Ritual do Grau 3=8 de Practicus

Um capítulo de O Templo do Rei Salomão

Um resumo da cerimônia do grau de Hod da antiga Golden Dawn.

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Ritual do Grau 3=8 de Practicus

Este Grau é particularmente atribuído ao elemento Água, e refere-se especialmente ao planeta Mercúrio e ao trigésimo-primeiro e ao trigésimo caminhos de ש e ר. Ele começa com a Adoração ao Rei das Águas, que é seguida pelo Avanço. O Theoricus primeiro dá os sinais necessários e depois, como antes, compromete-se solenemente a manter segredo, após o qual é conduzido para o Oriente e colocado entre os Pilares Místicos. Então o Hierofante lhe diz:

“Diante de você estão os portais do trigésimo-primeiro, trigésimo-segundo e vigésimo-nono caminhos. Destes, como você já sabe, o central leva do 1=10 de Zelator ao 2=9 de Theoricus. O da esquerda, que agora está aberto para você, é o trigésimo-primeiro, que vai do 1=10 de Zelator ao 3=8 de Practicus. Pegue com sua mão direita a Pirâmide de Chamas, e siga seu guia Axiokersa, o primeiro Cabiro[1], que te conduz pelo caminho do fogo”.

Neste ritual os Três Cabiros representam o triângulo de fogo, desta forma: Axieros, o primeiro Cabiro, diz: “Eu sou o ápice do Triângulo de Chamas: Eu sou o Fogo Solar derramando seus raios sobre o mundo inferior: Doador de vida, Produtor de vida”. Então Axiokersos, o segundo Cabiro, diz: “Eu sou o ângulo basal esquerdo do Triângulo de Chamas: Eu sou o Fogo, Vulcânico e Terrestre, fulgurante e flamejante através dos profundos abismos da Terra: Fogo dilacerante, o fogo penetrante, dilacerando as cortinas da Matéria; o fogo restringido; o fogo atormentador; furioso e rodopiando em tempestade lúgubre!” E por último, Axiokersa, o terceiro Cabiro, diz: “Eu sou o ângulo basal direito do Triângulo de Chamas. Eu sou o Fogo, Astral e Fluido, serpenteando pelo Firmamento do Ar. Eu sou a vida do Ser, o calor vital da Existência”.

Então o Hierofante pega a pirâmide triangular sólida e explica:

“A pirâmide sólida triangular é um hieróglifo apropriado para o fogo. É formada por quatro triângulos, três visíveis e um oculto: este último é a síntese do resto. Os três triângulos visíveis representam o Fogo, Solar, Vulcânico e Astral; enquanto o quarto representa o calor latente. As três palavras: אור אוב אוד referem-se a três condições de calor: Aud, Ativo, Aub, Passivo[2]; Aur, o Equilibrado; enquanto אש (Ash) é o nome do Fogo”.

“O Trigésimo-Primeiro Caminho do Sepher Yetzirah, que responde à letra ש, é chamado de Inteligência Perpétua; e é assim chamado porque regula os movimentos do Sol e da Lua em sua ordem adequada; cada um em uma órbita conveniente para si. Portanto, é o reflexo da esfera do Fogo, e o caminho que conecta o universo material, conforme retratado em Malkuth, com o Pilar da Severidade e o lado de Geburah através da Sephira Hod”.


Diagrama 26: Arranjo do Templo para o 31º Caminho no Ritual de 3=8.

Então ele explica ao Theoricus a vigésima Chave do Tarô. É um glifo dos poderes do Fogo. O anjo coroado com o Sol é Michael, o governante do Fogo Solar.

