aleister Crowley se tornou Frater Οϒ ΜΗ e teve de escrever sua tese para o Grau de Adeptus Exemptus, ele já havia coligido suas ideias quando A Chave dos Grandes Mistérios de Levi lhe caiu nas mãos. Foi notável que ele, tendo admirado Levi durante anos, e mesmo começando a suspeitar de sua identidade, não tivesse se preocupado (se bem que era um extravagante comprador de livros) em adquirir este particular volume. Ele descobriu, para seu espanto, que quase tudo que tencionava dizer estava escrito ali. O resultado foi que ele abandonou sua tese, e em vez de concluí-la, traduziu para o inglês a obra-prima em questão.
  8. O estilo dos dois homens é notavelmente semelhante em numerosos pontos sutis e profundos. O ponto de vista geral é quase idêntico. A qualidade da ironia é a mesma. Ambos têm um prazer perverso em armar ciladas ao leitor. Em um ponto, acima de tudo, a identidade é absoluta – não existe um terceiro nome na literatura que possa ser colocado na mesma classe. O ponto é este: em uma sentença única são combinados sublimidade e entusiasmo com sardônica amargura, ceticismo, grosseria e desprezo. Evidentemente é o supremo prazer de ambos emitir um acorde composto de tantos elementos antagônicos quanto for possível. O prazer parece derivar da gratificação do senso de poder, o poder de compelir todo possível elemento de pensamento a contribuir ao espasmo.

Se a teoria da reencarnação fosse geralmente aceita, as considerações acima estabeleceriam um caso forte. Frater Perdurabo estava completamente convencido em uma parte de sua mente quanto a esta identidade, muito antes de ter experimentado memórias diretas do assunto.16

2.

A não ser que tenhamos uma base deste tipo, da qual começar, devemos retraçar os acontecimentos prévios de nossa vida tão bem quanto possamos pelos métodos sugeridos acima. Pode ser de algum auxílio se dermos alguma característica da genuína Memória Mágica; se mencionarmos algumas fontes de erro, e estabelecermos regras críticas para a verificação de nossos resultados.

O primeiro grande perigo é a vaidade. Devemos estar sempre de sobreaviso quanto a “lembranças” de que fomos Cleópatra ou Shakespeare.

Também, semelhanças superficiais são em geral enganadoras.

Um dos grandes testes para a genuinidade de qualquer lembrança é a recordação das coisas realmente importantes daquela existência, não das coisas de que a maioria comumente considera importante. Por exemplo, Aleister Crowley não se recorda de quaisquer dos acontecimentos decisivos da vida de Eliphas Levi. Ele se recorda de trivialidades íntimas da infância. Ele tem uma lembrança vívida de certas crises espirituais; particularmente uma que ocorreu enquanto Levi caminhava de baixo para cima ao longo de uma seção de estrada solitária, em um distrito plano e desolado. Ele se recorda de incidentes ridículos, tais como frequentemente ocorrem na hora da ceia, quando a conversação toma cursos em que uma palavra jovial ao acaso cala fundo em nós, e recebemos uma suprema revelação que, no entanto, é perfeitamente inarticulada. Ele esqueceu seu casamento e seus trágicos resultados,17 se bem que o plágio que o Destino ousou perpetrar em sua existência presente deveria, poderíamos supor, reabrir naturalmente a ferida.

Existe uma sensação que nos assegura intuitivamente quando estamos na pista certa: há uma estranheza na memória que de algum modo nos perturba. Dá-nos um sentimento de vergonha e culpa. Há uma tendência a nos ruborizarmos. Sentimo-nos como um garoto de escola, descoberto a rabiscar um poema. É a mesma sensação que ocorre quando encontramos uma fotografia desbotada, ou um anel de cabelos de vinte anos atrás, no meio das quinquilharias de um baú velho. Esse sentimento independe de a coisa em questão ter sido uma fonte de prazer ou de dor. Será que nos ressentimos da ideia de nossa “prévia condição de servidão”? Queremos esquecer o passado, por mais razão que haja para nos orgulharmos dele. É bem sabido que muitos homens educados se sentem embaraçados na presença de um macaco.

