Conclusão Sobre as Visões

Este artigo é um capítulo de O Templo do Rei Salomão

Das técnicas de visões como meio de consecução.

.
Leia em 21 min.
Banner

«Conclusão Sobre as Visões»

Estas são algumas das primeiras visões de Frater P. Como vemos, elas começam em uma série de imagens que mudam rapidamente e, na maioria das vezes, desconexas, voando pelo observador como as casas de uma cidade vistas pelas janelas de um trem em alta velocidade. As ruas que as conectam não são notadas, nem sempre os próprios edifícios inteiros, nem o solo sobre o qual se erguem, nem a substância da qual são construídas; e alguém que nunca havia viajado de trem antes, digamos, um bosquímano que nunca se afastou muito de seu kraal natal, ficaria maravilhado e espantado ao observar a extraordinária desordem da visão veloz. A princípio, poderíamos desculpá-lo se realmente duvidasse de seus sentidos, tão de repente os prédios aparentemente em movimento surgem, mudam e desaparecem – agora um telhado, algumas chaminés – depois uma lacuna – uma árvore – uma torre – um vislumbre de uma longa rua – ela se foi; agora uma alta ribanceira – um corte – um túnel e escuridão; e então mais uma vez a luz e o turbilhão contínuo de incontáveis casas.

No entanto, o secretário municipal não se admira; pois ele sabe muito bem – bem demais para notar – que as casas pelas quais ele está correndo são construídas de tijolo e argamassa, construídas em planos geométricos e arquitetônicos, conectadas por ruas e estradas, por canos de gás e água, e por drenos; cada uma sendo um microcosmo em si, regulado, governado e ordenado por códigos, costumes e leis, uma unidade organizada querendo apenas o sopro de vida para se erguer por completo, e como um gigante colossal, se afastar diante de nossos olhos aterrorizados.

Da mesma forma, o adepto verá nessas visões um grande reino ordenado e, por trás de todo o seu aparente caos, verá regra e lei; pois ele entenderá que a mudança repentina, o salto dos mares azuis para os templos prateados, e as colunas de fogo, as pessoas adorando, as roupas vermelhas, os falcões; e então pilares quadrados, um olho, ou um bando de águias, não é devido à desordem no reino da visão, mas à falta de paráfrase na mente do observador quando ele, após seu retorno, tenta interpretar o que ele viu em símbolos e palavras racionais.

Uma cadeia de pensamento é simplesmente uma série de vibrações que surgem do contato de um sentido com um símbolo ou uma série de símbolos. “Se controladas pelo Poder do Raciocínio e permitidas pela Vontade, tais vibrações serão equilibradas e de igual duração. Mas se não forem controladas pela Vontade Inferior e pela Razão, serão desequilibradas e desarmônicas – ou seja, de duração desigual”. Isso encontramos explicado em um manuscrito da A∴ D∴ intitulado: “A Sabedoria Secreta do Mundo Menor, ou Microcosmo, que é o Homem”. Além disso, aprendemos deste manuscrito que:

“No caso do bêbado, o equilíbrio da Esfera das Sensações e, consequentemente, do Nephesch, é perturbado, e como consequência disso os Raios do Pensamento são abalados a cada vibração; de modo que isso faz a esfera da sensação do Nephesch balançar e oscilar nas extremidades do Corpo Físico, onde a ação do Ruach é limitada. Portanto, o pensamento é deslumbrado pelos Símbolos da Esfera das Sensações, da mesma forma que o olho pode ser deslumbrado diante de um espelho se este for sacudido ou acenado. Portanto, a sensação então transmitida pelo pensamento é a da Esfera de sensações oscilando e quase girando em torno do corpo físico, o que, traduzido para o corpo físico, traz tontura, mal-estar, vertigem e perda da noção do juízo, do lugar e de posição”.

Portanto, como vemos, a falha está na preponderância do Nephesch sobre o Ruach, em outras palavras, a Emoção pesando mais do que a Razão.

