Ritual do Grau 4=7 de Philosophus

Um capítulo de O Templo do Rei Salomão

Um resumo da cerimônia do grau de Netzach da antiga Golden Dawn.

.
Leia em 13 min.
Banner

Ritual do Grau 4=7 de Philosophus

A Primeira Parte

Este Ritual é particularmente atribuído ao Elemento Fogo, e refere-se ao planeta Vênus e aos Vigésimo-nono, Vigésimo-oitavo e Vigésimo-sétimo caminhos de Qoph, Tzaddi e Peh.

A Adoração começa com o Hierofante dizendo: “TETRAGRAMMATON TZABAOTH! BENDITO SEJAS TU! O SENHOR DOS EXÉRCITOS É TEU NOME!” Ao qual todos respondem “Amém”. Então o Hierofante ordena que todos os presentes adorem seu Criador em Nome de Elohim, poderoso e governante, em Nome de Tetragrammaton Tzabaoth, e em Nome dos Espíritos do Fogo. Então, em Nome de TETRAGRAMMATON TZABAOTH, ele declara o Templo aberto.

Após a Adoração, é celebrado o ritual de Avanço do Caminho de ק. O Hegemon conduz o Practicus através dos pilares e então circum-ambula o Templo. Ao se aproximarem do Hierofante, este se levanta, erguendo o lampião vermelho, e diz:

“O Sacerdote com a máscara de Osíris falou e disse: ‘Eu sou a água, estagnada, silenciosa e quieta; refletindo tudo, ocultando tudo. Eu sou o Passado! Eu sou a inundação. Aquele que surge das grandes águas é meu nome. Salve a vós! Ó moradores da terra da Noite. Salve a vós! pois o romper da escuridão está próximo’!”

O Hiereus diz:

“O Sacerdote com a máscara de Hórus falou e disse: ‘Eu sou a Água, turva, e perturbada, e profunda. Eu sou aquele que Bane a Paz na vasta morada das Águas! Ninguém é tão forte que possa suportar a Força das Grandes Águas: a Vastidão de seu Terror: a Magnitude de seu Medo: o Rugido de sua Voz trovejante. Eu sou o Futuro, coberto de névoa e envolto em escuridão. Eu sou a retirada da torrente, a Tempestade velada em Terror é meu Nome. Salve os possantes Poderes da Natureza e os chefes da Tempestade rodopiante’.”

Então o Hegemon diz:

“A sacerdotisa com a máscara de Ísis falou e disse: ‘O viajante através dos portões de Anúbis é o meu Nome. Eu sou a água perfeita, e límpida, e pura, sempre fluindo em direção ao mar de prata. Eu sou o Presente eterno, que está no lugar do Passado; eu sou a terra fertilizada. Salve os moradores das alas da Manhã’!”

Então o Hierofante faz a seguinte oração:

“Eu me levanto no Lugar da Reunião das Águas através das nuvens da Noite que retrocedem. Do Pai das Águas saiu o Espírito rompendo os véus das Trevas. E havia apenas uma vastidão de Prata e de Profundidade no lugar da Reunião das Águas.

“Terrível era o silêncio de um mundo incriado. Imensurável a profundidade daquele Abismo. E os Semblantes das Trevas semiformes surgiram.

“Eles não permaneceram; eles se afastaram; e na vastidão da vacância o Espírito se moveu; e por um curto período houve os portadores da luz.

“Eu disse: Escuridão da Escuridão; os Semblantes das Trevas não caíram com os reis que outrora existiam? Os Filhos da Noite do Tempo duram para sempre? Eles ainda não pereceram.

“Diante de todas as coisas há as águas; e as Trevas e os Portões da terra da Noite.

“E o Caos clamou em voz alta pela unidade da Forma, e a Face do Eterno surgiu.

“E diante da Glória Daquele Rosto a Noite retrocedeu, e a Escuridão se afugentou.

“Nas Águas abaixo aquele Rosto era refletido no Abismo Amorfo do Vazio.

“Daqueles olhos saíam raios de terrível esplendor que cruzavam com as correntes refletidas.

“Aquela Fronte e aqueles Olhos formaram o Triângulo dos Céus imensuráveis, e seu reflexo formou o Triângulo das águas imensuráveis.

“E assim foi formulado na Eternidade a Hexade Externa; e este é o número da Aurora da Criação!"