Quando este constrangimento não ocorre, desconfie da exatidão da recordação. As únicas lembranças legítimas que se apresentam serenamente são invariavelmente conectadas àquilo que os homens chamam de desastres. Em vez da sensação de ter sido pego nos deslizamentos, sente-se como se tivesse sido esquecido no postigo. Temos a maliciosa satisfação de termos perpetrado uma tremenda tolice, e escapado sem um arranhão. Quando vemos a vida em perspectiva, é um imenso alívio descobrir que coisas como a falência, o casamento e a forca não fizeram, afinal de contas, nenhuma diferença. Foram apenas acidentes, como os que podem ocorrer com qualquer um; não influenciaram o que havia de real importância. Consequentemente nos lembramos de que nos cortaram as orelhas como se o fato fosse uma saída de sorte, enquanto a pilhéria casual de um colega de bar embriagado em um café noturno nos ferroa com a vergonha de um alpinista social a quem um desconhecido educado casualmente menciona “Meu Tio”.

O testemunho da intuição é, no entanto, puramente subjetivo, e exige provas colaterais. Seria um grande erro pedir demasiado. Em consequência do caráter peculiar das lembranças que estão sobre o microscópio, uma confirmação grosseira quase sugere perjúrio. Um patologista criaria suspeitas se afirmasse que seus bacilos se haviam arranjado na lâmina de modo a soletrar Staphylococcus. Desconfiamos de um arranjo floral que nos diz que “Vale a pena viver em Detroit, Michigan”. Suponhamos que Aleister Crowley se recorde de ter sido Sir Edward Kelly. Não significa que ele será capaz de nos dar detalhes da cidade de Cracóvia tal como ela era na época de James I da Inglaterra. Acontecimentos materiais são palavras de uma linguagem arbitrária; os símbolos de uma cifra escolhida de antemão. O que aconteceu a Kelly em Cracóvia pode ter tido significado para ele; mas não há motivo para presumir que tenha qualquer significado para o seu sucessor.

Existe uma linha óbvia para avaliarmos qualquer lembrança. Ela não pode estar em conflito com fatos estabelecidos. Por exemplo, não podemos ter duas vidas que se interceptam, a não ser que haja motivo para supor que a primeira pessoa morreu espiritualmente antes de seu corpo parar de respirar. Isto poderia acontecer em certos casos, como insanidade.

Não é conclusivo contra uma encarnação prévia que nossa condição presente seja inferior à passada. Nossa vida presente pode representar as possibilidades integrais de certo Carma parcial. Podemos ter devotado esta nossa encarnação à liquidação das dívidas de uma parte de nosso caráter prévio. Por exemplo, nós poderíamos dedicar uma existência a liquidar a conta acumulada por Napoleão de sofrimentos desnecessários causados a outros, a fim de recomeçarmos, sem dívidas, uma existência dedicada a colher a recompensa dos imensos serviços que o corso prestou à raça.

O Mestre Therion, de fato, se recorda de diversas encarnações de quase desequilibrada miséria, angústia e humilhação, incorridas a fim de que ele pudesse retomar seu trabalho espiritual sem oposição por parte de credores cármicos.

Estas são as marcas. A memória se coaduna com os fatos observados da vida presente. Esta correspondência pode ser de dois tipos. É raro (e, pelos motivos declarados acima, não tem importância) que nossa memória possa ser confirmada pelo que podemos chamar, desdenhosamente, de evidência externa. Foi de fato uma contribuição confiável para a psicologia observar que uma geração má e adúltera buscava um sinal.

(Ainda assim, o valor permanente da observação é traçar a genealogia do fariseu – desde Caifás até o Cristão moderno.)