Na última visão, de nº 18, encontramos mais esforço por parte do Ruach do que em qualquer uma das outras, e isso é indubitavelmente explicado pelo fato de que P., nesta visão, partiu com um objetivo definido diante dele, a saber, ver Safo. O mesmo pode ser dito da Visão nº 7, mas, considerando-se que este não é o caso, pois, na nº 7, P. pede força para ajudar seu primo, cuja própria solicitação indica fraqueza; além disso, é de se esperar que uma ideia concreta tome uma forma muito mais definida do que uma abstrata. No primeiro caso, quando Safo apareceu de imediato, exceto por uma pausa aqui e ali, a visão é bastante racional – se podemos usar um termo tão bastardo para nos expressar; não no segundo, que é particularmente vago.

Ao considerar essas visões e as futuras, deve-se lembrar que, embora insistamos agora em uma cadeia contínua de ideias como prova de sua validade, e igualmente com aquelas com as quais lidaremos mais tarde, achamos no presente, acima de tudo, que a simplicidade é o nosso guia mais seguro; pois ainda estamos lidando apenas com as visões de um estudante, que, como tal, como um colegial, deve elaborar todas as suas visões na íntegra como se fossem problemas matemáticos. Se quiser, o mestre pode usar atalhos algébricos e logarítmicos na solução de seus intrincados problemas, e também descobriremos que muitos desses magistrais direitos de passagem são tão desconcertantes, temo eu, quanto os curiosos caminhos equivocados do principiante. Além disso, deve-se ter sempre em mente que quanto mais fundo mergulhamos nas ciências ocultas, embora mais simples nossa linguagem se torne, menos capacidade temos de nos expressar em meras palavras e frases comuns; de termos complexos nós afundamos em simples paradoxos, e de símbolos filosóficos e científicos nos elevamos a uma terra de hieróglifos puramente linguísticos – e daí o silêncio.

A tarefa de classificar e interpretar conscientemente os fenômenos na Visão do Espírito (em contraste com a visão óptica) é uma das principais tarefas do Adeptus Minor, ou seja, de um indivíduo que passou pelo grau de 5=6. P. ainda não tinha conseguido isso. E em outra parte do manuscrito já mencionado, há uma seção intitulada “A Tarefa empreendida pelo Adeptus Minor”, e se resume com lucidez da seguinte forma:

“Esta então é a tarefa empreendida pelo Adeptus Minor:

Expulsar das Sephiroth do Nephesch a usurpação das Sephiroth Malignas.

Equilibrar igualmente a ação das Sephiroth do Ruach e do Nephesch.

Evitar que a Vontade Inferior e a Consciência Humana caiam e usurpem o lugar da Consciência Automática.

Tornar o Rei do Corpo (a Vontade Inferior) obediente e ansioso por executar os comandos da Vontade Superior; para que ele não seja nem um usurpador das faculdades do Superior, nem um Déspota Sensual, mas um governante iniciado e um Rei ungido, o Vice-Rei e representante da Vontade Superior (porque é inspirado por ele em seu Reino que é o Homem).

Então acontecerá que a Vontade Superior, ou seja, o Gênio Inferior, descerá para a Habitação da Realeza, de modo que a Vontade Superior e a Vontade Inferior serão uma só, e o Gênio Superior descerá para o Kether do Homem, trazendo consigo a tremenda iluminação de sua Natureza Angélica; e o homem se tornará o que foi dito de Enoque: ‘E Chanokh se fez caminhar para sempre perto da essência dos Elohim, e ele não existia separado, visto que os Elohim tomaram posse de seu ser’.

Este também é um grande mistério que o Adeptus Minor deve conhecer:

Como a Consciência Espiritual pode agir ao redor e além da Esfera da Sensação.

O ‘pensamento’ é uma força poderosa quando projetado com toda a força da Vontade Inferior, sob a Orientação da Faculdade de Raciocínio, e iluminado pela Vontade Superior.

Portanto, ocorre que em teu trabalho oculto tu és aconselhado a invocar os Nomes Divinos e Angélicos, para que tua Vontade Inferior possa voluntariamente receber o influxo da Vontade Superior, que é também o Gênio Inferior, por trás do qual estão todas as forças potentes.

Esta, portanto, é a maneira mágica de operação do iniciado na “Vidência na Visão do Espírito”.