Após o Hegemon iluminar o Templo, o Hierofante explica ao Practicus sobre a Cruz do Calvário de doze quadrados:

“A Cruz do Calvário de doze quadrados representa adequadamente o Zodíaco; que abraça as Águas de Nu, como os antigos egípcios chamavam os Céus, as águas que estão acima do Firmamento. Também alude ao Eterno Rio do Éden, dividido em quatro cabeceiras, que encontram sua correlação nas quatro triplicidades do Zodíaco”.


Diagrama 37: O Arranjo do Templo para o 29º Caminho no Ritual de 4=7.

Depois disso, explica a ele a Décima-Oitava Chave do Tarô. Ela representa a Lua crescente no lado de Gedulah; tem dezesseis raios principais e dezesseis raios secundários. Quatro Yods hebreus caem dela. Há também duas Torres de vigia, dois cães e um lagostim. “Ela é a Lua aos pés da Mulher do Apocalipse, governando igualmente as naturezas frias e úmidas, e os elementos passivos da Água e da Terra." Os quatro Yods referem-se às quatro letras do Santo Nome. Os cães são os chacais de Anúbis guardando os portões do Oriente e do Ocidente simbolizados pelas duas Torres. O lagostim é o signo de Câncer, o Escaravelho ou Deus Kephra. “O emblema do Sol abaixo do horizonte, como sempre está quando a Lua está crescendo acima”.

Então o Hierofante conduz o Practicus à Serpente de Bronze, e diz:

“Esta é a Serpente Nehushtan, que Moisés fez. ‘E ele a colocou sobre um Poste[1]’ – isto é, ele a enrolou ao redor do pilar do meio das Sephiroth, porque ele é o reconciliador entre os fogos de Geburah (Serafins, serpentes de fogo) ou Severidade, e as Águas de Chesed ou Misericórdia. Esta serpente é também um símbolo de Cristo o Reconciliador, também é conhecida como Nogah entre as Conchas, e a Serpente Celestial da Sabedoria. ‘Mas a Serpente da Tentação era a Serpente da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal, e não a Serpente da Árvore da Vida’.”


Diagrama 38: A Cruz do Calvário de Doze Quadrados.


Diagrama 39: A Serpente de Bronze.


Diagrama 40: A Cabala das Nove Câmaras.


Diagrama 41: O Diagrama das Três Colunas.

Depois disso, o Hiereus mostra ao Practicus “A Cabala das Nove Câmaras” e o diagrama da “Formação da Árvore da Vida no Tarô”. E o Hegemon «diz»: O Diagrama que representa a Formação do Hexagrama, e conhecida como “O Diagrama das Três Colunas”; e também lhe explica o modo de usar as Formas Talismânicas extraídas das Figuras Geomânticas.

Então o Hierofante confere ao Practicus o título de “Senhor do Vigésimo-Nono Caminho” e a primeira parte do Ritual está encerrada.

A Segunda Parte

A Segunda Parte, a passagem do Caminho de צ, começa com o Hierofante dizendo ao Practicus:

“Frater Monokeros de Astris, o Caminho que agora está aberto para você é o Vigésimo-Oitavo, que vai do 2=9 de Theoricus ao 4=7 de Philosophus. Segure em sua mão direita a Pirâmide Sólida dos Elementos e siga seu guia pelo Caminho”.


Diagrama 42: O Arranjo do Templo para o 28º Caminho no Ritual de 4=7.

Então, como antes, o Hierofante ergue seu lampião vermelho e brada:

“A Sacerdotisa com a Máscara de Ísis falou e disse: ‘Eu sou a chuva do Céu que desce sobre a Terra, trazendo consigo o poder frutífero e germinativo. Eu sou a abundante produtora de Colheita; eu sou a guardiã da Vida’.”

“A Sacerdotisa com a Máscara de Nephthys falou e disse: ‘Eu sou o orvalho descendo, invisível e silencioso, cravejando a Terra com incontáveis Diamantes de Orvalho, derrubando a influência de cima na escuridão solene da Noite’.”

Após o qual o Hegemon diz:

“A Sacerdotisa com a Máscara de Athoor falou e disse: ‘Eu sou a governante da névoa e da nuvem, envolvendo a Terra como se fosse em uma vestimenta, flutuando e pairando entre a Terra e o Céu. Eu sou a doadora do véu de névoa do Outono: a Sucessora da Noite orvalhada’.”


Diagrama 43: A Pirâmide dos Quatro Elementos.