Sinais enganam, conduzem a caminhos errôneos. O fato de que qualquer coisa é inteligível prova que está endereçada à pessoa errada; porque a própria existência de linguagem pressupõe incapacidade de nos comunicarmos diretamente. Quando Sir Walter Raleigh estendeu seu manto sobre a estrada enlameada, ele meramente expressou, em uma cifra possibilitada por uma combinação de circunstâncias, seu desejo, outrossim inexprimível, de cair nas boas graças da Rainha Elizabeth I. O significado de sua ação foi determinado pelo concurso das circunstâncias. A realidade não pode se reproduzir exclusivamente desta forma especial. Não há motivo para nos lembrarmos de que um ritual tão extravagante era necessário à como Júlio César, não há necessidade de reencenar seu poder e colocar tudo em risco por imaginar o Rio Rubicão. Qualquer estado espiritual pode ser simbolizado por uma infinita variedade de atos em uma infinita variedade de circunstâncias. Deveríamos nos recordar apenas daqueles acontecimentos que estejam imediatamente ligados às nossas tendências peculiares de imaginar uma coisa antes que outra.18

Lembranças genuínas quase invariavelmente nos explicam a nós mesmos. Suponha, por exemplo, que você sinta uma repulsa instintiva por algum tipo particular de vinho. Por mais que tente, você não encontra motivos para sua idiossincrasia. Suponha então que, quando você explora alguma encarnação prévia, se recorda que morreu por causa de um veneno administrado em um vinho daquele tipo; sua aversão é explicada pelo provérbio “gato escaldado tem medo de água fria”. Pode-se contestar que em um tal caso sua libido criou um fantasma de si mesmo, da maneira explicada por Freud. Esta crítica é justa, mas seu valor diminui se você se tornou cônscio da existência dessa repulsa depois que sua Memória Mágica atraiu sua atenção para o fato. Realmente, a essência do teste consiste nisso: que sua memória lhe notifica de alguma coisa nesta vida que é a conclusão lógica das premissas postuladas pela encarnação passada.

Como exemplo, podemos citar certas memórias do Mestre Therion. Ele seguiu uma cadeia de pensamentos que o levou a recordar de sua existência como um Romano chamado Marius de Aquila. Seria forçar a lei de probabilidade se presumíssemos uma conexão entre (α) este método hieroglificamente registrado de autoanálise e (β) a introspecção comum, realizada com princípios inteligíveis a ele mesmo. Ele se recorda diretamente de várias pessoas e diversos acontecimentos relacionados com essa encarnação; e, aparentemente, tanto as pessoas existiram quanto os acontecimentos realmente ocorreram. Não há motivo pelo qual tais memórias, antes de quaisquer outras, tivessem penetrado ao acaso na mente de Mestre Therion. Ele não encontra qualquer motivo para relacioná-las com qualquer coisa em sua vida presente. Mas um exame subsequente do registro indica que o resultado lógico da Obra de Marius de Aquila não ocorreu com aquele romântico patife; de fato, ele morreu antes que qualquer coisa pudesse ocorrer. Podemos supor que qualquer coisa que seja possa ser impedida em seu efeito? O Universo é unânime em refutação. Se, então, os exatos efeitos que poderíamos supor que resultariam daquelas causas estão manifestados na carreira de Mestre Therion, seguramente a explicação mais fácil e mais razoável é assumirmos uma identidade entre os dois homens. Ninguém se choca ao observar que a ambição de Napoleão diminuiu a estatura do francês médio. Nós sabemos, que de uma forma ou de outra, toda força tem de ser satisfeita; e pessoas que percebem o fato de que acontecimentos externos são meros sintomas de ideias externas não encontram dificuldade em atribuir as correspondências de uns às identidades dos outros.

Que nenhum defensor da Magia insista na validade objetiva de tais concatenações! Seria infantil apegarmo-nos à ideia de que Marius de Aquila realmente existiu; isso não nos deve importar mais do que importa ao matemático se o uso do símbolo X²² implica na “realidade” de 22 dimensões de espaço. O Mestre Therion pouco se importa se ele foi realmente Marius de Aquila, ou se alguma vez existiu tal pessoa, ou se o próprio Universo não é mais que um pesadelo que ele criou por uma excessiva ingestão de rum e água. A sua memória sobre Marius de Aquila, das aventuras dele em Roma e na Floresta Negra pouco importa, quer ao Mestre Therion, quer a qualquer outra pessoa. O que importa é isto: fato ou ilusão, ele encontrou uma forma simbólica que o habilitou a se governar melhor para seus próprios propósitos. Quantum nobis prodest hæc fabula Christi! A “falsidade” das Fábulas de Esopo não diminui seu valor para humanidade.