Conhecendo completamente através de sua Sabedoria Arcana a disposição e correspondências da Força do Microcosmo, selecionando não ao acaso, mas determinado símbolo equilibrado com seus correlativos, ele então envia, como antes dito, um Raio de Pensamento de seu Consciência Espiritual, iluminada por sua Vontade Superior, diretamente para a parte de sua Esfera de Sensação ou E. M. do U[1] que é consonante com o símbolo empregado. Lá, como em um espelho, ele percebe suas propriedades como refletidas do Macrocosmo brilhando no Abismo Infinito dos Céus; daí ele pode seguir o Raio de Reflexão a partir daí, e enquanto concentra sua consciência unida naquele ponto de sua Esfera de Sensação, pode receber o reflexo Direto do Raio do Macrocosmo.

Mas se em vez de se concentrar naquele ponto da Esfera da Sensação em si, e assim receber o Raio Direto, como então refletido em seu pensamento, e unir-se com o Raio de seu pensamento, de modo a fazer um raio contínuo do ponto correspondente do Macrocosmo até o centro de sua consciência: se em vez disso ele reter o raio de pensamento apenas tocando a Esfera da Sensação naquele ponto, ele deverá, é verdade, perceber o reflexo do raio Macrocósmico, respondendo a esse símbolo na Esfera de sua consciência; mas ele receberá esse reflexo, demasiadamente tingido por sua própria natureza; e, portanto, até certo ponto inverídico. Porque suas consciências unidas não foram capazes de focalizar ao longo do raio de pensamento na circunferência da Esfera da Sensação ou E. M. do U. E esta é a razão pela qual existem tantos e múltiplos erros em Visões Espirituais não treinadas: porque o Skryer (ou seja, Vidente) não treinado – mesmo supondo-o livre das ilusões da Obsessão[2], * não sabe nem entende como unir sua consciência: muito menos quais são as correspondências e harmonias entre sua Esfera de Sensação e o Universo – o Macrocosmo. …”

A Arte da Vidência é explicada em um manuscrito da A∴ D∴ intitulado “Da Viagem na Visão do Espírito”, no qual esta forma particular de obter contato, por assim dizer, com a Vontade Superior é explicada da seguinte forma:

“Conhecendo o símbolo, lugar, direção ou plano sobre o qual se deseja agir, um raio de pensamento é enviado à parte correspondente da Esfera das Sensações, e daí, extraindo uma base de ação da Luz Astral refinada da Esfera das Sensações do Nephesch, o raio de pensamento é enviado como uma flecha de um arco através da circunferência da Esfera das Sensações direto para o local desejado. Chegando aqui, uma Esfera de Luz Astral é formada pela ação da Vontade Inferior iluminada pela Vontade Superior, e, agindo através da Consciência Espiritual, por reflexo ao longo do raio de pensamento, a Esfera de Luz Astral é parcialmente extraída do Nephesch, e parcialmente da atmosfera circundante.

Esta Esfera sendo formada, um Simulācrum da pessoa do Vidente é refletido nela ao longo do raio de pensamento, e então a consciência unida é projetada nela.

Portanto, esta esfera é um reflexo duplicado da Esfera das Sensações. Como é dito:

‘Acredite estar em um lugar, e tu estarás lá’.

Nesta projeção Astral, entretanto, uma certa parte da consciência deve permanecer no corpo para proteger o raio-pensamento além dos limites da Esfera das Sensações (assim como a própria Esfera naquele ponto de partida do raio-pensamento) do ataque de qualquer força hostil, de modo que a Consciência nesta Projeção não é tão forte quanto a consciência quando concentrada no corpo natural na vida comum.

O retorno se dá por uma reversão deste processo; e, exceto para pessoas cujo Nephesch e corpo físico são excepcionalmente fortes e saudáveis, toda a operação de ‘vidência’ e viagem na Visão do Espírito é, obviamente, cansativa.

Também existe outro modo de Projeção Astral que pode ser usado pelo Adepto mais experiente e avançado. Este consiste em formar primeiro uma Esfera a partir de sua própria Esfera das Sensações, lançando nela seu reflexo, e depois projetando toda esta Esfera no lugar desejado como no método anterior. Mas isso não é fácil de ser feito por qualquer um que não seja um operador experiente”.