Pouco depois, o Hierofante explica ao Practicus a Pirâmide truncada:

“Esta pirâmide é atribuída aos quatro elementos; em seu ápice está a palavra את (Ath) composta pela primeira e última letras do Alfabeto, significa Essência. A base quadrada representa o universo material”.

E então a Décima-Sétima Chave do Tarô:

Esta Chave representa uma Estrela com sete raios principais e quatorze raios secundários, ao todo vinte e um, o número do nome divino Eheieh. No sentido egípcio é Sirius, a Estrela do Cão, a estrela de Ísis-Sothis. Ao seu redor estão os sete planetas. A figura nua é a síntese de Ísis, Néftis e Hathoor. Ela é Aima, Binah e Tebunah, a grande Mãe Suprema Aima Elohim derramando sobre a Terra as Águas da Criação. Nesta Chave, ela está completamente desvelada, enquanto na vigésima-primeira estava apenas parcialmente. As duas urnas contêm as influências de Chokhmah e Binah. À direita brota a Árvore da Vida e à esquerda a Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal, onde pousa o pássaro de Hermes; portanto, esta Chave representa o Mundo restaurado.

Isto terminado, o Hierofante mostra-lhe o método de escrever o Santo Nome em cada um dos quatro Mundos[2]; e também lhe explica o método de escrever palavras hebraicas pela atribuição Yetzirática do Alfabeto. O Hiereus revela “As Figuras Lineares atribuídas aos Planetas”, mostrando decagramas, hendecagramas e dodecagramas; e explica-lhe o número de modos possíveis de traçar as figuras lineares. O Hegemon informa-o que o Sepher Yetzirah divide os dez números em tétrade e héxade; também explica as Figuras Geomânticas dispostas de acordo com sua atribuição planetária na Árvore da Vida[3].


Diagrama: As Figuras Lineares.

Assim termina a segunda parte deste ritual, e o Hierofante confere ao Practicus o título de: “Senhor do Vigésimo-Oitavo Caminho”.

A Terceira Parte

No início da Terceira Parte o Hierofante diz: “Frater Monokeros de Astris, o Caminho agora aberto para você é o Vigésimo-Sétimo, que leva do grau 3=8 de Practicus ao grau 4=7 de Philosophus. Segure em sua mão direita a Cruz do Calvário de dez quadrados e siga seu guia pelo Caminho de Marte”.


Diagrama 44: Arranjo do Templo para o 27º Caminho no Ritual de 4=7.

Após isso, o Hierofante explica a Cruz do Calvário de dez quadrados: “A Cruz do Calvário de dez quadrados refere-se às dez Sephiroth em disposição equilibrada; diante das quais o informe e o vazio retrocedem. É também a forma aberta do cubo duplo, e do Altar do Incenso”. E a décima-sexta chave do Tarô:

Representa uma Torre atingida por um relâmpago procedente de um círculo raiado e terminando em um triângulo. É a Torre de Babel. O raio forma exatamente o símbolo astronômico de Marte. É o Poder da Tríade precipitando-se e destruindo a Coluna das Trevas. As pessoas caindo da torre representam a queda dos reis do Edom. “No lado direito da Torre está a Luz, e a representação da Árvore da Vida por Dez Círculos. No lado esquerdo está a Escuridão, e Onze Círculos representando simbolicamente as Qliphoth”.


Diagrama 45: A Cruz do Calvário de Dez Quadrados.


Diagrama 46: O Símbolo do Sal na Árvore da Vida.


Diagrama 47: O Símbolo do Enxofre na Árvore da Vida.


Diagrama 48: A Trindade Operando através das Sephiroth.

Então são mostrados os Símbolos Alquímicos do Enxofre e do Sal na Árvore da Vida. Após isso, o Hiereus explica o diagrama da Trindade operando através das Sephiroth; e o Hegemon o dos sete palácios Yetziráticos[4] contendo as dez Sephiroth; e as Qliphoth[5] com seus doze príncipes, que são os chefes do Mal dos doze meses do ano. Então o Hierofante confere ao Practicus o título de “Senhor do Vigésimo-Sétimo Caminho” e a terceira parte do Ritual termina.