Esta redução da Memória Mágica ao nível de um artifício através do qual nossa sabedoria interna se exterioriza não deve ser considerada como cética, a não ser em último caso. Nenhuma hipótese científica pode dar evidência mais forte de sua validade do que as confirmações de suas predições por evidência experimental. O que é objetivo sempre pode ser expresso por símbolos subjetivos, se necessário. A controvérsia, no fim, perde todo significado. Como quer que interpretemos a evidência, sua verdade relativa depende de sua coerência interna. Nós, portanto, podemos dizer que qualquer lembrança mágica é genuína se explica as nossas condições externas ou internas. Qualquer coisa que esclareça o Universo para nós, qualquer coisa que nos revele a nós mesmos, deveria ser bem-vinda neste mundo de enigmas.

À medida que nossa lembrança se estende no passado, a evidência de sua verdade se torna cumulativa. Toda encarnação de que nos lembramos deve aumentar nossa compreensão de nós mesmos. Qualquer obtenção de conhecimento deve indicar com precisão certeira a solução de algum enigma proposto pela Esfinge de nossa cidade nativa desconhecida, Tebas. A complicada situação em que nos encontramos é composta de elementos, e nenhum desses elementos saiu do nada. A Primeira Lei de Newton se aplica a todo plano do pensamento. A teoria da evolução é oniforme. Há um motivo para a nossa predisposição para a gota, ou para o formato de nossa orelha, no passado. O simbolismo pode mudar; os fatos, não. De uma maneira ou de outra, tudo quanto existe é derivado de alguma manifestação prévia. Acreditemos, se quisermos, que a memória de nossas encarnações passadas são sonhos; mas sonhos são determinados pela realidade, tanto quanto os acontecimentos da vida diária. A verdade deve ser apreendida pela correta tradução da linguagem simbólica. A última seção do Juramento do Magister Templi é: “Eu juro interpretar todo fenômeno como um trato particular entre Deus e minha alma”. A Memória Mágica é, em última análise, uma maneira; e, como a experiência testemunha, uma das maneiras mais importantes, de cumprir este voto.


  1. Não há aqui implicação moral. Porém, escolher A significa renunciar a não-A; ao menos é assim abaixo do Abismo. ↩︎

  2. Suposto ganho pessoal. Não há na realidade uma pessoa para ganhar; portanto, a transação é um roubo dos dois lados. ↩︎

  3. CAOS é um nome genérico para a totalidade das Unidades de Existência; é, assim, um nome feminino em forma. Cada unidade de CAOS é em si Todo-Pai. ↩︎

  4. Os Membros do IV° O.T.O. estão bem a par de uma certa Palavra Mágica cuja análise contém toda Verdade, humana e Divina; uma palavra verdadeiramente potente para qualquer grupo que ousa utilizá-la. ↩︎

  5. A Santa Cabala (Liber D em Equinox I (8), Suplemento, e Liber 777) fornece os meios de análise e aplicação requeridos. Veja-se também Equinox I (5), “The Temple of Solomon The King”. ↩︎

  6. Foi sugerido recentemente que a Hierarquia dos Graus deveria ser “destruída e substituída por” um sistema em cadeia de 13 graus, todos iguais. Existe, é claro, um senso em que cada grau é uma Coisa em Si. Mas a Hierarquia é apenas um método conveniente de classificar fatos observados. Nós pensamos na democracia que, sendo informada pelo Ministro do Interior de que a escassez de provisões era devida à Lei de Procura e Demanda, aprovou unanimemente uma resolução para revogar imediatamente aquela lei iníqua!