De fato, se esta projeção da Esfera para o local desejado puder ser realizada com sucesso, a iluminação mais elevada poderá ser obtida por este meio, supondo que o local desejado seja Deus ou Kether.

Para um iniciante, este método particular de Consecução parecerá muito vago e desequilibrado, pois suas viagens astrais consistirão em uma cadeia de alarmes e surpresas; e a razão para isso é que em quase todos os casos ele parte sem uma ideia clara do lugar para onde está se esforçando para viajar, ou do caminho que escolheu adotar. Ele é como um explorador que parte em uma jornada de descoberta; quanto mais longe ele viaja de sua própria terra natal, mais estranhas e incomuns lhe parecem as terras pelas quais ele está viajando. Pouco a pouco, a linguagem de seu país muda, fundindo-se por assim dizer em outra não muito diferente, mas ainda desigual; isso também muda com o tempo, e assim também aos poucos todos os seus arredores, até que ele se encontra em um país estranho, tão diferente daquele de onde partiu como uma floresta equatorial é das terras incrustadas de gelo do Polo.

Às vezes a mudança de cenário é pequena, às vezes vasta, de acordo com os poderes de consecução, mas em todos os casos essas viagens seriam de pouca utilidade, a menos que o método fosse trazido para o caos extraordinário que elas inicialmente revelam. E, como na Geografia, pouca informação poderia ser obtida da configuração da superfície da Terra, a menos que os exploradores partissem com um objetivo definido em vista, como Colombo quando partiu em sua grande jornada de descoberta, e equipado com instrumentos definidos; assim, nestas viagens astrais, pouca ou nenhuma informação espiritual pode ser obtida, a menos que o Vidente projete, ou pelo menos parta, com a intenção de projetar, sua Esfera para um lugar certo e definido. Isso, quando aplicado à viagem para certos caminhos ou lugares na Árvore da Vida, é chamado de Ascensão nos Planos, e pode levar, como dito acima, se o destino desejado for Kether, à Consecução mais elevada.

Esta Ascensão nos Planos é um processo místico definido, e dois iniciados que se propõem a atingir o mesmo objetivo encontrariam a jornada, em sua essência, tão semelhante quanto dois indivíduos comuns achariam uma jornada de Londres a Paris.

O Karma e o ambiente têm que ser levados em conta nestas Ascensões nos Planos, assim como teriam que ser levados em conta no caso dos dois homens que viajam para Paris. Um pode estar viajando na terceira classe e o outro na primeira; um pode estar viajando em um trem lento, o outro em um expresso; um pode ver grande beleza na viagem, o outro pouca; no entanto, ambos saberiam quando chegassem a Dover, ambos saberiam quando estivessem no Canal, e ambos, de alguma forma, diferente em detalhes, talvez, reconheceriam Paris como Paris quando chegassem ao seu destino.

Este método particular de Ascensão nos Planos é excepcionalmente interessante de se estudar, não apenas porque está intimamente ligado aos métodos orientais de Yoga[3], mas porque temos muitos resultados práticos à mão, muitos fatos reais a partir dos quais podemos generalizar e construir uma teoria. Dois desses exemplos daremos aqui, o primeiro um poema do Sr. Aleister Crowley chamado “A Escada”, em que a projeção é vertical, ou seja, direcionada ao longo da coluna central da Árvore da Vida; e no segundo, que é chamado de “A Ascensão até Daäth”, pelo M. H. Frater I. A. Na primeira destas “Ascensões”, o objetivo da consecução é Kether, e vários cabeçalhos do poema apontam claramente o suficiente os diferentes estágios pelos quais o Vidente tem que passar. Da escuridão de Malkuth ele passa às várias cores simbólicas, que serão discutidas em um capítulo futuro, bem como muitos dos símbolos que descrevemos, para finalmente chegar a Kether. Na segunda, Fra. I. A. nos leva até Daäth, a cabeça da Velha Serpente, Conhecedora do Bem e do Mal.