As serpentes que saltam no arco-íris são símbolos dos ardentes Serafins. A trombeta representa a influência do Espírito descendo sobre Binah; e a bandeira com a cruz se refere aos quatro rios do Paraíso. Michael também é Axieros; a figura da esquerda Samael, o governante do Fogo Vulcânico – ele também é Axiokersos; a figura da direita é Axiokersa. “Estas três figuras principais formam o Triângulo do Fogo; e representam ainda o Fogo operando nos outros três elementos da Terra, Água e Ar”. A figura central inferior é Erd, o regente do calor latente, ele é o candidato nos mistérios da Samotrácia, e se eleva da Terra como se fosse receber e absorver as propriedades dos outros três. As três figuras inferiores formam a letra hebraica Shin, à qual se refere especialmente o Fogo; os sete Yods hebraicos referem-se às Sephiroth operando em cada um dos sete planetas, e também ao Schemhamphorasch”.


Diagrama 27: As Dez Sephiroth nos Sete Palácios.


Diagrama 28: As Atribuições das Dez Sephiroth às Quatro Letras.


Diagrama 29: A Cruz Grega Solar.

Então o Hiereus explica os dois diagramas: “As Dez Sephiroth nos Sete Palácios” e “A atribuição das Dez Sephiroth às quatro letras do Nome Sagrado”. E o Hegemon: “Os Sete Céus de Assiah”[3] e “As Dez Sephiroth malignas das Qliphoth”[4].

Então o Hierofante confere ao Theoricus o título do Trigésimo-Primeiro Caminho, que encerra a primeira parte da Cerimônia de 3=8.

A segunda parte consiste no ritual do Trigésimo Caminho. O Hierofante explica a Cruz Grega Solar e depois diz:

“O Trigésimo Caminho do Sepher Yetzirah, que responde à letra ‘Resh’, é chamado de inteligência coletora; e é assim chamado porque dele os astrólogos deduzem o julgamento das estrelas, e dos signos celestes, e as perfeições de sua ciência, de acordo com as regras de suas resoluções. Portanto, é o reflexo da Esfera do Sol; e o Caminho que liga Yesod a Hod, a Fundação ao Esplendor”.


Diagrama 30: O Arranjo do Templo para o 30º Caminho no Ritual de 3=8.

E então entra no simbolismo da Décima-Nona Chave do Tarô, que resume estas ideias: O Sol tem doze raios principais que representam o Zodíaco; estes são divididos em trinta e seis raios para representar os trinta e seis Decanatos; e depois novamente em setenta e dois Quinários. Assim, o próprio Sol envolve toda a criação em seus raios. Os sete Yods hebraicos caindo no ar referem-se à influência solar descendo. “As duas crianças, que estão respectivamente na Água e na Terra, representam as influências geradoras de ambas, postas em ação pelos raios do Sol. São os dois elementos inferiores e passivos, como o Sol e o Ar acima deles são os elementos superiores e ativos do Fogo e do Ar”. Além disso, essas duas crianças se assemelham ao signo de Gêmeos (que os gregos e romanos remetiam a Castor e Pólux), que une o signo terrestre de Touro e o signo aquoso de Câncer.

Então o Hiereus mostra ao Theoricus o diagrama dos “Símbolos astrológicos dos Planetas”[5], e explica-lhe o diagrama da “Verdadeira e genuína atribuição dos Trunfos do Tarô ao Alfabeto Hebraico”[6]. Após isso, o Hegemon o leva ao “Diagrama dos espíritos Olímpicos ou aéreos”[7] e mostra-lhe “As Figuras Geomânticas” com as inteligências e gênios governadores, também os símbolos talismânicos atribuídos a cada figura geomântica[8].

O Hierofante agora confere ao Theoricus o título de Senhor do Décimo-Terceiro Caminho, o qual deixa o Templo por um curto período.

Por meio do símbolo dos Stolistes – o cálice da Água Lustral – o Theoricus busca a entrada no Templo. O Hierofante se levanta e, de frente para o altar, dirige-se ao Theoricus assim:

“Diante de você está representado o simbolismo do Jardim do Éden, no cume está o Éden Superno contendo as três Sephiroth Supernas. … E no jardim estavam a Árvore da Vida, e a Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal, esta última é de Malkuth … e um rio Nahar saiu do Éden, a saber, da Tríade Suprema, para regar o jardim – o resto das Sephiroth. E dali foi dividido em quatro cabeças, em Daath. … A primeira cabeça é Pison, que flui para Geburah. … A segunda cabeça é Giom … fluindo para Chesed. A terceira é Hidequél … fluindo para Tiphereth. E a quarta … é Phrath, Eufrates, que desce sobre Malkuth”. Esses quatro rios formam a Cruz do Grande Adão. Em Malkuth está Eva, a conclusão de Tudo, a Mãe de Tudo.