    Toda pessoa, qualquer que seja seu grau na Ordem, tem além do mais um grau “natural” apropriado à sua virtude intrínseca. Ela pode esperar ser “arremessada” àquele grau quando se torna 8=3. Assim, uma pessoa, através de sua carreira, pode ser essencialmente do tipo de Netzach; outra, de Hod. Da mesma forma, Rembrandt e Raphael retiveram cada qual seu ponto de vista durante cada estágio da sua arte. A consideração prática é que alguns aspirantes usualmente experimentam dificuldades em alcançar certos graus; ou, pior, permitem que suas predisposições internas os influenciem a negligenciar tipos antipáticos de trabalho e enfatizar os tipos simpáticos. Eles poderiam assim se tornar ainda mais desequilibrados do que já eram, com resultados desastrosos. Sucesso em nossa ocupação favorita é uma tentação; quem cede ao seu encanto limita seu próprio crescimento. É verdade que toda Vontade é parcial, mas mesmo assim, ela só pode ser satisfeita por uma expansão simétrica. Deve ser ajustada ao Universo, ou fracassará em alcançar a perfeição. ↩︎

  7. O Sol sendo 6, um quadrado 6 × 6 contém 36 quadrados. Organizamos os números de 1 a 36 neste quadrado, para que cada linha, coluna e diagonal somem o mesmo número. Esse número é 111; o total de tudo é 666. ↩︎

  8. Thelemitas concordam que existência manifesta implica Imperfeição. Mas eles entendem porque a Perfeição cria esse disfarce. A Teoria é desenvolvida totalmente em Liber Aleph e na Parte IV deste Liber ABA. Veja-se também Cap. V, parágrafo sobre o F final de FIAOF. ↩︎

  9. A teoria Vaishnava, superficialmente oposta a isso, revela, em análise, ser praticamente idêntica. ↩︎

  10. Um método de exegese no qual 1 = 10 = 100, 2 = 20 = 200 etc. ↩︎

  11. 10² = 100. ↩︎

  12. ‎כף‎ = 100 (20 + 80). ‎כ‎ = κ = Κτεις; ‎ף‎ = φ = Φαλλος (por Notariqon). ↩︎

  13. A reencarnação tem sido contestada pelo argumento de que a população deste planeta tem aumentado rapidamente. De onde vêm as novas almas? Não é necessário inventar teorias sobre outros planetas; é suficiente dizer que a Terra está passando por um período em que as unidades humanas estão sendo construídas a partir dos elementos com maior frequência. A evidência dessa teoria vem à tona: em que outra época houve tal puerilidade, tal falta de experiência racial, tal confiança em fórmulas incoerentes? (Contraste o emocionalismo infantil e credulidade do anglo-saxão “bem-educado” médio com o astuto senso comum do camponês analfabeto normal.) Uma grande proporção hoje em dia é composta de “almas” que estão vivendo a vida humana pela primeira vez. Note especialmente a incrível propagação da homossexualidade congênita e outras deficiências sexuais em muitas formas. Estas são pessoas que não entenderam, aceitaram e usaram nem mesmo a Fórmula de Osiris. Seus parentes são os “nascidos uma vez” de William James, que são incapazes de filosofia, magia ou mesmo religião, mas buscam instintivamente um refúgio do horror de contemplar a Natureza, que eles não compreendem, em afirmações calmantes, como as da Ciência “Cristã”, do Espiritismo e de todos os falsos credos ocultos, assim como as formas emasculadas do chamado Cristianismo. ↩︎

  14. Esta última é uma prática muito valiosa para se realizar. Veja-se Liber HHH; leia também as meditações budistas sobre as Dez Impurezas. ↩︎

  15. Levi, ao ser deliberadamente abandonado, retirou sua proteção de sua esposa; ela perdeu sua beleza e inteligência e se tornou presa de um pitecóide velho e medonho. A esposa de Aleister Crowley insistiu em fazer sua própria vontade, como ela definiu; isso o obrigou a ficar de lado. O que aconteceu com a sra. Constant aconteceu com ela, embora de forma mais violenta e desastrosa. ↩︎

  16. Muito depois do escrito acima, a publicação da biografia de Eliphas Levi por M. Paul Chacornac confirmou a hipótese em inúmeras maneiras impressionantes. ↩︎

  17. Talvez seja significativo que, embora o nome da mulher lhe seja familiar desde 1898 e.v., ele nunca foi capaz de memorizá-lo. ↩︎

  18. A exceção é quando alguma circunstância extravagante prende um nó no canto do lenço mnemônico de alguém. ↩︎


Traduzido por Marcelo Ramos Motta (Frater Ever). Revisado por Frater ΑΥΜΓΝ.

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