A Escada

“Subirei e irei até meu Pai”

Malkuth

Escuro, escuro, tudo escuro! Eu me encolho, eu me abaixo de medo.
Acima de mim só há um tom de cidra
Como se fosse um eco do vermelho, do dourado e do azul
Harmonizados na noite e deixando sua sombra passar.
Mesmo assim, eu que estou assim aprisionado e exilado
Sou por direito o herdeiro da glória, a criança coroada.


                  Eu equiparo meu poder com o de meu Destino,
                                    Eu cingi-me para atingir os deveres ultimais,
                                                     Eu me armo para vencer a guerra: –  
                  Levantai as vossas cabeças, ó portões poderosos!
                                    Erguei-vos, ó portais eternos!
                                                     O Rei da Glória entrará.

Tau

Eu passo do citrino: de índigo escuro
É essa alta coluna. Cobras e abutres inclinam
Seu ódio oculto sobre quem quer que suba.
Ó, que os Quatro me ajudem! Desgraça eterna,
Medo e tortura se amontoam no limiar. Vê! O fim
Da matéria! A Imensidão das coisas
Desencadeia – novas leis, novos seres, novas condições; –
Horrendo caos; veja! estas recém-desenvolvidas asas
Falham em suas incertezas e inanições.
Só meu círculo me salva do ódio
De todos estes monstros mortos, ainda que animados.


       Eu equiparo etc.

Yesod

Salve, tu lua cheia, ó chama de ametista!
Estupenda montanha em cujos ombros repousam
Os Oito Acima. Mais estável é meu cume
Do que o teu – e agora eu te perfuro, véu de névoa!
Assim como uma flecha do arco de guerra é lançada,
Eu salto – minha vida é destinada a coisas mais elevadas.


       Eu equiparo etc.

Samekh (e a travessia do Caminho de Pé)

Agora rápida, tu flecha azul de fogo esmorecido,
Perfura o arco-íris! Rápida, ó, rápida! como atravessa
O mundo! Que Sandalphon e seu coro
De Anjos me protejam!


                                                     Ó! que planeta irradia
Este raio raivoso? Tuas espadas, teus escudos, tuas lanças!
Tuas carruagens e teus cavaleiros, Senhor! Esferas chovidas
De meteoros guerreiam e queimam; mas eu sou eu,
O próprio Hórus, a Torrente do céu
Em chamas – eu varro os mares tempestuosos do ar
Em direção a esse grande globo que paira tão dourado e belo.


       Eu equiparo etc.

Tiphereth

Salve, salve, tu sol de harmonia,
De beleza e de êxtase!
Tu irradias brilhante e destemido!
Tu, rosa rubi, tu, cruz de ouro!
Salve, centro do plano cósmico!
Salve, imagem mística do Homem!
Eu dou o sinal de Asar assassinado.
Eu dou o sinal de Asi imponente.
Eu dou o sinal de Apep, a estrela
Da Destruição negra que tudo devora.
Eu dou o teu sinal, Asar ressurreto: –
Rebenta, ó meu espírito, de tua prisão!


       Eu equiparo etc.

Gimel (com a travessia do Caminho de Teth)

Salve, Lua virgem, Lua brilhante Dela
Que é o pensamento e o ministro de Deus!
Pura neve, céu azul, imaculada
Hécate, no Teu livro do Destino
Leias meu nome, a alma ascendente
Que busca a meta suprema e sem sol!


                 E tu, grande Sekhet, ruja! Levanta,
                  Enfrenta o leão no caminho!
                  Teus olhos calmos e indomáveis,
                  Levanta de uma vez, e olha, e fura, e mata!

Passei. Salve, Hécate! Não-trilhada é
Tua subida íngreme até Deus, até Deus!
Vê, que inominada, inominável
Esfera paira acima do inescrutável?
Não há virtude em teu beijo
Para afrontar aquele abismo negro e desalmado.


       Eu equiparo etc.

Daäth

Eu estou louco. Minha razão tomba;
A torre de meu ser desmorona.
Aqui tudo é dúvida, angústia, desespero:
Não há poder na força ou na oração.
Se eu passar, é pelo poder
Do momentum de meu voo.


       Eu equiparo etc.