Então o Hierofante dá ao Theoricus o sinal deste grau, e explica o símbolo do Altar: “A Cruz acima do triângulo representa o poder do espírito da vida subindo acima do triângulo das águas; e refletindo o triuno ali, como mais tarde demonstrado pelas lamparinas em seus ângulos: enquanto o cálice de água colocado na junção da cruz e do triângulo representa a letra materna Mem”. Depois disso, o diagrama com os selos místicos e os nomes extraídos do Kamea de Mercúrio[9] é mostrado ao Theoricus, bem como o diagrama dos sete planos da Árvore da Vida, respondendo aos sete planetas, e o diagrama mostrando o significado do Mercúrio Alquímico na Árvore da Vida; também os símbolos de todos os planetas resumidos em uma Figura Mercurial.


Diagrama 31: O Arranjo do Templo para a Cerimônia de Practicus no Ritual de 3=8.


Diagrama 32: O Símbolo do Altar no Ritual de 3=8.


Diagrama 33: O Jardim do Eden.


Diagrama 34: Atribuições do Mercúrio Alquímico.


Diagrama 35: Os Sete Planos da Árvore da Vida.


Diagrama 36: A Unificação dos Planetas em Mercúrio.

Então o Hierofante parabeniza o recém-formado Practicus e confere a ele o título místico de “MONOKEROS DE ASTRIS”, que significa “O Unicórnio das Estrelas”, e lhe dá o símbolo de Maim – água.

Agora ocorre o fechamento do Templo, e a oração às Ondinas é repetida, e em nome de ELOHIM TZABAOTH é pronunciada a Despedida.


Em maio de 1899, três meses depois de P. ter passado pela cerimônia de 3=8, ele estava suficientemente preparado para avançar para o grau de 4=7.



  1. Esta introdução dos mistérios da Samotrácia é evidentemente um subproduto forçado. Eram de uma ordem muito inferior aos de Elêusis e muito mais obscuros; na verdade, mesmo naquela época, as pessoas não conseguiam definir com precisão o que os Cabiros realmente eram. O estudante encontrará mais sobre esses seres semi-míticos em Estrabão, Diodoro e Varrão. Döllinger diz: “Isso é indubitável no testemunho conjunto de Strabo e Mnaseas; os deuses cuja iniciação as pessoas receberam aqui (Samotrácia) foram Axieros, ou seja, Deméter; Axiokersos, ou seja, Hades; e Axiokersa, ou seja, Perséfone”. — Döllinger, The Gentile and the Jew, «O Gentio e o Judeu», edição inglesa, 1906, v. i., pp. 172-186. ↩︎

  2. Daí: força Ódica; e Obi ou Obeah, feitiçaria. ↩︎

  3. Consulte o 777, cols. XCIII, XCIV, XCV, pp. 21, 20. ↩︎

  4. Consulte o 777, col. VIII, p. 2. ↩︎

  5. Consulte o 777, col. CLXXVII, pág. 35. ↩︎

  6. Consulte o 777, col. XIV, pág. 4. ↩︎

  7. Consulte o 777, col. LXXX, pág. 18. ↩︎

  8. Consulte o Manual de Geomancia, The Equinox, Vol. I, Nº 2. ↩︎

  9. Um Kamea é um quadrado mágico. Consulte Mathematical Recreations «Recreações Matemáticas», de W. W. Rouse Ball. ↩︎


Capítulo traduzido por Alan Willms em setembro de 2022. Foto ilustrativa de Philip Swinburn no Unsplash.