A Quarta Parte

Na Cerimônia de Avanço, o Practicus busca a admissão pelo sinal da Cruz do Calvário de seis quadrados dentro de um círculo. O Hierofante lhe diz:

“Esta cruz abrange, como você verá, Tiphereth, Netzach, Hod e Yesod, repousando sobre Malkuth. Além disso, a Cruz do Calvário de seis quadrados forma o Cubo desdobrado, e assim se refere às seis Sephiroth do Microprosopo, que são: Chesed, Geburah, Tiphereth, Hod, Netzach e Yesod”.


Diagrama 49: Arranjo do Templo para a Cerimônia de Philosophus no Ritual de 4=7.


Diagrama 50: A Cruz do Calvário de Seis Quadrados.

E então explica a ele a representação simbólica da queda:

“A Grande Deusa, que no grau de 3=8 estava sustentando as Colunas das Sephiroth na forma do sinal de Theoricus (ou seja, de Atlas sustentando o Mundo), ao ser tentada pelo fruto da Árvore da Conhecimento, inclinou-se para as Qliphoth … as Colunas ficaram sem suporte, e o Esquema Sephirótico foi despedaçado; e com ele caiu Adão, o Microprosopo. Então surgiu o Grande Dragão com sete cabeças e dez chifres, cortando por suas ondulações Malkuth das Sephiroth, e ligando-a ao Reino das Conchas. As Sete Sephiroth inferiores foram cortadas das Três Supernas em Daath, aos pés de Aima Elohim. E sobre a cabeça do Dragão estão os nomes dos oito reis edomitas, e nos chifres os nomes dos onze duques de Edom. E porque em Daath ocorre a maior ascensão da Grande Serpente do Mal, portanto há como se fosse outra Sephira, formando oito cabeças de acordo com o número dos oito Reis; e para as Sephiroth Infernais e Aversas onze em vez de dez, de acordo com o número dos onze duques de Edom. As águas infernais de Daath jorram da boca do Dragão – e este é Leviatã. Tetragrammaton Elohim colocou as quatro letras do Santo Nome, e também a espada flamejante, para que a parte superior da Árvore da Vida não fosse envolvida na Queda de Adão”.


Diagrama 51: A Queda.


Diagrama 52: O Símbolo do Altar no Ritual de 4=7.

Então o Hierofante explica o simbolismo do Templo e diz:

“Eu agora parabenizo você por ter passado pela cerimônia do 4=7 de Philosophus e no reconhecimento disso, eu lhe dou o título místico de ‘PHAROS ILLUMINANS’ que significa – a Torre Iluminadora de Luz, e eu lhe dou o símbolo de אש (Ash), que é o nome hebraico do fogo”.

Tendo passado por este grau, o recém-formado Philosophus ganha o título de Honrado Frater e está elegível para o cargo de Hiereus.

Então ocorre o encerramento, a adoração ao Rei do Fogo é feita, e a Oração das Salamandras é recitada, e em nome de TETRAGRAMMATON TZABAOTH o Templo é fechado no grau de 4=7.


No espaço de sete meses, P. havia ascendido nos Mistérios de um mero estudante até o grau de Philosophus na Ordem da Aurora Dourada. De fato, uma luz havia sido peneirada a partir das cascas da escuridão, e agora, como um olho de prata, deslizava sobre a face escura das águas. O caos estava tomando forma – vermelho, vago e imenso.

Ele havia passado pelo Ritual da Terra, Ar, Água e Fogo, e agora lhe restava passar pelo Ritual do Portal, ou Ritual que completa os quatro rituais elementais por um quinto, o Ritual do Espírito, antes que ele pudesse passar da Primeira Ordem para a Segunda.

Este ritual é importante, pois é o elo de ligação entre as duas primeiras ordens, e de forma resumida é o seguinte: «continua no próximo capítulo».



  1. «“O Senhor disse a Moisés: ‘Faça uma serpente e coloque-a no alto de um poste; quem for mordido e olhar para ela viverá’. Moisés fez então uma serpente de bronze e a colocou num poste. Quando alguém era mordido por uma serpente e olhava para a serpente de bronze, permanecia vivo.” – Números 21:8,9.» ↩︎

  2. Consulte o 777, cols. LXIII, LXIV, LXV, LXVI, pp. 16 e 17. ↩︎

  3. Consulte o 777, col. XLIX e observe, também, o Manual de Geomancia. ↩︎

  4. Consulte o 777, col. XC, pág. 18. ↩︎

  5. Consulte o 777, col. VIII, p.2. ↩︎


Capítulo traduzido por Alan Willms em setembro de 2022. Foto ilustrativa de Kenny Eliason no Unsplash.