Gimel (e da travessia de Daleth)

Livre dessa maldição, solto dessa prisão;
De toda esta ruína, me levantei!
Ainda pura, a lua virgem seduz
Minha passagem azul com seus sorrisos.


                  Agora! Ó, que amor divino redime
                  Minha morte, e a banha em seus raios de luz!
                  Que consagração transubstancia
                  A minha carne e sangue, e encarna
                  O Pã quintessencial? Que terra
                  Se estende para além desta porta secreta?
                  Salve! Ó, tu estrela sétupla verde,
                  Tu, glória quádrupla – todo este sofrimento
                  Apanhado em êxtase – uma benção
                  Para me passar cantando através da lua!

Não! Eu não sabia que glória resplandecia
Ouro da felicidade ofegante e além:
Mas isso eu sei, que eu me vou
Para o coração do grande diamante de Deus!


       Eu equiparo etc.

Kether

Estou do outro lado do abismo de fogo;
Ouvis que eu sou o que sou!

O Retorno

Vê! Eu vesti a minha luz terrível
Naquele corpo nascido da noite.
Que sua mente esteja aberta para o superior!
Que seu coração seja lúcido e luminoso!
O Templo de seu próprio desejo
O Templo da Rosa Cruz!

Conforme Hórus acelera a chama, Harpócrates
A recebe, e põe a alma a descansar.
Eu que era Um sou Um, toda a luz
Equilibrada dentro de mim, corretamente ordenada,
Tal como sempre foi para o iniciado do saber,
É agora, e sempre será. Amém.


A Ascensão a Daäth

Vinde a Mim, vós, Senhores Divinos das Forças da Inteligência: Cuja Morada é no Lugar do Encontro das Águas.
Vinde a Mim, vós, em quem os Segredos da Verdade têm a sua Morada.
Vinde a mim, ó Tzaphqial, Aralim, Qashial, pela branca Estrela Tríplice, e em nome de IHVH ELOHIM.
Fazei com que os Caminhos da Ira sejam abertos para mim; para que eu possa avançar sobre a Árvore da Vida até ao Lugar do Rio.

Eu estou sobre o Quadrante Norte do Universo de Matéria, e ao meu redor brilha a Chama Avermelhada da Terra.
Diante de mim está o Portal do Caminho do Espírito da Chama Primal: Dali brilha a Glória Vermelha para o Mundo de Assiah.


                  Levantai as vossas Cabeças, ó Portões!
                    E erguei-vos, Portas Eternas!
                    E o Rei da Glória entrará.

Eu saí dos Portões da Matéria:
Eu avanço sobre o Caminho da Chama Primal:
E ao meu redor é estabelecida a Glória do Fogo.
Imenso diante de mim, ao longe, avulta-se o Portal da Glória.
Eu vim aos Portões da Glória de Deus:
Eu grito para eles em Nome de Elohim Tzebaoth.


       Levantai as vossas Cabeças, ó Portões etc.

Atrás de mim está o Portal do Fogo Primal:
Atrás de mim está o Caminho Dourado do Sol:
À minha direita está a Luz Vermelha de Marte:
E diante de mim está o Portal das Águas do Mar Primal.

No Vasto nome de AL, o que Tudo Persevera
Deixa-me passar pelo portão das Águas do Mar Primal.


       Levantai as vossas Cabeças, ó Portões etc.

Eu saí dos Portões da Glória;
Ao meu redor estão quebrando as águas do Mar Primal:
Meu caminho é nas Águas Profundas,
E os meus passos estão no Desconhecido.

Grandioso diante de mim está o Portal de Geburah:
Atrás dele está brilhando o Fogo da Ira de Deus:
Eu grito para Ti em nome de Elohim Gibor:
Abra para mim, Portal do Poderoso Deus!


       Levantai as vossas Cabeças, ó Portões etc.

Eu saí do Caminho das Águas:
Eu estou no Mundo do Poder de Deus:
Eu viro meu rosto para a Direita, e o Portão do Leão está em minha frente —
Portão do Caminho do Leão, no Signo do Leão tu abres diante de mim.


       Levantai as vossas Cabeças, ó Portões etc.

Eu avanço sobre o Caminho do Líder do Leão,
Pelo Poder da Filha da Espada Flamejante.
Ao meu redor os Leões estão rugindo por sua presa;
Mas eu sou Sekhet, de Olhos Flamejantes.
Meu rosto está virado para a esquerda,
E a Sacerdotisa da Estrela de Prata é minha guia.
Agora eu saí pelo Caminho do Leão,
E o meu pensamento está no Lugar do encontro das Águas.
Eu sou aquele Estabelecido em Daäth!
Em mim está o Conhecimento do Bem e do Mal!
Em mim está o Conhecimento da Luz Suprema!
E meu rosto está voltado para baixo, à Malkuth.


Assim como todos os demais métodos, estes da Viagem na Visão do Espírito e da Ascensão nos Planos só devem ser julgados por seu sucesso. É impossível estabelecer uma tarefa única para cada indivíduo; um pode se adequar a uma, outro a outra; no entanto deve ser salientado aqui que, apesar destes dois métodos, ou melhor, duas fases de um método, serem na maioria dos casos frutíferos em resultado, geralmente só são um passo pequeno à frente, e muito raramente a iluminação suprema segue. No entanto, eles são excelentes como aperitivos, pois o estudante ao menos obtém aquela fome pelo Além, aquele apetite pelo Inalcançável, que irá conduzi-lo por muitos humores sombrios, de muitos sussurros sobre a impossibilidade de sua tarefa. Mesmo assim é quase certo que eles podem realizar mais do que isso: para uns poucos destrancaram o Portal, para muitos a Poterna; mas em todos os casos é melhor que o estudante fique sob a orientação de alguém que realmente viajou, e não confiar em suas próprias intuições em uma terra desconhecida, pois, se ele fizer isso, é quase certo que ele se desviará, e que a Obsessão poderá tomar o lugar da Iluminação, e o fracasso o do sucesso.

Devem se passar sete meses entre os graus de 4=7 e 5=6, e durante este tempo encontramos P. ocupado viajando pelas ilhas britânicas em busca de uma casa adequada para executar a Operação de Abramelin o Mago, que desde o outono anterior, havia capturado a sua atenção. No mês de maio, ele encontrou D.D.C.F. 7=4, chefe oficial da Ordem da Aurora Dourada. Mas ele ainda estava determinado a realizar a Operação de Abramelin, e viajou por todo o país empenhado em descobrir uma habitação adequada para o Retiro necessário. Então aconteceu que em outubro daquele ano o encontramos estabelecido em um distrito remoto e desolado, um caos tombado de lago e montanha, em uma antiga casa de campo, tomando todas as providências necessárias para esta grande operação na Magia Cerimonial.


  1. Espelho Mágico do Universo. ↩︎

  2. Ou uma separação da Vontade Superior da Vontade Inferior. ↩︎

  3. Toda a teoria e prática do Raja Yoga é o despertar de um poder chamado Kuṇḍalinī, que está enrolado no que é chamado de plexo sacral, e então forçar esse poder despertado a subir um canal chamado Suṣumṇā, que atravessa o centro da coluna vertebral. “Quando a Kuṇḍalinī é despertada e entra no canal do Suṣumṇā, todas as percepções estão no espaço mental ou Chittākāsha. Quando ela atinge a extremidade do canal que abre para o cérebro, a percepção sem objeto está no local do conhecimento, ou Chidākāsha”. Assim como na Ascensão da Coluna Central da Árvore da Vida, existem certos centros, como Malkuth, o Caminho de Tau, Yesod, o Caminho de Samekh, Tiphereth, o Caminho de Gimel, Daäth e Kether; também no Suṣumṇā existem certos centros ou Cakras, isto é, Mūlādhāra, Svādhiṣṭhāna, Maṇipūra, Anāhata, Viśuddha, Ājñā e Sahasrāra. Para outras atribuições, consulte o 777. ↩︎


Capítulo traduzido e anotado por Alan Willms em outubro de 2023. Foto ilustrativa extraída de uma fotografia de Benjamin Szabo no Unsplash.

Próximo capítulo em breve!
O Feiticeiro »
Gostou deste artigo?
Contribua com a nossa biblioteca